Morre, aos 86 anos, o jornalista Ercy Pereira Torma, ex-presidente e conselheiro da ARI

Morreu o jornalista Ercy Pereira Torma, conselheiro da Associação Rio-grandense de Imprensa. Ele presidiu a ARI de 1996 a 2006, onde foi um paladino na defesa da liberdade de imprensa. Com a saúde fragilizada, não resistiu a um infarto e faleceu, aos 86 anos, nesta quarta-feira, 28 de abril de 2021.
Ercy Torma nasceu em Rio Grande, onde iniciou a carreira nos jornais locais Cruzeiro do Sul e O Peixeiro, e passou pelas rádios Cultura Riograndina e Minuano antes de se transferir para Porto Alegre, em 1968.
Na Capital, foi repórter do Diário de Notícias, e atuou também nas rádios Farroupilha, Difusora e Gaúcha. Trabalhou durante 25 anos no jornal Zero Hora, aposentando-se em 1994.
Em 2010, recebeu do Ministério Público do Rio Grande do Sul o título de comendador. Em 2011, tornou-se Cidadão de Porto Alegre, em sessão solene no Plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal, que aprovou por unanimidade  a concessão do título.
Ercy deixa a esposa Nívia e os filhos de seu primeiro casamento, Janine, Jeferson e Juvane.
O funeral será no cemitério Jardim da Paz, nesta quinta-feira, às 10h30.

 

Na Bahia, matador era conhecido como "criador de cavalos"

O ex-capitão do Bope do Rio, Adriano Magalhães da Nóbrega, foi informado um dia antes da operação da polícia para prendê-lo na Bahia.
Quem contou isso à polícia foi o fazendeiro que abrigou Adriano durante cinco dias. Leandro Abreu Guimarães, preso na ação, alegou que, no dia anterior à prisão, Adriano estava apreensivo e deu uma ordem para que ele o levasse a outro esconderijo.
Autoridades que trabalhavam para localizar Adriano, apontado como chefe de um grupo de matadores de aluguel chamado Escritório do Crime, estão convencidas de que ele recebia informações privilegiadas da polícia do Rio e que foi avisado sobre a operação.
Por isso, na noite anterior à ação, por volta das 21h, Adriano deixou às pressas a fazenda de Leandro para se esconder em outra propriedade próxima.
O fazendeiro, que foi preso porque policiais encontraram armas em sua propriedade, alegou ter sido obrigado a levá-lo para o sítio onde acabou sendo morto pelo Bope baiano.
Segundo seu relato à Polícia Civil, no sábado, Guimarães viu Adriano “teclando no aparelho celular (…) bastante nervoso”.
Em seguida, o ex-capitão mandou que ele o levasse para outro esconderijo: “Adriano exigiu sob ameaça de morte que o levasse a um dos sítios que o mesmo tinha visitado”.
De acordo com o depoimento de Leandro, os dois já se conheciam anteriormente por conta de eventos, como vaquejadas, organizados pelo fazendeiro na região.
Ele afirmou que não sabia que Adriano Nóbrega era matador de aluguel ou miliciano: “Sempre o tratei como criador de cavalos”, disse à polícia.
O fazendeiro também afirmou que, quando foi procurado pelo ex-capitão, depois de ele fugir de uma ação anterior da PM numa mansão na Costa do Sauípe, no litoral da Bahia, há duas semanas, Adriano disse que estava de férias e “procurava terras para comprar na região”.
O sítio para onde Leandro levou Adriano na noite de sábado pertence ao vereador Gilson Dedé, do PSL, que afirma nunca ter visto Adriano e alega que o imóvel foi invadido pelo criminoso.
Segundo o jornal Extra, do Rio, com base em fontes da PM carioca, “pouco mais de uma dezena de PMs participou do cerco que terminou com a morte de Adriano Magalhães da Nóbrega”.
Dez policiais cercaram a casa onde Adriano estava escondido e outros quatro se encarregaram de fazer a abordagem. Dois carregavam escudos balísticos blindados, enquanto a outra dupla portava fuzis.
Antes do grupo arrombar a porta, um dos agentes anunciou que a casa estava cercada e disse para Adriano se render. O ex-PM não respondeu.
Os policiais do Bope da Bahia, então, alegam que entraram no imóvel protegidos pelos escudos protetores e ouviram barulhos de tiros batendo no superfície metálica. Em seguida, os homens que portavam fuzis dispararam em direção a Adriano, que foi atingido por dois tiros.
Também participaram da ação dois agentes da subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil do Rio, que monitoravam Adriano há um mês na Bahia. A dupla, no entanto, não participou da ação na casa.
Adriano era o único dos 13 alvos da operação Os Intocáveis, desencadeada em 22 de janeiro do ano passado, que estava foragido.
Em uma denúncia do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP do Rio, ele é apontado como chefe de um grupo de matadores de aluguel e de esquemas de agiotagem, grilagem de terras e venda de imóveis ilegais na Zona Oeste.
O miliciano quase foi capturado duas semanas atrás em um condomínio de luxo na Costa do Sauípe. Ele, a mulher e as duas filhas estavam numa mansão quando uma equipe de investigadores chegou ao local. Adriano, que alugou o imóvel por um mês, escapou por uma área de mangue, deixando para trás uma carteira de identidade falsa.
 
