Desestatização da Carris: auditoria conclui avaliação da empresa até o fim do mês

Mais de 90 ônibus retirados de circulação estão à venda.

O projeto para “desestatizar a Companhia Carris Portoalegrense”, a mais longeva empresa de transporte coletivo do Brasil, está na Câmara de Vereadores desde 15 de junho.

Mas o controlador, o município de Porto Alegre, ainda não sabe quanto vale a empresa, fundada em 1872, e nem decidiu bem o que fazer com ela.

O projeto encaminhado pelo prefeito Sebastião Melo à Câmara pede autorização para “alienar ou transferir, total ou parcialmente a sociedade e seus ativos(…) inclusive o controle acionário, transformar, fundir, cindir, incorporar, desativar parcial ou totalmente a Companhia Carris”.

Quanto ao valor da empresa, a auditoria para avaliação dos ativos e passivos da Carris está em andamento, deve ficar pronta no final de julho, segundo informou o secretário dos Transportes,  Luiz Fernando Záchia.

A consultoria Valor & Foco que está realizando a auditoria já apresentou um diagnóstico parcial, em dezembro do ano passado, avaliando quatro cenários:

– privatização,

-liquidação

-manutenção da empresa

-a redução de suas operações, com a re-licitação de parte de suas linhas.

“A definição se dará depois que o projeto for aprovado, em cima do diagnóstico da auditoria e dos possíveis cenários “, disse ao JÁ o secretário  Záchia.

Os números conhecidos indicam um passivo no qual destacam-se as dívidas trabalhistas, R$ 18 milhões em processos já julgados, podendo chegar a R$ 30 milhões.

Estimativas internas falam em R$ 300 milhões para o total das dívidas, incluindo as trabalhistas.

O patrimônio da empresa também não está calculado. A começar pelo terreno,  cujo valor segundo diversas estimativas varia de R$ 36 milhões a R$ 50 milhões.

Da frota de 315 ônibus, pouco menos de cem foram recém adquiridos em 2020, num total de R$ 40 milhões ainda não pagos. A primeira parcela será paga em setembro.

Os outros duzentos, em circulação, valeriam entre R$ 80 e 200mil reais cada. Há ainda, aproximadamente 90 onibus antigos que foram substituídos e estão estacionados no antigo estádio Olímpico, do Grêmio, à espera de compradores.

A cotação inicial de 30 mil cada um dos ônibus, todos com mais de dez anos de uso, não atraiu interessados, mas os primeiros já foram vendidos com o preço reduzido para R$ 25 mil.

Reportagem: Felipe Uhr

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