Aceleradora Lanceiros Negros promove live destacando a cena musical afro-gaúcha

 

 

Será realizada nesta quinta-feira, dia 19 de agosto, às 20h30min, a segunda live do projeto Aceleradora Lanceiros Negros.  Participam, como convidados, o rapper Rafa Rafuagi; a cantora e socióloga Nina Fola,  e o rapper e beatmaker, Zilla, com a temática “Cena musical Afro-Gaúcha”. A mediação é da comunicadora Mallê Barcelos, com transmissão pelo Youtube (confira o “Serviço”).

 

A Aceleradora Lanceiros Negros é um desdobramento do Festival Porongos, iniciativa criada em 2018 por jovens empreendedores gaúchos, com objetivo de impulsionar a cultura negra no Sul do Brasil. A Aceleradora Cultural é um projeto financiado pela Natura Musical, via Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul (LIC). Ao longo do segundo semestre deste ano, a diretora criativa Thaise Machado e os produtores Mauryani Oliveira e João Pedro Lopes planejam uma imersão com mais de 30 horas de atividades, com transmissão pelo Youtube.

– Acreditamos que a arte possui papel político. Nossos corpos são políticos e, por meio dessas narrativas, propomos um projeto que busca instigar o pensar, explica a Thaise Machado. – A história de Cerro de Porongos necessita ser lembrada. Nossos profissionais precisam acessar espaços de capacitações que dialoguem com a realidade social que se aplica. O projeto tem a função de colocar artistas negros e lgbtqia+ a concorrer de forma leal no mercado cultural, conclui.

 

A proposta consiste na criação de um espaço de acolhimento e capacitação de 20 agentes culturais negros e lgbtqia+, por meio de edital, em ambiente virtual, com inscrições gratuitas. Serão realizadas oficinas, mentorias coletivas e bate-papo “ao vivo” com profissionais da área da cultura. Posteriormente, os conteúdos das aulas serão disponibilizados no Youtube. O edital será lançado no dia 23 de agosto.

– A arte, para população negra, sempre foi e será uma das principais ferramentas de combate ao racismo e de denunciar preconceitos, afirma Thaise Machado. A partir disso, a Aceleradora Cultural nasce em forma de manifesto, tornando presente e dando notoriedade à história dos Lanceiros Negros, que lutaram na Guerra Civil Farroupilha em troca de sua liberdade. – Buscamos, por meio da cultura, disponibilizar o conhecimento sobre um fato histórico pouco comentado no Rio Grande do Sul, ressalta a diretora criativa.

O projeto Lanceiros Negros foi selecionado pelo edital Natura Musical, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul (Pró-Cultura), ao lado de Dessa Ferreira, Pâmela Amaro, Circuito Orelhas e Gravina DasMina, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para 39 projetos até 2020, como Filipe Catto, Tem Preto no Sul, Borguetti e Yamandu, Zudizilla, Sons que Vem da Serra e Thiago Ramil.

– A música propõe debates pertinentes, que impactam positivamente na construção de um mundo melhor. Acreditamos que os projetos selecionados pelo edital Natura Musical podem contribuir para a construção de um futuro mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

Sobre o projeto

Lanceiros Negros – Aceleradora Cultural é um desdobramento do Festival Porongos criado em 2018 com objetivo de impulsionar a cultura negra no Sul do Brasil. A proposta consiste na criação de um espaço de acolhimento e capacitação de 20 agentes culturais negros e lgbtqia+, por meio de edital, com inscrições gratuitas. Serão realizadas oficinas, mentorias coletivas e bate-papo “ao vivo” com profissionais da área da cultura. Confira alguns artistas e profissionais confirmados: Nina Fola, Saskia, Valéria Barcellos, Silvia Abreu, Rafa Rafuagi, Jaqueline Fernandes, Carol Anchieta, Dina Prates e Tiago Souza.

Natura Musical

Natura Musical é a plataforma de cultura da marca Natura. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu cerca de R$ 174,5 milhões no patrocínio de mais de 518 projetos – entre trabalhos de grandes nomes da música brasileira, lançamento e consolidação de novos artistas e projetos de fomento às cenas e impacto social positivo. Os trabalhos artísticos renovam o repertório musical do País e são reconhecidos em listas e premiações nacionais e internacionais. Em 2020, o edital do Natura Musical selecionou 43 projetos em todo o Brasil e promoveu mais de 300 produtos e experiências musicais, entre lançamentos de álbuns, clipes, festivais digitais, oficinas e conferências. Em São Paulo, a Casa Natura Musical se tornou uma vitrine permanente da música brasileira, com uma programação contínua de lives, performances, bate-papos e conteúdos exclusivos, agora digitalmente.

A estreia de “Classe Cordial”, espetáculo de vídeo-teatro de dois grupos do RS.

O Coletivo Nômade de Teatro e Pesquisa Cênica e a Companhia de Solos & Bem Acompanhados estão à frente do projeto “Classe Cordial” que trata de um assunto pertinente e atual na sociedade brasileira: espaços manicomiais. O espetáculo de vídeo-teatro estreia dia 23 de agosto, às 19h.

Relatos sobre casos reais presentes em espaços manicomiais e uma pesquisa ampla sobre a temática – que vem sendo desenvolvida pela equipe do projeto desde 2020 – o espetáculo virtual propõe um debate que envolve o público e o privado. Nesse sentido, ao levar para a cena uma personagem que insere-se em ambas as esferas, o espetáculo aborda a história de muitas mulheres nesse trânsito criativo entre o real e o documental, estampando na tela uma classe cordial que se materializa no paradoxo de pessoas que discursam sobre uma forma de convívio social pacífica e agregadora, mas que, na prática, excluem, silenciam e segregam. Uma classe cordial que, muitas vezes, é constituída por todos e todas nós. Todos os dias.

