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  • “Nós” celebra 20 anos de carreira do diretor Everson Silva, com 40 atores no palco
    Nós performance teatral. Foto: FÁBIO ZAMBOM / Divulgação

    “Nós” celebra 20 anos de carreira do diretor Everson Silva, com 40 atores no palco

     

    A Nós – Cia. de Teatro apresenta a performance teatral Nós, que celebra os 20 anos de carreira do diretor Everson Silva. As sessões acontecem no Teatro Renascença (Centro Municipal de Cultura – Av. Érico Veríssimo, 307), nos dias 1, 2 e 3 de setembro, sempre às 20h, reunindo cerca de 40 artistas em cena. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla e custam R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada).

    Foto: Fábio Zambom/ Divulgação

    O espetáculo se propõe a pulsar e revisitar – através das múltiplas veias artísticas – memórias, sentimentos e emoções, reconhecendo a arte que habita os corpos do elenco (através da dança, do teatro, da poesia e da música) que se transformam em acontecimentos e situações comuns da vida em sociedade. Nesse lugar que dá origem à uma metáfora sobre o que é estarmos juntos novamente – após o período de isolamento pandêmico –, o grupo vivencia a experiência do que é “vivermos entre nós”. O cenário do espetáculo é o corpo do grande grupo.

    Foto; Fábio Zambom/ Divulgação

    A partir daí, acontecem encontros e desencontros que se transformam em cenas intercaladas e fragmentadas, representadas nos corpos e vozes do elenco. A cada apresentação, a performance contará com a presença de um artista convidado, a exemplo do encenador Sandro Marques, da Cambada de Teatro em Ação Levanta Favela; e dos atores Jairo Klein e Henri Iunes.

    Relação de amor

    Nós me possibilita resgatar uma relação de amor com o fazer teatral e me aproximar da alma das pessoas”, afirma o diretor, ao descrever o encontro cênico com estes artistas de diversas vertentes e que fizeram parte, em algum momento, de sua trajetória de duas décadas na profissão. “Essa montagem é como um pulsar de vida, uma celebração do encontro entre pessoas que – em cena – se relacionam através de seus distintos materiais e experiências artísticas, me permitindo o exercício da direção cênica.”

    Foto: Fábio Zambom/ Divulgação

    Ainda de acordo com Everson Silva, Nós busca mais que proporcionar uma experiência viva de troca artística. “Propõe que a plateia se sinta inspirada e alimentada pela arte, que se apresenta através da performance teatral.” A obra é composta por 27 cenas.

    A companhia teatral contou com uma série de apoios para realizar os ensaios desta performance, que é a vigésima obra assinada por Everson Silva. Esses encontros começaram em janeiro e aconteceram, principalmente, na Casa de Cultura Mário Quintana, mas também nas sedes da Terreira da Tribo, do Espaço Dobra e da Usina das Artes. O grupo realizou, recentemente, a pré-estreia do espetáculo no Teatro Sesc Canoas; e, em seguida, um sarau performático, com cenas da montagem, no Café La Faísca. A estreia de Nós ocorreu no início de agosto, no Espaço La Photo.

    Ficha técnica:

    • Direção/criação: Everson da Silva
    • Texto e dramaturgia: Nós Cia. de Teatro com citações de Caio Fernando Abreu, Ana Martins Marques, Paul Éluard, Canción de Cuna – Miguel Poveda, Augusto Branco.
    • Roteiro: Everson da Silva, Liz de Bortolli, Ana Rodrigues.
    • Roteiro adaptado: Rosemar Silva da Silva.
    • Elenco: Adriana Lampert, Zé Passos, Cláudia Canedo, Kacau Soares, Ana Rodrigues, Vanessa Ivanoff, Amanda Hamermuller, Giulliano Pacheco, Aline Callegaro, Letícia Virtuoso, Leonardo Maya, Danielle Quintana, Silvana da Costa Alves, Ivan Nunes, Caroline Pinheiro, André dos Santos, Thali Bartikoski, Débora Berengan, Eduardo Engers, Elisiane Machado, Maiara Velho, Gabriela Tarouco, Monise Serpa, Naju Moraes, Taís Pagnussat, Laura Carvalho, Keila Reis, Júlia de Oliveira, Jho Balafa.
    • Produção: Kacau Soares.
    • Iluminação:  Veridiana Matias
    • Operador de som: Pedro De Camillis
    • Fotos: Fábio Zambom

     

    Serviço:

    Espetáculo: Nós – Performance teatral

    (Gênero: dança, teatro, música, poesia)

    • Data: dias 1, 2 e 3 de setembro
    • Horário: 20h
    • Local: Teatro Renascença (Centro Municipal de Cultura – Av. Érico Veríssimo, 307)
    • Duração: 60min.
    • Classificação Etária: 16 anos.
    • Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada)
  • Tabajara Ruas escolhido o patrono da 69ª Feira do Livro de Porto Alegre
    O escritor Tabajara Ruas. Foto: Alex Rocha PMPA/ Divulgação

    Tabajara Ruas escolhido o patrono da 69ª Feira do Livro de Porto Alegre

    No dia do seu aniversário, completou 81 anos nessa quinta-feira, o escritor e cineasta Tabajara Ruas foi anunciado o patrono da 69ª Feira do Livro de Porto Alegre, que acontecerá de 27 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega. A escolha da Câmara Rio-Grandense do Livro aconteceu em coletiva de imprensa. Apesar de ter formação como arquiteto, o profissional ficou mais conhecido pela produção na Literatura e no Cinema.

    Ao todo, são 11 livros publicados no Brasil e traduzidos em 10 países. Entre eles, ‘A região submersa’ (1978), ‘Netto perde sua alma’ (1995), ‘O Fascínio’ (1997) e ‘Detetive Sentimental’ (2008). O autor ainda publicou as obras infanto-juvenis, como a trilogia ‘Diogo e Diana’, escrita em parceria com Nei Duclós, e as novelas ‘Gumercindo’ e ‘Minuano’ – que recebeu o ‘Troféu Açorianos’ de Melhor Obra Juvenil, em 2014.

     Atuando com o audiovisual desde 1978, como diretor, roteirista e produtor, ele adaptou, junto de o cineasta Beto Souza a obra ‘Netto perde sua alma’, em 2001, que recebeu no Festival de Cinema de Gramado o Kikito de Melhor Filme. ‘Anahy de las Misiones’ e ‘O Tempo e o Vento’ também recebem a sua assinatura. Assim como o documentário longa-metragem ‘Brizola – Tempos de Luta’ e ‘Os Senhores da Guerra’ – que recebeu o Prêmio Especial do Júri e de melhor Atriz Coadjuvante.

