No momento em que o primeiro livro de Clarice Lispector – Perto do coração selvagem -, completa 80 anos de seu lançamento, a escritora brasileira mais traduzida no mundo é homenageada pela artista visual gaúcha Graça Craidy em São Paulo.
Graça abriu na última terça-feira (12/09), na Galeria Central do Conjunto Nacional (Av. Paulista 2073), a exposição “Clarices”, composta por 19 retratos que pintou da homenageada em diferentes técnicas e com inspiração expressionista. A visitação vai até 10 de outubro, com entrada franca. Pelo local – o primeiro centro comercial da cidade de São Paulo – passam cerca de 15 mil pessoas por dia. O fluxo favorece o objetivo da exposição, que é tornar a obra da autora mais popular e lida pelos jovens, principalmente.
“Acho que a exposição está cumprindo o objetivo de trazer para mais perto das pessoas aquela que com seus estranhamentos e epifanias é a maior escritora brasileira modernista. Embora Clarice Lispector tenha partido há 46 anos (morreu de câncer, aos 57 anos, em 1977, no Rio de Janeiro), sua prosa se faz muito necessária neste momento histórico de vazio existencial e da valorização equivocada do aparente e do fútil”, diz a artista, que tem atelier e vive em Porto Alegre.
Clarice nasceu na Ucrânia em uma família que precisou fugir da perseguição aos judeus. Ela chegou ainda bebê ao Brasil com os pais Pinkouss e Mania e as irmãs Tania e Elisa. Inicialmente, eles moraram em Maceió, a seguir se mudaram para Recife e por fim para o Rio de Janeiro, onde Clarice se naturalizou brasileira no mesmo ano do lançamento de seu primeiro (e premiado) livro, dando início a uma carreira literária que impactou a crítica e arrebatou os leitores.

O livro de estreia de Clarice saiu pela editora A Noite, ligada ao jornal A Noite, no qual a escritora trabalhava à época. O jornal A Noite foi fundado em 1911 por Irineu Marinho, que em 1925 criou O Globo. Após a morte de Irineu, coube a seu filho Roberto Marinho, jornalista e empresário, conduzir o jornal, embrião do atual Grupo Globo.
A mostra de Graça Craidy já foi vista em Porto Alegre, entre outubro e dezembro do ano passado, e, neste 2023, no Rio de Janeiro, Niterói e Brasília, sempre em espaços culturais dos Correios. A atual montagem, na maior cidade do Brasil, ganha valor simbólico mais elevado por coincidir com os 80 anos do primeiro livro de Clarice, o romance lançado no segundo semestre de 1943.
*Com Assessoria de Comunicação
Fotos: Divulgação / Carlos Souza.