Sobre a equipe

Jardel Rocha, diretor do espetáculo, é ator e professor de teatro, além de diretor. Integra o Coletivo Nômade de Teatro e Pesquisa Cênica, onde recebeu cinco indicações e dois prêmios de Melhor Ator pelo espetáculo “Junho: Uma Aventura Imaginária”, incluindo a Indicação de Melhor Ator no Prêmio Olhares da Cena. É professor e diretor de Teatro na ACEFH no município de Harmonia, dirigindo grupos de crianças, adolescentes e adultos. É diretor do premiado espetáculo ‘’Filhas do Sal”  e dirige a Cia de Solos & Bem Acompanhados, uma das mais atuante do estado, desde o ano de 2019.

Deborah Finocchiaro tem um vasto currículo e inúmeros prêmios em sua carreira Estreou no teatro em 1985. Bacharel em Interpretação Teatral no DAD / UFRGS (1992) e esteve presente em centenas de trabalhos como atriz no teatro, cinema e televisão. É também diretora, locutora, produtora, apresentadora, roteirista e ministrante. Ao longo de sua carreira, recebeu 33 prêmios, entre eles 9 de Melhor Espetáculo, 18 de Melhor Atriz, 1 de Melhor Direção, 1 de Melhor Texto Adaptado, 1 de Melhor Roteiro e 3 como Melhor Artista de Teatro. Em 2006 fundou a Companhia de Solos & Bem Acompanhados, que traz em seu repertório dezenas de trabalhos. Em 2014 foi a artista homenageada do 21º Festival Internacional de Teatro Porto Alegre Em Cena, ganhando a biografia “A Arte Transformadora”, escrita pelo jornalista Luiz Gonzaga Lopes, que integra o 5º volume da coleção Gaúchos Em Cena. Em 2020 foi tema do documentário “Deborah! O Ato da Casa”, longa-metragem produzido durante a quarentena, direção Luiz Alberto Cassol (2020).

Thiago Silva é dramaturgo, diretor e pesquisador em Artes Cênicas com formação em Direção Teatral pelo Departamento de Arte Dramática da UFRGS, onde atuou como bolsista de pesquisa em Escrita Dramatúrgica. Escreveu mais de quinze textos teatrais encenados e publicados, entre eles os textos infanto-juvenis “Junho: Uma Aventura Imaginária”, que possui dois prêmios e seis indicações de Melhor Dramaturgia Original e “Alice: Além da Toca do Coelho”, vencedor do Prêmio Tibicuera de Melhor Dramaturgia.

Angelo Primon, responsável pela criação da trilha sonora, tema mais de 30 anos de brilhante carreira. Compositor, multi-instrumentista e produtor Angelo Primon é Bacaharel em Música Popular pela UFRGS e já atuou com artistas de várias tendências: Nei Lisboa, Gilberto Gil, Richard Serraria, Adriana Deffenti, Daniel Drexler, Orquestra de Câmara da ULBRA e Grupo Cuidado que Mancha, Grupo Música Mundana e Violas ao sul. Foi vencedor do Troféu Açorianos como Melhor Instrumentista categoria MPB nos anos de 2006, 2008 e 2016/17. Desenvolve pesquisas sobre as sonoridades da viola de dez cordas, viola de cocho, rabeca, oud árabe, surtarang, surbahar e sitar indiano.

Everton Wilbert Vieirao iluminador do projeto, é formado em eletrotécnica pela Escola Técnica Prudente de Moraes. Entre suas formações detacam-se os cursos ‘Dramaturgia da luz’ e ‘Projeto caixa cênica’. Recebeu oprêmios como iluminador nos espetáculos “Filhas do sal”,  e “O sonho de trás das nuvens”.

Sobre os grupos

Coletivo Nômade de Teatro e Pesquisa Cênica nasceu em 2016 e mantém um caráter transversal, investigativo e de pesquisa em suas montagens, desenvolvendo trabalhos que versam sobre assuntos e perspectivas diversas, tais como o diálogo entre História e Dramaturgia, a pesquisa estética e de linguagem no Teatro Infantil e os processos de criação estética e dramatúrgica. Entre os trabalhos desenvolvidos pelo grupo, estão o documentário cênico “DESTERRO: sobre restos que não importam mais”, apresentado entre os anos de 2017 e 2018, e o espetáculo infantil “Junho: Uma Aventura Imaginária”, que já contemplou mais de cinco mil crianças em sua plateia e soma trinta prêmios. Atualmente, o grupo segue com o processo de pesquisa e criação de trabalhos adultos e infantis, entre eles “SIM ONE NINA”, espetáculo baseado na vida e obra da cantora Nina Simone, “As Viagens de Tio Cosme”, “Piquenique: Uma História de Fantasmas” e “Classe Cordial”.

A Companhia de Solos & Bem Acompanhados, um dos núcleos de criação cênica mais atuantes do Rio Grande do Sul, se caracteriza pela versatilidade, escolha de temas que estimulam a reflexão e o pensamento crítico e mescla de diferentes linguagens. Atingiu mais de quinhentas mil pessoas com seus espetáculos, oficinas e performances. Entre suas realizações estão os espetáculos “Pois é, Vizinha…”, direção Deborah Finocchiaro (1993); “Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario Quintana” (2006 – além do espetáculo contém CD, lançado em 2015 e DVD, lançado em 2017); “O Macaco & A Velha”, de Ivo Bender (2011); “Um Certo Capitão Verissimo”, direção Paulo Mauro (2012);  “GPS GAZA”, orientação Camila Bauer (2014); “Caio do Céu”, direção Luís Artur Nunes (2017) e “Diário Secreto de Uma Secretária Bilingue”, direção de Vinícius Piedade e Deborah Finocchiaro (2019). Os projetos “Histórias de Um Canto do Mundo – Memórias de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul” (que consiste em um espetáculo solo, um recital, um show musical e um registro da obra em livro/CD – 2008); “Palavra de Bolso – Onde a Literatura ganha Voz” (2015) e “Sarau Voador – Literatura e Improvisos Transcriados” (2018). As obras literomusicais: “A Espessura da Vida” (2018), “Leitura às Cegas” (2018); “Benção Poetinha”, a partir da obra de Vinicius de Morais (2018) e “Palavra Balada (2018). O espetáculo audiovisual “Invisíveis – Histórias Para Acordar”, direção Deborah Finocchiaro (2020). A websérie “Confessionário – Relatos de Casa”, direção Deborah Finocchiaro e Luiz Alberto Cassol (2020/2021).  E os programas / podcasts “Estação Confessionário” e “Estação Sarau Voador”, ambos na Rede Estação Democracia e no Spotify (2021). Além de dezenas de indicações, recebeu inúmeros prêmios e percorreu mais de oitenta cidades no RS, Uruguai e Argentina, participando de temporadas, projetos, mostras e festivais nacionais e internacionais.

