Mais de 100 mortes no rastro da anarquia militar no Ceará; Exército já está nas ruas

2.500 soldados de cinco Estados reforçam o policiamento em Fortaleza e Região / Barbara Moira/O Povo

Desde a quarta-feira, 19, até a madrugada deste domingo, 23,  foram registrados 103 assassinatos na região metropolitana de Fortaleza. O recorde ocorreu na sexta-feira, com 37 mortes violentas.
A escalada de violência no Ceará decorre de um motim de policiais militares, que desde a terça-feira ocupam quartéis impedindo o policiamento normal na capital e cidades vizinhas. A Polícia Civil está vigiando as ruas, mas tem efetivos insuficientes.
As tropas federais começaram a chegar ao Estado no sábado de manhã, mas somente nesta segunda-feira começarão a policiar as ruas. No sábado, deram entrevista coletiva os generais Fernando José da Cunha Mattos, comandante da operação, e Ulisses de Mesquita, comandante da tropa empregada na Força Tarefa Felipe Camarão.
Segundo os comandantes, o Exército atuará com foco prioritário em Fortaleza. Parte das tropas já está sendo utilizada na segurança.
A operação do Exército no Ceará, chamada Operação Mandacaru, contará com cerca de 2.500 militares do Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí, e pretende preservar a ordem pública, para normalizar a situação no Estado.
General Cunha Mattos afirmou que a partir deste domingo, 23, o Exército começará a atuar efetivamente para o cumprimento da ordem pública, como o policiamento ostensivo. Cunha afirma que a presença de agentes de segurança fardados garante a identificação para civis, o que ajuda a preservar o patrimônio e a ordem pública.
“O policiamento ostensivo realizado pelo Exército na cidade de Fortaleza inicialmente será o mesmo policiamento ostensivo que as pessoas vêem nas ruas normalmente. Não pretendemos substituir a Polícia, mas pretendemos fornecer o mesmo nível de segurança que o cidadão encontra no seu dia a dia na cidade”.
Ulisses de Mesquita informa que o governo do Estado passou o controle operacional do Batalhão de Choque e policiamentos especializados para o Exército. O Exército trabalhará em conjunto com esses órgãos de segurança pública para a manutenção dos índices de policiamento anterior às manifestações de policiais.
Patrulhamentos a pé, motorizados, de pontos estratégicos, como ocorrem normalmente, serão feitos por militares. “Com a presença massiva da tropa, atuaremos em conjunto para a redução dos índices de criminalidade.”
Cunha afirma que o Exército não assumiu a segurança pública. “O governador passou  o controle operacional. Procuramos organizar como empregar aqueles meios que temos, as atividades para as operações, mas as rotinas operacionais acontecerão normalmente. Eventualmente, se necessário, poderão receber uma atividade em específico. Gostaria de deixar claro que a Polícia Militar do Ceará, como um todo, continua com suas atividades normalmente.”
O critério de distribuição das forças militares foi de acordo com a diretriz do governo, dando prioridade para a cidade de Fortaleza. Já em nível tático, militares informaram que atuarão em locais considerados mais problemáticos. Segundo Ulisses, a expansão da área de atuação dos militares dependerá dos desdobramentos das situações que encontrarão no Estado.
Uma comitiva de ministros visita Fortaleza para acompanhar as ações de segurança pública no Ceará, nesta segunda-feira, 24. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que virá acompanhado dos ministros da Justiça, Sergio Moro, e do advogado-geral da União, André Luiz Mendonça.
O encontro ocorrerá no comando da 10ª Região Militar. Em seguida, a comitiva seguirá para o Palácio da Abolição, para uma reunião com o governador Camilo Santana (PT).
Policiais militares do Ceará iniciaram paralisação na tarde de terça-feira, 18 de fevereiro, em protesto contra plano de reestruturação salarial de policiais e bombeiros militares do Ceará.
28 sargentos entre os amotinados
De acordo com a Controladoria Geral de Disciplina (CGD), há determinação do afastamento de 168 policiais militares do Ceará. Pelo menos 28 são sargentos.
Conforme Diário Oficial do Estado (DOE) desta sexta-feira, 21, a CGD instaurou  Conselho Disciplinar contra 160 policiais identificados como suspeitos de integrar grupos que promovem o motim na PMCE.
Do total, oito policiais já haviam sido afastados, com publicação no Diário Oficial do Estado da quinta-feira, 20.
O comandante-geral da PMCE, coronel Alexandre Ávila, determinou de forma imediata as medidas administrativas à Controladoria Geral de Disciplina (CGD), que decretou o afastamento preventivo dos policiais pelo prazo de 120 dias para que fiquem à disposição da unidade de recursos humanos.
Serão recolhidas a identificação funcional, distintivo, arma, algema e qualquer outro instrumento que identifique suas unidades. O desconto em folha dos implicados já está em vigor, enviado para a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).
Também serão encaminhados relatório de frequência e cópia do ato de retenção do material. A medida suspende o pagamento de qualquer vantagem financeira que os afastados possam receber. O desconto salarial também foi providenciado.E estão suspensas as prerrogativas funcionais próprias dos policiais militares, como o porte de arma de fogo.
(Com informações da Agência Brasil, O Povo, Diário do Nordeste e G1)

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