CLEBER DIONI TENTARDINI
A Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) promoveu na quarta-feira (4), uma aula aberta sobre o coronavírus.
Sete especialistas de diferentes áreas, entre médicos, biólogos e enfermeiros, falaram sobre o cenário da epidemia, quadro clínico, procedimentos laboratoriais, a estrutura das secretarias Estadual e Municipal de Saúde para fazer diagnósticos e atender a população.
Todos reforçaram a necessidade de aumentar as ações preventivas contra o virus, declarado pela Organização Mundial da Saúde como “emergência global”.
O primeiro alerta foi dado pela reitora da UFCSPA, Lucia Pellanda, e pela coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Biociências, Elisandra Braganhol que saudaram a grande presença dos estudantes e dos profissionais de saúde ressaltando para a importância de se combater as notícias falsas sobre o vírus e a epidemia.
“Como profissionais de saúde, nós devemos utilizar as redes sociais para ajudar a esclarecer a população e combater as fake news que geram pânico”, ressaltou Elisandra.
O médico Airton Stein, professor de Saúde Coletiva da UFCSPA, fez um apanhado sobre a propagação do vírus até o momento.

Lembrou que o primeiro caso identificado da doença, causada pelo vírus Covid-19, ocorreu em dezembro de 2019 e que, desde então, foram confirmados mais de 90 mil casos, número que aumenta a todo o momento, inclusive a taxa de letalidade, especialmente em pessoas acima dos 60 anos.
O docente explicou que a vigilância internacional é essencial para a contenção dessa epidemia, que é “muito dinâmica”, assim como a cooperação e a comunicação entre as nações sobre os casos.
Segundo ele, a propagação do coronavirus está causando impacto muito grande na cadeia de suprimentos, com diminuição de 20% no transporte de mercadorias no mundo.
“Apesar dos tempos sombrios em que vivemos no Brasil, precisamos investir em pesquisas e recursos humanos para que a ciência evolua a fim de evitar que esses vírus se espalhem muito. Agora, imaginem o nosso país sem o SUS”, destacou o médico e professor Airton Stein.
A bióloga Ana Gorini da Veiga, professora de Biologia Molecular da UFCSPA, explicou que existem quatro tipos de coronavírus que podem causar problemas respiratórios.
O que está causando a atual epidemia é um novo tipo, que sofreu uma mutação genômica, batizado de Covi-19.

Geralmente é transmitido de animais para humanos, através de mutações. Em outros surtos do vírus, a transmissão ocorreu por dromedários e morcegos.
“No caso do Covid-19, ainda não se sabe qual foi o transmissor, mas o que se tem certeza é que ele é altamente infeccioso e extremamente patogênico, capaz de causar muitas complicações”, completou a biologa.
Dos mais de 93 mil casos confirmados até a quarta-feira, 3.690 pacientes morreram, 42 mil estão recuperados e o restante permanece em observação.
O médico infectologista e professor da UFCSPA, Paulo Behar, destacou que o novo coronavírus impressiona pela rápida evolução da doença nos pacientes mais graves.

Segundo ele, entre o contágio inicial e o óbito, o tempo percorrido é de cerca de 15 dias. A taxa de casos graves provocados pelo vírus é mais elevada que a de outras viroses respiratórias: 5% dos casos necessitam de atendimento em unidade de tratamento intensivo (UTI).
Uma curiosidade relatada pelo docente é o fato de que, na maioria dos casos relatados do Covid-19, o paciente não apresenta febre no quadro inicial da doença, mas passa a apresentá-la ao longo do tratamento, sendo a febre constante presente em 87% dos pacientes em internação.
“Com a entrada sazonal do influenza, há necessidade de realizar um diagnóstico diferente e também ações de caráter preventivo como a antecipação da vacinação da gripe”, enfatizou, referindo-se a chegada do outono e inverno, estações em que as pessoas estão mais propensas aos resfriados.
A bióloga Tatiana Gregianini, responsável pelo diagnóstico molecular de Vírus Respiratórios e Arboviroses do Laboratorio Central, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, falou sobre o fluxo laboratorial de identificação de todos os vírus que causam infecções respiratórias, quando é realizada uma coleta de secreções nas unidades de saúde e as mesmas são enviadas para o Lacen e para laboratórios certificados para verificação destes vírus e identificação das doenças.

Nos casos dos vírus como o caso do Covid-19, a notificação tem que ser feita ao Ministério da Saúde.
“A rede de vigilância do Estado está montada com base no influenza e com base nesses procedimentos é que monitoramos a pandemia do H1N1, e o mesmo esquema será utilizado para o coronavirus”, explicou Tatiana.
Na capita gaúcha, até a terça-feira, 3 de fevereiro, havia 123 casos reportados de pacientes com os sintomas, dos quais 41 já foram descartados e os demais estão sendo monitorados.
O médico Juarez Cunha, da Diretoria-Geral de Vigilância em Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, informou que o município possui oito equipes de vigilância em saúde e um um plano de contingência para a epidemia, totalmente integrado com o Ministério da Saúde.
Cunha lembrou que a população tem acesso as todas informações sobre o vírus na página da Prefeitura na internet (http://sites.google.com/view/coronavirus-cievs-saudepoa/) e lembrou que o mais importante neste momento é aumentar as medidas de prevenção, principalmente de higiene pessoal. “Até porque a curto e médio prazo não haverá vacina~, disse.

O médico Claudio Stadnik, do Controle de Infecção do Hospital Santa Casa, alertou ainda para a preocupação com a estrutura do hospital para tratamento dos pacientes e a possibilidade de falta de equipamentos como máscaras adequadas e insumos de limpeza eficientes.
“Por isso, os próprios profissionais de saúde têm que dobrar as precauções, porque a epidemia vai chegar em Porto Alegre”, finalizou.

Medidas de prevenção:
• evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;
• realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;
• utilizar lenço descartável para higiene nasal;
• cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
• evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;
• higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
• não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
• manter os ambientes bem ventilados;
• evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
• evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.
• Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).


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