Na ditadura, jornalistas que "vazaram" relatório foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional

Em fevereiro de 1981, o Coojornal, de propriedade da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, reproduziu um relatório reservado do Exército sobre as operações de combate aos movimentos armados que tentaram enfrentar o regime.
Os fatos haviam ocorrido dez anos antes, mas a censura proibiu publicá-los à época, eram inéditos para a opinião pública.
Os documentos não foram desmentidos, ao contrário. A comprovação de que eram autênticos ( e “obtidos de modo ilícito”) foi um dos argumentos da acusação aos jornalistas, que se negaram a revelar sua fonte.
Foram condenados Elmar Bones e Osmar Trindade, que assinavam a matéria,  e dois colegas, Rafael Guimarães e Rosvita Saueressig que haviam se envolvido no recebimento e preparação do material.
Os quatro foram condenados com base na Lei de Segurança Nacional a um ano e meio de reclusão e recolhidos a um presídio em Porto Alegre.
Num clima já de abertura política, com anistia e  movimentos por eleições diretas, foram libertados por habeas corpus 20 dias depois.
Mas o processo foi o início de uma perseguição que acabou com o jornal e a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre dois anos depois.
 

2 comentários em “Na ditadura, jornalistas que "vazaram" relatório foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional”

  1. Um “relatório” do exército, me parece difícil ser alterado, uma vez que normalmente é (ou era) datilografado (hoje digitado e impresso) , carimbado e assinado. Agora, uma conversa telefônica, efetuada em meios digitais, até eu altero e coloco as palavras que quiser ou até mesmo frases completas, com a maior facilidade do mundo, e ninguém poderá dizer que o texto foi alterado. Por outro lado, até agora, só ví um grupo de pessoas lutando para colocar na cadeia criminosos, desde empreiteiros corruptores até políticos corruptos e corruptíveis. Ou será que a redação tem material legal que prove o contrário?

    1. O material foi periciado por jornalistas que inclusive encontraram suas próprias conversas com os personagens da lava-jato no material. Tá praticamente na cara que as conversas são autenticas e cada dia se comprova mais isto. Ainda há audios que deverão ser revelados nos próximos dias. A própria reação de Moro deixa bem claro a veracidade, todos dias procurando uma nova estratégia para enfraquecer as matérias. E Dellagnol poderia muito bem para esclarecer os fatos conceder seu celular para perícia comparar com as mensagens que estão lá com seu celular funcional. Moro precisa ser afastado de qualquer cargo público por um período para ser julgado sem poder interferir como ministro. Todos os julgamentos do juiz precisam ser reavaliados mantendo os atuais presos no cárcere enquanto se desenrola novamente os processos com juízes que respeitem as barreiras legais.

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