 

Jornalista lança "Estado Policial", um alerta sobre o avanço das milícias

“O desejo de todo escritor é que seu trabalho seja útil a alguém, mas eu sinceramente espero que ninguém precise deste”, diz com humor o jornalista Cid Benjamin, vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa.
Às vésperas de completar 72 anos, ele está lançando seu novo livro: “Estado Policial – Como Sobreviver”, espécia de manual de sobrevivência diante do fenômeno das milícias que se alastra pelo país.
Pernambucano do Recife, Benjamin vive no Rio de Janeiro, cidade em parte dominada pelas milícias, que segundo ele já se alastram por pelo menos doze estados brasileiros, e estão conectadas entre elas.
Mas não concorda que elas configurem uma  espécie de “Estado paralelo”, por estarem entranhadas e terem interação com parte do Estado oficial –  especialmente nos atuais governos, tanto o federal como o fluminense e o carioca, conforme as evidências que se sucedem. Vê as “ideias”, falas e práticas do presidente da República “mais como de um miliciano do que de um militar”.
“Foram eleitos e isso temos que respeitar, assim como os eleitos têm que respeitar a Constituição”, resume. Louvar a tortura, por exemplo, é crime no Brasil.
Benjamin autografou na noite de quinta-feira na Associação Riograndense de Imprensa (ARI), com direito a depoimento e conversa com o público. Contou que, quando estudante de engenharia e militante do movimento estudantil nos anos mais violentos da ditadura militar, acabou optando por participar da resistência armada, pelo que depois foi preso, torturado e viveu exilado por dez anos. Hoje, reconhece nessa opção um equívoco. “Errei politicamente: a luta armada, naquelas condições, foi um erro.”
“Hoje, eu me considero um humanista, e por isso continuo sendo de esquerda.” A matança de inocentes nas periferias do Rio de Janeiro, especialmente crianças assassinadas pela polícia ou pelas milícias, são motivo de sobra para se buscar. “Não sei se é uma repetição do que se viveu, mas são tempos ameaçadores”.
Aconselhado por inúmeros amigos e colegas de profissão a não levar adiante o projeto deste livro, assim mesmo decidiu levá-lo adiante. “Não se pode viver com medo. Não se pode deixar de fazer o que acha que tem que fazer, por medo.”
O livro traz três prefácios. O primeiro é do ator/diretor Wagner Moura, diretor da cinebiografia de Marighella, sobre o político, escritor e guerrilheiro baiano, cujo roteiro  contou com consultoria de Cid Benjamin e hoje enfrenta dificuldades para exibir o filme.
Os outros dois prefácios são do desembargador João Batista Damasceno – “Em defesa da vida no Estado policial ou em tempos de ovo da serpente” – e do bispo católico dom Angélico Sândalo Bernardino – “A serpente do fascismo está ativa”.
A sugestão do evento foi do advogado Jair Krischke, sinônimo da defesa de direitos humanos no Brasil, prontamente acolhida pela ARI. “Coisas importantes precisam ser ditas neste momento”, frisou o presidente Luiz Afonso Lino de Souza. “Ainda mais neste momento de tantas tentativas de supressão de direitos, especialmente dos mais básicos direitos humanos”, completou o presidente do Conselho Deliberativo da entidade, Batista Filho.

