Feminicídio, tema da nova exposição da artista visual Graça Craidy

 

De 3 a 31 de março, a artista visual Graça Craidy apresenta a mostra “Manifesto Antifeminicídio”, a convite da Ajuris (Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul), no Átrio do Foro II de Porto Alegre.  As obras denunciam a escalada do feminicídio no país, incluindo o Estado, e buscam conscientizar a sociedade para a gravidade do problema.

A artista e uma das obras do Manifesto Antifeminicida. Fotos: Carlos Souza/ Divulgação

Entre as pinturas da mostra estão, por exemplo, retratos de noivas mortas, com véu e grinalda e buquê de flores nas mãos, de 1m x 0,70, em acrílica sobre papel; um políptico (quatro peças) apresenta uma noiva no leito de morte; um tríptico é inspirado no conto gótico Plantação de Mulheres Mortas, da escritora Lélia Almeida, cujo texto faz parte da expografia.

A artista explica que produziu a série “baseada na figura icônica da noiva que representa aqui o sonho de felicidade eterna interrompido brutalmente pelo ato machista e criminoso do feminicídio”. Para ela, “é preciso desglamurizar o casamento como um espaço intocável de harmonia e o ciúme como sinal de amor e alertar as mulheres para o perfil de marido ou companheiro que escolhem, para que fiquem atentas aos sinais de violência e agressividade e saibam se proteger e aos seus filhos”.

Noiva deitada no chão. -Divulgação

No papel de artista e ativista – “artivista”, como diz -, Graça monta exposições com a temática da violência contra a mulher desde 2015, já tendo exibido as mostras “Até que a morte nos separe”, “Livrai-nos do Mal”, “Estupro” – duas obras dessa coleção integram o acervo do MACRS – e “Feminicidas”.

Entre outras atividades ao longo da carreira, Graça frequentou cursos de pintura em Florença, Roma e Miami; fez individuais na Itália e no Rio de Janeiro; participou de coletivas no México e no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

.Noiva cadáver II – Divulgação

Graduada em Comunicação, ex-redatora publicitária, ex-professora de Processo Criativo da ESPM-Sul, autora de livro e engajada nas causas feministas, a artista  assina também o texto intitulado Manifesto Antifeminicídio, ilustrado com o rosto de uma das noivas mortas. Panfletos com o conteúdo estarão à disposição dos visitantes da exposição, que será aberta às 19h do dia 3/3. Diz o Manifesto Antifeminicídio:

“Parem de matar nossas mulheres. Parem de matar nossas mães. Parem de matar nossas avós, irmãs, tias, primas, amigas. Parem de nos matar. Nós não somos suas propriedades. Nós não somos suas escravas. Nós não somos suas inferiores. Está na Constituição. Somos iguais aos homens. Mesmos direitos. Mesmos deveres. Não, não e não, homem, você não é a cabeça da mulher. Toda mulher tem a sua própria cabeça. É autônoma. Livre. Dona do seu nariz. Do seu corpo. Quer que a sua mulher fique com você? Faça por merecer.

Ninguém vai embora de onde existe amor, respeito, lealdade. Reconstruir a vida com outras pessoas pode ser a melhor saída para a felicidade de um casal que não vive bem. E para seus filhos, também. Aceite. Amor não é obrigação. Amor é colheita.

Desespero de vítima- Divulgação

Dados 

O Brasil, lamentavelmente, ocupa uma das primeiras posições no ranking do feminicídio no mundo. Conforme estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2022), “os últimos quatro anos foram marcados pelo crescimento contínuo das mortes de mulheres classificadas como feminicídio pelas Polícias Civis dos Estados e Distrito Federal. Com base no número de mulheres vitimadas no 1º semestre de cada ano, desde 2019 a 2022, identificou-se aumento de 8,6% dos feminicídios. A saber: 631 registros em 2019; 664 em 2020; 677 em 2021; e 699 em 2022″.

 

Grito de agredida- Divulgação

O Fórum “alerta sobre a urgência na priorização do tema no campo das políticas públicas de garantia de direitos e sobre o crescimento de 10,8% dos feminicídios se comparados dados do 1º semestre do ano de 2019, anterior à pandemia de Covid-19, com dados do mesmo período de 2022.”

 

Noiva cadáver III- Divulgação

No Rio Grande do Sul, estado da artista, que vive e tem ateliê em Porto Alegre, por exemplo, foram registrados no ano passado 106 casos de feminicídio, segundo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, o que corresponde a um crime cometido a cada 3,4 dias. Houve aumento de 10,4% em relação a 2021, quando ocorreram 96 mortes de mulheres por questão de gênero. Nos últimos cinco anos, o maior número de feminicídios (116) aconteceu em 2018, e o menor (80), em 2020. Em janeiro passado, foram cometidos 9 feminicídios e 24 tentativas de feminicídio. No período foram concedidas 15.793 medidas protetivas a mulheres e efetivadas 2.391 prisões de suspeitos de violência doméstica.

SERVIÇO

Exposição “Manifesto Antifeminicídio”, da artista Graça Craidy

Local: Átrio do Foro II de Porto Alegre, Rua Manoelito de Ornellas 50, Praia de Belas

 Abertura: 3 de março de 2023, às 19h

 Período de visitação: até 31 de março de 2023

Horário: de segunda a sexta, das 13h às 19h

Entrada gratuita 

*Com Assessoria de Comunicação

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