Por ocasião do sétimo centenário da morte de Dante Alighieri, o projeto Eduardo Guimaraens por suas netas e netos lança, pela Libretos Editora, a edição ampliada da tradução que Eduardo Guimaraens fez para o Canto Quinto, do Inferno, em 1920. O
lançamento acontece na Sala Libretos, dia 24/9, 19h (Facebook/libretoseditora).
Eduardo traduziu e publicou o Canto Quinto, em formato plaquete, impresso em Porto Alegre, nas “Officinas graphicas da Livraria Americana”. Para a sua tradução usou a versão editada em Florença, em 1899. A plaquete foi anunciada com entusiasmo pela crítica especializada e sua edição se esgotou rapidamente.
A Commedia, título original da obra de Dante, é um poema épico em três cânticos: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Deles, Eduardo escolheu o Inferno, e deste, “o mais bello talvez entre os mais bellos da Prima Cantica do Livro eterno”.
Em 1921, foi convidado a proferir a palestra do sarau de abertura das Comemorações do 6° centenário da morte de Dante Alighieri, realizado no Palacete Rocco, no Centro Histórico de Porto Alegre.
A edição ampliada lançada agora, além da plaquete de 1920, com o Canto Quinto em fac-símile e na grafia da época, reproduz trechos originais de duas obras históricas: Lectvra Dantis, de 1899, e La Divina Commedia, de 1902. E com a transcrição da sua conferência no sarau, reprodução de documentos originais e imagens do seu acervo, busca-se trazer um pouco da atmosfera de Eduardo e sua enorme admiração pelo imortal poeta florentino. Antes de Dante, os livros eram escritos em latim. Por ter escrito em italiano, é considerado o pai da língua italiana.
Além de poder comparar o idioma italiano de diferentes épocas, o leitor poderá apreciar as ilustrações da edição original de 1902, de autoria de A. Alessandronelli, A. Razzolini e S. Bicchi (uma edição raríssima do acervo de Eduardo).
O lançamento acontece no dia 24 de setembro, às 19 horas, na Sala Libretos (Facebook/libretoseditora), com a organizadora da obra Maria Etelvina Guimaraens e os convidados Carlos Frederico Guazelli (colaborador do projeto) e participação especial de Sílvia Guimaraens, designer responsável pelo site www.eduardoguimaraens.com.br. A mediação é do escritor e jornalista Rafael Guimaraens.
Canto Quinto, de Dante (Libretos) – tradução de Eduardo Guimaraens – Edição ampliada, organização de Maria Etelvina Guimaraens
Lançamento: Sala Libretos, dia 24/9, 19h (Facebook/libretoseditora)
Eduardo Guimaraens (1892/1928)
Além de poeta e jornalista, Eduardo Guimaraens era tradutor e, como tal, sua produção foi vasta. Traduzia poesia e prosa do francês, italiano, inglês e espanhol. Traduziu Baudelaire, Verlaine, Dante, Gabriele D’Annunzio, Keats, Oscar Wilde. Adaptou Antígona, de Sófocles. Muitos de seus trabalhos foram publicados em jornais como A Federação e o Correio do Povo, mas deixou traduções inéditas.
Dante Alighieri (1265/1321)
Foi o maior poeta medieval italiano. Em 1292, Dante concluiu a obra La Vita Nuova, uma coletânea de poemas amorosos dedicados à musa Beatriz, a qual, no último soneto, habita as glórias do paraíso. Ao final da obra, ele promete dizer de Beatriz “o que jamais disse de mulher alguma”. Cumpriu a promessa na Commedia.
Dante teve importante atuação política. Militou ao lado dos guelfos moderados, os chamados “brancos”, contrários às ambições do papado de dominar Florença. Ele integrou o “Conselho do Capitão”, o “Conselho dos Cem” – instâncias administrativas da cidade – foi embaixador e prior (Florença era governada por seis priores). Em janeiro de 1302, os moderados foram derrotados e, em 10 de março, Dante foi exilado de Florença (seria queimado vivo se ali permanecesse). Foi durante o exílio que escreveu a Commedia.
Além de La Vita Nuova e da Commedia, Dante é autor das obras Convívio (sobre cultura e política, do qual completou três dos 15 livros projetados), De Vulgari Eloquentia (uma defesa da linguagem popular, planejada para quatro volumes e concluiu até o 14º capítulo do segundo livro), Monarchia (tese política), Quaestio de Aqua et Terra (sobre a então discutida questão de não poder a água superar, em altura, a terra imersa) e Epístolas (13 cartas em latim a diferentes destinatários, cujo interesse decorre do seu estilo e erudição).
O paraibano Chico César faz o Casa Virtual Especial do mês de setembro ao lado de Duda Brack, jovem cantora e compositora gaúcha radicada no Rio de Janeiro. O show tem transmissão ao vivo pelo Instagram @ccmarioquintana, às 20h do sábado, 25 de setembro, data em que a Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), completa 31 anos.
A CCMQ chegou a anunciar a participação de Lenine, mas o pernambucano precisou, de última hora, cancelar a agenda por motivo de força maior, plenamente justificável. “Foi com muita agilidade que conseguimos, em menos de 24h, viabilizar a participação de Chico César, artista da mesma grandeza de Lenine, que era nosso convidado inicial. Agradecemos o empenho de Lenine e a pronta disposição de Chico César em substituir o parceiro”, explica Diego Groisman, diretor da Casa de Cultura.
O evento mensal, que se tornou um dos principais projetos virtuais da CCMQ durante o período de distanciamento social, vem reunindo desde o ano passado músicos de diferentes gerações, promovendo o encontro de diversos jovens talentos da cena regional e nacional com artistas consagrados como Maria Rita, Adriana Calcanhotto, Filipe Catto, Marcelo Jeneci, Alice Caymmi e Moreno Veloso, entre outros.
