Equador: na capital sem governo, comunidades indígenas invadem Assembleia

Manifestantes derrubaram as cercas de segurança e invadiram a Assembleia Nacional no centro de Quito, capital do Equador, nesta terça-feira.
A atividade parlamentar havia sido suspensa na segunda-feira, depois das brigas que aconteceram nos arredores.
A ocupação durou poucas horas, os manifestantes foram expulsos pela polícia que usou bombas de gás lacrimogêneo, mas a agitação é incontrolável na capital
Na véspera, o presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou a transferência da sede do governo Quito para a cidade de Guayaquil – a 420 quilômetros da capital.
Na tarde de segunda, Lenín Moreno era aguardado para uma entrevista coletiva no Palácio de Carondelet, sede da presidência, quando o grupo de jornalistas foi orientado a abandonar o prédio.
Pouco depois, a televisão transmitiu uma declaração do Presidente rodeado pela cúpula militar a partir de Guayaquil, no sul do país, em que era anunciada a transferência da sede governamental.
“Me mudei para Guayaquil e mudei a sede do governo para esta cidade amada de acordo com os poderes constitucionais que me competem”, disse Moreno em cadeia de rádio e TV.
Moreno – que decretou o Estado de Exceção como medida de força para conseguir pôr em prática um pacote de medidas econômicas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – diz que as mobilizações pelo país desde quinta-feira (3) “não são manifestações de descontentamento”, mas “atentados” à ordem democrática.
“Saques, vandalismo e violência mostram que há uma tentativa de quebrar a ordem democrática”, afirmou.
O pacote anunciado em 2 de outubro a pretexto de reaquecer a economia eliminou subsídios ao combustível (causando aumentos de mais de 120%) e reduziu os benefícios salariais a funcionários públicos contratados temporariamente.
“A eliminação dos subsídios aos combustíveis é histórica e retira bilhões de dólares das mãos dos contrabandistas. A decisão garante uma economia sólida”, afirmou o presidente.
Comunidades indígenas realizam protestos com enfrentamento pelo interior do país e milhares chegaram a Quito para engrossar os protestos..
Na chegada dos primeiros grupos de comunidades indígenas, a polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os ativistas que se aproximavam da sede do governo. Vídeos postados em redes sociais mostram as ações das forças policiais e, em alguns casos, as tentativas dos manifestantes de enfrentar a repressão.
Nos últimos dias, protestos gigantesco têm ocupado estradas, lojas e fábricas. Há imagens de confrontos com a polícia distribuídas em redes sociais.
Em Quito, o presidente da Câmara decretou estado de emergência. Em Guayaquil foram bloqueadas pontes e acessos rodoviários.
Em seu pronunciamento, Moreno reafirmou que não irá recuar do corte ao subsídio aos combustíveis. “É essencial para que a nossa economia seja saudável”, justificou.
Moreno foi eleito em 2017, com apoio do ex-presidente Rafael Correa, do qual era vice, com a promessa de dar continuidade à Revolução Cidadã – como era chamado o processo de transformações de cunho progressista.
Logo depois da eleição, porém, adotou um discurso de ruptura e de adesão a políticas neoliberais. Aproximou-se dos Estados Unidos e passou a perseguir ex-integrantes do governo anterior, inclusive o ex-presidente Correa, que vive uma espécie de exílio na Bélgica.
Lenín Moreno atribui a Correa articulações para desestabilizar seu governo.
(Com RBA, Globo, El Pais, El Heraldo)

2 comentários em “Equador: na capital sem governo, comunidades indígenas invadem Assembleia”

  1. Governos esquerdistas costumam levar o país ao caos econômico distribuindo migalhas para o povão iludido. Quando governos democráticos assumem e precisam impor medidas drásticas para colocar a economia nos trilhos, o povo, burrinho em sua essência, não quer perder as mamatas decorrentes de subsidios hipócritas. Aí ficam revoltadinos e querem os corruptos novamente no poder. Eles voltam, graças à democracia, e fazem do país uma venezuela ou uma cuba com toda a miséria aos 90%do povo que não pertence à curriola que tomou o poder. Isto é a américa latrina, digo, latina.

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