Vem Pra Rua impõe teste à democracia

Geraldo Hasse
Nesta quarta-feira (8), apareceu nas caixas de correio de casas e prédios residenciais, nos escritórios e nas ruas de Porto Alegre um panfleto em preto & branco com o título ELA TAMBÉM MENTIU PRA VOCÊ – seguido de várias frases afirmando que Dilma e o PT fizeram uma série de coisas negativas para os interesses dos trabalhadores.
Sem assinatura, o panfleto exibe uma foto da presidente aparentemente amuada e convoca para a manifestação do dia 12/4 às 15 horas no Parcão de Porto Alegre, palco de outro protesto oposicionista há três semanas.
A fonte aparente do panfleto em papel couché é o movimento Vem Pra Rua, um dos promotores da manifestação de 15 de junho na Avenida Paulista em São Paulo e em outras cidades.
O Vem Pra Rua nasceu na internet e a partir dela se organiza, mas sua inspiração de fundo vem da classe média e de grupos políticos, empresariais e sindicais inconformados com a vitória eleitoral de Dilma em outubro de 2014. Tanto que suas palavras de ordem (“Fora Dilma!” e “Impeachment Já!”) ecoam declarações de políticos como Aécio Neves, o tucano mais contrariado com o resultado das eleições de 2014.
Segundo o panfleto, Dilma mentiu na campanha e, após a vitória, despejou sobre o povo e os trabalhadores um saco de maldades: aumentos de gasolina, luz, impostos e juros, cortes em vagas e bolsas estudantis e até no Minha Casa Minha Vida.
“O PT e seus aliados saquearam a Petrobras, quebraram o Brasil e mandaram a conta para o povo pagar”, diz uma das frases-síntese, numa perfeita combinação de demagogia e marquetagem – evidência de que o movimento Vem Pra Rua, seus inspiradores e seguidores estão operando em circuito fechado, sem ver, ler ou ouvir o que rola no Brasil e no mundo.
Justamente por seu tom de “não quero nem saber”, é um movimento disposto a testar a maturidade da democracia brasileira.

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