Acervo do maior historiador de Livramento é doado para o museu de Rivera

Historidor Ivo Caggiani morreu em abril de 2.000 aos 68 anos.

Vinte anos depois da sua morte, o jornalista e historiador Ivo Caggiani, que neste 27 de maio completaria 91 anos, está causando polêmica em Santana do Livramento, cidade onde nasceu e à qual dedicou grande parte de seu intenso trabalho de escritor e pesquisador.

A causa da polêmica é o acervo de livros, documentos e peças de valor histórico que Caggiani reuniu em um museu particular em meio século de atividade.

Ele começou em 1953, criando o Museu Municipal David Canabarro, num pequeno espaço da biblioteca pública de Livramento.

A falta de verbas e de interesse das sucessivas administrações municipais,  o levaram a construir por conta própria um espaço para abrigar o material histórico que ia reunindo ao longo de suas pesquisas.

Caggiani escreveu 26 livros, entre eles uma História de Santana do Livramento, cidade famosa por sua fronteira singular com o município uruguaio de Rivera (apenas uma rua separa as duas cidades, sem qualquer impedimento de trânsito).

Além da história da cidade, que neste mês de julho completa 200 anos,  escreveu perfis biográficos dos principais nomes da política municipal e estadual: Flores da Cunha, (parceiro de Getúlio Vargas na Revolução de 1930 e governador do Rio Grande do Sul), David Canabarro, herói da Revolução Farroupilha, João Francisco Pereira de Souza, famoso caudilho do movimento republicano, Honório Lemes, lendário guerrilheiro do pampa gaúcho, entre outros.

Em vida, Caggiani tentou transferir ao poder público o acervo e a manutenção do museu, sem encontrar solução. Com sua morte, em abril do ano 2000, o velho casarão que abrigava o museu ficou fechado, sob a guarda da família, que despendia cerca de R$ 3 mil mensais para a manutenção e limpeza.

Há duas semanas, depois de tentativas de transferir o acervo para a prefeitura de Livramento, os familiares decidiram doar todo o material para o Museu Departamental de Rivera, que dispõe de melhores recursos.

A decisão dividiu as opiniões na cidade, entre aqueles que acharam uma boa solução, uma vez que no Uruguai as questões culturais merecem melhor tratamento, e os críticos que viram mais um exemplo do descaso do poder público municipal com as questões culturais.

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