Móveis Coloniais de Acaju volta às atividades e aos palcos do Opinião

O show trouxe debate, reflexão e diversão ao palco do Opinião após 14 anos

Certamente Móveis Coloniais de Acaju não é das bandas mais conhecidas hoje em dia, ainda mais se pensarmos que se passaram 8 anos desde que eles tinham “dado um tempo” da banda. Talvez isso seja o elemento mais surpreendente ao ver um público bem mesclado, mas com muitos jovens cantando todas as músicas nesse sábado, 07, no Opinião.

Se há uma garantia, é que assistira banda brasiliense ao vivo é sinônimo de diversão. Não unicamente por músicos incríveis e letras que vão do sagaz ao gentil, mas por ser uma miscelânea de entretenimento ao público: quer solo de instrumentos? TEM! Quer fazer a dança da cordinha passando por baixo de um trombone? TEM! Que tal um passinho coletivo? GARANTIDO! A cada momento, cada movimentação se dava de forma muito orgânica, e um lugar como o Opinião, mesmo lugar que pudemos assistir ao show há 14 anos, sem dúvida vemos o ambiente perfeito para todo esse frenesi se orquestrar, inclusive abrindo um momento icônico e reflexivo de perguntas e respostas com a plateia, onde se explicou essa “pausa indeterminada” de quase uma década e se refletiu sobre a importância do 8M, Dia Internacional das Mulheres, e sobre o papel do homem em meio a isso, com um longo discurso (para o momento) de uma mulher da plateia. Tal momento foi (talvez) muito intenso para um meio de show, ainda mais seguido de “Campo de Batalha”, tendo uma quebra no ritmo do público que enchia o bar. Mas nada que “Tempo” não levantasse os ânimos novamente, seguida de “Copacabana”, que levou a plateia a loucura!

Em momento algum a música fica em segundo plano. Ao vivo, inclusive, os metais tomam mais força ainda, e a pegada ska fica ainda mais presente. Fundamental destacar o pique da banda, especialmente de Xande Bursztyn (Trombone) e Beto Mejía (flauta transversal), com dancinhas pulantes dignas de Ska das antigas, animadíssimas e hilárias, impressionantes por manterem o fôlego. Aliás, o divertimento pessoal que se viu em palco é de quem realmente tá em contato com o público, onde amigos cheios de piadas internas se apresentam e estão ali para se divertir. E isso é imprescindível para se acompanhar adequadamente o show: se jogar no divertimento.

Desde que surgiu, Móveis Coloniais de Acaju chamaram a atenção. Aos viventes do tempo de MTV, pudemos ver que eles faziam parte de uma vertente musical muito inteligente e sarcástica, onde seus clipes tinham muita influência de artes e referências visuais que levavam a uma ascendência cultural muito engrandecedora para algumas gerações. Para mostrar que essa verve segue viva, pudemos sentir uma homenagem a Jorge Ben Jor (em ano de Ogum, “Jorge da Capadócia” é muito adequada para um momento mais luz baixa)

Um agradecimento especial ao gentil Fabio Pedrosa, baixista, que nos cedeu um setlist para orientar nessa matéria.

Confira Imagens do show. Fotos: Fabiane Marques

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