     Tabajara Ruas disse que “é o sonho de todo escritor gaúcho ser patrono da Feira do Livro e eu não sou diferente. Faremos um bom trabalho nesta feira no sentido de promover o livro, atrair leitores, principalmente a juventude”, explicou. Para o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Maximiliano Ledur, a escolha é uma homenagem ao escritor que ajuda a formar a identidade gaúcha. “É uma grande honra poder reconhecer na Feira do Livro esse autor que é um dos pilares da literatura e cultura brasileira, que traz em suas obras o amor e o carinho pelo nosso Estado.”

    Quem é o patrono

    Nascido em Uruguaiana, em 1942, Marcelino Tabajara Gutierrez Ruas estudou Arquitetura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e Cinema na High School de Vejle, na Dinamarca. Entre as distinções recebidas estão a ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, no grau de Comendador; a Medalha da Vitória do Ministério da Defesa; o ‘Prêmio Erico Verissimo’; a Medalha do Mérito Farroupilha; o Troféu Guri; e o título de cidadão de Porto Alegre. Em 2020, foi agraciado com o Troféu Escritor do Ano do ‘Prêmio Academia Rio-Grandense de Letras’.  

     

  • Bolero, tango e bossa nova com a pegada jazz do Quarteto Bibi Jazz
    Bibi Jazz Quarteto. Foto AL/RS Divulgação

    Bolero, tango e bossa nova com a pegada jazz do Quarteto Bibi Jazz

    Higino Barros*

    Consolidando-se cada vez mais como uma das principais formações de jazz do Rio Grande do Sul, o Quarteto Bibi Jazz arrisca e inova em sua nova apresentação: mostrará um repertório composto por tango,  bolero e bossa-nova, justamente gêneros musicais influenciados pelo jazz. O grupo é formado por Antonio Flores (guitarra), Bibiana Dulce (voz), Mateus Mussatto(bateria)  e Rodrigo Arnold (contrabaixo)

    O show acontece quarta -feira dia 09, às 18:30hs na sala Sala José Lewgoy, no Solar dos Câmara( Rua Duque de Caxias, 968, Centro Histórico).O ingresso é um quilo de alimento não perecível

    Lider do grupo a cantora Bibiana Dulce explica que o espetáculo foi concebido especialmente para o projeto do Sarau no Solar dos Câmara.

    “O quarteto apresenta neste repertório três estilos musicais que são influenciados diretamente pelo jazz ( tango, bolero e bossa nova). Também se harmoniza com as canções padrões de jazz (standards) em suas versões em espanhol, como: “Cuerpo y Alma” (“Body And Soul”) e “Toda Yo” ( “All Of Me”).

    Bibiana Jazz Quarteto. Foto: ALRS/Divulgação

    Somando-se a elas, há composições do genial Astor Piazzolla e sua avassaladora parceria com o poeta uruguaio Horácio Ferrer, também o imortal bolero “Dos Gardenias” da compositora cubana Isolina Carrillo e claro nosso grande mestre Antonio Carlos Jobim, com “Chovendo na Roseira” entre outras canções tão importantes na história musical da América-Latina.”, finaliza Bibiana Dulce

    Projeto Sarau do Solar

    O Projeto Sarau do Solar – que completa 31 anos de existência em 2023 -, visa incentivar a pluralidade da produção gaúcha e propiciar acesso universal às mais variadas expressões da cultura musical local, regional, nacional e internacional. Reconhecido e premiado, o Projeto Sarau do Solar foi criado em 1993, com o objetivo de promover espetáculos musicais com periodicidade quinzenal e com entrada franca, em temporada que se estende de março a dezembro de cada ano. O Sarau obteve reconhecimento por Honra ao Mérito no Prêmio Açorianos de Música 2006, concedido pela Secretaria da Cultura de Porto Alegre, e também o Prêmio Eva Sopher 2020, da Secretaria de Estado da Cultura e da Fundação Theatro São Pedro.

    O Projeto Sarau do Solar deste ano tem como uma de suas novidades um espetáculo musical voltado para o público infantil. Previsto para o dia 11 de outubro, o Sarau Especial é comemorativo ao Dia da Criança.

    Sarau Solidário

    Os espetáculos musicais do Projeto Sarau do Solar possuem entrada solidária, mediante doação de alimentos não perecíveis, que são encaminhados à Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul, e distribuídos conforme as necessidades de atendimento à população.

    Onde assistir 

    Ao vivo, pela TV Assembleia canal aberto 11.2

    Portal da TV AL: https://ww4.al.rs.gov.br/tval

    YouTube: https://ww4.al.rs.gov.br/tval/transmissoes

    Facebook: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul

    *Com Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa/RS

  • Jerônimo Jardim (1944-2023)
    Jerônimo Jardim | jus.br

    Jerônimo Jardim (1944-2023)

    GERALDO HASSE 

    Se estivesse em Porto Alegre nesta data, eu não teria perdido velório tão honroso no palco anexo do Teatro São Pedro.

    Imaginei uma festa com muitas vozes cantando ao som do piano de Geraldo Flach e o sopapo de Giba Giba. Justa homenagem a um cara diferenciado.

    Sem purpurina, para conhecer esse artista basta ouvir Abolerado Blues, Cobra Luz ou Astro Haragano.

    Falecido no dia 3/8 após resistir por 15 anos às dores de uma artrite reumatoide, o cantor, compositor musical e advogado Jerônimo Jardim fundiu em si a rudeza do gaúcho do pampa com o refinamento cultural da
    elite metropolitana.

    Aos 78 anos, chegou ao fim consagrado como grande
    ganhador de troféus e de vaias pela ousadia de seus versos e acordes.

    Outra mescla típica de JJ era a forma como temperava a timidez e a vaidade, características de uma personalidade que foi se fortalecendo na
    superação de dificuldades da vida.

    Admirado por homens e mulheres, tinha uma invejável melena mas a escondia sob um chapeuzinho de aba
    estreita… Ao contrário do que sugeria seu sorriso franco, ele enfrentou muitos perrengues. O pior foi a enfermidade que o acometeu logo após aposentar-se como funcionário público.
    Não posso lhe oferecer melhor homenagem do que copiar e colar (abaixo) o perfil publicado em janeiro de 2012 pelo site do Sul21.

    Eu já o conhecia pela TV graças ao bochincho de 1981 no Festival Shell de MPB no Rio, mas me descobri vizinho dele no quarteirão da Dr. Timóteo, em Porto Alegre.

    Apesar de caminhar com dificuldade, a ponto de recorrer a uma bengala, ele saía à avenida Cristóvão Colombo para pegar um assado no Espetão (na Bordini) ou bebericar uma losna na Felix da Cunha.

