São muitas as perguntas sem resposta neste sábado em que o mundo acompanha, estarrecido, o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolas Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
A principal e a mais inquietante das perguntas é esta: esse movimento de Trump na Venezuela faz parte de um acordo com Putin, da Russia, e Xi Jimping, da China, para uma nova divisão do mundo em áreas de influência entre as três maiores potências militares?
Desde o início de 2025, analistas internacionais vem apontando sinais claros de os três negociam uma nova ordem multipolar.
A tolerância de Trump com Putin na Ucrânia, inclusive tentando mediar um acordo de paz, que favorece os interesses do presidente russo, é um destes sinais. Da mesma forma, as ações da China em relação a Taiwan, que não tem merecido maiores reclamações dos Estados Unidos.
Uma entrevista do secretário de Estado, Marco Rubio, o principal formulador da política externa dos Estados Unidos, em fevereiro de 2025, é significativa neste sentido. Disse Rúbio, segundo a BBC News:
“Não é normal que o mundo tenha uma potência unipolar. Isso era uma anomalia, um produto do fim da Guerra Fria, mas finalmente vamos chegar a um ponto em que vamos ter um mundo multipolar, com potências em diferentes partes do planeta”.
Este seria o sinal mais importante de que os Estados Unidos estão dispostos a ceder parte do enorme poder de que desfrutam a outros atores globais, China e Rússia antes de todos.
As reações de Putin e Xi Jimping ao ataque à Venezuela, condenando formalmente a ação americana, mas de certa forma não além da retória, também dão sentido às especulações. Os dois teriam sido avisados antes do ataque. Esse seria o primeiro fato a comprovar que há o acordo e que a América Latina está na área de influência dos Estados Unidos.