Volta às aulas

Matéria por Carla Ruas, Helen Lopes e Naira Hofmeister

Escolas investem em segurança

A segurança dos alunos é uma   questão que preocupa cada vez mais pais, professores e a direção das escolas. Para garantir o bem-estar das crianças, os colégios particulares têm investido alto em seguranças terceirizados e equipamentos de alta tecnologia, valores que são repassados nas salgadas mensalidades. Já as escolas estaduais continuam dependendo de policiais aposentados da Brigada Militar e da verba da Secretaria de Educação para melhorias na infra-estrutura dos prédios.

A Escola Estadual Anne Frank pede desde o ano passado à Secretaria da Educação um guarda na porta da escola. “Existe um grupo de ex-alunos e não alunos que perturbam a entrada e saída das crianças”, afirma a vice-diretora Jociane Telles. A direção, em conjunto com a comunidade, encaminhou uma carta ao secretário José Fortunati, mas ainda não obteve resposta.

A preocupação se repete nas mais de três mil escolas do ensino público estadual no Rio Grande do Sul. Assim como falta verba para professores, estrutura física e computadores, a segurança também fica comprometida. “Todas as escolas deveriam ter um policial militar na frente”, sugere Jociane.

O secretário José Fortunati explica que a Secretaria mantém uma parceria com a Brigada Militar, que encaminha policiais aposentados para as imediações escolares. “Mas não conseguimos atender à grande demanda”, lamenta. O projeto existe desde o segundo semestre de 2005.

O secretário admite que nos últimos anos as escolas têm cobrado mais medidas de segurança. Ele destaca o número de reformas que foram solicitadas para reforçar a estrutura dos prédios. “Até o final de 2005 autorizei cerca de duas mil obras, das quais muitas estão sendo realizadas para o inicio deste ano letivo”. Uma das exigências é a construção e reforço de muros.

Os colégios particulares compartilham do mesmo medo. Para resolver o problema, as mensalidades recebidas têm se destinado cada vez mais a equipamentos de última geração. “Hoje temos como prioridade investir em segurança”, afirma o diretor do Colégio Rosário, Irmão Firmino. O colégio dispõe de aparelhos que fiscalizam a parte interna dos prédios e uma infra-estrutura construída para manter os indesejados do lado de fora.

O Irmão explica que há dois anos a direção também paga uma empresa especializada que fiscaliza os arredores do colégio. “A atenção é voltada para as portas do prédio, durante a entrada e saída de alunos”. Os seguranças contratados também circulam pela Praça Dom Sebastião, Centro Esportivo e Avenida Independência.


Valores do material escolar podem variar mais de 100%
(Fotos: Àrfio Mazzei/JÁ)

Lição de casa é economizar no material escolar

Quem pretende economizar no material escolar vai ter que bater perna para achar o melhor preço. Comparar ainda é a melhor receita. Os valores podem variar mais de 100% conforme a marca ou o atrativo que o produto oferece. Por exemplo, um apontador simples sai por R$ 0,36, na Feira do Material Escolar da Prefeitura. Já o apontador com depósito em forma de trem chega a R$ 5,95, na Livraria do Globo, da Andradas. Existe também produtos que compõem duas ou mais utilidades em um só. Um apontador com depósito e borracha na ponta, da Faber-Castell, custa R$ 2,99, nas Lojas Americanas.

Uma boa opção para quem está mais interessado no preço do que nos atrativos é a Feira do Material Escolar, organizada pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), no Mercado Público. Aberta até o dia 8 de março, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 9h às 16h30, a Feira tem como principal objetivo equilibrar o mercado. Por isso, agentes de Secretaria realizam um controle de preços semanal em 90 itens, de 20 pontos de venda. Segundo o secretário substituto da Smic, Antenor Ferrari, a partir dos valores encontrados é dado um desconto de até 15%.

Além da grande variedade de produtos, a Feira oferece duas cestas com materiais básicos a preços acessíveis. Para os primeiros anos do ensino fundamental, a cesta custa R$ 14,90 e é composta por duas canetas esferográficas, três lápis pretos nº 2, tubo de cola 40g, apontador simples, duas borrachas nº 40, dois cadernos brochura 48 folhas, caixas de giz e lápis de cor, ambas de 12 cores, massa de modelar, pacote de 100 folhas de papel ofício branco/sulfite, pasta com aba e elástico plastificada, régua plástica de 30cm e tesoura escolar de 10cm.