 SERVIÇO:

Classe Cordial

Estreia dia 23 de agosto, às 19h

Temporada de 23 de agosto a 14 de setembro

Disponível gratuitamente no YouTube do Coletivo Nômade de Teatro e Pesquisa Cênica

Redes do projeto / Coletivo Nômade de Teatro e Pesquisa Cênica:

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCuAt0RC6b9FqV9oaikOQbNg

Instagram: @classecordial

Facebook: https://www.facebook.com/projetoclassecordial

* Este projeto está sendo executado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas realizado com recursos da Lei Aldir Blanc n° 14.017/20.

O desejo e a ausência do beijo na pandemia, na dança da Eduardo Severino Cia

O bailarino Eduardo Severino; Foto: Lu Trevisan/ Divulgação

Contemplado pelo Fumproarte em 2016,  o espetáculo da da Eduardo Severino Cia de Dança, “Pelelingua Sedentobeijo” recebeu o financiamento somente em 2020 e precisou ser reformulado em função da pandemia.  A Temporada de apresentações ao vivo inicia dia 27, às 23h, pelo YouTube

O que a impossibilidade do beijo suscita no corpo? Esta foi a provocação da Eduardo Severino Cia de Dança feita a sete bailarinos, isolados há 18 meses, para montagem de “Pelelingua Sedentobeijo”. O espetáculo nasce de mais uma inquietação da companhia em investigar comportamentos sociais: o ato de beijar, o desejo e o calor humano.

O bailarino Luciano Tavares – Foto Lu Trevisan/ Divulgação

Contemplado pelo Fumproarte em 2016, “O Beijo” (nome inicial) recebeu o financiamento somente em 2020. Dos palcos, o projeto precisou ser reformulado para o universo online em função da pandemia. Nesta versão, Gabriel Martins, Daniel Aires, Eduardo Severino, Luciano Tavares, Marco Fillipin, Mônica Dantas, Tatiana da Rosa e Viviane Gawazee trazem à cena a sensualidade, o desejo e o erotismo na solitude.

“Corpos sedentos de pele, de língua e de toque e um vírus invisível, sem precedentes, que gera desconfiança nas relações. Todos os sentimentos extravasados no mundo virtual. Esses foram os propulsores da nossa proposta coreográfica, em que os movimentos gerados pelos estímulos internos e externos, as sensações do desejo, a carência, a falta do conforto do outro, a desconfiança, as distâncias, as ausências, as presenças diáfanas, a impotência e a nossa fragilidade construíram o espetáculo”, explica Eduardo Severino.

Mônica Dantas – Foto Lu Trevisan/ Divulgação

A temporada de apresentações ao vivo ocorre nos dias 27, 28 e 29 de agosto e 3, 4, e 5 de setembro, sempre às 23h, pelo YouTube da Eduardo Severino, em link privado. Para assistir, o público deverá enviar e-mail para pelelinguasedentobeijo@gmail.com. Por conter cenas de nudez, “Pelelingua Sedentobeijo” não é recomendado para menores de 12 anos. No dia 8 de setembro (quarta-feira) estreia clipe com todos os artistas, dirigido por Alex Sernambi e trilha de Adriana Deffenti.

FICHA TÉCNICA
Direção-geral: Eduardo Severino
Intérpretes criadores: Eduardo Severino, Gabriel Martins, Daniel Aires, Luciano Tavares, Marco Fillipin, Mônica Dantas, Tatiana da Rosa e Viviane Gawazee
Trilha sonora pesquisada: Luciano Tavares
Trilha sonora original: Adriana Deffenti
Cenografia: Rodrigo Shalako
Consultoria de figurino: Luciane Soares
Design gráfico: Adriana Sanmartin
Edição de vídeo: Alex Sernambi
Assessoria de Imprensa: Roberta Amaral
Redes sociais: Verônica Prokopp
Fotografias: Lu Trevisan
Produção: Luka Ibarra/ Lucida Cultural
Financiamento: FUMPROARTE

SERVIÇO
Pelelingua Sedentobeijo
Apresentações: 27, 28 e 29 de agosto e 3, 4, e 5 de setembro
Horário: 23h
E-mail para solicitar acesso às apresentações: pelelinguasedentobeijo@gmail.com
PROIBIDO PARA MENORES DE 12 ANOS

Link para fotos: https://drive.google.com/drive/folders/15VY9BBY9xZ3igYKF69oJs8bmrG6liSCq?usp=sharing

Israel Oliveira, músico da OSPA, ganha o Oscar mundial dos trompetistas

O brasileiro Israel Oliveira foi anunciado na sexta-feira, 13 de agosto, como vencedor do Prêmio Punto da International Horn Society, ao lado do alemão Christoph Eß. O prêmio, considerado o Oscar da categoria, é uma distinção aos trompistas que contribuíram de modo relevante para a arte do instrumento. A indicação é feita anualmente pelos conselheiros do IHS e a escolha é pela maioria de votos. É a segunda vez na história da premiação, criada em 1985, que a honraria é destinada a um trompista da América Latina.

Foto: Leandro Rodrigues/ Divulgação

Israel Oliveira é natural de São Paulo e integrante da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre desde 2004, onde é trompa-solo e professor da classe de trompa da Escola de Música da OSPA. Atua em formações de música de câmara, bandas sinfônicas, orquestras e festivais de música no Brasil e na América Latina. Em 2018, coordenou o 5º Encontro Brasileiro e 2º Encontro Latino-Americano de Trompistas e representa a Associação Brasileira de Trompistas na região Sul do Brasil.

