A exposição “Grande Sertão”, da artista visual gaúcha Graça Craidy, retrata, em 52 obras, os principais personagens, a flora e a fauna do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (1908/1967). A mostra será aberta sexta-feira (1º/11), às 18h30, no Clube do Comércio, como parte da programação da 70ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Retrato do escritor Guimarães Rosa por Graça Craidy – Cópia w/ DIVULGAÇÃO
Em óleo, acrílica e aquarela, Graça faz sua releitura pictórica de personagens como Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, Hermógenes, Zé Bebelo, Otacília, Nhorinhá; da flora e da fauna do Cerrado, além do próprio Guimarães Rosa, que se embrenhou no sertão para captar a linguagem dos nativos e anotar tudo que via e ouvia da jagunçada a fim de conceber este que é considerado o maior romance brasileiro do século 20.
Jagunço Hermógenes /Divulgação
Graça não só leu o romance como fez o curso Travessia, sobre o livro, relendo-o e debatendo-o por três meses com a professora da USP Cecilia Marques, especialista no tema; assistiu ao monólogo Riobaldo, com o ator carioca Gilson de Barros; além de pesquisar em ensaios e monografias relativas à obra do mineiro de Cordisburgo, publicada em 1956.
Riobaldo e Diadorim – /Divulgação
Apaixonada por artes visuais e literatura, a artista pretende, com seu trabalho, estimular a leitura de Grande Sertão: Veredas. “Espero que os visitantes da exposição se encantem com a história em quadros do meu Grande Sertão particular, expressionista, apaixonado, de cores turvas, ternas e terrosas. Em cada personagem, cena, gesto, o meu gentil convite para despertar nas pessoas o desejo de ler o grande romance”, diz ela.
Prostituta Nhorinhá-/Divulgação
Esta é a quarta vez que Graça une sua arte à literatura. A primeira foi na coleção “Clarices”, de 33 retratos de Clarice Lispector, que já esteve no Rio de Janeiro, Niterói, Brasília, São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba (ainda em cartaz na capital paranaense); a segunda e a terceira foram as mostras coletivas Autorias I e Autorias II, que a artista organizou, inclusive em plena pandemia, com 43 artistas gaúchos retratando 51 escritores do Rio Grande do Sul. E, agora, essa individual sobre Guimarães Rosa, que se tornou imortal da Academia Brasileira de Letras.
Sô Candelário, personagem do livro e da mostra / Divulgação
Durante a Feira do Livro, que vai até o dia 20 de novembro, a exposição estará aberta à visitação das 10h às 20h, inclusive sábado e domingo. Depois de terminada a feira, a mostra seguirá em cartaz, até 20 de dezembro, de segunda a sábado, das 10h às 17h.
A ema é o maior animal do Cerrado -/Divulgação
SERVIÇO
Exposição “Grande Sertão”, de Graça Craidy
Abertura: 1º/11, das 18h30 às 20h
Visitação: de 2/11 a 20/11, todos os dias, inclusive sábado e domingo, das 10h às 20h; de 21/11 a 20/12, de segunda a sábado, das 10h às 17h
Local: Clube do Comércio, Rua dos Andradas, 1085 (segundo andar, antigo Salão de Bridge), Centro Histórico
Durante o mês de novembro, a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), dá continuidade à programação do Cultura no Antropoceno. O projeto convida os participantes à reflexão sobre as práticas culturais no momento em que o ser humano e seus feitos são entendidos como força geológica capaz de provocar alterações no planeta.
Ao longo do mês, ocorrerão quatro momentos de discussão entre artistas, escritores e pesquisadores intitulados Contaminações. Os três primeiros acontecem nos dias 6, 13 e 21 de novembro no Auditório Luis Cosme (4° andar da CCMQ), às 19h. Já o último será realizado no dia 30 de novembro na sala Cecy Franck (4° andar) às 14h. Eles têm o objetivo de instigar o público a perceber a confusão de fronteiras entre humano e animal, organismos e máquinas e o físico e o não físico, bem como observar se o ser humano está realmente separado de seus objetos de desejo, do lixo que produz, da linguagem e dos espaços que habita.
O primeiro desses encontros, intitulado Contaminações 1: nos seres, ocorreu na última quarta-feira (30/10) e recebeu a artista Carolina Marostica e os idealizadores do projeto Dilúvio Vivo, Tuane Eggers e Beto Mohr. Os próximos eventos discutem as contaminações no espaço, na cartografia, na escrita e nos corpos. Para os debates, estarão presentes pesquisadores e artistas de diversas áreas, como o geógrafo Rodrigo Fontana, a arquiteta e urbanista Patrícia Cruz, a escritora Julia Dantas e a artista Cristyelen Ambrósio. Confira a programação completa aqui.
Dilúvio Vivo -por Beto Mohr]/ Divulgação
Após a última Contaminação (30/11), às 16h, o pensador do corpo Danilo Patzdorf ministrará a oficina Como descansar o indescansável, uma proposta prático-teórica de yoga.
No dia 21 de novembro acontece a segunda mesa-redonda da programação, às 19h no Auditório Luis Cosme. Intitulado Uma proliferação de mundos, a atividade recebe as escritoras Ana Rusche, Micheliny Verunschk e Taiasmin Ohnmacht para uma reflexão sobre como um mundo em emergência climática ganha espessura quando se entrelaça à ação narrativa, articulando passado e futuro de diferentes perspectivas e pontos de vista.