    Na sua simplicidade, ele sempre me saudava com alegria. Era assim com os amigos. Da última vez que o vi, há quatro ou cinco anos, ele vinha pela calçada, se apoiou numa árvore e sentou na mureta do canteiro para
    descansar: “Essa artrite reumatoide é uma merda!”, disse, logo transformando a careta de dor num sorriso.

    Sua força de vontade era extraordinária.
    Antes de despachar esse texto para a redação do JÁ, consultei o Dicionário Brasileiro Contemporâneo de Francisco Fernandes (1967, Globo/Melhoramentos, 1144 páginas) para tirar uma dúvida sobre se a
    palavra haragano seria com h ou a. Vale qualquer um dos dois modos, mas os verbetes são diferentes.

    Veja: ARAGANO, adj. (bras). Diz-se do cavalo espantadiço ou difícil de ser domado (do cast. haragán)
    HARAGANO, adj. (bras. do sul). Diz-se do animal que foge e dificilmente se deixa pegar; (fig.) vadio; mandrião; velhaco (do esp. haragán)

    (Segue o perfil publicado pelo Sul 21)

    O brilho haragano do astro Jerônimo Jardim

    Nos últimos quatro anos, depois de se aposentar como alto funcionário da  Justiça do Trabalho, o bacharel em leis Jerônimo Jardim vem peleando com uma tropilha de males, remédios e internações hospitalares. Ainda na
    última quinta (5/1), foi ao hospital marcar mais uma cirurgia, mas continua levando a vida com o ímpeto juvenil do centroavante que pintou como profissional na várzea de Bagé no início dos anos 1960, quando os
    bambas da posição eram o “cerebral” Larri no Internacional e o “tanque” Juarez no Grêmio.

    Além de deixar sequelas dolorosas, a artrite reumatoide, que se instalou de repente numa manhã dos seus 63 anos, exige doses cavalares de analgésicos, inclusive morfina, de tal forma que o veterano autor de
    sucessos da música popular como Purpurina e Astro Haragano precisou usar bengala por mais de um ano. Numa manhã dessas, ao sair para caminhar cedinho, já sem bengala, cambaleou ao atravessar a rua no bairro
    Floresta e teve de ouvir um “Te cuida, gambá!” lançado por um motorista.
    Contra seus hábitos ancestrais engoliu o desaforo, consciente de que o jogo está numa espécie de prorrogação. “Me salvei por muito pouco”, diz ele, lembrando que esteve sob os cuidados de 12 médicos da Unimed e do anjo-da-guarda que mora com ele, Clair Jardim, sua mulher nos últimos dez anos. Quando foi levado ao hospital, sua pressão arterial estava em
    6/3. Ficou 15 dias na UTI e depois passou um ano na cama.

    Na aparência, tudo bem. Ele continua com sua bela estampa de Mastroianni caboclo, bem aprumado, vasta cabeleira de poucos fios brancos. Na realidade, sofre de dores e alguma insensibilidade, mas o astro não se entrega. A música emana naturalmente, é uma forma de
    expressão incorporada ao seu modo de vida. Após encostar o violão durante os anos de tratamento médico, voltou a compor e na virada do ano aprontou uma canção que premedita  inscrever num dos festivais remanescentes da música nativa gaúcha.

    Há exatamente um ano, fiel à compulsão musical, gravou ao vivo com casa cheia na Sala Álvaro Moreyra em Porto Alegre o CD De Viva Voz, com músicas suas e letras próprias e de parceiros diversos como Luiz Coronel, Greice Morelli e Clair Jardim. Três dias antes do show havia morrido o pianista Geraldo Flach (1945-2011), seu amigo de mais de 30 anos e parceiro em Abolerado Blues, inspirado pela cantora Cida Moreira.
    Ainda no ano passado, perdeu outro parceiro, Rui Biriva (1958-2011), cujo último CD trouxera cinco parcerias deles.

    Vida marvada que ele atravessa sem queixas, apenas com algumas broncas, a maior delas contra a mídia gaúcha, mais aberta para os forasteiros do que para a qualidade artística existente em Porto Alegre. “Nunca o Rio
    Grande do Sul teve uma geração musical tão boa quanto essa que está atuando aqui”, diz Jardim, “mas a mídia é tão provinciana que só fala do que vem de fora”. Saudoso de outros tempos, ele acha que ao ignorar ou esconder os artistas gaúchos o diário Zero Hora trai a memória do seu
    fundador, Maurício Sirotsky. “Ele circulava na noite e mandava abrir espaço para os artistas.”

    Nesse seu oitavo disco, em que se destacam belos arranjos e execuções de sax de Pedrinho Figueiredo, o compositor sobrevivente percorre 14 canções singelas em ritmo de choro e samba. O veterano crítico musical
    Juarez Fonseca, que acompanhou toda sua carreira, qualificou-o como seu melhor show em palco. Com esse CD, ele completou 98 músicas gravadas, que se dividem entre temas campeiros e urbanos. Em todas, aparecem suas marcas registradas: letras fortes com boas rimas, melodias singelas e arranjos rebuscados, muitos deles buscando harmonias do jazz.

    Filho mais velho de pai militar, Jerônimo tem cinco irmãos nascidos em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Viu a luz em Jaguarão, mas se achou adolescente em Bagé, onde começou a tocar violão e participar de
    conjuntos musicais que animavam bailinhos juvenis. Amador na música,
    cantou muita serenata diante dos sobrados da Rainha da Fronteira. Quase
    profissional no futebol em Rio Grande, concluiu ali o curso de direito e
    voltou para Bagé casado com a riograndina Mara Ferreira, com quem abriu
    um escritório de advocacia. Tinha tanta gana profissional que em apenas
    um ano participou de cinco júris. Nas viagens de serviço a Porto Alegre,
    entretanto, caiu nas rodas da boemia, tanto que acabou trocando a
    carreira jurídica pela vida artística.

    Para sobreviver na capital começou fazendo jingles para a agência do
    amigo Luiz Coronel. Em pleno “milagre econômico brasileiro” (1967/1973),
    conheceu o compositor Lupicínio Rodrigues (1914-1974), apresentado pelo
    radioator Walter Ferreira. Já em fim de carreira, o velho Lupi vivia na
    noite mas sobrevivia graças aos proventos do emprego público como bedel
    da Faculdade de Direito da UFRGS. Era um exemplo de sobrevivência que JJ
    seguiria  muitos anos mais tarde, mas enquanto sentiu pulsar a juventude
    em suas artérias o garotão de Bagé foi tocando a vida como se não
    houvesse diferença entre o dia e a noite.