Foto: Cristânia Kramatschek/ Divulgação

Em 2020, Oliveira ressignificou a pandemia e criou o grupo Coronahorns para incentivar seus alunos e os músicos isolados. O coletivo ganhou valor incontestável dando vida a um movimento dedicado aos interesses artísticos dos latino-americanos que vivem no continente e no mundo. Foram milhares de participantes, visualizações e aulas on-line compartilhadas por professores e profissionais da cultura. Em 21 de setembro de 2020, o grupo deu lugar ao Latinoamericahorns, o primeiro coletivo pela trompa na América Latina. Os trompistas latino-americanos se uniram para compartilhar ideias, conhecimentos e, principalmente, amizade. Suas apresentações e encontros ocorrem de forma virtual e mais informações e a agenda do coletivo podem ser conferidas no site https://latinoamericahorns.com.

O prêmio do músico brasileiro foi dividido com o alemão Christoph Eß, natural de Tübingen, trompa solo da Orquestra de Bamberg, multipremiado internacionalmente e um dos principais solistas de sua geração.

Foto: Cristânia Kramatschek/ Divulgação

O Prêmio Punto

Os selecionados para o Prêmio Punto devem ter feito uma contribuição importante para a arte de tocar trompa. Essa contribuição pode ser em várias áreas, como performance, ensino, pesquisa ou serviços ao IHS. O anfitrião internacional da premiação ou qualquer membro do Conselho Consultivo pode nomear indivíduos para esta homenagem e a seleção será por maioria de votos do Conselho. Os vencedores do Prêmio Punto recebem uma carta de agradecimento e um certificado.

Giovanni Punto, que dá título ao prêmio, foi um trompista virtuoso, que viajou a maior parte da Europa atuando como solista, músico da corte, compositor e maestro. Nasceu na Boêmia em 1746 com o nome de Jan Václav Stich mas, depois de um período no Sacro Império Romano, italianizou seu nome. Aclamado por Mozart, Beethoven e todos que viveram a sua época, inovou técnicas e compartilhou sua arte em toda a Europa. Faleceu em Praga em 1803. Em seu túmulo está o seguinte registro: “Punto recebeu todos os aplausos. Assim como a Musa da Boêmia o aplaudiu em vida, ela também lamentou sua morte”.

 

Seleção especial de filmes e documentários em homenagem ao ator Paulo José

Considerado um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, o ator e diretor Paulo José faleceu na última quarta-feira, 11, deixando um importante legado para a cultura nacional.

Em homenagem ao artista, o Curta!On – streaming do Curta! no NOW/NET e no curtaon.com.br – preparou uma seleção especial de longas e curtas-metragens que contam com sua participação.

Entre obras de ficção e documentários, a pasta “Homenagem Paulo José” é composta pelos seguintes filmes: o longa “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil”,  do diretor Paulo Thiago; os curtas “O Teu Sorriso”, de Pedro Freire, “Cheque Mate”, de Ricardo Bravo, além de “Amor!” e “Morte”, de José Roberto Torero; o documentário “Por Onde Anda Macunaíma?”, que relembra o filme “Macunaíma”, protagonizado por Paulo José; e o episódio da série documental “Grandes Cenas”, sobre o filme “Todas As Mulheres do Mundo”, com a participação do ator.  O Curta!On pode ser acessado através do NOW, da NET/Claro, e em CurtaOn.com.br.

Confira as sinopses:

Amor!  
Ficção • SP • Brasil • 1994 • 14 min • 14 anos
De José Roberto Torero • Com Elias Andreato, Paulo José, Rosi Campos, Guilherme Karam, Paulo César Pereio
Amor (Substantivo abstrato):1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem. 2. Atração física e natural entre animais”. (Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Língua Portuguesa, p. 86).

Morte  
Ficção • SP • Brasil • 2002 • 15 min • Livre
De José Roberto Torero • Com Paulo José, Laura Cardoso
Casal prepara-se para ‘a grande viagem’ não esquecendo as flores, a música, a bagagem: tudo nos mínimos detalhes.

Policarpo Quaresma, Herói do Brasil
Ficção • RJ • Brasil • 2011 • 120 min • 14 anos
De Paulo Thiago • Com Bete Coelho, Paulo José, Giulia Gam, Ilya São Paulo
O major Policarpo Quaresma é um sonhador. Um visionário que ama o seu país e deseja vê-lo tão grandioso quanto, acredita, o Brasil pode ser. A sua luta se inicia no Congresso. Policarpo quer que o tupi-guarani seja adotado como idioma nacional. Ele tem o apoio de sua afilhada Olga, por quem nutre um afeto especial.

Por Onde Anda Makunaíma?
Documentário • RR • Brasil • 2020 • 84 min • 12 anos
De Rodrigo Séllos • Com Joana Fomm, Luiz Carlos Barreto, Paulo Jose, Milton Gonçalves, Antunes Filho
“Por onde anda Makunaíma?” faz um resgate histórico e cultural daquele que é o personagem ficcional mais identificado com um certo jeito de ser brasileiro. A começar por Makunaima, mito de origem de etnias da tríplice fronteira Brasil-Venezuela-Guiana, registrado em livro pela primeira vez no início dos anos de 1910, pelo etnólogo alemão Koch-Grünberg. É ele quem faz a ponte entre o extremo norte da América do Sul com o Brasil não-indígena, por meio de Mário de Andrade, célebre autor da rapsódia “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, de 1926. Em 1969, Joaquim Pedro de Andrade lança a sua versão dessa história, o filme mais censurado do Cinema Novo. Em 78, Antunes Filho leva Macunaíma para o teatro. Em 1983, Macunaíma volta para o cinema como “Exu-Piá”, de Paulo Veríssimo, filme selecionado para o Festival de Berlim em 1985, mas não exibido. Com depoimentos em português, alemão, espanhol, macuxi e taurepang, o filme retorna a esse personagem que já nasce múltiplo e segue contemporâneo.