A segunda opção, indicada para o ensino médio, vem com duas borrachas nº 40, apontador simples, dois cadernos de 96 folhas, três canetas esferográficas (azul, vermelha e preta), cola bastão 8g, dois lápis pretos nº 2, pacote de 100 folhas de papel ofício branco/sulfite, pasta para catálogo ofício com dez sacos plásticos e régua plástica de 30cm. A cesta 2 sai por R$ 15,35.

Apesar dos descontos, nem todos os produtos da Feira são mais baratos. O caderno brochura, com a capa dura, 48 folhas, da marca Norma, sai por R$ 2,80, na Feira, enquanto na Livraria do Globo está R$ 1,80. Outro material, a caneta esferográfica, pode ser encontrada com até R$ 0,14 centavos de diferença. Na Feira do Mercado Público, a caneta Bic é R$ 0,84, já na Livraria sai por R$ 0,70.

Gurizada bate o pé

Os materiais com motivos infantis fazem a diferença na hora da escolha. Para Denise Dalbem, mãe de dois nas séries iniciais, “a primeira olhada nos preços deve ser feita apenas pelos pais”. Uma borracha nº 40, da marca Mercur, lisa sem desenho, custa R$ 0,90, enquanto, uma borracha com a Barbie desenhada sai por R$ 1,65.

Cada dia mais antenados, os pequenos também sabem a marca preferida na ponta da língua. Durante a pesquisa, não era raro ouvir as exigências da garotada. “Eu quero o lápis da Faber-Castell”, pedia uma menina de pouco mais de seis anos. A mãe olhou, olhou, comparou os preços, mas acabou cedendo ao pedido. Os valores publicados nesta matéria foram pesquisados entre os dias 11 e 17 de fevereiro.

Professores públicos ameaçam paralisar

O retorno das atividades escolares também é de extrema importância para os professores. Tradicionalmente pouco valorizados no país, eles iniciam o ano letivo lutando por salários dignos e melhores condições de trabalho.

O sindicato dos professores estaduais, Cpers/Sindicato, e  dos professores da educação privada, Sinpro-RS, já apresentaram as suas pautas de reivindicações para o ano de 2006.
Segundo a professora Simone Goldschmidt, presidente do Cpers, para que as aulas comecem tranqüilas, o governo terá que atender ao pedido de reposição salarial de 28%, que data desde 2003. A categoria ainda quer os 8,69% de aumento que foram concedidos aos outros poderes em 2005.

O governo afirma que precisa avaliar o comportamento da receita do Estado após três meses, para então estabelecer o aumento. Para o secretario da Educação, José Fortunati, ”o Estado terá um novo índice para os professores, mas não neste momento”. O aumento terá que acontecer até junho, data limite pela legislação eleitoral.

O Cpers ameaça não retornar às aulas se não houver um acordo. “No dia 2 de março, realizaremos uma assembléia geral no Gigantinho, para decidir como nos comportaremos frente ao arrocho salarial”, enfatiza Simone.

O Sinpro–RS também faz campanha salarial. Os professores do ensino privado se reuniram em dezembro e decidiram encaminhar as reivindicações ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino (Sinepe/RS), no dia 7 de março.

O pedido é de reposição integral do índice nacional do preço do consumidor, INPC, de março de 2005 a fevereiro de 2006. O sindicato também pede, em negociação com o Sinepe, o aumento real de 2%. “Não é muito, mas junto ao 5% INPC é um valor justo”, explica o diretor do Sinpro-RS, Celso Stefanoski.

O slogan da campanha é: Valorizar o Profissional é Garantir Qualidade. Esta frase se refere a outros aspectos das condições de trabalho pedidas, fora o aumento do salário. Uma cláusula nova que vem chamando a atenção nas reivindicações, diz respeito à segurança dos professores em sala de aula.

Segundo Stefanoski, os educadores sofrem violência a partir dos alunos, que pode ser tanto física quanto moral. “Os professores sofrem agressões verbais, via internet e até físicas”, explica. A cláusula quer garantir que os diretores das escolas irão formalizar as agressões e tomar providências para coibir e evitar estes atos, a partir de ações pedagógicas.

Outra novidade no ensino privado que deve ganhar força neste ano é a Educação à Distância. O Sinpro-RS quer regulamentar esta forma de ensino. “Queremos que os tutores sejam reconhecidos como docentes e que tenham remuneração específica conforme a sua função”.

No site do sindicato, há um fórum para que professores e interessados no assunto possam buscar informações, consultar e publicar opiniões sobre EAD (http://www.sinpro-rs.org.br/ead).

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