Jornalistas recebem comenda no Tribunal de Contas

O procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Costa da Camino, entregou na tarde desta quinta-feira a catorze jornalistas a comenda Guilhermino Cesar pela Liberdade de Expressão, no auditório do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul.

Bones e da Camino

Entre os laureados, Elmar Bones, diretor deste Jornal JÁ.
As comendas foram entregues por ordem alfabética: Adriana Irion, André Machado, Carlos Etchichury, Daniel Scola, Elmar Bones, Felipe Vieira, Fernando Albrecht, Graciliano Rocha, Juremir Machado, Leandro Demori, Marcelo Rech, Paulo Sérgio Pinto, Taline Oppitz e Telmo Flor.
Marcelo Rech, vice-presidente editorial do grupo RBS e presidente da Associação Nacional de Jornais, falou pelos homenageados a convite do procurador-geral.  Citou casos de pressão contra a liberdade de imprensa em diversos países, registrou que o Brasil é o segundo país da América Latina onde mais se matam jornalistas (só no México foram assassinados mais) e lamentou o linchamento virtual da atividade organizado contra repórteres e colunistas como os que vêm ocorrendo no país. “São ataques às pessoas, não ao conteúdo publicado”, salientou.
Da Camino encerrou a solenidade agradecendo a contribuição dos jornalistas. “É uma missão comum que temos, a Imprensa e o Ministério Público de Contas: o controle da administração pública”, frisou.
O intuito principal da comenta Guilhermino Cesar pela Liberdade de Expressão, explicou da Camino, é reconhecer a importância da investigação jornalística de interesse público, trabalho especializado e de alta responsabilidade, num momento em que “há um espectro de censura rondando a liberdade de expressão, que é a viga mestra e a pedra angular da democracia”.
 
 
 