Grandes Cenas / Todas as Mulheres do Mundo
Documentário • RS • Brasil • 2017 • 17 min • Livre
Parte da série: Grandes Cenas, 22 eps de (em média) 16min)
De Ana Luiza Azevedo, Vicente Moreno • Com Matheus Naschtergaele
O diretor e roteirista Jorge Furtado analisa a cena do poema em “Todas as Mulheres do Mundo” (1966); na ficção, uma declaração de amor de Paulo a Maria Alice; na realidade, uma sessão de terapia para Domingos de Oliveira e Leila Diniz.

Cheque Mate
Ficção • Brasil • 1997 • 13 min •
De Ricardo Bravo • Com Paulo José, Zezé Polessa
Uma verdadeira aula sobre a ecologia do dinheiro, demonstrando o ciclo de vida de um cheque que roda por todas as mãos de uma pequena cidade do interior e desaparece sem virar dinheiro.

O Teu Sorriso
Ficção • RJ • Brasil • 2009 • 19 min • 14 anos
De Pedro Freire • Com Paulo José, Juliana Carneiro da Cunha
Rodrigo e Suzana estão namorando há poucas semanas. Ele tem 72 anos, ela tem 60, e estão completamente apaixonados. Juntos, passam os dias na cama, namorando, batendo papo, comendo e rindo.

 

 

Mesmo vacinado, Tarcísio Meira, aos 85 , não resistiu à Covid

As artes dramáticas brasileiras perderam mais um de seus ícones: o ator Tarcísio Meira morreu na manhã desta quinta-feira (12), vítima da Covid-19, aos 85 anos, em São Paulo.

Ele estava internado no hospital Albert Einstein, na Zona Sul da cidade, em tratamento contra a doença.

Tarcísio e sua esposa, a atriz Glória Menezes, de 86 anos, deram entrada no hospital na última sexta-feira (6). O artista chegou a ser intubado na UTI e fazer hemodiálise contínua.

A atriz está se recuperando bem e recebe auxílio de oxigênio via nasal.

Ambos receberam a 2ª dose da vacina contra Covid em março deste ano, na cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo.

As autoridades médicas alertaram que as vacinas não são infalíveis, mas são ainda o melhor meio de prevenir a propagação do virus.

Tarcísio Meira e Glória Menezes se conheceram no teatro e foram casados por 59 anos
Ele nasceu nasceu em São Paulo (SP) no dia 5 de outubro de 1935. Estreou na Globo em 1967 e trabalhou em mais de 60 programas, entre minisséries, especiais e novelas.

Atriz de teatro, televisão e cinema, Glória Menezes nasceu em Pelotas (RS). Na Globo, estreou em 1967 com a novela “Sangue e Areia”. Atuou em mais de 40 telenovelas na emissora.

Tarcísio Meira tinha um currículo de mais de 60 trabalhos na televisão, entre novelas, seriados, minisséries, teleteatros e telefilmes, numa carreira que começou em 1961, na extinta TV Tupi.
Também participou de 22 longas-metragens, dirigidos por cineastas como Glauber Rocha, Walter Hugo Khouri, Anselmo Duarte e Bruno Barreto, além de 31 peças de teatro.

A morte de Tarcísio Meira ocorreu no dia seguinte à de Paulo José, outro ícone da cena brasilenra. Atuaram juntos nas novelas “O homem que deve morrer”, em 1971, “O tempo e o vento”, em 1985, “Roda de fogo”, em 1986, e em “Um anjo caiu do céu”, em 2001. Veja, no vídeo abaixo, o último trabalho dos atores juntos.

 

Teatro está de luto com a morte de Paulo José

Sérgio Lagranha

Morreu nesta quarta-feira (11), no Rio de Janeiro, aos 84 anos, o ator e diretor gaúcho Paulo José. Ele estava internado havia 20 dias e faleceu em decorrência de uma pneumonia.

Mesmo durante a pandemia ele não parou. Declamava versos de poetas como Fernando Pessoa no esquete “A arte nunca dorme”, criado pela filha Clara, em um perfil do Instagram. Convivia com o Mal de Parkinson há 28 anos sem parar de trabalhar.

Paulo José Gómez de Souza nasceu em Lavras do Sul (RS), no dia 20 de março de 1937.  Sua trajetória é de uma pessoa inquieta. Ainda na juventude deixou sua cidade natal para estudar em Porto Alegre.

Em meados dos anos 1950 abandona no segundo ano o curso de Arquitetura da UFRGS para se dedicar ao teatro. Entre 1955 e 1961, participou de grupos de teatro como o Teatro Universitário do Rio Grande do Sul, da União Nacional dos Estudantes (UNE), ao lado de nomes como Antônio Abujamra, Lineu Dias, Fernando Peixoto e Luís Carlos Maciel.

Ele foi um dos fundadores do Teatro de Equipe, em 1958, juntamente com Paulo César Peréio, Ivette Brandalise, Mario de Almeida e Ittala Nandi, entre outros.

A primeira produção do grupo foi Esperando Godot, do irlandês Samuel Beckett, que estreou no mesmo ano no Theatro São Pedro. Com o grupo dirigiu sua primeira peça, Rondó 58.

Em 1961, vai para São Paulo e se envolve com a efervescência do teatro Arena, que tinha influência de Stanislavski e do teatro político de Bertolt Brecht, segundo o qual o texto deveria ser um processo aberto capaz de servir à ideia do autor do espetáculo.

No Arena ele foi ator, contrarregra, assistente de direção, produtor, diretor musical, cenógrafo e figurinista. Sua estreia nos palcos paulistanos foi em 1961, na peça “Testamento de um cangaceiro”.

Com o fechamento político do País, em 1968, viaja para Europa. Na volta, nos anos 1970, continua fazendo teatro, como em A Mandrágora, de Maquiavel, como ator e diretor, e Gata em Telhado de Zinco Quente, de Tennessee Williams.

No cinema, estreou em 1965, no filme “O padre e a moça”, de Joaquim Pedro de Andrade. Atuou em diversos filmes fundamentais para o Cinema Novo, como “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade, e “Todas as mulheres do mundo”, de Domingos Oliveira. O cineasta gaúcho Jorge Furtado o dirigiu em dois filmes: Saneamento Básico e O homem que copiava. Sob a direção de Selton Mello fez O Palhaço, representante do Brasil no Oscar de 2013, na categoria Melhor Filme Estrangeiro.