    Ganhou muito, muito dinheiro como diretor da house agency da Rainha das
    Noivas ao longo da maior parte da década de 1970.  Quando as três lojas
    do começo chegaram a 12, JJ ganhava mais do que os diretores graças a
    uma participação de 0,25% nas vendas da rede. Teria ficado rico nessa
    rendosa atividade se não tivesse cedido ao desafio lançado por uma
    cantora gaúcha que fazia sucesso no Rio de Janeiro no final dos anos
    1970. Quem tivesse sangue nas veias e música na alma não resistiria ao
    sotaque acariocado de Elis Regina. No auge, ela tinha acabado de gravar
    os melhores discos de sua carreira. Aos 36 anos, após instalar a família
    (mulher e um casal de filhos) num apartamento recém-comprado em Porto
    Alegre, o artista sonhador foi morar numa pensão do Leblon, onde se
    hospedou num quarto com meia dúzia de marmanjos.

    Animado, ligou para Elis. A amiga estava na fossa. Bad trip. Tinha sido
    dispensada pela gravadora por vender muito pouco, apenas 30 mil discos
    enquanto outras recém-chegadas do Nordeste passavam de 200 mil. “Não
    posso te arranjar nada”, disse a estrela, “mas vou te apresentar a umas
    pessoas”. Foi assim que conheceu o casal Lucinha-Ivan Lins. Eles
    gravavam jingles e participavam de shows no Rio e arredores. Havia
    outros gaúchos lutando por um lugar na ribalta carioca. Kleiton e
    Kledir. Bebeto Alves. Sem contar estrelas cadentes como Nelson
    Gonçalves. Pouco tempo depois de chegar, JJ já jogava bola com a turma
    de Chico Buarque.

    No batidão das rodas de samba morou por cerca de quatro anos no Rio de
    Janeiro, entre 1980 e 1984, voltando a Porto Alegre após concluir que
    havia embarcado tarde demais no trem da MPB. “Quando eu procurava meu
    lugar, o público virou para o rock”, explica ele. Enquanto os artistas
    consagrados como Chico Buarque e Tom Jobim refugiavam-se no exterior,
    onde tinham demanda, o espaço em discos, palcos e emissoras de rádio e
    TV era ocupado pelo Barão Vermelho, Blitz, Legião Urbana e diversas
    personalidades do rock, de Erasmo Carlos a Rita Lee passando por Cazuza
    e Renato Russo.

    Aos temporões como JJ sobravam migalhas do banquete do showbiz da
    Cidade Maravilhosa. Um dos saldos positivos de sua vida no Rio foram
    gravações de músicas suas por Elis Regina (1945-1982), uma delas (Roda
    de Sangue) usada como trilha de duas novelas da TV Globo. O maior brilho
    carioca foi a vitória no Festival MPB Shell da TV Globo de 1981 com a
    canção Purpurina. Cantada por Lucinha Lins, a composição classificou-se
    naturalmente entre as finalistas mas foi recebida por uma vaia
    interminável após o anúncio dos vencedores (a canção preferida do
    público era Planeta Água de Guilherme Arantes).

    Jerônimo Jardim ganhou US$ 300 mil, remeteu a maior parte para a
    família e ficou na Cidade Maravilhosa, agora num apartamento, tentando
    virar estrela. Gravou um disco produzido por Ivan Lins e concorreu
    novamente ao Festival Shell de 1982, mas desta vez, neca. Quando as
    reservas acabaram, ele não teve outra saída senão voltar para o antigo
    ninho. Bem nessa época os irmãos K&K emplacaram “Deu Pra Ti/Baixo
    Astral/Vou pra Porto Alegre/Tchau”. Era o fim de uma época.

    Insistindo em viajar na contramão do convencional, montou com Ivaldo
    Roque e outros parceiros a Pentagrama, um produtora de música com que se
    lançou a novos desafios. Foi marcante mas durou apenas três anos.

    Com a garra de sempre, JJ compôs solito a canção Astro Haragano, cuja
    letra recordava a passagem do cometa de Halley — uma decepção para a
    maioria das pessoas. Na noite de 7 de dezembro de 1985, o cometa
    aparecia no céu como um pequenino chumaço de algodão no céu; no palco ao
    ar livre da XV Califórnia da Canção Nativa em Uruguaiana, Jerônimo
    Jardim soltou o vozeirão ao cantar uma de suas melhores obras musicais.

    Astro Haragano
    (Jerônimo Jardim)

    É fogo, é gelo, verdade, ilusão
    Vento de prata/escarcéu
    Varando a noite campeira
    repontando estrelas
    na estância do céu
    Chispa de sonho,
    galope de luz,
    mistério na imensidão
    pingo tordilho cigano
    qual boitatá na escuridão
    Astro haragano
    esperança fugaz
    passando em meu coração
    de encontrar meu menino
    tropa de osso
    roda pião
    roda pião

    Com acordes dissonantes e um arranjo sofisticado, Astro Haragano foi
    recebido em silêncio pelas 15 mil pessoas presentes na Cidade de Lona, a
    seis quilômetros do centro de Uruguaiana. Quando se proclamou o
    resultado final e JJ ficou com o primeiro lugar, o público vaiou e
    começou um bochincho que se estendeu até de madrugada. A maioria foi
    embora, mas um grupo de pessoas cercou o palco, exigindo que o
    compositor devolvesse o troféu, representado pela calhandra, ave
    galhofeira quiçá lembrada por Atahualpa Yupanqui nos versos “yo soy
    pajaro corsario que no conoce el alpiste”.

    JJ não entregou a Calhandra de Ouro. Houve um momento em que,
    estimulado por um fotógrafo ávido de sangue, esboçou sair no braço com
    os revoltosos,  mas foi contido por outros músicos. “Fica quieto, esses
    caras te matam”, disse-lhe o escritor Dilan Camargo. De madrugada, os
    ânimos mais serenos, ele saiu da Cidade de Lona abraçado por duas
    prendas e escoltado por dois brigadianos. No caminho para a cidade, teve
    de ouvir do representante da sua gravadora: “Estou aqui porque me
    mandaram, mas tua música é uma merda”. Acabou indo dormir na casa de
    amigos, pois também mo hotel os revoltosos haviam armado um piquete
    contra o autor do Astro Haragano.

    Contado assim, 26 anos depois, parece tranquilo, mas foi um baita
    trauma. Dias depois, em Porto Alegre, o herói da XV Califórnia teve uma
    tremedeira antes de subir a um palco, seu habitat predileto ao longo da
    vida. Por pouco não fugiu da raia. Cumpriu o compromisso, mas resolveu
    dar um tempo. Depois daquele show do final de 1985 na capital, ficou
    oito anos sem tocar violão, sem compor e sem se apresentar publicamente.
    Voltou a dedicar-se ao lado B — de bacharel em direito, atividade que
    combinaria com bicos em vendas e publicidade. Só reassumiu o lado A – de
    artista — em 1993, quando a milonga Portal, composta em 1984 durante
    uma viagem a Bagé e apresentada pela cantora Muni, ganhou um festival
    regional patrocinado pelo Carrefour.

