A história do Banco Master começa discretamente com a fundação da Máxima Corretora de Valores e Títulos Imobiliários, em 1974.
Quinze anos depois, em 1990 a corretora foi transformada em banco múltiplo, tornou-se o Banco Máxima..Quase 30 anos se passaram até 2017, quando Daniel Vorcaro, então, empresário do ramo imobiliário, entrou de sócio, aportando cerca de R$ 45 milhões para sanar a “insuficiência de recursos” do banco. Em setembro daquele mesmo ano, Vorcaro assumiu o controle, mas só em outubro de 2019, o Banco Central concedeu a autorização formal para a troca de controle das mãos do antigo proprietário, Saul Sabbá, para Daniel Vorcaro.
Dois anos depois, após a consolidação da nova gestão e uma injeção total de capital superior a R$ 400 milhões, o Banco Máxima foi oficialmente rebatizado como Banco Master. A mudança de nome consolidou a nova fase do banco, marcada por uma estratégia de crescimento arrojado, incluindo diversas aquisições e foco em CDBs de alto rendimento.
Segundo apurou a Polícia Federal, já no processo de compra do antigo Banco Máxima já teria havido fraude, incluindo o uso de terrenos superfaturados para inflar o patrimônio da instituição durante esse período de transição. Só em 2024, porém, começaram as investigações, quando já eram evidentes os sinais sobre a saúde financeira do banco e irregularidades na venda de carteiras de crédito. No início de 2025, Vorcaro ainda tenta uma saída, com a venda do Master para o BRB (Banco de Brasília). A diretoria do BRB chegou a aprovar a compra de participação majoritária no Master, mas a operação foi vetada pelo Banco Central (BC) em setembro, citando riscos excessivos.
Dois meses depois, foi decretada a intervenção no Master. No dia 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por “grave situação de iliquidez” e “graves violações” às normas financeiras. Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro e outros executivos por suspeita de fraude bilionária.
O caso segue em investigação, com discussões no TCU e no STF sobre as responsabilidades e os desdobramentos financeiros, que podem impactar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em até R$ 55 bilhões.