O paraibano Francisco César Gonçalves nasceu em 26 de janeiro de 1964, no município de Catolé do Rocha, interior da Paraíba. Aos dezesseis anos, Chico César foi para a capital João Pessoa, onde se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba. Nesse período, integrou o grupo Jaguaribe Carne, que fazia poesia de vanguarda. Mudou-se para São Paulo, aos 21 anos, trabalhando como jornalista e revisor de textos. Aperfeiçoou-se no violão, multiplicou suas composições e começou a formar o seu público. Suas canções são poesias de alto poder de encanto lingüístico e sua carreira artística tem repercussão internacional.
O sucesso da turnê pela Alemanha, em 1991, fez Chico César deixar o jornalismo para se dedicar exclusivamente à música. Foi quando formou a banda Cuscuz Clã (que seria o nome de seu segundo álbum). Em 1995 lançava o primeiro CD “Aos Vivos” (Velas), acústico e ao vivo, com participações de Lenine e o lendário Lany Gordin. Em 1996, sucesso nacional e internacional com o álbum, “Cuscuz Clã” (MZA/PolyGram).
O quinto CD, “Respeitem Meus Cabelos, Brancos” (2002) começou a ser pré-produzido em Londres e teve participações especialíssimas de Nina Miranda e Chris Franck (integrantes da banda Smoke City), Naná Vasconcelos e Carlinhos Brown. “De uns tempos pra cá” (2005), trouxe 12 faixas autorais em formato camerístico com o Quinteto da Paraíba. Com “Francisco Forró y Frevo”, em 2008, Chico César mergulha no espírito das festas populares nordestinas (carnaval e festejos juninos) e estabelece o diálogo entre estes ritmos e batidas universais, como o reggae e o ska. O frevo ganha a novidade da mistura da linguagem das orquestras de metais de Pernambuco com a guitarra baiana dos trios elétricos da Salvador, criados por Dodô e Osmar. Depois do lançamento do DVD “Aos Vivos Agora” (2012), Chico César, que não lançava novo disco de inéditas há oito anos, trouxe à luz “Estado de Poesia” (2015), vencedor da 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira (2018) na categoria melhor álbum de “Pop/Rock/Reggae/Hip hop/Funk”.
O trabalho de 2019 faz um comentário robusto das vivências político-sociais, no convulsionado momento brasileiro. Todas as 13 faixas de “O Amor É um Ato Revolucionário” têm letra e música, assinadas apenas por Chico César. O álbum traz alguns convidados, como a adolescente paraibana Agnes Nunes (com quem Chico César divide os vocais em “De Peito Aberto”), a jovem cantautora pernambucana Flaira Ferro (em “Cruviana”) e o guitarrista paulistano Luiz Carlini (em “O Amor é um Ato Revolucionário”), que em um longo improviso revisita seu mitológico solo da primeira gravação de “Ovelha Negra” com Rita Lee e Tutti Frutti.
Festejada pela crítica
Duda Brack. Fotos: Fábio Audi/ Divulgação
Aos 26 anos, radicada no Rio de Janeiro, a cantora e compositora gaúcha Duda Brack lançou em 2015 o primeiro disco solo, intitulado “É”. Desde então, vem sendo apontada como uma das grandes vozes femininas a emergir na cena musical contemporânea. Festejada pela crítica especializada como artista revelação, abriu shows de Elza Soares, Otto e Alceu Valença. Em 2017, a convite de Charles Gavin (ex-Titãs) e da gravadora Deck, Duda gravou o álbum “Primavera nos dentes – tributo aos Secos & Molhados”. Muito bem recebida pelos integrantes da banda original, a gravação recebeu elogios de Ney Matogrosso.
O segundo disco solo de Duda Brack, “CaCo de ViDRo”, pelos selos Matogrosso (de Ney Matogrosso) e Alá Comunicação e Cultura (de Jorginho Veloso), tem lançamento programado para 15 de outubro. Heterogêneo e diverso, o álbum passeia por muitos gêneros musicais como maculelê, pagodão baiano, cumbia, folk e funk. Produzido pela própria Duda, em parceria com Gabriel Ventura, “CaCo de ViDRo” conta com a colaboração de Lucio Maia (Nação Zumbi), do grupo de percussão Os Capoeira, arranjos de cordas de Maycon Ananias, arranjos de sopros de Vitor Tosta e participação especial de Ney Matogrosso, Baiana System e Francisco Gil. O repertório do trabalho apresenta canções autorais de Duda, em parcerias com os amigos Chico Chico e Gui Fleming, e de outros compositores como Alzira Espíndola, Bruna Caram, Julia Vargas e Ian Ramil.
Duda Brack. Foto: Fábio Audi / Divulgação
O diretor da CCMQ, Diego Groisman destaca o empenho da equipe curatorial ao definir as atrações desta edição especial do Casa Virtual, que celebra os 31 anos do complexo cultural. “A obra musical de Chico César é fortemente alicerçada na poesia e faz com que a celebração dos 31 anos mantenha uma relação com Mario Quintana. A participação da gaúcha Duda Brack reforça uma ligação afetiva com a Casa de Cultura. A presença dos dois artistas reafirma nossa dedicação em proporcionar ao público o contato com grandes nomes ao mesmo tempo em que buscamos repercutir o trabalho de jovens talentos”, comenta Groisman.
Casa Virtual Especial 31 anos da CCMQ – Chico César e Duda Brack
Quando: 25 de setembro | sábado
Horário: 20h
Onde: Instagram @ccmarioquintana
Renato Piau canta e conta Luiz Melodia acontece nos dias 1º e 2 de outubro, sexta e sábado, às 21h, e contará com as participações especiais de Adriana Deffenti e Rita Zart. Ingressos pelo site da Eventbrite
O Espaço 373 apresenta Renato Piau canta e conta Luiz Melodia. Por quase 40 anos, o guitarrista foi um fiel escudeiro de Melodia. Além de acompanhá-lo em shows e gravações, Piau dividiu com ele a autoria de algumas músicas, entre elas: Fadas, Me Beija, Cuidando de Você, a famosa Cara a Cara e Este filme eu já vi, interpretada por Cássia Eller. O show acontece nos dias 1º e 2 de outubro, sexta e sábado, às 21h, e contará com as participações especiais de Adriana Deffenti e Rita Zart. Ingressos pelo site da Eventbrite.
