Exposição/simpósio sobre Otto Wagner aborda influência do arquiteto vienense no Brasil

A exposição “Unlimited City: Otto Wagner (1841-1918),” assim como o Simpósio sobre o arquiteto vienense abordará, além da obra de Wagner, também sua influência sobre arquitetos ativos em Porto Alegre e no Brasil no início do século XX, período de transição de linguagens arquitetônicas.

Ambos eventos são iniciativas oferecidas pela Embaixada da Áustria e pelo Museu da Cidade de Viena, pelo Centro de Estudos Europeus e Alemães (CDEA) e pela Pinacoteca Aldo Locatelli da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A exposição abre dia 29 e o simpósio começa dia 31.

Otto Wagner: Parada Stadtbahn Westbahnhof, 1894, Museu de Viena

 SERVIÇO

Exposição: Abertura 29/07/2023, sábado, às 11 horas
Simpósio: 31/07/2023, segunda feira, às 18 horas
Local: Pinacoteca Aldo Locatelli – Praça Montevidéu,10 – Porto Alegre A

A curadoria da mostra é de Andreas Nierhaus (diretor do Museu de Viena) e Golmar Kempinger Khatibi. Organização no Brasil de   Kathrin Holzermayr Rosenfield (Professora Titular de Filosofia, Literatura e Estética na Universidade Federal do Rio Grande do Sul .)

 

Gasômetro- Porto Alegre 1970- Foto Prefeitura POA/ Divulgação

O Gasómetro de Porto Alegre: uma homenagem ao arquiteto vienense Otto Wagner

“Otto Wagner (Viena, 13 de julho de 1841 – Viena, 11 de abril de 1918) é o pai da modernidade na arquitetura e um visionário do urbanismo da revolução industrial, com
respostas às necessidades do mundo contemporâneo. Ele brilha não apenas pela ousadia do design, mas concebeu novas perspectivas de planejamento urbano para metrópoles em constante expansão, de transporte público e privado mais rápido e inclusivo, para a
infraestrutura que integra a cidade no meio natural.

Suas propostas foram instigantes não apenas no século XX mas ainda colocam questões relevantes para os problemas de democratização e sustentabilidade da arquitetura na época atual. Suas soluções para as
moradias, o negocio e o transporte coletivo das grandes metrópoles lhe valeram admiração de seus alunos, muitos deles nomes marcantes da arquitetura, do design e da arte do século XX – de suas ideias emergem nomes com Joseph Hoffmann a Le Corbusier, elas inspiram os fundadores da Bauhaus e se afirmam também para além do Atlântico: no Brasil cidades contam com um urbanismo e prédios construídos por influência destas novas ideias.

O arquiteto Otto Wagner./ divulgação

O símbolo de Porto Alegre – a usina do Gasómetro – foi construído por um aluno de Otto Wagner, (1884-1972), e vários dos arquitetos-imigrantes da Áustria e da Alemanha deixaram em Porto Alegre um legado que tem alguma relação com Otto Wagner e sua escola.

Vale a pena evocar o legado de Otto Wagner na obra de Floderer , arquiteto nascido em Brünn, ou Brno, que foi também a cidade natal de Adolf Loos, na parte tcheca do antigo Império Austro-Húngaro. Antes de emigrar para as Américas, Floderer esteve envolvido com movimentos e matrizes arquitetônicas protomodernas ainda não propriamente rastreadas no Brasil: foi discípulo do eminente arquiteto vienense Otto Wagner, associou-se a diversos arquitetos do neo-historicismo berlinense e, ao emigrar para o
Brasil, desenvolveu uma dicção arquitetônica muito própria e diversa, que oscilava entre os historicismos, o Expressionismo Alemão e o Art Decó Marajoara.

Prédio do Instituto do Cacau, em Salvador (Ba), obra de Anton Floderer.

Suas obras no Brasil incluem o Instituto do Cacau na Bahia, o Edifício Topic Nigri Rua da
Alfandega,100, o Banco Britânico,1926, Rua Gal Câmara – já demolido, e a Usina do Gasômetro.
No contexto de formação do modernismo nos países de língua alemã no início do século XX, as capitais Viena e Berlim se destacaram claramente como centralidades. Viena fornece as matrizes proto-modernas de Otto Wagner e da Wiener Secession, atuantes
desde 1897 e, posteriormente, pela radicalidade da teoria crítica de Adolf Loos. Berlim, por sua vez, se destaca por condensar as matrizes modernistas do país, acolhendo
exposições e projetos do Deutscher Werkbund em 1924 e, em seguida, como sede do Bauhaus, em seus últimos suspiros. Anton Floderer teve a oportunidade de passar seus anos formativos em ambos os contextos modernistas, primeiro como aluno da Wagnerschule – nome que se refere à Akademie der Bildenden Künste, Spezialeschule für Architektur, Wien (Escola Especial de Arquitetura da Academia de Artes Visuais de
Viena) dirigida por Otto Wagner, em Viena, depois como jovem arquiteto em escritórios berlinenses.
Desde muito cedo, Floderer teve sua formação voltada para a construção e para as artes e ofícios: frequentou a Staatsgewerbeschule (1898-1903) e a Technische Hochschule (1904-1905), ambas em Viena.

Na arquitetura do Gasômetro, a influência vienense./ Foto: Prefeitura POA/ Divulgação

O projeto do Gasômetro segue de perto o espírito que Otto Wagner legou aos seus seguidores vienenses, berlinenses e aos imigrantes como Floderer que começaram a construir no Brasil e em Porto Alegre. O atual símbolo da nossa cidade surgiu para
oferecer soluções integradas para a cidade que crescia e se modernizava rapidamente nos anos 1926. Forneceu, numa linguagem arquitetônica ainda bastante neoclássica, um prédio funcional que preenchia bem a finalidade visada quando o prefeito de
Alberto Bins assinou então um contrato com a Companhia Brasileira de Força Elétrica
(subsidiária brasileira de Bond and Share americana). Análogo ao projeto Stadtbahn (o Metrô de Viena, construído por O. Wagner), Floderer forneceu um projeto que cumpria o plano de integrar as Usinas de geração de energia, com o Gasômetro e o sistema de transporte por bondes elétricos.

Praça da Imperatriz Elisabeth com parada de trem, 1893, Museu de Viena

A exposição e o Simpósio apresentarão o percurso desse arquiteto que marcou não apenas a Viena com edificações como a Caixa Econômica Postal, as estações do Metrô Stadtbahn ou a Igreja do Steinhof. Otto Wagner criou obras-chave da arquitetura
moderna no início do século XX. São construções cuja linguagem formal deriva logicamente da sua função, da sua finalidade e que renunciam a qualquer ornamento
tradicional. Ao mesmo tempo, é inconfundivelmente claro que elas respeitam e dãocontinuidade à tradição da arquitetura europeia clássica. Nesse sentido, Otto Wagner
exerceu também grande influência sobre o ecletismo na arquitetura portoalegrense quefaz a transição para o Movimento Moderno”.

(Agradeço a G. Weimer, cujos livros e artigos sobre a arquitetura porto-alegrense me fizeram descobrir
o elo entre Floderer e Otto Wagner. As informações que seguem foram colhidas na obra de G. Weimer. (KHR)