Para o médico Armando de Negri Filho, coordenador-geral da Rede Brasileira de Cooperação em Emergências (RBCE), a flexibilização do distanciamento social, proposta pelo governo estadual, no atual estágio da pandemia, é precipitada e poderá pôr a perder toda a vantagem obtida até o momento. “Frente a um ambiente de alta incerteza, o primeiro mandamento é a precaução”, defendeu De Negri.
A preocupação foi manifestada nesta quarta (13), em videoconferência da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, da Assembleia Legislativa do RS, presidida pela deputada Zilá Breitenbach (PSDB), que teve como pauta a situação da saúde no estado e a atualização de dados sobre a pandemia do coronavírus, a Covid-19. Além do médico, participaram do debate a coordenadora do Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Rio Grande do Sul, Cláudia Regina Mastrascusa Espíndola, e deputados membros da comissão.
Segundo Armando De Negri Filho, o que se observa hoje no estado é um avanço da doença, tanto geograficamente como no número de infectados, e as medidas a serem tomadas devem ser pensadas a longo prazo, dada a possibilidade de novas ondas da doença e a inexistência de uma vacina ou medicamento efetivo.
A seu ver, são cinco as condições necessárias para se iniciar a saída do isolamento: 1) a observação de um período de 14 dias em que se verificasse uma redução contínua dos casos de hospitalizações e óbitos; 2) a garantia por parte do sistema de saúde e de todos os outros aparatos de suporte social de que estaríamos preparados para eventuais flutuações de casos durante as retomadas das atividades; 3) a existência de uma estrutura de testagem adequada para o monitoramento constante dos casos suspeitos e dos trabalhadores em seu retorno às atividades; 4) a capacidade de se realizarem as quarentenas protetoras de forma adequada; e 5) a existência de um sistema de proteção econômica e social às famílias e microempresas em maior risco.
De acordo com o médico, o estado não atende a essas cinco condições, por isso deveria manter o isolamento até que houvesse mais segurança para a retomada gradual das atividades. Ele sustenta que, embora o Rio Grande do Sul não apresente “números dramáticos, talvez”, a saturação do sistema pode ser muito rápida, sem que se tenha tempo para uma reversão. Segundo ele, em São Leopoldo, por exemplo, havia dez leitos, dos quais dois ocupados, o que significava 80% de desocupação, ou seja, na realidade, apenas oito leitos desocupados.
O médico ainda observou que a oferta hospitalar no Rio Grande do Sul é historicamente deficiente, com em torno de um leito a cada mil habitantes, quando o ideal seria de três a quatro leitos, e lembrou que, nos próximos meses, devem se intensificar os quadros de infecções respiratórias com a chegada do inverno.
A coordenadora do Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Rio Grande do Sul, Cláudia Regina Mastrascusa Espíndola, também manifestou preocupação com a flexibilização das medidas de isolamento social, especialmente com a aproximação dos dias mais frios, e com a situação dos profissionais da saúde. Disse que no Rio Grande do Sul foram registrados 517 infectados e uma morte no setor, enquanto que no país o número era de 108 óbitos. Explicou que foram todos pegos de surpresa e não estavam preparados para uma atuação de forma segura, o que fez com que muitos profissionais se contaminassem, e defendeu que a única forma de conter a disseminação do vírus era reduzindo a circulação das pessoas.
Proposta para a bancada federal e medidas na AL
Ao término das manifestações, o deputado Pepe Vargas (PT), autor do convite para que o médico Armando De Negri participasse do encontro, propôs que a comissão entrasse em contato com a bancada federal gaúcha para uma discussão com o Ministério da Saúde quanto à abertura de leitos, entre outros assuntos. Já a presidente da comissão, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), comunicou ter sido assinado ontem (12) um protocolo na Casa prevendo a criação de um grupo de trabalho para a tomada de ações relacionadas ao enfrentamento ao coronavírus.
(Marinella Peruzzo – Agência de Notícias ALRS)


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