Com mais de 200 músicas gravadas por diversos artistas, seu trabalho foi citado em dezenas de livros sobre a história MPB, por autores como Ricardo Cravo Albin, Nélson Motta, André Diniz, Rodrigo Moreira, Euclides Amaral e Antônio Carlos Miguel, além das biografias de Sérgio Sampaio, Tim Maia, Zé da Velha & Silvério Pontes, Cássia Eller e, claro, de Luiz Melodia.
O tributo no Espaço 373 terá as participações especiais das cantoras Adriana Deffenti e Rita Zart. Além de cantar, Piau contará algumas histórias que marcaram quatro décadas de parceria com Luiz Melodia. O show ocorre às 21h e os ingressos custam R$ 55, pelo site da Eventbrite: https://www.eventbrite.com.br/e/renato-piau-canta-e-conta-luiz-melodia-tickets-172830579917.
O músico Renato Piau – Foto Felipe Giubilei/ Divulgação
O início da parceria
Foi na plateia do show Fa-Tal, de Gal Costa, no Teatro Tereza Rachel – atual Theatro NET Rio em Copacabana – que Renato Piau conheceu Luiz Melodia. Gal interpretava Pérola Negra e fazia o lançamento do compositor, descoberto por Jards Macalé e Wali Salomão, no Morro do Estácio. A partir daí, se tornaram mais do que amigos.
Quando assinou contrato com a Philips, a gravadora ofereceu uma casa em Jacarepaguá para que Melodia se dedicasse integralmente ao seu primeiro disco, Pérola Negra. Piau foi morar com o artista.
Entre 1974 e 1976, o guitarrista viveu em Brasília. De volta ao Rio de Janeiro, Renato Piau trabalhou com Chico Anísio e Arnoud Rodrigues, com quem compôs várias músicas para a dupla Baiano e Os Novos Caetanos. Ele também dividiu os palcos com Fagner, Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Sandra de Sá, Sérgio Sampaio, Tim Maia e sua Banda Vitória Régia, Zé Ramalho, Chuck Berry e Ron Carter.
A partir do Nós (1980), o guitarrista participou de todos os discos dele e shows, até Zerima (2015). “Melodia foi o homem mais lindo que conheci. Ele confiava muito em mim, cantava me olhando quando se sentia inseguro e eu dava as entradas (das músicas)”, relembra. Luiz Melodia morreu em 4 de agosto de 2017, em decorrência de um câncer.
O cantor Pedro Coppeti, que já estrelou espetáculos da Broadway, e a cantora-mirim Valentina Corrêa, do The Voice Kids, estão entre os destaques das apresentações que ocorrem nos dias 25 e 26 de setembro.
A mais tradicional escola de dança do Estado, o Ballet Vera Bublitz (BVB), volta ao Theatro São Pedro para a IX Gala de Excelência em Dança. No palco, estrelas do canto e do ballet integram um espetáculo em 4 apresentações, às 10h30 e às 16h, nos dias 25 e 26 de setembro. Os ingressos estão à venda nas unidades da escola na Cel. Corte Real, 227, no telefone (51) 98590-0618, e na Cel. Lucas de Oliveira, 158, no telefone (51) 99933-3310.
Ator e cantor Pedro Coppeti, um dos convidados. Foto: Fabio Alt/ DivulgaçãoA cantora Débora Neto. Foto: Cicero Rodrigues/ Divulgação
Desta vez, a excelência em dança, que faz parte da trajetória de mais de 40 anos do Ballet Vera Bublitz, divide os holofotes com talentos da música. Um dos convidados é o ator e cantor gaúcho Pedro Coppeti, destaque nos palcos internacionais. Radicado em Nova York, Coppeti é formado em Teatro Musical pela The American Musical and Dramatic Academy (AMDA), com um currículo de diversas apresentações na Broadway, inclusive no lendário Carnegie Hall. Na IX Gala de Excelência em Dança, o cantor interpreta, nas apresentações de domingo, 26 de setembro, um trecho de O Corcunda de Notre Dame, ao lado da cantora gaúcha Débora Neto, destaque em festivais de música e que emocionou a plateia do espetáculo Os Miseráveis Experience, em 2019, no Theatro São Pedro.
A cantora Valentina Corrêa. Foto: Roque Rodrigues / Divulgação
Aluna do Ballet Vera Bublitz desde os 2 anos de idade, a cantora Valentina Corrêa, de 9 anos, também estará no palco. Ela brilhou na mais recente edição do The Voice Kids, em 2021. No espetáculo, Valentina vai cantar, no sábado, 25 de setembro, “Além do Arco-Íris”, do Mágico de OZ, acompanhada pelo pianista Tiago Lewis, pai da também aluna Olívia.
Entre os bailarinos que compõem o espetáculo, revelações da dança que nasceram no Ballet Vera Bublitz, como Patrick Bublitz, Alicia Sassi, Catarina Kallfelz da Costa, Giovana Ryff, Isabela de Azevedo e Azevedo, Isabela Huyer, Julia Petry Quinto, Julia Xavier, Maiara Terra y Castro e Marina Miguel Starosta. Eles interpretam trechos de clássicos de ballets de repertório, como Gisele, Dom Quixote, Paquita, Quebra-Nozes e Bela Adormecida. “Nas apresentações, os bailarinos antecipam coreografias que serão apresentadas em festivais internacionais de dança de 2022”, revela a diretora Carlla Bublitz. Mesmo na pandemia, os bailarinos têm se dedicado com afinco para a dança, em aulas intensivas de segunda a sábado, para poderem brilhar nos palcos. “O alimento mais importante para os jovens é fazerem o que amam”, destaca Vera Bublitz.