Além disso, sessões do Curta o Jardim acontecem nos dias 7 e 14/11 às 19h30, com produções oferecidas pelo projeto Tela Indígena. A primeira apresenta os curtas de animação Ga vī: a voz do barro, Mãtãnãg, a Encantada, Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali e A Festa dos Encantados. A segunda apresenta as dramaturgias KARAIW A’E WÀ, URU ‘ KU e A Indômita Revolta dos Morangos Assassinos.
Obra de Carolina Maróstica/ Divulgação
Toda a programação é gratuita e aberta ao público, sem inscrições prévias.
O plano anual da Casa de Cultura Mario Quintana é financiado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e com o patrocínio direto do Banrisul; Patrocínio Master Nubank; Patrocínio Prata CEEE Equatorial; Patrocínio Statkraft; apoio Panvel, Banco Topázio, DLL, Navegação Aliança, Tintas Renner e iSend; e realização da Secretaria de Estado da Cultura e do Ministério da Cultura – Governo Federal.
Os temas nunca foram tão atuais, principalmente em se tratando de uma bailarina, coreógrafa e diretora que tem a ousadia como marca registrada. AUTOIMAGEM e MACHO HOMEM FRÁGIL têm apresentações nos dias 25 e 26 de outubro, às 19h, na VIII Mostra de Artes Cênicas e Música. Entrada Franca
Uma das bailarinas e coreógrafas mais importantes do país, Eva Schul, volta à cena com Persona, dois espetáculos de 30 minutos cada, nos dias 25 e 26 de outubro (sexta e sábado), na VIII Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
O projeto de dança contemporânea da Ânima Cia de Dança, que reúne três gerações de intérpretes-criadores formados por Eva, Geórgia Macedo, Viviane Lencina e Eduardo Severino, estreou de forma virtual em 2022.
Em AUTOIMAGEM, o espelho, enquanto um processo de duplicação, é sempre um meio para encontro consigo mesmo, mas também lugar de sedução de mistério, de fragmentação do sujeito. Local de fechamento, abertura, ruído, silêncio, sombra. De contemplação e perdição. Inspirado pelo conceito de autoimagem, que carrega também o nome da montagem, o espetáculo tem a ideia de espelho enquanto não imagem, mas enquanto construção de subjetividades.
Já MACHO HOMEM FRÁGIL desmistifica fronteiras geográficas, culturais e de gênero, desnudando confrontos individuais e sociais do homem. Traz à cena fragilidades e frustrações de um macho brasileiro/latino-americano/gauchesco, (in)corporando suas próprias histórias de violência e fragilidade, de desejo feroz e dúvida cruel, de alegrias e esperanças triviais, em um campo de batalha entre o animal e o racional.
Eva Schul fez da dança contemporânea um lugar para falar da sua relação com o mundo, com as pessoas que a rodeiam e das questões humanas que lhe interessam. Com o tempo, foi se dando conta de que precisava sacudir o espectador, que ele não poderia sair de dentro do teatro isento, que poderia sair com questões para serem discutidas e revistas. “Eu levanto muita bandeira, eu sou muito panfletária. Arte é política, e não tem como escapar disso. Se a minha arte não servir para mudar alguma coisa no mundo, nem que seja em uma pessoa que esteja na plateia, olho no olho comigo, então, para mim, a minha arte não vale coisa alguma. Porque eu não quero alimentar fantasias. Eu não tenho qualquer desejo de trabalhar com lazer. A arte tem uma responsabilidade muito grande, que é retratar o seu tempo, o seu environment, o seu meio, e trazer à tona questões fundamentais na sociedade. Para mim, isso é arte. Ela tem que sacudir, tem que tocar, tem que sensibilizar”, afirma.
FICHA TÉCNICA
Direção: Eva Schul
Intérpretes-criadoras de Autoimagem: Geórgia de Macedo e Viviane Lencina
Trilha sonora Autoimagem: Thiago Ramil
Cenógrafa Autoimagem: Natalia Schul
Concepção figurino Autoimagem: Eva Schul, Geórgia de Macedo e Viviane Lencina
Intérprete-criador de Macho Homem Frágil: Eduardo Severino
Trilha sonora Macho Homem Frágil: Felipe Azevedo
Cenografia Macho Homem Frágil: Eva Schul e Mano Ribeiro
Desenho de Luz: Guto Grecca
Operação de luz: Driko Oliveira
Operação de Som: Thiago Ramil
Fotografia: João Mattos
Assessoria de Imprensa e mídias sociais: Roberta do Amaral
Produção: Geórgia de Macedo e Viviane Lencina
SERVIÇO
VIII Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres
Persona: Estudos de Criação em obras coreográficas
Quando: 25 e 26 de outubro | Sexta e sábado | 19h
Onde: Teatro Glênio Peres (Avenida Loureiro da Silva, 255 – Câmara Municipal de Porto Alegre)
Entrada franca | Distribuição de convites de segunda a quarta-feira anteriores ao espetáculo na Seção de Memorial da CMPA, das 14h às 17h, ou 30 minutos antes do espetáculo, quando houver disponibilidade
Faixa etária: 16 anos
Realização: Câmara Municipal de Porto Alegre
Baseado no livro FLICTS, de Ziraldo, banda de câmara Tum Toin Foin faz única apresentação no domingo, às 17h. Programação cultural no 373 conta, ainda, com a reverência à MPB com Bárbara Bit e lançamento de single de Rafa Costa
No domingo (27), a banda de câmara Tum Toin Foin apresenta o espetáculo infantil FLICTS. No repertório, a trilha sonora feita por Arthur de Faria e Roberto Oliveira para a adaptação do livro homônimo de Ziraldo para uma montagem de teatro de bonecos do Grupo Camaleão, que ficou longos anos em cartaz.