    Na década de 1990, o lado B se impôs. Em busca de estabilidade, ele
    passou num concurso para servidor da Justiça do Trabalho, onde trabalhou
    dez anos nos bastidores das disputas trabalhistas, assessorando juizes,
    procuradores e desembargadores. Foi nesse ofício espinhoso que ele legou
    à Justiça do Trabalho um manual de procedimentos que zerou a pilha de
    recursos não julgados em tribunais regionais. Com esse trabalho
    desenvolvido em Porto Alegre nos primeiros anos do século XXI, Jerônimo
    Jardim ganhou o respeito dos pares e a gratidão da desembargadora Rosa
    Maria Weber, recentemente elevada ao cargo de ministra do TST.

    Nesses anos hard na JT, faltou tempo para as atividades light, até que
    venceu o tempo da aposentadoria. A partir de 2005, JJ acabou organizando
    suas memórias, abertas ao público no site www.jeronimojardim.com. Já sua
    vida cotidiana está exposta no blog http://jeronimojardim.zip.net. Aqui
    e ali ele vem brigando pelo pagamento de direitos autorais sobre obras
    veiculadas na Internet. Não pensa só na sua centena de canções, mas nos
    seus cinco livros infantis e dois livros de ficção para adultos, o
    último deles – Serafim de Serafim (Editora Alcance) – lançado na Feira
    do Livro de Porto Alegre em novembro de 2011.

    No final do ano passado, participou de um seminário em Porto Alegre
    sobre o assunto, mas acabou se retirando antes do final, revoltado com
    os que defendem a liberdade de apropriação das obras artísticas. “Eu
    também quero chegar na farmácia e no supermercado e levar as coisas sem
    pagar”, diz ele, ironizando os “comunistas ávidos pelo alheio”. Nessa
    briga pessoal/coletiva, um dos seus parceiros é o músico Raul Ellwanger.

    Na primeira semana de 2012, ele vibrou ao saber que a Espanha preparou
    o caminho para que se respeitem os direitos dos criadores de músicas e
    obras literárias. Se é viável lá, por que não fazê-lo aqui? Há pouco ele
    encaminhou ao Escritório de Cobrança de Direitos Autorais (ECAD) um
    anteprojeto de lei impondo o pagamento de direitos autorais veiculados
    na internet. Duvida que algum parlamentar tenha coragem de colocar o
    guizo na cauda dos leões da mídia digital, mas não desiste. “Acho que o
    projeto vai ter de ser apresentado pelo Executivo ou pelo Judiciário”,
    diz ele.

    Nessa sua última luta, Jerônimo Jardim une finalmente os lados A e B: o
    bacharel em ciências jurídicas assume a defesa do(s) artista(s). Uma
    bela síntese existencial para alguém que levou a vida acolherando duas
    atividades fundamentais: a arte que gratifica e a lei que garante os
    direitos humanos.

  • Musical “Aladdin” faz temporada em agosto no Teatro do Museu do Trabalho.
    Foto Rogério Fernandes/ Divulgação

    Musical “Aladdin” faz temporada em agosto no Teatro do Museu do Trabalho.

    O musical infantil que agrada crianças, adolescentes e adultos faz temporada em agosto na capital. Com números musicais, danças, figurinos deslumbrantes e muita magia, o espetáculo Aladdin, da Cia. Ronald Radde,  estará em cartaz nos dias 6, 13, 20 e 27 de agosto, às 17h, no Teatro do Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230, Centro Histórico). Os ingressos custam R$ 60,00 e podem ser adquiridos na plataforma Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-teatral-aladdin-agosto-de-2023/2096222)  ou uma hora antes na bilheteria do teatro.

    Foto: Adriano Cescani/ Divulgação

    Apresentada pela primeira vez ao público em 2022, a história de Aladdin, dirigida por Karen Radde, foi adaptada em um musical de uma hora de duração com canções autorais, compostas por Jennifer Franco e Thomas Picinini, coreografias pensadas pelo bailarino e coreógrafo Mauricio Miranda, figurinos coloridos, assinados pelo renomado estilista e figurinista Daniel Lion, cenários criados por Diane Sbardelotto e efeitos especiais, que fazem personagens voar em cena.  No elenco, Vinicius Mello (Aladdin), Jennifer Franco (Princesa Jasmin), Evandro Soldatelli (Gênio), Daiane Oliveira (Abu), Adriano Cescani (Jafar), Vinicius Petry (Sultão) e Yuri Niederaurer (Guarda Rachid e Tapete).

    Fptp: C2 Comunica/Divulgação

    No clássico, um jovem pobre descobre uma lâmpada mágica com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas o que ele não sabe é que a jovem é uma princesa. Agora, com a ajuda do gênio, ele tenta se passar por um príncipe para conquistar o amor da moça e a confiança de seu pai.

    Foto: Adriano Cescani/Divulgação

    FICHA TÉCNICA

    Direção – Karen Radde

    Figurinos – Daniel Lion

    Composições e Trilha Sonora – Thomas Picinini e Jennifer Franco

    Coreografias – Mauricio Miranda

    Cenografia –  Diane Sbardelotto e Vinicius Mello

    Artista Gráfico – Daniel Anillo

    Produção – Cia Ronald Radde

    Produção Executiva – Vinicius Mello

    Maquiagem: Renata Bregagnol

    Fotografia: Rogério Fernandes

    Assessoria de Imprensa: Adriano Cescani

    SERVIÇO

    O QUE: ALADDIN

    DATA:  6, 13, 20 e 27 de agosto

    HORÁRIO:  17h

    LOCAL:  Teatro do Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230, Centro Histórico)

    Informações: 51.9107-2473/51.93288796

    Foto: C2 Comunica/ Divulgação

    INGRESSOS:

    Valor: R$ 60,00

    – SYMPLA: https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-teatral-aladdin-agosto-de-2023/2096222

    – No teatro, ponto de venda física: apenas 1h antes do evento

     

  • Em agosto prossegue seminário sobre a influência do arquiteto Otto Wagner no Brasil
    Gasômetro tem a arquitetura inspirada pelo ensinamento de Otto Wagner.

    Em agosto prossegue seminário sobre a influência do arquiteto Otto Wagner no Brasil

    Durante o mês de agosto prossegue a exposição e o seminário sobre a obra e a influência do arquiteto austríaco Otto Wagner na concepção de prédios no Brasil, através de profissionais da área que foram seus alunos e discípulos.