Patrick Bublitz. Foto: Daniel Martins. DivulgaçãoMarina Miguel Starosta e Júlia Petry Quinto. Foto:_Daniel Martins/ Divulgação
Agende-se:
XIX Gala de Excelência em Dança Ballet Vera Bublitz
25 de setembro (sábado): 10h30 e 16h
26 de setembro (domingo): 10h30 e 16h
Local: Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/n – Centro Histórico – Porto Alegre)
Capacidade: 170 lugares por espetáculo
Valor único: R$ 100
Ingressos antecipados:
Cel. Corte Real, 227
Whatsapp: (51) 98590-0618
Cel. Lucas de Oliveira, 158
Whatsapp: (51) 99933-3310
Os ingressos também poderão ser adquiridos nos dias do espetáculo na bilheteria do Theatro São Pedro, dependendo da disponibilidade de assentos.
O jornalista Klécio Santos avisa que o livro “Sonhos de Pedra”, que conta a história da construção dos molhes que há um século viabilizam o porto de Rio Grande, vai ter uma segunda edição. A primeira, lançada há três meses e colocada à venda por R$ 85 na Livraria Vanguarda, de Pelotas, está no fim. Trata-se de um livrão de capa dura em formato A4 com 240 páginas contendo ilustrações e textos em português e inglês.
Antes de Sonhos de Pedra, a saga da construção dos molhes havia sido contada num dos 16 capítulos do livro Navegando pelo Rio Grande (Já Editores, 2008), que conta a história das hidrovias gaúchas. Klécio Santos nasceu em Porto Alegre, se criou em Rio Grande e trabalhou vários anos como jornalista em Pelotas, de onde migrou há 21 anos para Brasília. É autor de outros livros patrocinados sobre o Theatro Sete de Abril e o Mercado Público de Pelotas.
Além de fazer sua parte como repórter (com mestrado em patrimônio cultural), Klécio valeu-se de pesquisas feitas em jornais por Adão Monquelat, historiador-livreiro em Pelotas. Dos textos e das fotos emergem diversos personagens que se tornaram nomes de logradouros públicos. Entre os brasileiros, o maior dele foi o engenheiro Honório Bicalho.
O melhor do livro são as minúcias em torno da construção das duas barreiras de pedra que domaram as águas do Atlântico na barra da Laguna dos Patos — obra que envolveu brasileiros, franceses e norte-americanos, sendo considerada uma das maiores epopéias técnica do início do século XX. Sem os molhes, erguidos com pedras extraídas do interior do município de Pelotas, a cidade de Rio Grande não teria se tornado uma das maiores do Estado.
O sotaque, fortemente acentuado, dá uma pista de sua origem do interior gaúcho. “O tê demonstra de onde vem”, comenta brincando. Às vezes fala na terceira pessoa, se referindo a si mesma como a Gabriela. Tem noção de seu valor e o que representa sua escolha, pelo governador Eduardo Leite, a um cargo ambicionado no universo cultural gaúcho, principalmente no meio do tradicionalismo. Acentua com naturalidade “sou uma transexual em cargo público no governo estadual”. Na sua conversa há o uso frequente da palavra movimentação. Muitas da coisas que fala de sua vida explica como “movimentação.”
Nascida em São Vicente do Sul, em 1986, Gabriella Meindraid cresceu numa região intensamente influenciada pela cultura do campo e o cultivo das tradições gaúchas. Teve infância e adolescência convivendo com esse universo até 2015, quando em 2019 foi convidada a trabalhar na Secretaria Estadual da Cultura. A partir teve uma trajetória rápida e bem sucedida.
Para conhecidos, dá a impressão que depois dessa experiência executiva, estará pronta para ambições políticas eleitorais, se candidatando à vereadora, prefeita ou deputada. Por enquanto Gabriela Mendraid está mergulhada na sua função de Secretária –Adjunta da Cultura, ainda mais nos festejos farroupilhas , onde tem causa e vivência.
Foto: Arquivo Pessoal/ Facebook.
Está tendo experiência executiva ímpar, trabalhando ao lado da secretária titular Beatriz Araújo e de Ana Fagundes, a terceira pessoa na hierarquia da SEDAC. As três formam um trio de grande capacidade administrativa elogiada por admiradores e respeitadas por opositores.
Na entrevista abaixo, Gabriela Mendraid fala sua trajetória e trabalho com cultura gaúcha:
Pergunta: Quem é Gabriela Mendraid
Resposta: Minha trajetória sempre teve a presença da cultura. Pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho. Desde os seis anos já participava, essa foi a primeira aproximação cultural que tive. Seja dançando, seja em declamação, em concursos, sempre fui muito próxima desse universo tradicionalista, na infância e adolescência. Culminou com uma experiência muito rica, em 2015, quando em Santa Maria, quando fui Rainha do Carnaval. Foi outra aproximação importante na minha vida. Foram essas duas aproximações que fizeram a construção da Gabriela, próxima ao cenário cultural. Que me deram experiência e inclusive uma formação muito humana.
Eu morei em São Vicente do Sul até os 17 anos. Depois me aproximei do carnaval em Santa Maria até que em 2015, com 29 anos fui Rainha do Carnaval. A partir de 2019 vim para a Secretaria da Cultura do Estado. Assumi uma assessoria específica de Diversidade. Isso ampliou meu conhecimento com outras áreas, uma experiência mais rica e um trabalho mais consolidado.
Contato com outras áreas também, principalmente em uma aproximação para que a cultura chegue em todos os segmentos e que as pessoas possam conhecer mais, aproximar mais, ter mais contato com as instituições. Sempre coloco que uma das maiores dificuldades para quem é do interior é um maior vivência cultural, ter essa efervescência que se tem aqui em Porto Alegre.
As pessoas do interior, em geral, têm muito mais contato com o tradicionalismo e o universo do CTG. Que é uma raiz forte da nossa cultura e não tem aproximação com outras áreas culturais. Nesse sentido é que temos feito um trabalho muito forte aqui na SEDAC para descentralizar mais a cultura. Teatro, fotografia, valorização dos músicos de cada localidade, artes visuais e artesanato, são algumas das áreas. E tem sido efetivo porque cada vez que se vai ao interior a gente consegue ter um olhar mais atento de cada realidade.
A Secretária da Cultura Beatriz Araújo e a Secretária -Adjunta, Gabriella Maindrad. Foto: Arquivo pessoal.
Pergunta: Como veio parar na Sedac?