Em 1998, Arthur pegou as bases gravadas com o Arthur de Faria & Seu Conjunto, chamou uma legião de cantoras e cantores de Porto Alegre para regravar as vozes, e o resultado foi o disco infantil Flicts. Este ano, o pianista adaptou os arranjos para serem tocados e cantados pela Tum Toin Foin, com direção de Áurea Baptista.
O show no Espaço 373 contará com Thomás Werner (guitarra e voz), Miriã Farias (violino e voz), Adolfo Almeida Jr. (fagote), Sabryna Faria e Julio Rizzo (trombones e vozes), Bruno Vargas (baixo e voz), Guenther Andreas (bateria) e Giovanni Berti (percussão e voz), além de Arthur de Faria como narrador e ao piano.
Bárbara Bit e grupo- Foto Gui Beck/ Divulgação
Bárbara Bit e quinteto
Nesta quinta (24), a cantora e pianista Bárbara Bit sobe ao palco do Espaço 373 em formato quinteto. Acompanhada de Gabi Görski (guitarra), Filipe Narcizo (baixo), Cleômenes Junior (sax) e Gustavo Laydner (bateria), Bárbara homenageará suas influências na música brasileira, como Elis Regina, Moacir Santos, Djavan e Tânia Maria.
Rafa Costa e Água Pura
No sábado (26), Rafa Costa lança no 373 o single Água Pura. Gravada no Estúdio Pedra Redonda, com produção musical de Guilherme Ceron, a canção contou com a participação de um timaço: Paola Kirst, Neuro Junior (violão de sete cordas), Pedro Borghetti (percussão e vocais), Venâncio (flauta) e Eduardo Cardeal Bandoneon e Guilherme Ceron (baixo).
o cantor Rafa Costa – Foto Fabio Zambom/ Divulgação
O repertório contará, ainda, com músicas do seu EP Trigueiro. O trabalho traz muito da influência rítmica regional e das músicas contemporânea e urbana. As canções autorais convidam a refletir sobre o nosso papel no lugar onde vivemos, de onde viemos e quais são nossas referências para compor a música, a cidade e a vida. Um som instigante e criativo que ultrapassa qualquer rotulação, propondo novas experiências sonoras.
Para este show, Rafa estará acompanhado de Guilherme Ceron, Pedro Borghetti, Lorenzo Flache, Rubens Baggio, além das participações de Paola Kirst, Venancio da Luz e Eduardo Cardeal.
Para quem está com saudades das festas onde o passinho predomina, o Griô Burguer está organizando a Festa Reação Black Excellence, no dia 19 de outubro,a partir das 20h. O evento conta com a apresentação da dupla Seguidor F e Osório, além da audição do álbum A rua é o palco principal, de Seguidor F, que está completando 10 anos. Os dj’s Edinho DK, Ize e Celo também fazem um som para animar o público. Lembrando que na pista terá muito R&B, música black, rap e anos 90.
A festa tem como objetivo resgatar os tradicionais bailes charme da década de 90 que aconteciam em Porto Alegre. Conforme Seguidor F será um momento especial. “O Griô é reconhecidamente um espaço que resgata a cultura negra da capital e agora está de casa nova. Será muito bacana apresentar o meu álbum que tem 10 anos de história para público presente”, afirma o rapper.
Sobre Seguidor F: é jornalista, rapper, ativista cultural e desde os anos 90 é militante ativo da cultura hip hop gaúcha. Fez parte do grupo Família Seguidores, um dos precursores do rap no Rio Grande do Sul. Além disso, é estudante de serviço social, e atua como palestrante em escolas e comunidades abordando questões: comunicação,racismo, diversidade, comportamento dentro de comunidades e cultura através da música. É autor da música Pedaladas da Vida, que em 2015 recebeu o 2º lugar no Festival de Música da Juventude de Porto Alegre, a música faz parte do seu primeiro álbum “A Rua é o Palco Principal”.
SERVIÇO:
FESTA REAÇÃO BLACK EXCELLENCE
Data: 19 de outubro
Horário: 20 horas
Local: Griô Burger (Travessa do Carmo, 76)
Atrações: Seguidor F e Osório, DJ Edinho DK, DJ Ize eCelo DJ
Um dos grandes nomes do swing samba-rock, o Pau Brasil, deu início a uma série de shows em Porto Alegre, no interior do estado, além de São Paulo, que marcam o reencontro do grupo. No próximo dia 18 de outubro, eles se apresentam no Gravador Pub (Rua Ernesto da Fontoura, 962), a partir das 20h, onde será gravado um dvd.
