Autor: Sérgio Lagranha

  • No cenário pós-pandemia não poderá imperar a miséria, diz Lula na Espanha

    No cenário pós-pandemia não poderá imperar a miséria, diz Lula na Espanha

    “Para qual tipo de normalidade as sociedades modernas pretendem voltar em um eventual cenário pós-pandemia”?

    A pergunta foi feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na abertura do seminário Cooperação a Multilateral e Recuperação Regional pós-Covid-19, nesta quinta-feira, 18, em Madri, na Espanha.

    “Não poderá ser a volta para um mundo onde impera a miséria”, defendeu o petista.

    “Antes do primeiro caso de Covid-19, o mundo já estava doente, vítima de um vírus, igualmente mortal, chamado desigualdade”, disse.

    Lula condenou o que considera uma inaceitável concentração de renda no planeta, enquanto milhões de famílias convivem com “a mais cruel das chagas mundiais, a fome”.

    “É urgente uma reconstrução profunda do mundo, sobre os alicerces da igualdade, da fraternidade, do humanismo, dos valores democráticos e da justiça social”, argumentou Lula.

    “Porque mesmo que sobrevivam à Covid, 800 milhões de pessoas hoje não conseguem escapar de outro terrível flagelo: a fome”, afirmou o ex-presidente, reiterando que ele mesmo já sofreu os efeitos do temor “dos que não sabem se poderão comer amanhã”.

    “Sei a dor que a fome provoca no ser humano, porque vivi na pele”, disse. “Nasci numa das regiões mais pobres do Brasil, filho de uma mãe pobre, analfabeta e lutadora, que criou seus oito filhos sozinha. Enfrentei a fome, o trabalho infantil, o desemprego, as injustiças”, relatou.

    O evento contou com a presença do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Ele afirmou, em discurso no seminário, que Lula voltará a ser presidente do Brasil.

    Nesta sexta-feira, 19, o ex-presidente Lula reúne-se com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa, em Madri. Lula também terá encontros com os trabalhadores espanhóis, representados pelas confederações sindicais CCOO (Confederación Sindical de Comisiones Obreras) e UGT (Unión General de Trabajadores).

    A Espanha é o último dos quatro países visitados pelo ex-presidente, que cumpriu este mês agenda na Alemanha, Bélgica e França.

    Foto: Ricardo Stuckert/PT

     

  • Macron recebe Lula como chefe de Estado

    Macron recebe Lula como chefe de Estado

    O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido nesta quarta-feira, 17, pelo presidente da França, Emmanuel Macron, com recepção de chefe de Estado, no Palácio dos Elísios, residência oficial do governo francês, em Paris.

    Na pauta, a urgência climática e questões globais como a fome e a pobreza. Também conversaram sobre o futuro da União Europeia e a integração da América Latina.  O encontro acontece no momento em que a relação do governo de Jair Bolsonaro e França está abalada.

    O governo de Macron não dá qualquer validação à política ambiental de Bolsonaro. Ele chegou a vetar o acordo comercial com o Mercosul, falando em ‘crime de ecocídio’ por parte do Brasil.

    Além disso, existe o contencioso pessoal entre os dois presidentes, principalmente pelas grosserias de Bolsonaro à estética da esposa do presidente Macron, professora e primeira-dama da França, Brigitte Marie-Claude Macron.

    Na terça-feira, 16, primeiro dia na França, Lula almoçou com a prefeita de Paris, Anne Hidalgo. À noite, ele discursou no renomado Instituto de Estudos Políticos de Paris. Lá, ele falou sobre sua visão sobre o papel do Brasil “no mundo de amanhã”.

    Lula recebeu o prêmio Coragem Política, da revista Politique Internationale, em Paris. Mais do que um reconhecimento pessoal, essa é uma homenagem a coragem do povo brasileiro, que ao longo séculos enfrentou com grande determinação a opressão e as injustiças.

    A viagem do ex-presidente pela Europa prevê ainda uma passagem pela Espanha, onde participará de uma conferência e se reunirá com lideranças políticas.

    Fotos de Ricardo Stuckert

  • Lula recebe em Paris o prêmio Coragem Política 2021 

    Lula recebe em Paris o prêmio Coragem Política 2021 

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Paris nesta terça-feira, 16, para participar como palestrante durante a conferência sobre o Brasil no Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po). A conferência “Qual o lugar do Brasil no mundo de amanhã?” marca os dez anos do título de Doutor Honoris Causa que Lula recebeu da Sciences Po. O ex-presidente foi o primeiro líder latino-americano a receber esse título de uma das instituições mais respeitadas do mundo na área de ciência política e social.

    Na quarta-feira, 17, pela manhã, Lula receberá o prêmio Coragem Política 2021, concedido pela revista Politique Internationale, por sua gestão na Presidência da República, “marcada pelo desejo de promover a igualdade”. A premiação é concedida apenas em ocasiões extraordinárias e entregue quando o conselho da publicação, uma das principais do mundo na área das relações internacionais, reconhece que alguma personalidade se destaca globalmente por sua coragem de pensamento e ação na política.

    Além de premiar sua atuação contra a desigualdade social e racial como presidente do Brasil, a revista aponta a tenacidade do ex-presidente ao enfrentar a perseguição política e judicial, “esforços recompensados com a decisão do Supremo Tribunal Federal de anular as suas condenações”.

    Parlamento Europeu

    Na segunda-feira, 15, Lula da Silva falou em Bruxelas, na Bélgica, que Jair Bolsonaro “representa uma peça importante da extrema direita mundial”. Acrescentou que as forças progressistas e sociais-democratas do mundo precisam se unir para derrotar a extrema direita. “O mundo precisa de democracia, de paz e não de guerra, precisa de livros e não de armas.”

    Líder nas pesquisas para as eleições de 2022, Lula participou no Parlamento Europeu de um evento organizado pela Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), grupo que reúne eurodeputados sociais-democratas e que controla a segunda maior bancada da Casa.

    Segundo ele, Bolsonaro é uma cópia malfeita de Trump, representa hoje uma peça importante na extrema direita fascista e nazista mundial. “O Brasil não merecia passar pelo que está passando”, disse Lula durante a coletiva, ao lado da eurodeputada espanhola Iratxe García Pérez, que lidera o grupo S&D no Parlamento Europeu.

    “Hoje estou inocente e livre”, continuou Lula. Ele também direcionou críticas ao ex-juiz Sergio Moro, que recentemente também sinalizou que pretende concorrer à Presidência em 2022. Lula afirmou que o ex-magistrado e ex-aliado de Bolsonaro conduziu um “julgamento político” e que Moro já tinha ambições políticas à época dos procedimentos judiciais.

    O ex-presidente Lula chegou dia 11 à Europa, com uma série de eventos e manteve diálogos sobre o cenário atual no mundo e na América Latina. Ele começou sua viagem pela Alemanha e em seguida teve agendas na Bélgica. Hoje está na França e depois vai para Espanha.

    Além dos eventos, o ex-presidente está tendo uma série de reuniões e encontros. Em Berlim, Lula se reuniu com Martin Schulz, ex-líder do Partido Social Democrata (SPD) da Alemanha e ex-presidente do Parlamento Europeu. Já em Paris, Lula se reunirá com a prefeita Anne Hidalgo.

    Crédito foto: Ricardo Stuckert/PT