Resposta: Eu sou servidora pública na área administrativa do município de São Vicente de Sul. Em 2019 em razão da homenagem que recebi do Movimento Tradicionalista Gaúcho na Ciranda Cultural de Prendas da região, por ter sido a primeira mulher trans homenageada, pela trajetória cultural que eu tenho dentro do CTG, acabei sendo muito conhecida. Viralizou nas redes a informação dessa homenagem. Por ser uma mulher trans dentro de um ambiente tão machista, receber esse reconhecimento.
Isso chegou ao conhecimento da secretária Beatriz que na época, em 2019, ligou para a escola onde eu trabalhava, em São Vicente, e fez o convite para vir integrar a equipe da secretaria. Foi proposto para que eu assumisse uma nova diretoria, a da Diversidade que trabalhasse questões de gênero, racial, de Direitos Humanos, de respeito à diversidade. Propondo dentro da cultura reflexões para mudanças e quebras desses preconceitos, de dificuldades que ainda existem na nossa sociedade.
Foi nesse sentido que acabei assumindo essa assessoria. Minha trajetória no meio tradicionalista já tinha sido um desafio. Em julho do ano passado, fui novamente desafiada ao vir para cá, e assumir como diretora geral e secretária- adjunta da Cultura. Com todas as dificuldades da pandemia, em um processo de execução da Lei Aldir Blanc, com uma conferência estadual de cultura que acabei coordenando.
Pergunta: Sua convivência com o meio tradicionalista, conhecido de seu conservadorismo, como é?
Resposta: Noto que nós temos muito mais pontos positivos do que negativos, muito mais avanços nesse período do que qualquer época anterior. Acabou existindo preconceitos, mas a partir do momento que as pessoas foram conhecendo minha história e ela foi divulgada se iniciou um processo quer não tem como sofrer recuos. De avanço, de giro, de respeito às pessoas, de uma construção para diminuir esse machismo, essas dificuldades que existem no MTG, porque elas são de algumas pessoas. Mas não representam todo o movimento.
Quando existe uma série de ações de gestão de peões e prendas buscando um diálogo, mostra que o setor começou a se movimentar e tem visto avanços. Assim como minha presença na Secretaria da Cultura representa esse avanço. Por força das ações que propusemos e temos adesão das prefeituras.
Como o Janeiro Lilás, que é o mês da visibilidade trans; o mês do Orgulho LGBT, da Quebra contra o Racismo, onde temos uma comemoração específica ao Cinquentenário do 20 de Novembro, Mês da Mulher e várias outras ações, sempre buscando a quebra de preconceitos e dificuldades que temos na sociedade gaúcha dessas desconstruções que ainda são necessárias para que se consiga fazer com a cultura uma movimentação e mudança cultura para que se possa viver mais justa, mais igualitária e que pense nas pessoas e suas particularidades.
A importância que tem uma mulher trans em um cargo público de relevância dentro de um Estado tem enorme importância para o universo LGBT. É a primeira vez que isso acontece. São dois desafios. Um conseguir mostrar nossa capacidade de trabalho e abrir espaço para outras pessoas que são tratadas pela sociedade ainda diferentes do padrão que é imposto e consiga ocupar mais espaços.
No Movimento de Tradições Gaúchas. Foto: Arquivo pessoal
Pergunta: alguma área oferece mais resistência ao seu trabalho?
Resposta: O cenário cultural tem a característica das pessoas possuírem mais diversidade e serem mais respeitosos nesse campo. É um meio que as pessoas conseguem ser mais o que são. O universo tradicionalismo é o que ainda tem mais preconceito. Vem da formação enquanto sociedade, de ser gaúcho, em ser homem ou ser mulher. Nos últimos anos as mulheres foram ocupando mais esse espaço masculino, como exemplo na área da Segurança, na Polícia Civil na Brigada Militar, então existe uma movimentação bem importante.
E mudança nesse comportamento conservador acontece também por iniciativa do governador Eduardo Leite, em entrevista que ele deu ao jornalista Pedro Bial, na TV Globo, ele comentou com naturalidade a minha escolha, uma mulher trans como Secretária-Ajunta da Cultura. Pelo que se saiba é um caso único no Brasil. Para mim é muito orgulho.
Presença na imprensa de Santa Maria em 2019. Foto: Divulgação
Pergunta: A relação da Secretaria da Estadual da Cultura com o interior, de municípios menores, como se dá?
Resposta: Desde o início do governo trabalhamos nos editais ter cotas específicas para os municípios de acordo com as regiões funcionais do estado. Isso aconteceu na aplicação da Lei Aldir Blanc, onde a maioria do dinheiro pelo sistema das cotas chegou no interior. Agora recentemente, em edital lançado para a área de Patrimônio isso também ocorreu. Um valor definido para cada uma das regiões funcionais. Para cada um seja contemplado.
Pergunta: Esse valor ultrapassou os 60% da verba destinada ao setor?
Resposta: Ele se aproxima bastante e nossa meta é que chegue à 70%. Esse número tem a dificuldade de chegar a esse resultado porque a maior parte da população está nos grandes centros urbanos, isso acaba refletindo nos projetos. No resultado da Aldir Blanc ocorreu que produtores contemplados aqui na capital contrataram pessoas de localidades do interior. Ou seja, isso chegou na ponta.
No início do governo iniciamos com um a Lei de Incentivo à Culrtura investindo R$ 36 milhões anual. Esse ano, no valor global, são investidos de R$ 56milhões e Com previsão de entrega o ano que vem em R$ 70 milhões. Isso proporciona que em todos os lugares e todos os cantos, os incentivos possam ser contemplados e possam fazer arte e cultura.
