ELMAR BONES
Por desespero ou por astúcia, o governador José Ivo Sartori decidiu colocar um político na Secretaria de Segurança. É acertado: a Segurança é muito mais uma questão política do que técnica.
Escolheu Cezar Schirmer. É cedo para dizer que errou. Entre os políticos que podia escolher, nenhum tem a experiência e o histórico de Schirmer.
Ambos têm suas origens no velho MDB de Pedro Simon. Isso pode ser positivo ou negativo, depende do ponto de vista.
O certo é que se conhecem, e conhecem os meandros da política.
Quando Pedro Simon assumiu em 1987, as finanças do Estado já eram um caos.
Foi um choque ele ter escolhido Cezar Schirmer para a Fazenda, um jovem deputado, que não sabia bulhufas de finanças públicas. Ele tinha a ordem de sentar em cima da chave do cofre e o fez. Fora isso, fez uma devassa e revelou um esquema para Lava Jato nenhuma botar defeito.
Não durou, claro. Mas um ano e pouco depois de ter assumido, o governo Pedro Simon mereceu capa da revista IstoÉ, que então pertencia à Gazeta Mercantil, por ter conseguido o equilibro das contas no Rio Grande do Sul.
O governo anterior, de Jair Soares, deixara um déficit de 15% que foi manchete do Jornal Nacional, como o maior do país naquele ano.
Schirmer assume agora a Secretaria da Segurança de um governo que segue à risca o modelo de Pedro Simon: o ajuste a qualquer preço.
Assume num momento de pânico social no qual ele, depois do episódio da boate Kiss, politicamente, nada tem a perder.
Qualquer coisa que melhorar já será uma reversão de expectativa. Se obtiver o mínimo, com sua experiência talvez colabore para dar um rumo ao governo.

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