Mais um ex-aliado engrossa campanha pelo impeachment de Bolsonaro

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Paulo Marinho, empresário e suplente do senador Flávio Bolsonaro,  é o novo ex-aliado a alinhar-se ao movimento pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista, publicada na Folha de São Paulo deste domingo, Marinho diz que a Polícia Federal em outubro de 2018 adiou uma operação que poderia prejudicar a eleição de Bolsonaro.

A “Operação Furna da Onça”, sobre a prática de  “rachadinha” na Assembléia Legislativa do Rio, tinha entre os alvos o ex-policial Fabrício Queiroz, assessor parlamentar do filho do presidente, que era um dos operadores do esquema criminoso.

Além de segurar a operação, que seria deflagrada entre o primeiro e o segundo turno da eleição, um delegado bolsonarista avisou Flávio.

Segundo Marinho, foi o próprio Jair  Bolsonaro, informado pelo filho, que  mandou demitir Queiroz imediatamente e fez o mesmo com uma filha do ex-policiai, lotada como assessora no gabinete do candidato à presidência, na Câmara Federal.

Ambos,  Queiroz e sua filha Nathalia,  foram demitidos no mesmo dia, 15 de outubro de 2018.

A operação foi deflagrada dia 8 de novembro,  quando Bolsonaro já estava eleito.

“Todas as notícias de eventual desvio de conduta devem ser apuradas e, nesse sentido, foi determinada, na data de hoje, a instauração de novo procedimento específico para a apuração dos fatos apontados” disse em nota a Polícia Federal.

A PF justifica que a operação foi deflagrada no Rio de Janeiro no dia 8 de novembro porque os mandados judiciais foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2° Região, no dia 31 de outubro do mesmo ano, “portanto, poucos dias úteis antes da sua deflagração”.

Flavio Bolsonaro, em nota, diz que “Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão”.

“Por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás?”, diz o senador.

Paulo Marinho se aproximou de Bolsonaro através de seu amigo Gustavo Bebianno, outro ex-aliado falecido recentemente e que deixou o governo com sérias críticas ao presidente, dizendo que ele “nunca se preocupou realmente em combater a corrupção”.

A entrevista deve ser levada para o inquérito que tramita no Supremo sob a relatoria do ministro Celso de Mello,  a partir das denúncias do ex-ministro Sérgio Moro.

Morou deixou o governo há duas semanas denunciando pressões do presidente para interferir nas investigações da Polícia Federal.

“O suplente do senador é um homem vivido, experiente e não falaria algo de tal gravidade de maneira leviana. E a morte abrupta do grande amigo dele, Bebianno, certamente está compondo este jogo de xadrez”, escreveu o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, em artigo sobre o assunto.

Segundo ele, “para  uma denúncia junto ao Supremo Tribunal, não precisa da prova cabal do crime, bastam indícios fortes o suficiente para a justa causa na abertura da ação penal”.

A abertura da ação penal, que se dá pelo recebimento da denúncia por parte do Pleno do Supremo Tribunal, já afastaria Bolsonaro  da Presidência por 180 dias.

Para isso, no entanto, a denúncia tem que ser apresentada pelo Procurador Geral da República, Augusto Aras.

 

 

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