    A curadoria da mostra é de Andreas Nierhaus (diretor do Museu de Viena) e Golmar Kempinger Khatibi. Organização no Brasil de   Kathrin Holzermayr Rosenfield (Professora Titular de Filosofia, Literatura e Estética na Universidade Federal do Rio Grande do Sul .)

    Ambos eventos são iniciativas oferecidas pela Embaixada da Áustria e pelo Museu da Cidade de Viena, pelo Centro de Estudos Europeus e Alemães (CDEA) e pela Pinacoteca Aldo Locatelli da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

     

    PROGRAMAÇÃO

    Sexta 4/08/1923 – 14 horas – Paço Municipal

    – Video Dr. Nierhaus_Otto Wagner: A Tradição da Modernidade. Otto Wagner, sua Escola e a inovação da arquitetura em torno de 1900. (Die Tradition der Moderne. Otto Wagner, seine Schule und die Erneuerung der Architektur um 1900)

    – Visita guiada da exposição

     

    Sexta 11/08/1923 – 14 horas – Paço Municipal

    – Adolf Loos –  Visionário e Provocador (Visionär und Provokateur)

    – Visita guiada da exposição

     

    Sexta 18/08/1923 – 14 h  – Paço Municipal

    – Josef Hoffmann – Em Busca da Beleza (Auf der Suche nach Schönheit)

    – Visita guiada da exposição

     

    IAB –  Sexta 25/08/192 – 18 h –  Instituto dos Arquitetos do Brasil

    – Debate sobre Teoria e Prática da arquitetura

     

    Sessão de filme extra (data a definir)

    – Otto Wagner – Visionário da modernidade (Visionär der Moderne)

    A curadoria da mostra é de Andreas Nierhaus (diretor do Museu de Viena) e Golmar Kempinger Khatibi. Organização no Brasil de   Kathrin Holzermayr Rosenfield (Professora Titular de Filosofia, Literatura e Estética na Universidade Federal do Rio Grande do Sul .)

     

  • 39 obras na retrospectiva e homenagem a Antonio Soriano, na Galeria Bublitz
    Paisagem de Antonio Soriano./ Divulgação

    39 obras na retrospectiva e homenagem a Antonio Soriano, na Galeria Bublitz

    Um dos grandes mestres da arte do Rio Grande do Sul ganhará uma exposição a partir do próximo sábado, 5 de agosto. Em “Antonio Soriano: Retrospectiva e Homenagem”, a Galeria Bublitz traz 39 obras do artista em uma seleção especial que destaca o acervo da família. O vernissage será das 11h às 14h, na Av. Neusa Goulart Brizola, 143, em Porto Alegre. A exposição segue na galeria até o dia 5 de setembro, com entrada franca. A mostra integra as comemorações pelos 35 anos da galeria.

    Antônio Soriano – Acervo Pessoal/ Divulgação

    Antonio Soriano nasceu em Santo Ângelo, em 1944. Um dos artistas que mais vendeu obras no Estado, militou também na publicidade, atividade que lhe rendeu prêmios, como na arte. Alcançou destaque nacional e participou de várias exposições em diversas partes do País. Foi aluno de Rubens Galant Costa Cabral e de Ado Malagoli. Faleceu em julho de 2016, em Porto Alegre.

    O cantor Mick Jagger figurou na obra de Soriano/ Divulgação

    “É uma honra recebermos o acervo do artista na galeria. Soriano traduzia como ninguém em sua obra o inconsciente coletivo gaúcho dos pampas e foi um dos artistas mais importantes da história da Bublitz. Na galeria, protagonizou sete exposições individuais e participou de seis exposições coletivas”, informa o marchand Nicholas Bublitz.

    Paisagem rural/ Divulgação

    Conhecido por retratar as bucólicas estâncias da Campanha, o publicitário e artista Antonio Soriano era um apaixonado pelas paisagens do campo, pela lida do gaúcho e pelos cavalos. Para a exposição, o filho Eduardo Paim cedeu 31 obras do acervo da família, que retratam essa fase e muitas outras do artista. Na mostra, uma das telas integra o acervo da própria Galeria Bublitz. Estão expostas ainda outras duas gravuras mais antigas do artista e foram preparadas cinco gravuras póstumas a partir da obra de Antonio Soriano. Essas gravuras estão numeradas com assinatura serigrafada e chancela de autenticidade do Projeto Cultural Soriano, editadas em parceria com a ArtePrints, como uma forma de tornar a produção do artista ainda mais acessível para o público.

    Obra bucólica, no acervo da exposição

    Eduardo Paim resgata um pouco da história do pai que pode ser conferida na exposição. “Ao longo da vida, ele conciliou a carreira de publicitário com a arte, até que aos 40 anos dedicou-se exclusivamente ao trabalho como artista. Em sua trajetória, retratou a paisagem natural de Porto Alegre, com suas ilhas, águas e veleiros. Também expôs a paisagem urbana do Bom Fim e o Brique da Redenção”, conta. “Expressionista, ele revelou a figura feminina no calçadão de Ipanema e ficou famoso pelos retratos, alguns feitos sob encomenda. Nessa linha, podemos ver obras da série Frida Kahlo e do célebre Tatata Pimentel”, descreve. Até Mick Jagger figura em uma de suas obras, que mostra a Calçada da Fama, no bairro Moinhos de Vento.

    O jornalista Tatata Pimentel/ Divulgação

    Mas são as paisagens que revelam a marca registrada de Soriano. E sobre esse tema o filho Eduardo Paim resgata uma característica do processo de criação do artista. “O ponto de partida era registrar com foto as paisagens que ele queria retratar nas pinturas. Só depois ele reproduzia aquele instantâneo em suas pinceladas e cores características. Para ele, as fotos eram a única forma de registrar a luz do momento”, relata. Outra curiosidade sobre Soriano é que ele era ambidestro. “Ele era muito rápido e pintava tanto com a mão direita quanto com a esquerda”, destaca. Além disso, Soriano sempre fazia um fundo preto para suas obras. “Para ele, era mais prático vir do escuro para o claro e, antes de pintar, ele desenhava com lápis de cor branco”, recorda Eduardo Paim.

    SERVIÇO

    Antonio Soriano: Retrospectiva e Homenagem

    Bublitz Galeria de Arte

    Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143
    Vernissage: sábado, 5 de agosto, das 11h às 14h
    Período: de 5 de agosto a 5 de setembro

    Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 13h
    Entrada Franca

  • Biografia de Kleiton e Kledir sobrevive no olho do furacão editorial

    Biografia de Kleiton e Kledir sobrevive no olho do furacão editorial

    GERALD0 HASSE 

    Competente e gratificante, eis dois adjetivos que servem para qualificar a biografia da dupla Kleiton & Kledir escrita pelo pesquisador musical Emílio Pacheco, que desde adolescente acompanha a carreira dos irmãos de Pelotas.