Pergunta: a Lei de Aldir Blanc provou muita reclamação por quem não foi contemplado. Nomes consagrados, inclusive. Como a Sedac lidou com isso:
Resposta: Eu vejo que, acima das reclamações, houve e há uma grande revelação e valorização de pessoas, já que trajetória cultural não se mede apenas pelo tempo, mas também pela relevância de seu trabalho. Pode ter 50 anos de carreira e não ter relevância nenhuma. Pode ter cinco e ter relevância. Isso foi revelado na Lei Aldir Blanc. De fazedores de cultura que nunca tinham chegado a receber um recurso de fomento do Estado. Aconteceu porque foram feitos editais específicos, para periferias por exemplo. Para bairros e municípios vítimas de mais violência, de mais racismo, mais vulnerabilidade das pessoas. Chegaram às pessoas fora desses cenários conhecidos, mas têm relevância e atuação social e contribuição cultural importante nas comunidades em que estão inseridas.
Todos merecem ser reconhecidos e valorizados, mas o recurso é finito. Assim parte deles foram priorizados.
Estado teve nesse período todo uma permanente Conferência Estadual da Cultura, foi o único estado brasileiro que fez isso nesse período, trazendo as pessoas de todas regiões e áreas, trazendo suas realidades e os editais se aproximaram mais dessas localidades. E número atingiu um grande número de projetos e de pessoas, trazendo assim a descentralização de forma efetiva, uma das metas da Lei Aldir Blanc.
Foi um ano de conferência. Os recursos chegaram a mais de 99,98% de aplicação, mais de CR 47 milhões, em todos os segmentos dos 12 colégios setoriais, com aumento no cadastro de produtores culturais, mais de 18 mil projetos inscritos nos editais. Em período que o setor atravessou enormes dificuldades, ocasionadas pela pandemia.
Temos agora pela frente o Programa do governador Eduardo Leite, avançar na Cultura. Historicamente estamos quebrando os recordes e iremos em busca de novas quebras de paradigmas. Para isso vão ser investidos R$ 74 milhões. Ou seja, temos muito o que fazer pela frente
Foto Arquivo pessoal/ Divulgação
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OS NÚMEROS PARA A CULTURA do RS
Com a sanção da Lei Aldir Blanc, a Sedac conseguiu distribuir os recursos emergenciais em pontos diversos, de forma a promover o sustento e a continuidade de ações culturais de todo o estado em um momento repleto de incertezas. Os editais da Lei Aldir Blanc têm como missão alcançar uma grande capilaridade territorial, passando adistribuir proporcionalmente os recursos nas nove Regiões Funcionais dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes).
Edital Produções Culturais e Artísticas: disponibilizou recursos para 100 projetos de fomento a produções culturais e artísticas nos mais variados segmentos, com investimento total de R$ 19,1 milhões.
Edital Aquisição de Bens e Materiais: disponibilizou R$ 7,3 milhões para 92 projetos de compra de bens culturais, equipamentos e materiais.
A Sedac também realizou processos de Chamadas Públicas, em que selecionou instituições parceiras para a colaboração no repasse dos recursos restantes da Lei Aldir Blanc. Por meio dessas parcerias, em 2021 foram publicados mais três editais. Esses contam com cotas sociais, assegurando vagas para autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas, ciganos, mulheres trans/travestis, homens trans e pessoas com deficiência (PCDs).
Edital Criação e Formação – Diversidade das Culturas: selecionou 592 projetos de pesquisa, criação, formação ou qualificação na área da Cultura, com investimento de R$ 20 milhões e parceria com a Fundação Marcopolo.
Edital Ações Culturais das Comunidades: parceria com a Associação de Desenvolvimento Social do Norte do RS (ADESNRS) –
Central Única das Favelas de Frederico Westphalen e Cufa RS, distribuiu R$ 14 milhões em recursos para promover a estruturação e a qualificação de 4736 iniciativas realizadas por coletivos culturais de base comunitária,
Edital Prêmio Trajetórias Culturais – Mestra Sirley Amaro: o último utilizando recursos da Lei Aldir Blanc a ser concluído, premiou 1500 trabalhadores e trabalhadoras por suas trajetórias dentro do setor cultural. Ao todo, foram R$ 12 milhões distribuídos em prêmios.
Auxílio emergencial: R$ 1,5 milhão no pagamento da renda emergencial a 526 trabalhadores e trabalhadoras da Cultura, com o repasse de cinco parcelas de R$ 600,00 (pagas em cota única). Os pagamentos foram liberados em novembro de 2020.
Avançar na Cultura
O projeto Avançar na Cultura investirá R$ 76,1 milhões no setor até 2022, entre obras, fomento, editais e qualificações. É um investimento superior ao total realizado nos últimos oito anos no Estado.
Serão R$ 30 milhões aportados no Fundo de Apoio à Cultura (FAC) para o lançamento de editais. O primeiro, FAC Patrimônio, foi lançado em 31 de agosto, e selecionará projetos que desenvolvam atividades de preservação e promoção do Patrimônio Cultural do Estado e de qualificação das Instituições Museológicas do RS, somando R$ 3 milhões em investimentos.
Outros seis editais estão previstos até 2022:
▪ FAC Expressões Culturais (R$ 2 milhões): Culturas Populares e
Artesanato
▪ FAC Visual (R$ 1,5 milhão): Artes Visuais
▪ FAC das Artes de Espetáculo (R$ 8 milhões): Circo, Dança,
Música e Teatro
▪ FAC Publicações (R$ 1,5 milhão): Livro, Leitura e Literatura
▪ FAC Filma RS (R$ 12 milhões): Audiovisual
▪ FAC Territórios Criativos (R$ 2 milhões): Criações funcionais
(design, serviços e novas mídias)
Dados fornecidos pela Assessoria de Comunicação da Sedac
Quatro apresentações no estado do RS marcam a estreia do projeto Preta Poesia Feminina, que traz a atriz Silvia Duarte como protagonista de uma homenagem a cinco poetas negras gaúchas: Ana dos Santos, Delma Gonçalves, Isabete Fagundes Almeida, Fátima Farias e Lilian Rocha. Com produção executiva da montagem da obra teatral de Tulio Quevedo, trilha sonora de Alessandra Souza e direção cênica da diretora teatral Silvana Rodrigues, a montagem busca desmistificar o fazer poético como literatura falada. A estreia em Porto Alegre será no dia 18 de setembro próximo, às 20h, com transmissão pelas plataformas YouTube (Silvia Duarte Atriz Produtora).