Oriunda do gênero legitimamente afro-gaúcho e tem como vertente a música urbana da periferia e dos bairros com forte presença de jovens negros de Porto Alegre, especificamente no bairro Santana, onde fica a quadra da escola de samba Acadêmicos da Orgia. O início do grupo ocorreu no ano de 1975, quando Bedeu, um dos criadores do gênero convidou os amigos Cy, Nego Luis, Alexandre Rodrigues, Leco do Pandeiro e Leleco Telles, para formar um grupo chamado Pau Brasil, que ganharia notoriedade a partir do momento em que decidiram mudar para São Paulo.
Desde a chegada no sudeste, o grupo gaúcho conquistou o mercado, reconhecimento de crítica, público, além da classe artística com seu gênero swingado. A primeira obra foi o LP O samba e suas origens (1978), da gravadora Discos Copacabana. No disco, foram incluídas várias composições de integrantes do grupo, entre elas Massagem, de Bedeu e Alexandre, Tá na hora, de Bedeu, além da faixa Grama Verde, de autoria de Bedeu, Leleco Telles e Alexandre.
Nas décadas de 1970 e 1980, ao lado do samba-rock paulista e do sambalanço carioca, já em São Paulo, tiveram o suporte providencial do amigo e também gaúcho, Luis Vagner Guitarreiro, que radicado na capital paulista, já fazia sucesso desde a jovem guarda, sendo um dos precursores do suingue, já incluído no samba rock.
O grupo lançou o álbum chamado Pau Brasil, tendo na capa o trio de compositores , Alexandre Rodrigues, Leleco Telles e Bedeu. Com o passar do tempo, o grupo decide encerrar suas atividades coletivas, alguns dos membros seguiram carreira solo e outros projetos.
Atualmente, o grupo é formado por Carlos Alexandre Rodrigues, Nego Luis e Mestre Cy, remanescente da formação original, agora reformulado, contando com músicos como Zê e Zaleco, dois renomados guitarristas, mais o jovem baterista Jiraya, que traz no DNA toda a sonoridade percussiva de seu pai, Mestre Cy.
Os ingressos para o show podem ser adquiridos pelo site www.gravadorpub.com.br e variam entre R$ 25 e R$ 45 ou na hora. A produção fica por conta da Carrasco Produções.
Grupo Gralha Azul abre exposição com trabalhos de sua autoria e dos coletivos NAVI, Derivações e Projeto Circular Feevale, além de criações de artistas individuais
O grupo Gralha Azul, de Porto Alegre, acostumado a participar de Bienais de Livro de Artista e exposições no país e exterior, abre mostra no sábado (19/10), às 11h, na Galeria 506. Criado há 15 anos e composto exclusivamente por mulheres, o grupo se dedica à confecção de Livro de Artista e ao estudo e reflexão dessa categoria de arte.
A exposição “Gralha Azul e Convidados – Uma Experiência Coletiva” conta com a participação dos grupos NAVI – Núcleo de Artes Visuais, de Caxias do Sul, Derivações, da Capital, e Projeto Circular Feevale, de Novo Hamburgo, além de outros artistas convidados, como Luise Weis, de São Paulo. A visitação aos trabalhos na Galeria 506 irá até 30 de novembro.
Integrantes do Gralha Azul e convidadas na inauguração do novo ateliê do grupo – Divulgação
O Gralha Azul mantém reuniões semanais sob a coordenação da artista visual Mara Caruso, graduada pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e professora aposentada de Livro de Artista do Atelier Livre de Porto Alegre. As técnicas de elaboração dos livros variam de manuais, com desenhos, pinturas e carimbos, a digitais, quando as imagens criadas são manipuladas através de softwares de edição de imagens e posteriormente impressas.
Livro de Artista – Gralha Azul – Divulgação
Edições de tiragens pequenas de Livros de Artista são feitas sobre diversos papeis, a laser ou de processos fotográficos de impressão mineral, enquanto que edições maiores são impressas em gráficas. Muitos dos livros do Gralha Azul, que se originou da Oficina do Livro de Artista do Atelier Livre da Prefeitura, são produzidos coletivamente, não excluindo a produção de livros individuais.
O grupo é convidado, ou selecionado em convocatórias, para exposições em países da Europa e América do Norte. Participam dele atualmente, além de Mara, as artistas Ermínia Marasca Soccol, Jane Sperandio Balconi, Jussara Leite Kronbauer, Leci Bohn, Luiza Gutierrez, Maria do Carmo Toniolo Kuhn, Sirlei Caetano, Tania Luzzatto e Therezinha Fogliato Lima.
Pelo NAVI, fundado em 1988, a mostra exibe livros de Ana Maria Vergamini, Lourdes Barazetti Slomp e Suzana Maria Maino. O Derivações é integrado por Estelita Branco, Leci Bohn, Mara Caruso e Sandra Fraga.
.Grupo Gralha Azul -Divulgação
O Projeto Circular Feevale participa com o Livro de Artista “Imigração/migração: nossas reflexões e questões afetivas”, serigrafia sobre papel e capa em MDF, 35 X 25 X 1,5 cm, 2024.
