Ministério da Saúde contraria OMS e mantém orientação para uso da cloroquina

No Brasil, o governo ainda insiste na orientação para o uso da cloroquina

O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira que o governo federal vai manter as orientações para o uso da cloroquina no tratamento da Covid 19, apesar a decisão da Organização Mundial da Saúde, a OMS, que interrompeu testagens com a droga.

Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, afirma que a pasta tem segurança com a orientação, e vem acompanhando estudos que estão sendo feitos no país.

A OMS suspendeu temporariamente testes com o medicamento hidroxicloroquina em pacientes com o novo coronavírus.

Quem comunicou a interrupção foi o diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom, nessa segunda-feira. A medida se deu por questões de segurança dos pacientes, até que os dados sejam revisados.

A organização já havia afirmado que as evidências clínicas não indicavam o uso do medicamento para a Covid-19 até que as pesquisas fossem concluídas. Mas que a decisão sobre a indicação do uso de qualquer medicamento, é de cada país.

Na semana passada, o Ministério da Saúde publicou uma nova orientação para o uso da cloroquina, indicando inclusive para a fase inicial de sintomas da doença.

A norma, entretanto, garante ao médico a sua indicação, além da necessidade de autorização de uso dos pacientes. Segundo a pasta, a orientação garante o acesso ao tratamento em todo país.

Associações médicas brasileiras e o Conselho Nacional de Saúde também se posicionaram contra o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, alegando ausência de comprovação científica sobre a eficácia do medicamento.

A posição do Ministério da Saúde segue orientação do presidente Jair Bolsonaro. Uma divergência sobre o uso do medicamento foi, segundo a imprensa, a causa da demissão do ministro Nelson Teich, que deixou o cargo depois de 28 dias.

No dia 26 de março, em transmissão ao vivo pela internet, o presidente da República, Jair Bolsonaro, defendeu o uso da hidroxicloroquina e cloroquina no combate ao novo coronavírus (Covid-19).

No pronunciamento, mesmo contrariando o que diz a bula do próprio medicamento, o governante afirmou que a cloroquina não tem efeitos colaterais.

“Aplica logo, pô”, disse Bolsonaro. “Sabe quando esse remédio começou a ser produzido no Brasil? Ele começou a ser usado no Brasil quando eu nasci, em 1955. Medicado corretamente, não tem efeito colateral”, disse o presidente.

Bolsonaro chegou a posar para a  CNN, mostrando embalagens do remédio.

A bula do medicamento explica que o uso da substância apresenta efeitos colaterais comuns em muitos pacientes, como alteração dos batimentos cardíacos, cefaleia, irritação do trato gastrointestinal, distúrbios visuais e urticária, entre outras reações adversas. As orientações ainda explicam que doses diárias altas podem resultar em retinopatia e ototoxicidade irreversíveis.

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