Chega a 300 cidades o movimento iniciado em Minneapolis; jornal fala em “Colapso de Trump”

Pelo terceiro dia consecutivo manifestantes foram às ruas nos Estados Unidos em protesto contra a polícia de Donald Trump para a imigração.

Mais de 300 atos e manifestações foram registrados em todos os 50 estados e no Distrito de Columbia,  neste domingo, 1º de fevereiro de 2026.

“ICE Out” é  o slogan da campanha de mobilização nacional contra a atuação da polícia especial que Trump criou para retirar os imigrantes ilegais do país.

Cenas da violência policial e da rejeição da população aos agentes federais de imigração, o ICE, inundam a internet espalhando a indignação.

A truculência da caçada aos imigrantes ilegais já resultou na morte de dois cidadãos americanos, Alex Pretti e Renee Good, em Minneapolis. Cartazes com suas fotos estão espalhados pelos muros da cidade.

Nas manifestações deste domingo, destacavam-se os cartazes com a foto do menino Liam Conejo Gomes, de 5 anos, preso pelo ICE. Nascida nos Estados Unidos, a criança foi levada sob custódia federal junto com seus pais, que são imigrantes, durante uma operação de deportação em massa na semana passada.

Em Minneapolis, o foco da resistência, o movimento organizado envolve a população em ações articuladas, para monitorar cada movimento do ICE e tornar o mais difícil a vida de seus agentes na cidade- desde apitaço para não deixá-los dormir, até a recusa em atendê-los nos restaurantes e lanchonetes.

Grandes marchas foram registradas em Nova York (em frente a instalações do ICE em Manhattan), Los Angeles, Atlanta, Chicago, Houston, Portland e Austin.
Houve registros significativos em cidades como Boulder (com um passeio ciclístico e corrida de 5 milhas), Newark, e até cidades rurais e universitárias como Oxford, Ohio.

Em Los Angeles,  manifestantes arremessaram objetos contra prédios federais, resultando em várias detenções, no uso de gás lacrimogêneo e balas de pimenta.

Autoridades de Minnesota e prefeitos de grandes cidades seguem com ações na justiça federal para remover o ICE de seus territórios, alegando violações constitucionais.

Na sexta-feira,  governo enviou para Minneapolis  o todo poderoso Tom Homan (o “czar das fronteiras”). Seria uma tentativa de “apaziguar” a situação. Trump no entanto afirmou que as operações de imigração continuarão.

Os protestos contra a violência da política de imigração são a “ponta de um iceberg” de revolta social que se forma no país,  misturando descontentamento com os desmandos de Trump aos efeitos de crises estruturais – recessão econômica, desemprego,  insegurança.

David Brooks, do conservador New Iork Times, num artigo que se tornou um dos mais lidos nesta semana, previu o ” O colapso iminente de Trump”.

Ele aponta quatro “desmoronamentos fatais”: o desmoronamento da ordem internacional do pós-guerra; o desmoronamento da tranquilidade interna onde quer que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ponham suas botas; o desmoronamento da ordem democrática, com ataques à independência do Fed e — perdoem o trocadilho — acusações forjadas contra oponentes políticos; e, finalmente, o desmoronamento da mente do presidente Trump. Desses quatro fatores, o desmoronamento da mente de Trump é o principal, levando a todos os outros”.

(Síntese do noticiário dos principais jornais no fim de semana)