Em 1969, Paulo José estreou na TV Globo onde, com Flávio Migliaccio, fez sucesso com os personagens Shazan e Xerife, nos anos 1970, além de uma série de trabalhos marcantes como ator e diretor de novelas por mais de quatro décadas.

Em 1986, ele recebeu o prêmio “Coral Negro”, como melhor vídeo no Festival de Cinema e Vídeo de Havana – por seu trabalho de direção na minissérie O Tempo e o Vento, exibida em 1985 na TV Globo, baseada em O Continente, primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo.  O roteiro foi de Doc Comparato e a trilha sonora de Tom Jobim. Em 1987, ganha o prêmio Molière por sua atuação na peça Delicadas Torturas, de Harry Kondoleon, sob a direção de Ticiana Studart.

Foi casado com a atriz Dina Sfat, com quem teve as filhas Ana e Bel Kutner, atrizes, e Clara, diretora de teatro. Paulo, filho de um relacionamento com a atriz Beth Caruso, trabalha em edição na televisão. Ainda se casaria com as atrizes Carla Camurati e Zezé Polessa e a figurinista Kika Lopes.

Entrevista de Paulo José ao jornal JÁ

No momento em que a cultura está sob ataque, as artes que inquietam têm suas exibições dificultadas e verbas oficiais são cortadas pelo governo de Jair Bolsonaro, é importante resgatar a entrevista que o ator e diretor Paulo José concedeu ao jornal Já em 1988, publicada na edição de agosto daquele ano.

O Brasil estava deixando para trás 21 anos de ditadura militar. Um mês depois a Assembleia Nacional Constituinte, em 22 de setembro, aprovou a nova Constituição, promulgada em 5 de outubro de 1988.

Mesmo no momento de abertura política, Paulo José alertava: “Se um grupo quiser apoiar sua produção em benefícios fiscais, nas grandes empresas, ficará difícil. Quem patrocina os trabalhos como ‘Eles não usam black-tie’, ‘Arena contra Zumbi’, ‘O Rei da vela’? A Coca Cola, a Shell, a Esso, ou qualquer outra deste nível? É claro que não. Quem pode patrocinar o teatro? O público”.

Paulo José foi entrevistado pelo jornalista Sérgio Lagranha durante o 3º Encontro Renner de Teatro, realizado no Theatro São Pedro, em Porto Alegre:

“A força vem do público”

JÁ – Nos anos 1960 houve uma resistência dos intelectuais brasileiros contra a ditadura, com a participação decisiva dos grupos de teatro. Você vai para São Paulo e ingressa no Arena, que na época tinha a frente Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Como foi participar daquele momento?

Paulo José – Foi um momento de grande vitalidade do teatro. O País vivia um clima de otimismo, abertura de perspectivas, espaço muito amplo para a cultura. O espaço teatral passou a ser um dos lugares principais de protesto, de denúncia até chegar a 1968, o auge desse movimento. Esse momento se caracteriza no mundo pelo Movimento de Paris, a Imaginação no Poder. Nós chegamos no limite e isto fez com que a reação decidisse utilizar todas as suas armas para liquidar o movimento que estava perigoso demais para o sistema. Em todo mundo aconteceu isso.

JÁ – Naquele momento, a televisão tornou-se um veículo fortíssimo…

Paulo José – É um fenômeno novo em substituição à vitalidade do teatro. A TV Globo nasce em 1964. É um produto muito identificado com a Revolução de 1964. Ela passa a cobrir o espaço da produção artística da expressão teatral, substituindo a atividade do teatro. Por isso, os anos 1970 são de vitalidade e crescimento da televisão. Nos anos 1980, a gente sente que as coisas estão começando a acontecer de novo. Por um lado, o esgotamento da televisão. Ela está extremamente redundante. Repete as fórmulas, não investe mais no novo. Nos anos 1970, ela cooptou toda a criação brasileira, os atores de teatro, os autores. Ela aproveitou a criatividade nacional. Isso já se esgotou.

JÁ – E como está o teatro neste momento? 

Paulo José – Apesar da transição lenta e tal, os espaços estão sendo abertos para a atividade teatral. Sinto que hoje estamos vivendo de novo um bom momento. Falam em crise, mas no Rio Grande do Sul, por exemplo, novos grupos estão surgindo em número maior do que nos anos 1950.  E até mesmo com um acabamento, resultados de produção excepcionais. “A Fonte”, com direção de Luiz Arthur Nunes, que assisti na mostra do Encontro de Teatro, é um espetáculo primoroso do ponto de vista de realização. Isso está acontecendo no Brasil todo.

JÁ – Os novos grupos estão muito preocupados em viabilizar os espetáculos através do patrocínio do Estado ou das empresas privadas. E o custo político desses patrocínios?

Paulo José – O teatro tem que fugir da relação com a sociedade e se concentrar na relação com a comunidade. É a maneira dele não se tornar dependente. A sociedade produz um teatro que lhe convém. É a expressão dos grupos dominantes. Qual é a primeira comunidade do teatro? A juventude. Identificada como juventude estudantil. Como foi nos anos 50 e 60, o teatro hoje tem que buscar seu público específico. Não adianta querer fazer teatro para toda a sociedade. Ele deve estar dirigido para o seu público ativo, vivo, que é o jovem. A ideia dos anos 50 foi toda embasada nesta relação. Se um grupo quiser apoiar sua produção nos benefícios fiscais da Lei Sarney, nas grandes empresas, ficará difícil. Quem patrocinaria os trabalhos do Arena “Eles não usam black-tie”, “Revolução na América do Sul”, “Arena contra Zumbi”, ou do teatro Oficina, “O Rei da vela”, “Os pequenos burgueses”? A Coca Cola, a Shell, a Esso, ou qualquer outra deste nível? É claro que não. Quem pode patrocinar o teatro? O público. É necessário motivar este público, que volto a repetir, é o estudante.

