O recolar do tempo em “Temporalis”, exposição de Claudia Flores, Helena d’Avila e Laura Fróes,

Obra de Laura Fróes Título: Sobre Tristão e principalmente Isolda, 1992, Técnica mista sobre papel Reeditado 60X84cm; Foto Eduardo Aigner/ Divulgação

As artistas visuais Claudia Flores, Helena d’Avila e Laura Fróes, contemporâneas de formação no Instituto de Artes da UFRGS, no início dos anos 90, e em tempo de produção, propõem a exposição Temporalis, que abre no dia 08 de julho, sábado, às 15h, no Museu do Trabalho, em Porto Alegre.

As três artistas, em suas vivências, convivência e trocas, identificam aspectos formais e modi operandi similares e recorrentes que as aproximam.

No texto de apresentação da mostra, Yuri Flores Machado registra a marca da passagem do tempo na prática das três artistas, no fazer e refazer, no recortar e colar de pinturas e desenhos, no reaproveitamento de trabalhos já feitos, que voltam a ser olhados para novas investidas, resultando inéditos no presente.

Claudia Flores pinta sobre algumas de suas pinturas. Helena d’Avila recorta e reorganiza um trabalho que se danificou, Laura Fróes imprime um trabalho que não existe mais a partir do registro que guardou.

Essas e outras propostas serão vistas na galeria do Museu do Trabalho, permitindo ao público conhecer os processos individuais e os pontos que fazem suas produções dialogarem.

A exposição Temporalis, fica aberta para visitação de 09 de julho a 13 de agosto, de terça a sábado, das 13h30 às 18h e nos domingos das 14h às 18h30, no Museu do Trabalho, Rua dos Andradas, 230, Centro Histórico, Porto Alegre/RS.

Obra de Claudia Flores, detalhe da Arte pintura Instruções para chegar ao horizonte XI, acrílica tela, 30×90 cm, Foto Claudia Flores/ Divulgação

Apresentação da mostra

 O REMONTAR DO MUNDO | O RECOLAR DO TEMPO

“Os modos de expressão humana dependem dos corpos. O gesto é o resultado de mecanismos psicofisiológicos que atuam insistentemente até que ocorra amaterialização da arte. Desenhar e pintar são gestos vigorosos que fluem e que conquistam lugar no espaço. O que é desenhar? Van Gogh considerava que era abrirpassagem através de um muro invisível, que parece situado entre o que sentimos e o que podemos. E o que é pintar?

Nas obras aqui apresentadas há em comum a percepção de que pintar é um trabalho de reconquista de sentimentos de mundo sempre cambiantes. Em êxodo constante, os corpos almejam aproximações daquilo que se tentará novamente sentir, mais uma vez. A obra de arte como o remontar do mundo.

Claudia Flores pinta sobre a pintura. Retrabalha. Coloca algumas pinturas na máquina de lavar roupa pensando em alterar suas faturas, numa expectativa incerta. Helena d’Avila recorta frações sobreviventes de uma obra exposta no passado e que agora, em partição, reaparece no presente.

Laura Fróes revisita seus desenhos e colagens, uns guardados e outros que não existem mais, imprimindo novos trabalhos por meio de contemporâneas técnicas digitais. Collage vem do verbo francês coller e significa literalmente “afixar”, “pregar”, “colar”, e como os seus cognatos – a montagem e a assemblage – é uma técnica que continua a ser utilizada por artistas contemporâneos que ampliam recorrentemente os seus efeitos de sentido ou mesmo o seu significado primeiro.

As três artistas visuais reunidas nesta exposição retrabalham pretéritas obras, sem restrições ao colar, ao descolar, cortar, sobrepor, rasgar, ao remontar. A obra de arte como o recolar do tempo.”