Livro de Artista – Gralha Azul – Divulgação
O grupo é composto por Alexandra Eckert (coordenadora), Ana Clara Dieter, Ariadny Amaral, Camila Gonçalves Fontoura, Camila Marques, Carin Toscani, Chandra Machado, Emilly Cobs, Faun Antunes, Fernanda Nielsen, Gabriela Soares Hermes (Mabel),| Juliana Justino, Kayo Viana Saldanha da Silva, Kia Santos, Marcio de Souza Pinto, Marinêz Roduite, Matheus Lovatto (Loloviz), Maurício Hilgert, Paula Goulart da Silva, Paulo Belloni, Pietra Cooper e Sofia Silva
Livro de Artista – Gralha Azul – Divulgação
Independentemente de quem o produz, o Livro de Artista é concebido sob o signo da liberdade criativa, a partir de uma ideia artística, e até pode, em sua aparência e conteúdo, nada lembrar o livro convencional conhecido por todos. Por exemplo, o Livro de Artista pode ser uma escultura, de papel ou de outros materiais, e por aí afora vão as inúmeras possibilidades.
Livro de Artista – Gralha Azul – Divulgação
SERVIÇO
Exposição “Gralha Azul e Convidados – Uma Experiência Coletiva”
Abertura: 19/10 (sábado), às 11h
Visitação: até 30/11
Horário: segunda a sexta, das 10h às 19h.
Visitas agendadas pelo fone 51 9 8209 3526
Endereço: Avenida Nova York, 506. Bairro Auxiliadora. Porto Alegre
No dia 25 de outubro (sexta-feira), o guitarrista, compositor e arranjador James Liberato celebra 40 anos de trajetória com o espetáculo “Jazz da Terra”. A apresentação reunirá músicos que acompanham o artista ao longo do tempo, como Amauri Iablonovsky (sax e flauta), Ronie Martinez (bateria), Everson Vargas (baixo) e Luis Henrique New (piano), e contará com as participações especiais de Anacris Bizarro (vocal), Thiago Colombo (violino) e Pablo Schinke (cello).
Nessas quatro décadas, James consolidou seu nome na música instrumental brasileira e no jazz, explorando diversas formações e estilos. O título “Jazz da Terra” carrega um forte simbolismo: foi o nome de seu primeiro espetáculo, em setembro de 1985, no antigo Teatro de Câmara. “O show de 40 anos será o momento em que volto ao início da minha carreira, revisitando minhas composições até o presente momento, tendo ao meu lado músicos que percorreram essa trajetória junto comigo”, destaca.
O repertório começa nos anos 1980, marcado pela exploração do jazz, fusion, rock e baladas, perpassando por sua imersão na música brasileira em suas últimas composições e incorporando ritmos tradicionais como baião e choro: No “Rain Song”, “Baião da Amizade”, “Litorânea”, “Espelho D’água”, “Velha Nogueira”, “Trilhos de Aço”, “Frevo bandido”, “Empty Soul”, “Nordestão”, “Oriental Wind”, “Piázolando”, “Sete Chaves”, “Choro Torto”, composta em parceria com Carlos Branco, e “Amor e Música”, com Anacris Bizarro.
James Liberato3 – Foto Daniel Musskopf/ Divulgação
Vencedor de quatro prêmios Açorianos de Música (1991, 1995, 2004, 2020), James Liberato construiu uma sólida carreira. Gravou cinco álbuns e participou de inúmeros projetos como produtor e arranjador. O primeiro CD instrumental, “Off Road”, foi lançado em 1995. Depois vieram “Sons do Brasil e do mundo” em 1998, “Sotaque Brasil” em 2001 e “Manacô” em 2019. Ainda produziu com o grupo Trezegraus, em 1999, o CD de mesmo nome, e, em 2023, “Aos que chegam”, com composições de Raul Boeira.
Em seu álbum mais recente, “Manacô (2020), o artista reflete uma transição natural do músico e do ser humano. “Tenho estudado muito a música brasileira nos últimos anos e minhas composições buscam misturar a linguagem do jazz e do instrumental com as raízes da nossa terra. Tanto nos timbres quanto nos ritmos e instrumentos, existe uma clara manifestação da cultura brasileira – já existia nos trabalhos anteriores com doses menores –, sem jamais deixar de lado bons improvisos que vem da raiz do jazz.
ames Liberato1 – Foto Daniel Musskopf/ Divulgação
SERVIÇO
JAZZ DA TERRA – 40 anos de carreira de James Liberato
Quando: 25 de outubro | Sexta-feira | 19h
Onde: Teatro Oficina Olga Reverbel (Multipalco Theatro São Pedro – Praça Marechal Deodoro, s/n)
Ingressos: R$80 Inteira e R$40 Meia-entrada
O livro Ruy Carlos Ostermann – um encontro com o Professor, estará disponível nas livrarias da cidade a partir de 19 de outubro. Ainda em fase de pré-venda até dia 18, o livro já é um sucesso segundo o material de divulgação. Escrita pelo jornalista e também comentarista esportivo Carlos Guimarães, esta obra já está fazendo história. Guimarães resgata, em forma de memória biográfica, a vida e a carreira de Ruy, o mais conhecido comentarista esportivo do Rio Grande do Sul, e que, para além de sua atuação na imprensa gaúcha, teve um importante papel na sociedade e nas áreas pública e cultural, com contribuição efetiva para a construção social nestas áreas. Seu legado como comentarista, homem público e membro atuante na cultura gaúcha, estão presentes nesse belo livro de mais de 400 páginas. Confira detalhes www.umencontrocomoprofessor.com.br.