JÁ – Uma frase muito ouvida hoje nos meios teatrais é que não se pode mais brincar de fazer teatro. É necessária uma empresa por trás, uma estrutura. Como unir esta estrutura com a busca da vitalidade teatral?

Paulo José – O grupo tem que estar bem estruturado, mas não pode supor que é um grande grupo empresarial que vai patrocinar o teatro. Um grande grupo até pode patrocinar bons espetáculos, mas há um limite. Talvez, diante do teatro clássico. Um caso típico em Buenos Aires é o teatro San Martin, que é da municipalidade, ligado a uma fundação, e patrocinado pela iniciativa privada. A Coca Cola patrocina teatro lá também. E o que você assiste no San Martin? Bons espetáculos, mas desprovidos de qualquer possibilidade de inquietação, provocação, que incomode as pessoas. É um teatro clássico, acadêmico.

JÁ – Como você está vendo o teatro hoje em termos de linguagem: inquietante ou um vídeo clipe sem conteúdo?

Paulo José – Houve uma tendência de o teatro ser mais sensorial e menos conceitual. Até mesmo a palavra começou a perder muito a significação no teatro com o desenvolvimento corporal, o sensorial. Esse caminho foi importante, mas não há dúvida que o sensorial tende a provocar uma relação imediata, de fruição e prazer. É importante que toda a sensação possa se transformar em algum conceito. Agora, não podemos ser puristas. Em determinados espetáculos a linguagem do videoclipe pode ser um fator de aquecimento. Na peça “Eu te amo”, que fiz recentemente com a Bruna Lombardi, havia em cena aparelhos de tevê ligados. Mas reduzimos o número de aparelhos durante a temporada. É perigoso que o teatro pense em se modernizar com recursos eletrônicos, pois pode virar mais do produtor do que do ator.

JÁ – Por que você abandonou a televisão?

Paulo José –  A televisão é um meio extremamente complexo, do qual o ator, o realizador, o autor, têm a mínima possibilidade de influir no processo. O diretor tem que ser ditatorial e eu não sei trabalhar assim. Além disso, queria voltar a ser ator. No teatro os atores são donos do processo de criação, de realização. As pessoas descobrem as estratégias de fazer teatro. E sinto que por tudo isso, o teatro vive um momento de vitalidade. É difícil, mas quem quer realmente, está fazendo.

JÁ – O último trabalho que você fez como diretor na televisão foi a minissérie “O Tempo e o Vento”, do Érico Veríssimo. Parece que não saiu como você queria, não é?

Paulo José – É, super dimensionamos a produção. Tentamos abranger mais do que a produção poderia abranger. Talvez por ser um trabalho que eu tinha muita vontade de fazer. Daria certo se pegássemos só a parte da Ana Terra ou do Capitão Rodrigo, por exemplo.

JÁ – E o cinema?

Paulo José – Ao contrário do teatro, que é extremamente artesanal, o cinema sofre com o empobrecimento do País. O filme é arte e o cinema é indústria. Hoje em dia, o filme brasileiro se tornou inviável. Atualmente, não é possível fazer cinema no Brasil. Os custos de produção são muito mais altos do que o retorno de bilheteria. O cinema está inviabilizado. A inviabilização do cinema, de certa maneira, aumenta a produção teatral. Todo o investimento da arte da interpretação, que poderia ser canalizado para o cinema, voltará a ser aproveitada pelo teatro.

 

Sax e trombone direto de NY, no Espaço 373, com Diego Ferreira e Nana Sakamoto

 

O Espaço 373 recebe no próximo dia 20 (sexta-feira), Diego Ferreira/Nana Sakamoto Quarteto. Radicados em Nova Iorque, Diego e Nana apresentam um repertório de standards “lado B” em releituras no estilo latin jazz e bossa nova. Completam a banda o contrabaixista Miguel Tejera e o baterista Dani Vargas.

Nana Sakamoto. Foto Kuro-Chan /Divulgação

A trombonista japonesa Nana Sakamoto é uma das grandes revelações do jazz nova-iorquino. Aos 25 anos, já tocou com os mais importantes músicos da atualidade: os trompetistas Freddie Hendrix e Terell Stafford e lendas como Louis Hayes (baterista de Cannonball Adderley), Rufus Reid, Steve Davis, John Lee (baixista de Dizzy Gillespie), Dave Kikoski e Kenny Washington. Ativa na cena musical, Nana se apresenta regularmente com as big bands Birdland Big Band, David Berger Big Band, Greg Ruvolo Big Band e Seth Weaver Big Band.

 

Foto: Nabor Goulart/ Divulgação

O gaúcho Diego Ferreira é mestre em Jazz Performance e em Composição Erudita, pela New Jersey City University. Se apresentou ao lado de nomes como Bibi Ferreira, Catherine Russell, Emilio Valdés, Di Steffano, Julio “Chumbinho” Herrlein, e Peter Slavov. Entre discos lançados, destacam-se suas participações em “O Encontro,” do baixista Ricardo Baumgarten; “Arquitetônicos,” do trompetista brasiliense Marcos Santos; e “Angico”, do baterista Graciliano Zambonin, gravado no Samurai Studios (Brooklyn, NY).

O 373 remete às famosas casas de jazz de New York pelas paredes de tijolos à vista, madeiras de demolição, cortina vermelha no palco e um charmoso piano de parede. Localizado 4º Distrito, o casarão construído em 1925 é tido como Patrimônio Cultural do Município

SERVIÇO
Diego Ferreira/Nana Sakamoto Quarteto
Quando: 20 de agosto | Sexta-feira | 21h | Casa abre às 19h
Local: Espaço 373 (Rua Comendador Coruja, 373 – Bairro Floresta)
Ingressos para show presencial: R$ 45
Reservas pela plataforma Eventbrite:https://www.eventbrite.com.br/e/diego-ferreira-e-nana-sakamoto-quarteto-tickets-166107681547

Transmissão ao vivo online
Ingressos:  R$ 20 valor mínimo | R$ 30 ingresso amigo | R$ 50 ingresso admirador da arte | R$ 100 ingresso financiador da arte
Link: http://cuboplay.com.br/diego-ferreira/

 

 

 

Jane Tutikian abre série de entrevistas das escritoras Cátia Simon e Liana Timm

Clarice Lispector continua servindo de inspiração. Desta vez é sua veia de entrevistadora que motivou a artista e escritora Liana Timm e a escritora Cátia Simon a criarem a série Digressões Clariceanas. A primeira live será com a escritora e professora de Letras Jane Tutikian no dia 12 de agosto, às 20h, no Facebook do Território das Artes.

