Acontece até dia 31 de janeiro a exposição “As Manas Lisas da Periferia” do fotógrafo Jorge Aguiar, no Clube de Cultura ( rua Ramiro Barcellos, 1853) , com visitação das 17hrs às 22 hrs. Às quintas-feira acontecem visitas guiadas. Nos textos abaixo, fotógrafo e curador explicam o projeto, o trabalho e seu resultado:
Texto de Jorge Aguiar, expositor
“Sou um fotografo de rua, em mais de 40 anos de fotografia também posso
dizer que tenho um acervo histórico de Porto Alegre e sua região
metropolitana, mas meu acervo mostra a cidade real, aquela que poucos
tem coragem de olhar de frente, minha fotografia trás para o centro da
cidade, para salas de exposições e museus a pobreza, a fome, a
periferia, da visibilidade aos esquecidos, da a palavra aos excluídos
(fotografia é escrever com a Luz).
ManaLisas de Periferia é uma provocação em torno da Monalisa de Da
Vinci e um ideal de beleza mas antes de qualquer coisa é uma
homenagem a todas as mulheres reais, com a beleza de quem luta todo
dia pela sobrevivência, trabalham, cuidam da casa, criam os filhos,
são chefes de família… ManaLisas de Periferia é uma homenagem a
todas as Claudias, Marieles e Agathas, mulheres de todas idades, na
maioria anônimas, desconhecidas que nascem, vivem, sobrevivem nas
periferias de cada uma das cidades deste pais e que mesmo correndo o
risco de morte todos os dias não perdem a garra e mantém a alegria.”

ManasLisas de Periferia: O retrato de uma dama
Texto Eurico Salis – Curador
“Não foram poucos os estudos de especialistas para tentar decifrar a
enigmática expressão de Mona Lisa, o quadro mais celebrado da história
da arte, pintado em Florença, em 1503, por Leonardo da Vinci.
Recentemente, cientistas britânicos utilizando técnicas que envolvem
computação garantem ter descoberto o segredo por trás da obra mais
famosa de Leonardo. De acordo com o jornal britânico The Independent,
Mona Lisa estava 83% feliz, 9% angustiada, 6% assustada e 2%
chateada. Entre 2010 e 2011, caminhando por ruas empoeiradas do
Bairro Umbu na Cidade de Alvorada região metropolitana de Porto
Alegre, Jorge Aguiar, percebeu que mulheres pobres donas de uma beleza
fora do comum, mesmo desempregadas, mantinham uma beleza incomum.
Durante doze meses, Jorge carregou no ombro, dentro de ônibus carcaças
de molduras, e pacientemente se aproximou de várias “manas” do bairro
Umbu, em Alvorada para fotografá-las. Muitos artistas têm recriado, no
seu trabalho, o quadro de Da Vinci – Marcel Duchamp, Salvador Dali,
Andy Warhol. Entretanto, somente agora, La Gioconda ou Mona Lisa,
como é mais conhecida passa a ter outra dimensão social, inusitada,
revelada através de expressões enigmáticas de intensa dramaticidade no
rosto de Manas Lisas, ou mulheres pobres da periferia de um bairro
simples de Alvorada. Tudo graças ao olhar renascentista e
contemporâneo do autor desta mostra. Reescrevo com convicção que
Jorge Aguiar, construiu sua trajetória com olhar voltado para
documentar a vida dos pobres, dos desvalidos, e a vida simples,
centrado na figura humana. tem uma obra densa, definitiva. No seu
trabalho de rua estão presentes, lado a lado, de forma vibrante, a
narrativa e a estética. Princípios que formam a linguagem
fotográfica, que diferenciam o fotógrafo de verdade de um mero
“batedor de fotos”. Sem cair no ativismo ideológico, na denúncia
partidária ou na estética panfletária, ele nos mostra a realidade
ácida, instigante, tão perto do nosso dia-a-dia, e muitas vezes tão
longe do nosso mundo.

Manas Lisas, integra-se a uma obra tão complexa e tão simples, ao
mesmo tempo. Uma obra local que atinge dimensão universal através do
olhar singular de Jorge Aguiar. Um olhar que nos leva a conhecer mais
a condição humana.”
Texto Eurico Salis – Curador



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