Tudo começou com o encontro entre a jornalista, produtora e filha de Ruy, Cristiane Ostermann, com Diogo Bitencourt, da FootHub, plataforma de educação e gestão no futebol. O ano era 2018 e a FootHub estava encarregada de organizar programas sobre a Copa de Mundo. Obviamente, um dos primeiros nomes que surgiram para encabeçar a lista de comentaristas, foi o de Ruy Ostermann, referência para quem, como Diogo, trabalha na área do esporte. As entrevistas se mostraram tão potentes e o arsenal de histórias e de carisma do Professor Ruy são tão vastos que surgiu a ideia deste projeto, que hoje materializa-se no livro. A partir da ideia, formou-se a equipe e a estrutura do livro. Cristiane Ostermann afirma: “é uma alegria reunir profissionais que, assim como eu, amam o Ruy. Nosso desafio é documentar a trajetória desse jornalista tão importante para que seu legado possa servir de exemplo para futuras gerações. Para que possam, também, ter um encontro com um homem que marcou sua época pelo talento e pelo profissionalismo, mas, acima de tudo, pela ética e pela coerência de suas ações.”
O jornalista e comentarista esportivo Carlos Guimarães foi o nome escolhido para escrever o texto final desta biografia, composta por imensa pesquisa que reuniu gravações, diários de Ruy, suas crônicas ao longo de décadas, pensamentos, depoimentos. Tudo em uma cronologia repleta de surpresas e emoções. “É um livro que tive o cuidado de deixar o mais próximo daquilo que imagino que o Ruy escreveria. A linha do tempo é contada a partir da pesquisa, mas também de diversas situações voltadas para a personalidade dele. Foi um processo delicioso em todos os sentidos. Tem muita revelação, fatos que as pessoas não sabem e um lado que pretende apresentar o Ruy além do mito que todos conhecem. Foi o desafio da minha vida”, reflete o autor.
A intenção desta obra é resgatar a riqueza de uma história que não foi contada, transformando-a em um documento histórico para perpetuar a trajetória de um dos mais importantes personagens que a imprensa do Rio Grande do Sul já produziu. Registros fotográficos e documentais estão nas páginas da biografia, a partir do arquivo pessoal de Ruy e da família, de acervos públicos e de documentos que saíram na imprensa. O livro aborda fatos e o contexto social desde sua infância, na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, até o momento atual, em que, embora fora da grande imprensa, ainda é uma referência para todos os comunicadores. Retrata a sociedade no período em que Ostermann esteve em efetiva atuação, desde os tempos de estudante, nos anos 1940, passando pela época em que foi atleta – na década seguinte, professor, sua militância política, entre 1960 e 1990 e, por fim, sua atividade como comunicador, a partir dos anos 1960. Também muitas de suas crônicas ilustram as páginas de Ruy Carlos Ostermann – um encontro com o Professor, que chega às bancas no segundo semestre de 2024.
“A história do comentário esportivo se divide em antes e depois de Ruy Carlos Ostermann”. A frase é de outro grande comentarista de futebol no Rio Grande do Sul, Lauro Quadros. De fato, a função ganha um novo momento a partir da Copa de 1966, quando Ostermann cria uma planilha que o ajuda a desenvolver as análises dos jogos. O material serve para que o comentarista possa identificar os lances do jogo, os cartões, as faltas cometidas, as chances de gol e os acontecimentos do jogo. Antes de Ostermann, não havia planilha; o comentarista fazia, a partir de sua observação, uma leitura bem menos aprofundada e técnica da partida. No mesmo Mundial, disputado na Inglaterra, a Rádio Guaíba, emissora de rádio em que Ostermann trabalhava, não teve acesso a um dos jogos. Como esta foi a primeira Copa do Mundo transmitida pela televisão, decidiram levar a equipe para o centro de imprensa da competição, localizado em Londres, para que a narração fosse feita a partir das imagens da televisão. Surgia o off-tube ou a transmissão remota ou transmissão pelo tubo, algo que hoje é feito por diversas emissoras de rádio e TV.
A importância de Ruy Carlos Ostermann, entretanto, não é apenas instrumental. Ele também revolucionou a linguagem empregada no jornalismo esportivo. Professor de filosofia, ele resolveu empregar uma fala mais erudita, menos popular; mais sofisticada, menos coloquial. Nascia, ali, “o Professor”, alcunha que ele leva até hoje. O comentário esportivo deixava de ser uma mera observação dos fatos para se tornar mais trabalhado, mais analítico e mais bem falado e escrito.
Ruy Carlos Ostermann- Foto Rogerio Fernandes/ Divulgação
O Professor teve como influências grandes nomes da imprensa nacional, como João Saldanha e Armando Nogueira. Com eles, companheiros de Copas do Mundo, tornou-se rapidamente o nome mais popular da imprensa gaúcha. Era uma referência nacional em uma época em que não havia a informação globalizada e os veículos locais não possuíam amplitude para todo território nacional. Logo, foi um caso à parte: um jornalista local com abrangência nacional e conhecido em todo país. Com isso, participou da programação de emissoras nacionais entre as Copas de 1978 e 2014. Era um integrante de programas da TV Globo, Sportv, TV Cultura, TV Manchete e TV Bandeirantes. Não era somente o comentarista gaúcho; era um comentarista nacional que atuava no Rio Grande do Sul.
