A notícia começou a circular no começo da tarde desta quinta-feira, 10/09, e esquentou a discussão entre alunos e professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Carlos André Bulhões deve ser nomeado como o novo reitor da Universidade. A indicação saí na próxima semana. Quem afirma é o deputado federal gaúcho Bibo Nunes (PSL), que esteve nesta sexta em reunião no Ministério da Educação, em Brasília.
Entre três chapas possíveis, Bulhões foi o terceiro colocado na eleição em julho e, portanto, integra a lista tríplice de candidatos a reitor da Universidade. A escolha, que deve sair até o dia 20 de setembro, pertence ao presidente Jair Bolsonaro, que tem na figura de Bibo Nunes um dos seus maiores defensores.
“Se os outros candidatos não aceitarem a escolha do presidente, eles são antidemocratas e não sabem o que é respeito às leis e às normas, provam que não poderiam ser reitores, se pensam assim”, disse o deputado Nunes ao Jornal do Comércio, um dos veículos que confirmaram a notícia.
Na votação interna, em julho, e que já deve sua dose de polêmica, o vencedor foi o atual reitor, Rui Oppermann, e sua vice, Jane Tutikian, tendo obtido o primeiro lugar no Conselho Universitário, com 45 votos, contra 29 de Karla Müller e Claudia Wassermann e três de Bulhões e Patricia Pranke.
Já na votação da comunidade acadêmica, a chapa que mais votos obteve foi encabeçada pela professora Karla Müller, com 8.947 votos no total, contra 4.683 de Oppermann e 1.860 de Bulhões.
Desde o último ano, norma do Ministério da Educação determina pesos diferentes aos votantes – os professores têm peso de 0,7, enquanto alunos e funcionários tem, cada um, peso de 0,15 (mais de quatro vezes menos; com 1.454 votos do corpo docente, a vitória acabou com Rui Oppermann.
Na votação online, a escolha em julho, que é para o quadriênio 2020/2024, houve uma participação sem precedentes. Foram computados 15.700 votos, mais que o dobro da última em eleição, em 2016, quando apenas 7.700 compareceram para votar.
A participação de mais de 11 mil alunos fez a diferença e deu a nota polêmica da eleição. Eles votaram em massa na chapa 3, encabeçada pela professora Karla Maria Müller, diretora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, que seria a vencedora se os votos de professores, alunos e funcionários fossem paritários.
Mas aí entra o jogo político, e nem Oppermann e nem Müller devem ser nomeados.
O deputado Bibo Nunes encampou a campanha pela nomeação de Bulhões, muitas vezes enfatizando o caráter “esquerdista” dos outros concorrentes. Ainda que o próprio atual reitor Oppermann se declare um moderado.
A possível nomeação de Bulhões já gerou protestos de estudantes e há grupos de discussão online que contestam a sua nomeação e defendem o respeito à vontade da comunidade acadêmica. Se confirmada pelo presidente Bolsonaro, a indicação de Carlos Bulhões não será ilegal.
A repercussão foi grande nas redes sociais, e o termo UFRGS chegou a ficar entre os 20 assuntos mais comentados do twitter no Brasil nesta sexta-feira.
O DCE, entidade de representação estudantil da UFRGS, promete uma manifestação no dia 17 contra a nomeação de Bulhões.


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