Dois terços dos brasileiros entre 9 e 17 anos ainda não têm acesso à internet

Foto: Reprodução

A expansão do ensino à distância, que tem sido a alternativa durante o periodo de confinamento por conta da pandemia, esbarra no aumento da desigualdade social no Brasil.

Na faixa entre de 9 e 17 anos de idade, dois terços dos brasileiros ainda não tem acesso à internet, segundo uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic).

Nas famílias cuja renda é de até um salário mínimo, 73% dos alunos dessa faixa etária não navegam na rede quando estão em casa. A partir de 3 salários mínimos, o índice é de 53%.

O número é ainda maior na zona rural, onde 82% dos alunos não acessam a internet em ambientes privados.

As pesquisas evidenciam também outras dificuldades:
-casas sem espaço para estudar e sem saneamento básico;
– falta de equipamentos como computadores e notebooks;
– problemas na conexão à internet;
– falta de formação dos professores para usar tecnologia na educação;
– baixos índices de leitura.

Além da falta de internet e de equipamentos, outros fatores dificultam o ensino remoto no país.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, 17,3% das crianças de 0 a 14 anos moram em residências que não têm acesso à rede geral de abastecimento de água e 40,8%, em locais sem conexão com o sistema de esgoto.

Nas casas em que não há internet, as condições de saneamento são ainda piores: 29,3% sem rede de água e 60%, sem a de esgoto.

Outro problema é a condição das moradias. A pesquisa mostra que 15,1% das residências em que há adultos e crianças abrigam seis ou mais pessoas. Em 40%, há mais de três moradores por dormitório.

O equipamento que está mais presente nas residências brasileiras é o televisor (96%). Mesmo entre os mais pobres, das classes D e E, 92% têm o aparelho – mas apenas 9% com canais pagos da TV fechada.

Segundo a pesquisa TIC Domicílios 2018, que avalia o uso de tecnologias de informação nos domicílios brasileiros, os computadores portáteis continuam concentrados nas famílias mais ricas: na classe A, 90% têm notebook e 49%, tablet.

Nas camadas D e E, os índices não chegam a 5%.

Considerando o recorte regional, no Norte, apenas 19% dos lares têm ao menos um notebook. No Sudeste, que aparece em primeiro lugar, o índice é de 33%.

Ao mensurar o acesso apenas das crianças e jovens de 9 a 17 anos, a pesquisa mostra que 71% dos mais pobres que tem internet só acessam a rede pelo celular. Na classe AB, apenas 26% têm essa restrição, contando também com notebooks e computadores.

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