Em paralelo à sua atividade como comunicador esportivo, foi também um brilhante jornalista cultural. Esteve à frente do programa Gaúcha Entrevista e do projeto Encontros com o Professor, disseminando a cultura do Rio Grande do Sul e convivendo com boa parte dos artistas, poetas, escritores e realizadores culturais do Brasil a partir da segunda metade do século XX. Estabeleceu laços com Erico Verissimo, Luís Fernando Verissimo, Mário Quintana, Lya Luft, Caio Fernando Abreu, Carlos Urbim, Dalton Trevisan, Josué Guimarães, Moacyr Scliar, Armindo Trevisan, Tabajara Ruas, Luiz Antonio de Assis Brasil, Sergio Faraco e outros que propagaram a cultura do estado e ganharam notoriedade nacional. Artistas com Eva Wilma, Glória Menezes, Sivuca, Antônio Fagundes, Marieta Severo, elogiaram as entrevistas de Ruy durante a década em que esteve à frente do Gaúcha Entrevista, um programa essencial para o jornalismo cultural gaúcho.
Ostermann também atuou na vida pública. Foi deputado estadual por dois mandatos e Secretário de Ciência e Tecnologia e de Educação no final dos anos 1980. Escreveu 11 livros, foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre e foi professor de filosofia antes de começar sua carreira, no início dos anos 1960.
Ruy Carlos Ostermann – um encontro com o Professor estará disponível nas livrarias da cidade e terá distribuição de exemplares em escolas, bibliotecas e museus. Além do lançamento dia 23 de outubro no Book Hall, o livro estará com autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre, dia 11 de novembro.
Sobre a equipe
Carlos Guimarães – Autor da biografia
Mestre em Comunicação e informação pela UFRGS, com especialização em jornalismo esportivo também pela UFRGS. Professor de jornalismo na ESPM. Comentarista da Rádio Guaíba. Atua há 25 anos no jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul, com passagens por Gaúcha e Bandeirantes. É também pesquisador nas áreas de mídia, cultura, futebol e rádio. Possui três livros publicados sobre os temas.
Cristiane Ostermann – coordenadora do projeto
Jornalista (UFRGS), pós graduada em Gestão da Responsabilidade Social Empresarial, graduanda em Pedagogia (UFRGS) e produtora cultural. Certificada pelo Project Management for Development Professionals (PMD Pro), pela APMG International. Há 18 anos, coordena o Projeto MudaMundo, voltado à disseminação de valores para professores e alunos de escolas públicas. É idealizadora dos projetos socioculturais Arte por Todo Canto, Educação para as Artes, Nosso cantinho da Leitura, 60+Arte e Encontros com o Professor. É consultora na empresa Propósito – Gestão de Projetos Sociais e Culturais onde é corresponsável pelo Projeto de Educação Ambiental de Visitas à Ecobarreira do Arroio Dilúvio.
Diogo Bitencourt – produtor executivo
Administrador (ESPM) com especialização em gestão no futebol. Trabalhou no Grupo Dado Bier e é co-fundador da Prorrogação, focada na gestão de carreiras de atletas. Fundou o FootHub, plataforma de educação e gestão no futebol, onde é CEO.
Christian Farias – produtor
Jornalista, pós-graduado em Produção Audiovisual pela PUCRS. Juntamente com parceiros fundou os canais BlogBuster e Geekpedia, que juntos somam mais de 2,7 milhões de visualizações, se tornando uma referência no cenário de cultura pop, com coberturas e painéis em eventos em todo o Brasil. Em 2018 atuou como um dos fundadores do FootHub, focando em produções que envolviam o Professor Ruy Carlos Ostermann. Coescreveu dois livros, é professor de cinema e produtor audiovisual.
Ficha técnica:
Capa e design gráfico: Tavane Reichert Machado
Revisão: Press Revisão
Impressão: Gráfica e Editora São Miguel
Fotos da capa: Rogério Fernandes
Fotos do livro: arquivo pessoal
Número de páginas: 436
Assessoria de imprensa: Bebê Baumgarten Comunicação
Redes sociais: Sílvia Macedo e Gabriela Mantay
Produção: Christian Farias
Produção executiva: Diogo Bitencourt
Coordenação: Cristiane Ostermann
Ruy Carlos Ostermann – Um encontro com o Professor
Biografia de Ruy Carlos Ostermann escrita por Carlos Guimarães
Lançamento dia 23 de outubro, 19h
Book Hall do Bourbon Shopping Country – Av. Tulio de Rose, 80
Nas livrarias a partir de 19 de outubro
Em pré-venda até 18 de outubro no site www.umencontrocomoprofessor.com.br
Uma produção de Ferst & Ostermann Ltda e FootHub
Patrocínio: Grupo Zaffari
Realização: Lei Federal de Incentivo à Cultura, Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Governo Federal – Brasil, união e reconstrução.
Temas como o feminicídio, a violência e o silenciamento histórico das mulheres estão presentes na exposição que inaugura nesta terça-feira, 15 de outubro, às 19h, no Espaço de Artes da UFSCPA.
As mulheres, resilientes e sobreviventes, buscam forças na vida marcada pelo vermelho na exposição “Imagens do Desassossego” da artista, professora titular e pesquisadora de fotografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sandra Gonçalves, com curadoria de Letícia Lau. São 12 imagens na mostra que inaugura no dia 15 de outubro, às 19h, no Espaço de Artes da UFSCPA (localizado na Rua Sarmento Leite, 245, prédio 1, térreo). A exposição fica no local até o dia 9 de novembro e pode ser visitada de segunda à sexta, das 9h às 20h, e, aos sábados, das 9h às 12h. Entrada franca.