    Se poderia acrescentar outros adjetivos como minuciosa, exaustiva ou completa.

    Sim, tudo isso, mas não se trata de obra de fã babão: bancário aposentado com formação em jornalismo, o
    autor não exagera ao contar em detalhes a história completa da dupla desde sua primeira formação, Almôndegas, em meados dos anos 70.
    “Foi realmente uma bênção poder escrever esse livro que já nasce com potencial de vendas pelo prestígio dos biografados”, disse Pacheco, salientando que contou com a colaboração sincera e transparente dos músicos e de familiares, a começar pela possibilidade de consultar
    recortes de jornal, releases e fotos colecionados ao longo dos anos (desde as primeiras apresentações em escolas) por D. Dalva, a mãe deles.
    Graças a isso e a pesquisas, entrevistas e depoimentos dos dois artistas e integrantes de suas troupes pela vida afora, o pesquisador chegou a um resultado fora do comum. Não há canção gravada ou apresentada em shows que não tenha sido dissecada em todos os aspectos: letras, melodias, arranjos, vocais e instrumentistas. É quase um exagero, mas o autor não deixa barato: “Prefiro que o livro seja criticado por ser excessivo e não por ser resumido”.

    A biografia começou a ser escrita em 2019 e ficou pronta no final de 2022, a tempo de ter uma tiragem inicial de 100 exemplares colocada à venda sem alarde na banca da Livraria Erico Verissimo nos últimos cinco dias da Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro do ano passado.
    Depois disso, houve uma noite de autógrafos no Mercado Público de Pelotas no dia 27 de março de 2023, uma segunda-feira em que a dupla estava na cidade após se apresentar no Theatro Guarany.

    Com divulgação mínima feita pelo autor e a Prefeitura, o evento literário teve pouco público, mas no final da noite o autor, os biografados e familiares confraternizaram num jantar no restaurante Cavalo Branco, ali mesmo no
    Mercado.

    Dado o improviso, apenas no dia seguinte à sessão de autógrafos o Diário Popular de Pelotas publicou uma reportagem de página inteira sobre o livro.

    http://emiliopacheco.blogspot.com/2023/03/como-foi-sessao-de-autografos-em-pelotas.html

    Como lembra o autor, desde o começo Kleiton e Kledir se declararam disponíveis para esclarecimentos, mas deixaram bem claro que o projeto era de Pacheco. Sem qualquer contrato com quem quer que fosse, o jornalista mergulhou na pesquisa por sugestão do amigo carioca Marcelo Fróes, ex-editor do International Magazine, um jornal de música para o qual Pacheco escrevia. Fróes era sócio de uma editora que publicaria a biografia.

    No meio do caminho, porém, ele se desligou da sociedade
    editorial, deixando Pacheco a pé em plena pandemia. Sem recuar, o jornalista foi em frente, sem contar com ajuda de custo, cachê ou “avanço” sobre futuras vendas. Na reta final, apenas duas editoras se dispuseram a bancar a edição. “Optei pela Bestiário porque a outra era
    de Florianópolis. Achei que seria mais fácil fazer tudo por aqui mesmo”, diz Pacheco, que vive em Porto Alegre.

    E aqui estamos diante de mais uma luta daví x golias.

    Com seu primeiro livro, prefaciado por Juarez Fonseca, o mais ativo jornalista cultural do Sul do Brasil no último meio século, Pacheco enfrenta praticamente sozinho a barra pesada de um mercado editorial em ebulição, no qual livros impressos em papel estão sendo triturados pelas edições digitais, muito mais baratas. Não é por acaso que alguns gigantes editoriais-e-livreiros estão sucumbindo. O mar imensurável da internet está absorvendo os tradicionais percentuais do atacado (40% do valor de capa dos livros) e do varejo (30%) com que trabalha(va)m editoras e livrarias. Somando os percentuais acima, o leitor vê que sobram os 20% dos custos gráficos e os 10% dos direitos do autor. Nada de novo no front literário. Para não cair na vala em que se debatem as
    pequenas editoras, a Bestiário fixou em 80 reais o preço do livro (394 páginas, sendo 35 de fotos) e optou pela venda pela internet, dando uma colher de chá para apenas duas livrarias de Porto Alegre venderem o
    livro físico; em Pelotas, a cidade natal dos biografados, e no Rio, onde K&K vivem desde o século XX, o livro físico não está em oferta.

    Quer comprar? Vá ao blog do autor ou ao seu Facebook. Ou encomende no site
    https://bestiario.com.br/livros/kleitonekledir.html

    Registro final: o livro é muito bom não apenas pelo que conta da obra e da vida da dupla pelotense – dois artistas sem máscaras –, mas por traçar um raro panorama da evolução da Música Popular Gaúcha e sua inserção no quadro geral da MPB.

    Enfim, é um livro de histórias que se
    insere na História da Cultura Brasileira. Merece estar em bibliotecas públicas e escolas. Tomara que chegue lá. O retrospecto da carreira dos irmãos Kleiton & Kledir, hoje septuagenários que mantêm a chama juvenil que os projetou, pode ter um sabor relatorial em alguns momentos, mas na realidade será de grande utilidade para pesquisadores, agora e depois.
    Não é pouca coisa. Daí a segura profissão de fé do biógrafo: “Mesmo que amanhã ou depois esse livro apareça numa caixa de saldos da Feira do Livro a preço de banana, eu sei que o valor informativo dele não será
    afetado. Servirá como referência de uma época”.

  • Exposição “Encontro das Águas” de Fábio André Rheinheimer, na Delphus Galeria de Arte
    Obra Mãe do Ouro 2015. Foto – Fábio André Rheinheimer/ Divulgação

    Exposição “Encontro das Águas” de Fábio André Rheinheimer, na Delphus Galeria de Arte

    O arquiteto, curador e artista visual Fábio André Rheinheimer abre sua nova exposição “Encontro das águas” nesse sábado, dia 29 de julho, às 9h, na Delphus Galeria de Arte (Av. Cristóvão Colombo, 1501, Moinhos de Vento, em Porto Alegre). A mostra une uma série de obras que exploram a preservação dos mananciais hídricos, um dos temas recorrentes no trabalho do artista, e contempla desenhos e fotografias. A visitação poderá ser realizada até o dia 31 de agosto, de segunda à sexta-feira das 9h às 18h45min e, aos sábados, das 9h às 13h. Entrada franca.

    Exposição de André tem pinturas e fotografias. Foto: Juliana Baratojo/Divulgação

    A exposição inédita Encontro das Águas apresenta um apanhado de obras, fotografias e, em sua maioria, desenhos, cuja investigação teve início no ano de 2012. Os trabalhos estão divididos em duas partes. As obras da série “Waterfall” (desenhos), têm como caraterística a trajetória dinâmica e contínua da linha, a qual se modifica, cria e organiza diversas superfícies mediante o acúmulo. Este, por sua vez, dá origem a pequenos fragmentos gráficos – planos estruturantes fundamentais da forma volumétrica resultante.