CPFL Energia registra lucro recorde de R$ 2,17 bilhões em 2018

A CPFL Energia obteve lucro líquido de R$ 2,17 bilhões em 2018. O resultado é o maior já registrado pela companhia e representa alta de 74,2% quando comparado ao ano anterior. O desempenho reflete o crescimento nos principais segmentos de atuação da empresa, com destaque para o negócio de distribuição.
A geração de caixa operacional do grupo, representada pelo EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), também foi recorde, somando R$ 5,64 bilhões em 2018. Impulsionado sobretudo pela expansão do EBITDA das distribuidoras, o valor é 16% superior ao registrado em 2017.
No quarto trimestre do ano de 2018, o EBITDA da empresa atingiu R$ 1,35 bilhão, redução de 0,9% na comparação com o mesmo período de 2017. O lucro líquido cresceu 34,7%, para R$ 670 milhões. No último trimestre de 2018, os investimentos da companhia totalizaram R$ 693 milhões.
No ano passado, o volume de energia distribuída para os clientes nas áreas de concessão cresceu 2,5%, com a ampliação das vendas para todos os mercados. O aumento do volume foi impulsionado pela recuperação da atividade das principais indústrias da área de concessão da CPFL, ligadas a setores como químico e petroquímico, automotivo e metalurgia. Períodos de temperaturas mais altas elevaram o consumo residencial e comercial.
“Em um ano no qual registramos resultados históricos, concentramos nossos esforços em um robusto plano de investimentos e em projetos que gerem valor para a empresa e para nossos clientes, sempre com disciplina financeira”, diz Gustavo Estrella, presidente da CPFL Energia.
Geração de valor
Um dos grandes destaques do ano foi o sucesso da companhia em leilões de geração de energia renovável e transmissão.
Em relação aos leilões de transmissão em junho a CPFL obteve o direito de construção da subestação Maracanaú II, no Ceará, e, em dezembro, venceu os leilões da subestação Itá, em Santa Catarina, bem como das subestações Osório 3, Porto Alegre 1 e Vila Maria, no Rio Grande do Sul.
Em relação à geração renovável, em agosto, a CPFL Renováveis – focada na geração de energia eólica, solar e na gestão de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) – ganhou o direito de explorar dois empreendimentos leiloados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A empresa adquiriu os projetos da PCH Cherobim, com 28 megawatts (MW) de capacidade instalada, no Paraná, e do Complexo Eólico Gameleira, com 69,3 MW, no Rio Grande do Norte.
A criação da CPFL Soluções, que reúne serviços e produtos antes oferecidos sob as marcas CPFL Brasil, CPFL Serviços e CPFL Eficiência, foi outro avanço relevante para a companhia. Com a nova divisão, a CPFL passou a ter uma plataforma integrada para atender clientes que buscam consultoria e soluções em comercialização de energia, eficiência e infraestrutura energética e geração distribuída.
Plano de investimentos
Em linha com o seu compromisso com a melhoria dos serviços prestados e a evolução do setor elétrico, a empresa investiu R$ 2,07 bilhões em 2018. A maior parte desse valor – cerca de R$ 1,77bilhão – foi utilizada na melhoria das redes de distribuição. Entre as principais iniciativas, merecem destaque a ampliação da rede e da estrutura de atendimento ao consumidor, manutenções, modernização dos sistemas de suporte e projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Como resultado dos aportes, os indicadores de qualidade da CPFL Energia têm evoluído. A CPFL Santa Cruz e a CPFL Paulista ficaram entre as dez melhores distribuidoras no ranking de continuidade no fornecimento realizado pela ANEEL em 2018. Por sua vez, as áreas de concessão da RGE e da antiga RGE Sul — no Rio Grande do Sul – reduziram, respectivamente, em 18,6% e 22,7% a frequência de interrupções de energia desde o final de 2017.
Em geração, a CPFL Energia investiu outros R$ 237 milhões. O principal aporte ficou por conta da entrega antecipada das obras da PCH Boa Vista II. Localizado em Minas Gerais, o projeto entrou em operação em novembro, com capacidade instalada de 29,9 MW.
Para os próximos cinco anos, entre 2019 e 2023, a CPFL Energia prevê investimentos de R$ 11,9 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões serão feitos na área de distribuição. Os valores não incluem eventuais aquisições de ativos e novos projetos.
A companhia Paulista de Força e Luz 
A CPFL Energia, há 106 anos no setor elétrico, atua nos segmentos de distribuição, geração, comercialização e serviços. Desde janeiro de 2017, o Grupo faz parte da State Grid, estatal chinesa que é a segunda maior organização empresarial do mundo e a maior empresa de energia elétrica, atendendo 88% do território chinês e com operações na Itália, Austrália, Portugal, Filipinas e Hong Kong.
Com 14% de participação, a CPFL Energia é uma das maiores empresas no mercado de distribuição, totalizando mais de 9,6 milhões de clientes em 687 cidades, entre os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná. Na comercialização, é uma das líderes no mercado livre, com participação de mercado de 4,2%. É líder na comercialização de energia incentivada para clientes livres entre as comercializadoras.
Na geração, é a terceira maior agente privada do País, com um portfólio baseado em fontes limpas e renováveis, como grandes hidrelétricas, usinas eólicas, térmicas a biomassa, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) e usina solar. Considerando a participação acionária na CPFL Renováveis (51,56%), maior empresa de geração da América Latina a partir de fontes alternativas de energia, a capacidade instalada do Grupo CPFL alcançou 3.272 MW, no final de 2018.
Com informações de assessoria

Ativismo acionário, nova forma de luta ambiental, denuncia a Vale

Um grupo de acionistas da Vale denunciou a própria mineradora, nesta quarta-feira (30), na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão vinculado ao governo federal responsável pela fiscalização e regulação do mercado da bolsa de valores.

Segundo eles, a CVM deve punir a empresa por enganar os investidores ao omitir riscos e informações relevantes sobre seus negócios em Minas Gerais, no Pará e no Maranhão.

