A candidatura do deputado Edegar Pretto, ao governo do Rio Grande do Sul, pelo Partido dos Trabalhadores, já estava na rua.
Desde setembro, ele percorre o Estado como pré-candidato, conversando com as correntes do PT e de outros partidos, lideranças municipais, universidades, reitores e professores..
Neste sábado, 18, seu nome foi oficializado na Conferência Estadual do Partido dos Trabalhadores, em Porto Alegre.
“Esta é a maior missão da minha vida e o tamanho da minha responsabilidade é imenso. Eu estou com a coragem de um leão”, disse o candidato.
Pretto tem 50 anos. Foi eleito pela primeira vez deputado estadual em 2010, com 69.233 votos. O mais votado da bancada do PT. Em 2014 foi reeleito com 73.122 votos, e pela segunda vez o deputado mais votado do PT.
Em 2017 foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul[1].
Sua intenção como candidato é formar uma frente mais ampla possível , “um palanque potente” para Lula no segundo turno e, no embalo, chegar ao Piratini.
“Lula vai voltar, e o Rio Grande do Sul não vai ficar para trás”, disse ele nesta entrevista ao JÁ:.
O déficit público, gasto maior que a receitas dos impostos, tem sido o maior desafio dos governadores gaúchos. O governador Eduardo Leite conseguiu um equilíbrio que é frágil e depende totalmente do governo federal para se manter. Como o sr. vai enfrentar essa questão?
– Essa situação de crise financeira já dura mais de 50 anos no Rio Grande do Sul. Nós tivemos duas experiências, com o governo Olívio Dutra e, depois, com o Tarso Genro. Em vez de priorizar os cortes e o arrocho, o que se fez foi apostar nos setores produtivos capazes da fazer a economia reagir. O governador Tarso Genro, que acompanhei como líder da bancada, repetia sempre: “Não temos o direito de ficar chorando pelos cantos, colocando a culpa nos que vieram antes…temos que enfrentar e propor soluções novas. Assim foi feito, com a utilização das estruturas do estado, do Banrisul, os bancos públicos para apoiar os setores produtivos, as micro e pequenas empresas, a agricultura familiar, grande responsável pela produção de alimentos, mas também a nossa indústria que produz para o mercado interno, setores que geram empregos e distribuem a renda.
O governo financiou esses setores…
Quando o Tarso assumiu a carteira de crédito do Banrisul era de R$ 17 bilhões, quando terminou governo era mais de R$ 30 bilhões. Recursos direcionados para financiar o que era importante, os setores que mais precisam e que mais rapidamente reagem a estímulos. Hoje o governo se conforma com essa situação de mandar para fora: madeira, boi vivo e soja. Não pagam imposto, deixam um rastro de degradação ambiental e o dinheiro vai parar no bolso de poucos. De agosto a agosto deste ano, meio milhão de trabalhadores perderam o emprego, 25% das pequenas e micro empresas fecharam as portas. O governo está de braços cruzados diante dessas questões.
A agricultura familiar…
A falta de apoio à agricultura familiar aumenta a concentração da terra, aumenta a pressão sobre as cidades. Com a ausência de políticas públicas, o pequeno agricultor vê que é mais fácil migrar para a cidade, vender ou arrendar sua terra. Resultado: produção de feijão caiu 40%, em cinco anos, mais de 50 mil famílias deixaram a produção de leite.
A soja…
A única lavoura que aumenta exponencialmente é a da soja, que vai quase toda para alimentar os porcos na China. Daí resulta que temos a cesta básica mais cara do país: R$ 673 uma cesta básica, porque a comida vem de fora…e a única política do governo é a austeridade, para os pobres.
De onde virão os recursos para investir nestes setores?
Esses setores respondem rapidamente aos investimentos. Se o governo colocar R$ 50 milhões num fundo para garantir financiamentos a pequenas e micro empresas, a juro zero por três anos, ele pode alavancar R$ 1 bilhão para estimular os negócios.
E o fenômeno da desindustrialização. Já tivemos 20 fábricas de óleo de soja no Estado, hoje toda a soja é exportada em grão…
A desindustrialização é um fenômeno nacional. Nosso programa, que estamos começando a organizar, terá que estar alinhado com o do Lula. Temos nossas peculiaridades, uma cultura industrial mas temos que nos inserir num plano nacional.
E a eleição, qual é a expectativa?
Este é um estado em que o Bolsonaro tem força. Nossa ideia é compor uma frente mais ampla possível com partidos progressistas…Todos os partidos inconformados com esse desgoverno, estamos fazendo conversas com todos. Mesmo com os que já têm candidato, no campo democrático, estamos conversando para construir uma frente o mais ampla possível no segundo turno.
O PSB tem candidato…
Sim, Beto Albuquerque é pré candidato, respeitamos é legitima a candidatura. Nem por isso deixamos de manifestar o nosso desejo de compor. Assim com o PDT, o PSOL, o PC do B,
E a Manoela, pode ser a vice?
Com a Manoela temos conversado muito…nosso convite é permanente, já abrimos mão da cabeça de chapa e fui responsável por ela ser nossa candidata…ela é companheira fundamental. Vamos aguardar o calendário deles…
Qual é o principal trunfo do PT nesta eleição?
Nós temos um legado, governamos duas vezes o Estado, quatro vezes Porto Alegre, muitas cidades do interior. Nossa força popular não é pequena… Lula voltará e o Rio Grande não vai ficar para trás…


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