    A Tempestade – Fábio André Rheinheimer – Foto Juliana Baratojo/ Divulgação

    A série “A Tempestade” (fotografias), por sua vez, foi desenvolvida enquanto projeto de pesquisa a partir do exercício pictórico, em   que as pinturas são alteradas e fotografadas num processo contínuo; tendo por referência o impressionismo e “A Grande Onda de Kanagawa”, do mestre japonês Katsushika Hokusai, especialista em ukiyo-e (o termo significa mundo flutuante, e é um gênero de pintura e também xilogravura que se tornou conhecido no Japão entre os séculos XVIII e XIX). A exposição já passou por Porto Alegre, Santa Maria e São Paulo e, agora, algumas obras são reapresentadas na mostra da Delphus Galeria.

    SERVIÇO

    Encontro das Águas, de Fábio André Rheinheimer

    Visitação: de 29 de julho até 31 de agosto de 2023

    Horários: de segunda à sexta-feira das 9h às 18h45min e, aos sábados, das 9h às 13h.

    Local: Delphus Galeria de Arte, na Av. Cristóvão Colombo, 1501, Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

     

     

     

     

     

  • Vida e arte de João Luiz Roth e outros grandes mestres da pintura na Galeria Duque
    Obra de João Luiz Roth/ Divulgação

    Vida e arte de João Luiz Roth e outros grandes mestres da pintura na Galeria Duque

     

    Produções de um dos maiores artistas visuais do Rio Grande do Sul poderão ser conferidas a partir do dia  29 de julho, ao lado de obras de grandes nomes como Burle Marx, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Danúbio Gonçalves, Aldemir Martins e Manabu Mabe.

    • O espaço também recebe a mostra “Fiulinha”, com produções do Atelier Livre Xico Stockinger.

    João Luiz Roth/ Divulgação

      Um dos maiores acervos de arte do Estado abre as portas no sábado, 29 de julho, para a exposição “Visualidades Possíveis” repleta de produções de grandes mestres da arte, com destaque para a mostra-homenagem: “Vida e Arte de João Luiz Roth”. A Galeria Duque tem curadoria de Daisy Viola e está localizada na Rua Duque de Caxias, 649. Vernissage a partir das 14h até às 16h30min. A exposição fica no espaço até o dia 30 de outubro.

    João Luiz Roth/ Divulgação

    João Luiz Roth, conhecido como Titi Roth, nasceu em Santa Maria, em 1951. Considerado um dos grandes artistas visuais do Rio Grande do Sul, ele ocupa lugar de destaque no cenário artístico nacional. Trabalhou intensivamente com o desenho e a pintura desenvolvendo obras de grande relevância, inserindo-se no mercado de arte brasileiro e em importantes acervos, galerias e museus dentro e fora do País. É um dos pioneiros na pesquisa do hibridismo nas artes visuais, mesclando em sua poética a produção de processos manufaturados aos processos eletrônicos, hoje tão difundidos nas tecnologias digitais.  Sem produzir desde 2015, em função das limitações enfrentadas por um aneurisma no cérebro, Roth recebe essa homenagem, em uma colaboração com a esposa Désirée Motta Roth, que cedeu parte de seu acervo. Ao todo, na Galeria Duque, poderão ser conferidas 42 obras do artista.

    “O Roth é um grande mestre, artista e educador. É uma honra muito grande trazer essa magnífica exposição para Porto Alegre”, destaca o galerista Arnaldo Buss. Não é a primeira vez que o aclamado artista expõe na Galeria Duque. Em 2017, o espaço recebeu uma série de gravuras de Roth que integraram a exposição “Os Lusíadas – Itinerário de um Desejo”.

    Di Cavalcanti – Morena – 1969/ Divulgação

    Visualidades Possíveis

    Durante a exposição, os visitantes também poderão conferir obras de grandes mestres da arte, no 1º e 2º piso da galeria. “Apresentamos obras de artistas brasileiros de um tempo em que a busca da libertação das regras acadêmicas europeias, resultaram figuras e cores livres e identificadas com a luminosidade do Brasil”, explica a curadora Daisy Viola.

    Cláudio Tozzi/ Divulgação

    Entre eles, estão Alberto Veiga Guignard, Aldemir Martins, Antônio Bandeira, Arcângelo Ianelli, Burle Marx, Calasans Neto, Cildo Meireles, Claudio Tozzi, Cristina Balbão, Danúbio Gonçalves, Eduardo Vieira da Cunha, Fernando Lucchese, Francisco Lucchesi, Franz Krajberg, Glauco Rodrigues, Henri Moore, Ione Saldanha, Ivan Serpa, Leopoldo Gotuzzo, Ludolf, Manabu Mabe, Milton da Costa, Picasso, Rapoport, Rubem Valentim, Siron Franco, Tarsila do Amaral, Tommie Ohtake, Victor Vazareli, Yeddo Tieze.

    Fernanda Ramos – Sem Título/ Divulgação

    Fiulinha

    O espaço recebe ainda a mostra “Fiulinha”. “O fio condutor desta exposição é a linha explorada de diversas maneiras nos desenhos, e o fio nos bordados, tramados e tecidos. São trabalhos desenvolvidos há algum tempo no Curso Eu Criativo no Atelier Livre, e que aqui se agrupam por semelhanças, mas também apresentam pontos de vista e possibilidades expressivas múltiplas de materiais e maneiras de fazer. De cor ou não, volumes ou planos. Apresentam-nos a delicadeza das curvas e entremeios ou a força de gestos firmes e livres”, detalha a curadora Daisy Viola.

    Selir Straliotto – Gesto e Rastro/Divulgação

    “Fiulinha” estará no último andar da Galeria Duque, onde será possível conferir as produções de Ana Luiza Miranda, Aglaé Freitas, Fernanda Ramos, Miriam Consul, Suzana Albano, Tati Migowski, Roberto Freitas, Luck Herbert e Selir Straliotto.

    Agenda:
    Exposições “Vida e Arte de João Luiz Roth”, “Visualidades Possíveis” e “Fiulinha”
    Local:
     Galeria e Espaço Cultural Duque
    Endereço:
     Duque de Caxias, 649 – Porto Alegre
    Vernissagem: sábado, 29 de julho, das 14h às 16h30min
    Período da exposição: de 29 de julho até 30 de outubro.
    Horário de funcionamento:
    Seg/Sex: 10h às 18h | Sáb: 10h às 17h
    Entrada Franca