“Os trabalhos desta exposição refletem as minhas sensações e percepções em resposta à pandemia de Covid-19 e suas consequências sociais. Afetada pelo caos e pelo medo gerado pelo vírus invisível e mortal, exploro, no pós-Covid, um mundo que se desintegra e expõe suas feridas como nunca. As imagens focam nas mulheres e em sua posição no momento, em que filtros diversos obscurecem a visão do presente. A sociedade torna-se mais binária e excludente, especialmente para aqueles que não se encaixam nos padrões estabelecidos. Esse cenário intensificou-se no contexto pandêmico e pós-pandêmico, afetando gravemente as mulheres. No Brasil, o aumento de feminicídios e agressões reflete uma sociedade machista e destrutiva que desrespeita as diferenças e não aceita a recusa, especialmente das mulheres”, conta Sandra Gonçalves.
Série Vermelho 03_2022.75×100 cm/ Divulgação
Para a artista, as mulheres, resilientes e sobreviventes, buscam forças na vida marcada pelo vermelho – seja o sangue menstrual, o sangue de dores físicas ou psicológicas, seja o sangue causado pela violência. “As imagens retratam um passado e um presente que oprime mulheres de todas as etnias, cis ou trans. Os corpos doloridos e abusados frequentemente mostram-se nus, desafiando as instituições machistas históricas. Queimadas e açoitadas ao longo dos séculos, essas mulheres expõem seus corpos como um campo de batalha. Embora pareçam presas aos modelos impostos pelos opressores, buscam liberdade. O vermelho também simboliza a ira de Lilith contra seus algozes, refletindo uma afirmação irônica e corajosa frente à submissão histórica”, contextualiza.
A curadora Letícia Lau observa que Sandra Gonçalves, através de sua lente e de apropriações de imagens captadas da internet, transforma as fotografias em um manifesto político e social. “Ao citar temas como o feminicídio, a violência e o silenciamento histórico das mulheres — cis e trans — as obras de Sandra Gonçalves se posicionam como um grito contra as opressões de uma sociedade misógina. Seus trabalhos desnudam não só os corpos, mas também as feridas e as mazelas de uma parte do mundo que se mostra incapaz de acolher as diferenças”, conclui.
Cópia de_Sandra Gonçalves, Tudo dança, transmutação 21, Série Tudo dança Transmutação – la vie en rouge_fotografia digital impressa em papel, 100x66cm
“La vie en rouge”
Durante a inauguração da exposição, a artista também vai autografar seu livro La vie en rouge. A obra apresenta um ensaio com imagens que combinam fotografias, ilustrações, camadas, texturas, insetos, corpos nus, corpos altivos, olhares profundos e penetrantes. O fotolivro La vie en rouge trata de mulheres e do seu estar no mundo, em que filtros de todas as ordens impedem uma visão clara do agora. Os corpos doloridos e abusados neste conjunto, muitas vezes mostram-se nus e lascivos numa afronta às instituições machistas, formadas ao longo da história escrita pelos homens. Questões relacionadas à vida em seus múltiplos aspectos sociais, culturais, econômicos e à sobrevivência do planeta e de suas diferentes espécies são as que inspiram Sandra Gonçalves e impulsionam seu processo criativo também na obra, que poderá ser adquirida por R$ 83 na abertura da exposição.
A exposição Imagens do Desassossego e o fotolivro La vie en rouge estão sendo destacados em uma série de prêmios e editais nacionais. A obra foi selecionada pela Coleção Photothings, que concretiza o desejo de fazer com que fotógrafos e fotógrafas de todas as regiões do Brasil tenham a oportunidade de mostrar seu trabalho. Assim, Sandra foi selecionada para a publicação do fotolivro, representando a região Sul. O livro também foi selecionado pelo 2º Festival de Fotografia Mulheres Luz e será apresentado na mostra que ocorre de 16 a 20 de outubro, no Unibes Cultural, em São Paulo. Em março de 2025, um recorte maior desse material formado pela exposição e pelo fotolivro serão apresentados em uma exposição na Câmara de Deputados em Brasília.
A artista Sandra Gonçalves/ Divulgação
Sobre a artista:
Sandra Gonçalves é natural da cidade do Rio de Janeiro. Ela vive a fotografia: pesquisa, promove atividades de extensão e leciona na Universidade Federal do Rio Grande do Sul desde 2005, quando se mudou para Porto Alegre. Artista visual desde o ano 2000. Possui graduação em Comunicação Visual da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestrado e Doutorado em Comunicação e Cultura também pela UFRJ. Participa do Grupo de Extensão Lúmen (UFRGS), onde se desenvolve pesquisa prático/teórica sobre os processos Históricos de Impressão Fotográfica. Desde 2000, produz e expõe suas obras relacionadas à fotografia híbrida que envolve técnicas analógicas e digitais, expandindo a referência fotográfica. Suas propostas acercam assuntos relacionados ao tempo, ao corpo e ao nosso contemporâneo.
Exposição “Imagens do Desassossego”
Artista: Sandra Gonçalves
Local: Espaço de Artes da UFSCPA (localizado na Rua Sarmento Leite, 245, prédio 1, térreo)
Período: 15 de outubro a 9 de novembro
Entrada Franca