Quem possui arma em casa tem quatro vezes mais chances de cometer suicídio.
É o que aponta o “maior estudo já feito sobre a conexão entre suicídio e posse de armas”, publicado no The New England Journal of Medicine, assinado por três pesquisadores – David Studdert, Matthew Miller e Garen Wintemute*.
Em 12 anos, eles analisaram informações sobre 26 milhões de americanos.
A principal conclusão é de que há uma relação direta entre a posse de arma e as taxas de suicídio: o número de suicídios entre as pessoas que possuem armas é quase quatro vezes maior do que entre aqueles que não tem arma.
O estudo contraria claramente o mito muito difundido de que a pessoa que realmente quer se matar encontrará meios de fazê-lo, independente de ter ou não uma arma por perto.
A explicação é de que “as tentativas de suicídio são muitas vezes impulsivas, motivadas por crises fugazes”.
Outro dado importante é que a grande maioria das pessoas que tentam suicídio sobrevive.
A segunda chance, porém, depende muito do método usado. No caso de armas de fogo, a segunda chance é pequena.
Entre os proprietários de armas de fogo as taxas de suicídio por esse meio (pela arma de fogo) é oito vezes maior para homens e 35 vezes maior para mulheres, em comparação com não-proprietários do mesmo sexo.
“Esses resultados são consistentes com os de todos os estudos sérios que examinaram a relação entre acesso a armas e suicídio nos Estados Unidos. Na verdade, encontramos uma conexão mais forte do que a maioria dos outros”, escreveram os pesquisadores em artigo publicado no New York Times, nesta quinta-feira, 11.
Com base em dados referentes à Califórnia, estado em que a venda de armas é inteiramente controlada, os pesquisadores concluiram que “o período de maior risco de suicídio para os proprietários de armas de primeira viagem foram as primeiras semanas de posse.
No entanto, 85% de todos os suicídios por arma entre proprietários ocorreram mais de um mês após a compra e mais da metade ocorreu mais de um ano depois.
“Tomadas em conjunto, essas descobertas sugerem que, enquanto algumas pessoas que cometem suicídio já compraram suas armas com a intenção de se matar, isso não é verdade para a maioria dos que morrem dessa maneira – suas mortes refletem o risco substancial e duradouro do acesso a armas de fogo”.
Estima-se que 40 milhões de americanos tem armas em casa.
Autoproteção é o primeiro motivo apontado pelas pessoas que compram e mantêm armas de fogo. “Apesar das histórias coloridas de defesa armada do lar, não há um estudo consistente demonstrando os benefícios de segurança da posse de armas particulares para indivíduos ou comunidades.
“Por outro lado, as evidências de que as armas podem ser mal utilizadas e causar sérios danos – aos proprietários e familiares, incluindo crianças – são substanciais e crescentes”, dizem os pesquisadores.
.*David Studdert é professor nas faculdades de direito e medicina da Universidade de Stanford.
*Matthew Miller é professor da Northeastern University.
*Garen Wintemute é professor da Faculdade de Medicina da UC Davis.

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