A proposta conta, ainda, com apresentações online em três outras cidades e em asilos públicos de idosos no mês de setembro: Pelotas (19), Caçapava do Sul (20) e Caxias do Sul (21), sempre às 20h. Preta Poesia Feminina leva ao público poemas que dialogam com questões contemporâneas do universo das mulheres negras, ao mesmo tempo em que destacam o seu valor. A iniciativa pretende oferecer à população afro-brasileira das quatro cidades gaúchas um resgate de seu protagonismo. A peça oferece acessibilidade em libras. Este projeto é executado por meio do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas, realizado com recursos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/20.
Peça será transmitida em Porto Alegre e em mais três cidades gaúchas. Fotos: Matheus Piccini/ Divulgação
Descobrindo a poesia
Ao referir-se à sua trajetória de amor à poesia, Silvia Duarte lembra que, em sua adolescência, escrevia poemas, mas o estranhamento que seus versos causavam a inibiu de prosseguir escrevendo. – Com o passar dos anos, em minhas leituras, percebi que não havia escritoras e poetisas negras. Em busca de saber se elas existiam, de conhecer seus poemas e suas narrativas e na tentativa de me identificar, não apenas na temática do feminismo, mas na condição de mulher negra, conheci Elisa Lucinda. Foi uma paixão. Mergulhei nos poemas dela, conta. Seguindo sua busca, leu Conceição Evaristo e fez do poema “Eu-Mulher”, da escritora mineira, o primeiro a ser apresentado publicamente. – Foi assim que decidi interpretar, como atriz, essas poesias que me tocavam, recorda.
Silvia Duarte destaca, ainda, outro momento importante em sua busca pelo que viria a se tornar o Preta Poesia Feminina. – Por indicação de minha irmã, passei a frequentar, na primeira terça de cada mês, o Sarau Sopapo Poético, tradicional evento de difusão da poesia realizado pela Associação Negra de Cultura, relembra. – Deparei-me com um grupo de homens e mulheres lendo poesias, algumas autorais e de autorias de diversos poetas e poetisas, todos negros, pois ali só era possível ler, declamar textos do nosso povo negro. Foi nestes constantes saraus que conheci Lilian Rocha, Isabete Fagundes, Ana dos Santos, Delma Gonçalves e Fatima Farias. Essas cinco mulheres poetisas, algumas compositoras, tão diferentes, mas tão potentes, me proporcionaram viajar no tempo e relembrar o que eu, por tanto tempo, havia negado em mim: a minha poesia, declara.
Trilha sonora é executada “ao vivo” por Alessandra Souza
Foi assim que a protagonista de Preta Poesia Feminista decidiu se aprofundar na obra das cinco autoras gaúchas. Com a pandemia e a luta dos trabalhadores da cultura por recursos emergenciais, uma das primeiras oportunidades foi o FAC Digital, que lhe possibilitou recursos para realizar uma live com poetisas negras, que chamou de Preta Poesia Feminina, embrião do atual projeto. – Com a abertura do Edital da Marcopolo, eu e o produtor executivo, Túlio Quevedo, decidimos transformar essa live em um espetáculo. Em setembro, serão cinco artistas gaúchas que estarão no palco por meio de suas poesias, com meu corpo, minha voz, como uma forma de homenagem e gratidão por suas existências, suas histórias e suas lutas, conclui.
Ficha Técnica:
Realização – Silvia D’Arte Produções
Produção Executiva – Timbre Produtora Cultural
Direção de Produção – Túlio Quevedo
Direção Cênica – Silvana Rodrigues
Trilha Original – Alessandra Souza
Atriz – Silvia Duarte.
Atriz / Musicista – Alessandra Souza
Cenografia – Criação Coletiva
Cenotécnico – Antônio Marcos de Oliveira (Pele)
Figurinos – Mari Falcão
Figurinos – Camila Falcão
Adereços – Ateliê Janah Amigurumis
Acessórios – Bela Oyá
Maquiagem – Alexsander Maker
Assessoria de Imprensa – Silvia Mara Abreu
Identidade Visual – Aline Gonçalves
Fotografia – Matheus Piccini
Iluminação – Miguel Tamarajo (Jaka)
Sonorização – Bruno Klein
Edição / Projeção de Mídia – Andres Costa
Captação de Imagem – MP Comunicação Audiovisual
Montagem / Finalização – Mario Costa
Tradução / Intérprete de Libras – Vânia Rosa da Silva
Abre nesta quarta-feira, 15 de setembro “O Olhar da Cena” exposição de fotos que ocupa, até 30 de outubro, os espaços culturais Xico Stockinger e Mario Quintana, nas estações Mercado e Rodoviária, do Trensurb, em Porto Alegre.
As imagens que fazem parte de espetáculos integrantes do Palco Giratório Sesc em 2021.
Na exposição, são retratados os espetáculos :
“Interior”, pelo fotógrafo Caique Cunha (CE);
“Mini Cabaré Tanguero”, por Paula Carrubba (AL);
“O Circo a Céu Aberto”, por Cyntia C (RJ);
“Ícaro”, por Renato Domingos (RS);
“Salão”, por Isabela Bugmann (BA);
“Meia-Noite”, por Lívia Neves (PE);
“Enquanto a Chuva Cai”, por Allan Capdehourat (PR);
“Boquinha… e assim surgiu o mundo”, por Júlio Ricardo (RJ).
Estes e mais sete espetáculos serão transmitidos ao vivo pela Internet entre 30 de setembro e 16 de outubro, quando acontece a 23ª edição do Palco Giratório Sesc no País e15ª edição no Rio Grande do Sul.
Além das apresentações de grupos de todas as regiões do Brasil, também serão realizadas ações formativas on-line, que terão inscrições abertas em breve no site www.sesc-rs.com.br/palcogiratorio, além de quatro apresentações e uma instalação projetadas para surpreender a comunidade em espaços abertos de Porto Alegre.