“Ao entrevistar grandes personalidades de variadas áreas de interesse, Clarice desconcertou seus leitores através de indagações inusitadas. Seguindo os rastros dessa emblemática figura da literatura brasileira, vamos buscar, a partir de uma conversa descontraída, o que os nossos entrevistados têm de mais interessante para contar ”, revela Liana.

A escritora Jane Tutikian/ Foto: Divulgação

O projeto será inaugurado com Jane Tutikian, escritora brasileira, autora de contos, ensaios, novelas e literatura infantojuvenil. Foi patrona da 57ª Feira do Livro de Porto Alegre. Conquistou o Prêmio Jabuti na categoria infanto-juvenil de 1984, finalista, em 1986, da Bienal Nestlé de Literatura Brasileira na categoria conto. Venceu ainda o Prêmio Erico Verissimo na Câmara Municipal de Porto Alegre em 1987 e o Prêmio Açorianos SMC/POA/RS de 2001 na categoria infanto-juvenil.

A programação das Digressões Clariceanas contempla também entrevista com o crítico de arte Jacob Klintowitz, no dia 16 de setembro, às 20h; com a cantora e atriz Cida Moreira, no dia 14 de outubro, também às 20 horas, e se encerra com a  escritora, pesquisadora e crítica literária Maria Helena Martins, no dia 18 de novembro, às 20h.

Liana Timm e Cátia Simone; Foto: Divulgação

Agenda:

Digressões Clariceanas
Com Liana Timm e Cátia Simon
Facebook e Youtube Liana Timm

12 de agosto – 20h: Jane Tutikian
16 de setembro – 20h: Jacob Klintowitz
14 de outubro – 20h: Cida Moreira
18 de novembro – 20h: Maria Helena Martins

Livro autobiográfico do cineasta Otto Guerra rima humor e dor

 

 

Geraldo Hasse, Especial para o JÁ Porto Alegre

Só podia ser muito engraçada a autobiografia do diretor de cinema Otto Guerra, mais um gênio de Alegrete que veio parar em Porto Alegre. Nascido em 1955, ele conta sua vida e obras em alta velocidade. No formato de bolso, “Nem Doeu” tem 130 páginas leves e ligeiras. A cada página rola pelo menos um episódio da vida desvairada desse criador que botou movimento em suas HQ e se tornou o mais famoso diretor de cinema de animação de Porto Alegre.

Ilustrações e fotos: Otto Desenhos Animados- Instagran/ Divulgação

Seus filmes se tornaram conhecidos em todo mundo, sempre beliscando algum prêmio aqui e ali. Sua vida daria um filme que tanto poderia ser dirigido por um Walter Salles, numa linha mais clean/cult; como poderia derivar para uma pornochanchada escrachada mas não menos cult – quem se habilitaria? “Nem Doeu” vale como pré-roteiro.  Ele mesmo está pensando em executar o projeto como declarou quando lançou o livro, no começo de julho.

O fato é que, imprimindo um ritmo tri dinâmico à narrativa, o outsider Otto fez um livrinho fora-de-série. Uma das qualidades mais notórias da obra é o cruzamento do fraseado sintético com o senso de humor. Não dá pra saber se tudo que ali está é verdadeiro ou contém algum molho extra, tantas são as histórias dramáticas e/ou hilárias, mas o texto é extremamente veraz. Cenas dramáticas são resumidas em poucas linhas – por exemplo, motorista de ambulância do Hospital do Exército aos 20 anos, o soldado Otto conta da noite em que foi chamado a transportar feridos de tortura e, entre os amassados, reconheceu seu ex-professor de História.

Impresso em Goiânia, onde vivem os editores Marcio Jr. e Marcia Deretti, que trabalham desde 2007 com cinema de animação*, o livro passou pela mão de três revisoras que praticamente o isentaram de erros de português; sobraram alguns cochilos no uso do italic, adotado para sinalizar diálogos ou exclamações.

 

Em lugar de orelhas, uma sugestiva foto do extinto Cine Ritz vale por uma citação histórica. Na contracapa, num texto de 15 linhas, o cartunista Adão Iturrusgarai, parceiro no pioneiro “Rock & Hudson, os caubóis gays”, prevê o epitáfio do amigo: “Aqui jaz um escroto fofo”. Frase que remete naturalmente a Angeli, Glauco e Laerte, três dos maiores cartunistas de São Paulo e parceiros ou quase de Otto Guerra em filmes como “Os Piratas do Tietê” e “Wood & Stock, Sexo Orégano e Rock ‘n’ Roll”.

*Do Youtube: “MMarte Produções é a encarnação profissional de Márcia Deretti e Márcio Júnior – alienígenas para os quais trabalho, arte, prazer e vida não só se misturam, como são indistinguíveis. De modo aparentemente esquizofrênico, a MMarte se dedica a diversos ramos da produção cultural, com destaque para o cinema de animação. Desde 2007, realiza em Goiás o Dia Internacional da Animação. E em 2009, deu à luz o projeto de formação Escola Goiana de Desenho Animado (EGDA). O Ogro, lançado em 2011, inaugura a MMarte como produtora audiovisual. São oito curtas-metragens finalizados, sete deles em animação.

Autorais, os filmes se dividem em projetos dirigidos pelos marcianos Márcia & Márcio, ou por animadores egressos da EGDA. Três novas animações estão em produção, com estreia prevista para 2021 – a depender da existência do mundo, claro. Mais que produtora cultural, a MMarte é uma utopia. Um planeta vermelho onde todos que acreditam em arte independente têm asilo irrevogável. Seja bem-vindo”. Fone para encomendar o livro (62) 98117.3345