O prefeito Sebastião Melo foi ao Quarto Distrito falar aos empresários da região.
Quarto Distrito é o antigo bairro industrial de Porto Alegre. Já foi rico e progressista, entrou em decadência há 30 anos, quando as fábricas deram lugar às grandes lojas e setores de serviços na economia da cidade.
A Associação dos Empresários surgiu há 35 anos justamente da necessidade de encontrar uma nova vocação para aquela região, colada ao centro Histórico de Porto Alegre.
Está empenhada em um projeto de revitalização, com estímulo a novas atividades ligadas à economia criativa e à inovação. Hoje são cinco bairros: Floresta, São Geraldo, Navegantes, Farrapos e Humaitá, pouco mais de 30 mil moradores no total.
Foi o primeiro evento presencial depois da pandemia, e o presidente Luiz Carlos Camargo, aproveitou para fazer um balanço do seu mandato, que encerra no fim do ano.
Melo não deixou por menos: levou o vice-prefeito Ricardo Gomes, seis secretários e vários vereadores da base do governo e também fez um sucinto balanço de seu primeiro ano.
Anunciou que no início do ano que vem vai mandar para Câmara o projeto para concessão do DMAE à iniciativa privada.
Disse que empresas “estão de olho”, mas só terão chance as que aceitarem assumir também a drenagem urbana, numa alusão a um dos históricos problemas da região, os alagamentos constantes, por carência do esgoto pluvial.
“Disse que o Quarto Distrito é um bairro pronto para a retomada, que vai ser impulsionada por mudanças no Plano Diretor. “Estou convencido: é melhor planos diretores regionais do que um grande plano diretor (aplausos ) Não pode tratar o quarto distrito, a zona norte como trata Petrópolis”
Disse que está buscando com a procuradoria um caminho para dar um regime urbanístico diferenciado à região e usar o ganho que o empresário vai ter com mais altura por exemplo e investir na infraestrutura dos bairros.
“Não tem crime nisso: se tenho 18 andares, posso construir 28, o empresário vai ganhar, mas parte desses recursos tem que ir para mudar a rede, enterrar fios” (aplausos)
Anunciou que o plano diretor do Quarto Distrito será o segundo a “sair da forma”, depois do plano do centro histórico.
“Não posso contar tudo tem que falar primeiro com os vereadores, mas vai mudar muito essa região em termos de atratividade para o potencial de moradias, uso misto porque não revitaliza apenas tendo empresas. Tem que ter gente morando na rua nas praças”. E sentenciou: “Se os ocupados não ocupam, os desocupados tomam conta”.
Lembrou sua promessa de campanha de não aumentar impostos. “Vamos diminuir, já diminuímos para o setor de eventos, de 5% para 2%, setor de inovação a mesma coisa, assim como os setores de vídeo e call center, de 3% para 2%.
Disse que o edital para privatização Carris está em preparo e “vai para rua”: “Vamos trabalhar com dois bicos: ou será vendida na inteireza, ou vamos liquidar terrenos, ônibus, linhas. “Uma coisa é certa: empresa pública não será mais. São 6,6 milhões por mês de prejuízos”.
Sobre as medidas para enfrentar a crise do transporte coletivo, disse que os cobradores que irão gradativamente perdendo a função, terão cursos para se reposicionar no mercado.
Justificou o corte de “seis ou sete isenções”: “É pobre financiando pobre, são R$ 25 milhões em dinheiro para pagar a passagem baixa renda”, que onera a passagem que todos pagam.
Citou o estudante que paga 10 mil para estudar na PUC e tem passe livre no ônibus: “O estudante que não pode pagar, será isento, quem pode vai pagar’.
As medidas, reconhece, são insuficientes para recuperar o equilíbrio do sistema: “Presisamos de um SUS do transporte público, um plano nacional. Por isso estaremos em Brasilia, 200 prefeitos vamos acampar na frente do Congresso”
De passagem revelou que o “Quadrilátero Central”, eixo da revitalização do centro para os 250 anos está pela quarta vez com edital buscando investidor privado para as obras. “Está licitado, espero que desta vez apareça um licitante até dezembro.”..
O centro tem lei aprovada para estimular o investidor, permitindo maiores alturas pelo mecanismo do “solo criado” e o uso misto. “Estamos pensando agora em dar desconto do IPTU para quem investir no centro”, disse Melo.
Outro ponto polêmico que o prefeito está mexendo é o inventário dos imóveis para tombamento pelo patrimônio público, baseado numa lei de 2008.
“Essa lei é uma gerigonça feita pela Sofia Cavedon e que o fogaça não deveria ter sancionado. Tá entupido de prédio listado, não adianta listar tudo e não preservar… liberamos mais de 500 imóveis este ano… A questão de Petrópolis é um caso seríssimo”.
Ao final do balancete, feito em exatos 30 minutos, Melo passou ao vice-prefeito Ricardo Gomes que detalhou para os empresários as iniciativas em andamento e planejadas para a revitalização do 4° Distrito.


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