Dez quartéis ocupados e 150 mortes em seis dias: violência não cede com intervenção federal no Ceará

Chegou a 150 mortes nesta terça-feira o saldo da crise com os policiais militares no Ceará. Apesar da sensação de mais segurança, com as tropas do Exército policiando as ruas de Fortaleza, a situação permanece quase inalterada na capital.
Além da região metropolitana, também há tropas federais em Sobral, onde o senador Cid Gomes, foi ferido a bala ao tentar desbloquear a frente de um quartel ocupado usando uma retroescavadeira.
O secretário da Segurança, André Costa, disse na segunda que ainda não há decisão sobre a reintegração de posse dos quartéis militares, que continuam tomados por PMs amotinados, mas previu que até a sexta-feira, “a normalidade deverá ser restabelecida no Estado”.
Na sexta-feira, 28, é quando termina o prazo da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em curso no Estado desde sábado. Segundo o secretário, esse prazo deve ser reavaliado.
André Costa participou da reunião do governador Camilo Santana com uma comitiva formada pelos ministros da Justiça, Sérgio Moro, da Defesa, Fernando Azevedo e Silva e da Advocacia Geral da União, André Luiz Mendonça, no Palácio da Abolição.
Sobre um possível diálogo com os representantes dos policiais que paralisaram as atividades, André Costa descartou reuniões com “pessoas encapuzadas” e “indivíduos que cometem crimes” e “ameaçam cidadãos”.
O secretário também afirmou que “não há possibilidade de anistia” para os envolvidos no motim.
O secretário sugere que o Governo “já negociou” com o grupo e que deve manter estratégia de identificar e abrir procedimentos contra amotinados.
“Aqueles que decidirem permanecer (paralisados) estão respondendo a Inquéritos Policiais Militares, que apuram conduta de crime. Sendo concluído, eles poderão ser condenados e a pena superar 20 anos de prisão”, diz.
André Costa disse que o Governo manteve amplo diálogo com a categoria e cedeu a diversas reivindicações feitas pelos agentes.
Em visita a Fortaleza, na segunda-feira,  para acompanhar a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) das Forças Armadas, o ministro Sergio Moro (Justiça) sugeriu que as tropas federais não se envolverão a desocupação dos quartéis ocupados por policiais amotinados.
O ministro não negou diretamente a possibilidade, mas destacou que a presença do Governo Federal visa “exclusivamente garantir a tranquilidade e segurança da população”, em substituição às atividades que deveriam estar sendo executadas por policiais paralisados. “Viemos para serenar os ânimos, não para acirrar eles”, afirmou.
Ao avaliar a situação que encontrou, Moro declarou: “Tudo está sob controle dentro do contexto relativamente difícil”
Desde a terça, 18,  quando estouraram os motins de policiais militares, pelo menos dez dos 43 batalhões da corporação no Estado foram ocupados.
Em Fortaleza, a sede do 18º BPM, no Antônio Bezerra, virou uma espécie de “centro” simbólico do movimento paredista, com vários agentes acampados no local.
“O Governo Federal veio para que o Governo (do Estado) possa resolver essa situação sem que a população fique desprotegida”, reforçou Moro, durante coletiva de imprensa no Palácio da Abolição.
Além do ministro da Justiça, estiveram em Fortaleza os ministros Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e André Luiz Mendonça (Advocacia-Geral da União).
Pela manhã, eles passaram pela 10ª Região Militar, no Centro, e pelo Palácio da Abolição, onde se reuniram com o governador Camilo Santana e representantes de órgãos da Segurança Pública do Estado.
Em entrevista após a coletiva de imprensa com Moro e o governador Camilo Santana (PT), o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, André Costa, também negou planos para uma reintegração de posse dos espaços ocupados pelos amotinados. “Não tem previsão de reintegração, nada foi tratado sobre isso”, afirma.
Com os dados consolidados de domingo, o Ceará chega a uma média de quase 30 homicídios por dia desde a madrugada da quarta-feira, 19.
Ainda conforme a SSPDS-CE, a última sexta-feira, 21, foi o dia mais crítico para o Estado até o momento, com um total de 37 casos que se enquadram como homicídio doloso/feminicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio.
(Com informações da EBC, O Povo, Diario do Nordeste e G1)

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