A iniciativa da denúncia é da Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, uma rede de entidades composta por sindicatos, movimentos de quilombolas, organizações não governamentais, movimentos populares e ambientalistas.

Há sete anos, uma das estratégias do grupo é a intervenção na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de Acionistas da Vale, explica Carolina de Moura, integrante do Movimento Águas e Serras de Minas Gerais e presidente da Associação Comunitária da Jangada.

“A gente compra ações da empresa para poder entrar na assembleia. A gente estuda os relatórios de administração, a política, o mercado global e faz votos contrários aos relatórios que a empresa aponta, mostrando falhas em documentos deles, com base no que a gente acompanha nos territórios”, relata a militante.

Ano após ano, os acionistas minoritários críticos têm alertado a empresa que a combinação da extração desenfreada de minérios com redução de custos geraria acidentes e tragédias. “É uma ação muito difícil de ser realizada. Os relatórios de administração são publicados muito perto da data [da assembleia]. São calhamaços que a gente tem que estudar. É um conteúdo denso, de difícil compreensão.”

Moura conta que a rede tem que lutar para poder se expressar nas reuniões com a diretoria. “Todo ano a gente pede que nossos votos sejam protocoladas na íntegra na ata da assembleia. É do ativismo mais difícil que eu faço”, conta.

Eles já votaram, por exemplo, contra a distribuição de dividendos para os acionistas e defenderam que o lucro fosse totalmente destinado à recuperação da Bacia Rio Doce, em Minas Gerais.

Após o rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015, o rio foi contaminado por minérios e resíduos. O grupo também apoiou o Programa Barragem Zero, proveniente de um relatório de 2009 da vale, que recomendou que a companhia reaproveitasse os rejeitos por meio da filtragem adicional de minérios.

Nova denúncia

Na denúncia desta quarta (30), o coletivo pede à CVM a instauração de um inquérito administrativo para apurar o fornecimento de informações sobre os riscos socioambientais de seus empreendimentos aos investidores.

Os acionistas críticos citam o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho (MG) — crime ocorrido na última sexta-feira (25) e que deixou, até o momento, 99 mortos e 259 desaparecidos — como um episódio de omissão dos riscos envolvidos. Eles alegam que, com isso, a mineradora praticou manipulação de mercado.

Segundo o documento, “a empresa, em várias oportunidades, foi alertada pela sociedade civil de que o rigor no processo de ampliação e continuidade da mina do Córrego do Feijão estava aquém do necessário, considerando-se o tamanho e potencial poluidor do empreendimento”. A denúncia também aborda o rompimento da barragem do Fundão, em 2015. O texto diz que o fato revela “uma negligência da empresa em monitorar as barragens e corrigir problemas identificados”.

O grupo argumenta ainda que a Vale não menciona a sua responsabilidade nos fatores de risco que gera às localidades nas quais atua, o que seria um “instrumento artificial para garantir a cotação de seu valor mobiliário, em verdadeira prática fraudulenta”.

A assessoria de imprensa da CVM confirmou o recebimento da denúncia. Segundo o órgão, o próximo passo é a análise se caso deve ser levado a julgamento. Se prosseguir para o júri, um colegiado vai analisar o mérito da denúncia.

Caso seja considerada procedente, as punições estão previstas artigo 11 da Lei 6.385, que dispõe sobre o mercado de valores mobiliários, podendo ser aplicadas advertências, multas, inabilitação temporária ou proibição temporária.

A própria CVM abriu dois processos administrativos para apurar comunicações feitas pela mineradora Vale relativas à tragédia de Brumadinho. A mineradora já foi processada nos Estados Unidos por omitir informações a seus acionistas sobre a situação de instabilidade da Barragem do Fundão, em 2015.

As ações da empresa caíam 24% no primeiro pregão após o rompimento da barragem em Brumadinho. A empresa teve a maior perda da história do mercado de ações brasileiro, de R$71 bilhões. Apesar disso, as ações da Vale já voltaram a subir e fecharam o pregão desta quarta-feira (30) em alta de 0,85%.

(Do Brasil de Fato)