A jornalista Thamara de Costa Pereira, colunista social do Correio do Povo, anunciou nesta tarde de quarta-feira sua saída do jornal.
Reconhecida por sua atuação junto aos clubes sociais por duas décadas, Thamara começou trabalhando no jornal na Central de Textos, em 1996, foi editora do Caderno Variedades em 1998 e, em 2002, passou a assinar a coluna de Clubes.
Outros dois repórteres e um fotógrafo foram demitidos do Correio do Povo, segundo afirmou o gerente de RH do jornal, Renato Guzzo, ao portal Coletiva.net.
As mudanças no Grupo Record RS incluíram ainda reduções de salários e da carga horária dos seus profissionais em 25%, segundo Guzzo.
Na segunda-feira, também foram demitidos funcionários da Rádio Guaíba, entre eles três repórteres.
Fim de um ciclo, por Thamara Pereira
Depois de 24 anos, saio do Correio do Povo por conta desta nova ordem que vem se desenhando no jornalismo e no mundo. Em nome das gestões consideradas eficientes, as adequações mais esdrúxulas são implementadas e vão engolindo tudo pela frente. Por conta disso, as empresas inventam nomenclaturas, estabelecem modelos e tudo vai ganhando outra forma. O jornalismo não se enquadra neste padrão que serve para produtos e serviços. A atividade é diferente e nem sempre agrada a todos. E, é isso que faz a profissão tão apaixonante. Mas tem sempre alguém querendo enquadrar o jornalismo no padrão desejado, atendendo este ou aquele interesse. Depois, essas mesmas pessoas vão reclamar por falta de liberdade de expressão. Está tudo nos livros de história, basta ler. Bem, mas isto é outro assunto.
Voltando à minha pauta, deixo o Correio do Povo com a certeza de que fiz o bom jornalismo. Realizei o sonho de trabalhar num veículo de comunicação que tem uma larga história no país e que por lá passaram grandes nomes da imprensa gaúcha. Nos últimos 18 anos, assinei a coluna de Clubes e a página de Gastronomia por mais de 20 anos. Graças à coluna de Clubes, passei a percorrer um roteiro muito especial da cidade. No início, pensei que só cobriria eventos sociais. Mas logo em seguida descobri uma infinidade de pautas que este setor permite. Alguns clubes movimentam receitas superiores as de boa parte dos municípios do Estado. Fazem obras, empregam muita gente e, claro, promovem festas. Toda a semana, em tempo de normalidade, tem um ou mais eventos (particulares ou do próprio clube) sendo realizados para cerca de 400 pessoas. Neste caso, dá para observar a movimentação da economia. A realização de um evento mexe com a indústria da moda, da gastronomia (bufês, bebidas, cozinheiros, garçons e etc), floriculturas, fotógrafos, artistas, táxis, carros de aplicativos, salões de belezas e outras atividades informais. No esporte, os clubes sociais brasileiros são responsáveis por 80 % das medalhas olímpicas. Tem também as ações beneficentes que todos clubes marcam presença decisiva para pessoas que vivem em vulnerabilidade social. E fazem tudo isso sem perder o foco da sua missão maior: reunir pessoas em ambiente saudável para o lazer, práticas esportivas e eventos sociais e culturais.
Com a quarentena, os clubes todos fechados, inconscientemente, preparei a minha despedida. Fugindo das queixas de não ter o que publicar, optei por apresentar perfis de dirigentes de clubes, atletas e personalidades que atuam neste universo. Nesse período, apesar de todas as adversidades, contei lindas histórias de quem faz os clubes serem lugares diferenciados na comunidade.
Assim, só me resta agradecer por ter aprendido tanto com dirigentes, funcionários, assessores de imprensa e as muitas pessoas que convivi em todos esses anos. Com o carinho que tenho recebido, fica a certeza que seguiremos juntos.


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