Exposição “O Olhar da Cena”
Data: 15/09 a 30/10
Horário de visitação: todos os dias, das 5h às 23h20
Local: Galeria Mario Quintana (Estação Mercado do Trensurb) e Galeria Xico Stockinger (Estação Rodoviária do Trensurb)
Fotógrafos participantes: Júlio Ricardo (RJ), Allan Capdehourat (PR), Lívia Neves (PE), Isabela Bugmann (BA), Renato Domingos (RS), Diego Bresani (DF), Paula Carrubba (AL), Cyntia C (RJ) e Caique Cunha (CE).
Valor: A exposição é gratuita, porém é acessível apenas aos passageiros do metrô após a passagem pela catraca
Sinopse: A exposição “O Olhar da Cena” é composta por imagens que representam a diversidade e pluralidade encenadas nos palcos brasileiros.
Os registros de fotógrafos de diferentes regiões do país trazem a intensidade e a beleza da relação entre artistas e plateias.
A alegria e dinâmica do palhaço, o movimento detalhado dos corpos na dança, a expressão imponente e convincente do ator, trazem à memória os momentos inesquecíveis vividos pela experiência do teatro, da dança e do circo.
“ViCeVeRSa…pode não ser o que é” dá título à exposição que inaugura o V744 Atelier, neste sábado, 18 de setembro, às 16h. Nesta mostra, a artista visual Vilma Sonaglio, idealizadora da iniciativa, apresenta trabalhos realizados no último ano e meio, no contexto da pandemia.
– A pandemia impôs o isolamento social e afetou, de forma brusca, o modo como a humanidade vivia e se relacionava, ditando novos comportamentos, padrões e protocolos. O mercado cultural, porque depende da plateia e do público, sofreu diretamente este impacto, avalia Vilma Sonaglio. – Diante da percepção da arte como espaço de acolhimento e alívio, para além de sua importância social e econômica, os artistas, produtores e empreendedores culturais vêm buscando se adaptar a este momento, criando alternativas para viabilizar suas produções artísticas, observa.
Neste cenário, em que muitas galerias fecharam suas portas e muitos artistas migraram para o espaço digital, como possibilidade de divulgação, fruição e diálogo, nasce o V744 Atelier. Segundo Vilma Sonaglio, é um local para criar e expor arte contemporânea. Irá abrigar exposições de artistas convidados, mas também serão aceitas propostas de criadores que estejam desenvolvendo sua pesquisa e produção em todas as linguagens, com relevância, na arte contemporânea.
Obra “Transbordo “.
– Para a criação, tem o atelier de desenvolvimento de projetos artísticos, meus e de grupos de estudos com propostas de pensar a arte, explica Sonaglio. – O espaço de exposição vai abrir com uma mostra de meu projeto mais recente e, no futuro, assim que as condições permitirem, se destinará a todas as linguagens artísticas contemporâneas, antecipa. Destaca-se, ainda, uma área dedicada ao acervo de obras da artista.
– A intenção é expor arte contemporânea por meio de projetos e curadorias que pensem a arte como parte integrante da sociedade e da sua cultura, comenta. – É um enorme prazer poder proporcionar este espaço expositivo e de criação independentes, contribuindo com o sistema da arte contemporânea, reflete.
A exposição
“ViCeVeRSa…pode não ser o que é” apresenta trabalhos realizados por Vilma Sonaglio no último ano e meio, no período da pandemia. A artista exibe três séries fotográficas que refletem metaforicamente seu pensar sobre este período de isolamento social. Trazem, também, questões de materialização do virtual; trabalhos criados para serem veiculados virtualmente são, agora, materializados, dando outro olhar para as obras. Ao todo, são 18 obras com dimensões variadas, desde 100cmx100cm até 50cmx50cm.
Obra “Sopro”.
Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Vilma Sonaglio realizou exposições individuais e coletivas no Brasil, Alemanha e México. Como principais distinções estão prêmio aquisição do Museu de Arte de Brasília, Prêmio Porto Seguro Pesquisas Contemporâneas, Prêmio Salão de Arte Sacra Contemporânea. Foi indicada ao Prêmio Açorianos. Hoje vive e trabalha na cidade de Porto Alegre.
A visitação será de quarta a sexta-feira, das 14 às 17h, de maneira espontânea. Outros horários serão contemplados com agendamento pelo direct do Instagram V744atelier.
Os visitantes devem seguir os protocolos de higiene, com uso de máscara, álcool em gel e distanciamento pessoal. Um espaço externo auxilia nos protocolos de segurança.
SERVIÇO:
O Quê: “ViCeVeRSa…pode não ser o que é”, exposição de Vilma Sonaglio
Onde: V744 Atelier | Rua Visconde do Rio Branco, 744, Bairro Floresta, Porto Alegre-RS
Quando: Abertura 18 de setembro de 2021, sábado, das 16h às 20h.
Visitação de quartas as sextas, das 14h às 17h, de maneira espontânea. Outros horários serão contemplados com agendamento pelo direct do Instagram V744atelier.
Quanto: Entrada franca
Recomendação etária: 14 anos
Uso obrigatório de máscara e álcool em gel à disposição, assim como orientação para 2m de distância entre as pessoas.
Acesse e curta os canais de comunicação do V744 Atelier:
O período de inscrições para a segunda edição do Festival Cinema Negro em Ação foi prorrogado até a próxima sexta-feira (17/9). A competição, realizada pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), por meio da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) e do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), selecionará obras audiovisuais produzidas por pessoas negras. O regulamento completo e o formulário de inscrição on-line e gratuita estão disponíveis no site da Sedac.
Em formato híbrido, o Festival acontece de 20 a 27 de novembro, integrado às comemorações do Cinquentenário do 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra. A mostra contará com programação na grade da TVE-RS, na Cinemateca Paulo Amorim e na plataforma Cultura em Casa, da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.
Contemplando videoclipes, videoarte, curtas-metragens e longas-metragens, no formato digital, de temática livre, o festival promove o protagonismo e o intercâmbio entre realizadores negras e negros que atuam com audiovisual por todo o mundo. Na primeira edição do Festival, realizada em 2020, foram 280 inscritos de todas as regiões do Brasil e, também, de Portugal, sendo considerado o maior evento afirmativo do setor audiovisual gaúcho.