Yuri Flores Machado- Historiador da Arte-Mestre em Artes Visuais- Julho de 2023

obra de Helena d’Avila Sem Título Acrílica sobre E.V.A. 2023 dimensões diversas. Foto: Helena d’Avila/ Divulgação

Quem são

CLAUDIA FLORES – Reside e trabalha em Porto Alegre/RS. É artista visual, professora e tradutora. Bacharel em pintura e Mestre em Aquisição da Linguagem pela UFRGS. Desenvolve trabalho artístico em pintura, desenho e colagem em seu ateliê. Sua pesquisa poética se dá em torno da ideia de memória, usando como referência imagens de paisagens e pessoas a partir de fontes diversas. Realizou exposições individuais no Museu de Arte de Santa Maria, Galeria Espaço Cultural Duque e Casa Amarela, em Porto Alegre. Participou de exposições coletivas no Instituto Ling, Ocre Galeria, Associação Chico Lisboa, Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, MARGS, Instituto Goethe, entre outras. Participou do 23º Salão de Artes Plásticas da Câmara Municipal de Porto Alegre (2022). É artista representada pela Ocre Galeria.

 

HELENA D’AVILA – Reside e trabalha em Porto Alegre, RS. Graduada em Artes Visuais pela UFRGS, e pós-graduada em Produção Cinematográfica pela PUC/RS. Trabalha com pintura, objetos e vídeo-arte. Participou do grupo “3×4 VIS(i)TA” durante dez anos, com o lançamento de livro. Possui obras em acervos públicos e Fundações de Arte. Realizou exposições individuais como: Projeto Rumos ITAU, Brasília/DF, Realizou exposições individuais tais como: Projeto Rumos ITAU, Brasília/DF em 1994; no Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural – IPAC, Salvador/BA; na Galeria Xico Stockinger – MACRS, Porto Alegre/RS; no Museu Luiz de Queiroz, São Paulo/SP; e na Galeria Anexo 535, Porto Alegre/RS em 2021. Participou de diversos Salões e exposições coletivas no Brasil e exterior como: Projeto 3×4 VIS(i)TA e visitados – MAC, Porto Alegre/RS; II Prêmio Gunther de Pintura – MAC/Ibirapuera, São Paulo/SP e Usina do Gasômetro, Porto Alegre; Paisagem (in) certa – SUBTE Centro de Exposiciones, Montevidéo/Uruguai; Trocas Contemporâneas –  Centro Universitário Maria Antonia – USP, São Paulo/SP;  Abstração e Figuração – Galeria Zagut, Rio de Janeiro/RJ; Fora das Sombras – Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/PR. Participou de Feiras de Arte como: Artexpo New York Art Fair, Nova Iorque/EUA; Spectrum Miami Art Fair, Miami/EUA; PINTA 2020 – Miami/EUA. É artista representada pela Ocre Galeria.

LAURA FRÓES – Reside e trabalha em Porto Alegre/RS. Graduada em Artes Visuais, pelo Instituto de Artes da UFRGS. Trabalha com desenho, costura, colagem e site especific. . Participou do projeto “3×4 VIS(i)TA” que teve duração de 10 anos e culminou com o lançamento de um livro com financiamento do Fumproarte. Realizou três exposições individuais entre elas Corte/Dobra, Menção Honrosa no Prêmio IEAVIRS, 2012, e inúmeras coletivas como, A Matéria do Desenho, MACRS, Curadoria Gaudêncio Fidelis, Jovem Pintura Figurativa do RS, MACRS, Curadoria Paulo Gomes, Projeto João Fahrion 10 Anos – artista convidada, MACRS; e dos projetos especiais A Casa da Ilha da Pólvora do Arte Construtora – artista colaboradora, Plano:B – artista idealizadora e integrante da exposição independente e  Remetente – Uma Leitura de Artista –  artista idealizadora e  integrante da exposição independente que teve financiamento do Fumproarte, todas em Porto Alegre/RS. Foi também Prêmio Aquisição no 17º Salão do Jovem Artista e  Prêmio Incentivo à Criatividade no 11º Salão Câmara Municipal de Porto Alegre. Tem obra no acervo da Fundação Vera Chaves Barcellos FVCB. É artista representada pela Ocre Galeria.

*Com Assessoria de Comunicação