Panelaços espontâneos e gritos de “fora Bolsonaro” que pipocaram em várias capitais e cidades no início da noite desta terça-feira, acendem o sinal amarelo para o governo Bolsonaro.
Eles revelam o tamanho do erro cometido pelo presidente no domingo, quando saiu à rua para confraternizar com manifestantes que, instigados por ele, pediam o fechamento do Congresso e do STF.
O que chocou não foi a aberração política, de um presidente eleito pelo voto de 57 milhões de brasileiros estimular manifestações anti-democráticas.
O que chocou ( e pode ser fatal para o governo Bolsonaro) foi a atitude do presidente de afrontar a todas as recomendações de precaução em relação à pandemia do novo coronavirus, desmoralizando inclusive de seu ministro da Saúde, ao sair à rua e cumprimentar e trocar apertos de mão com os manifestantes.
Na Globo News, o jornalista Merval Pereira, editorialista da Globo e comentarista político, comparou as manifestações espontâneas desta terça ao início do processo que culminou com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Um novo panelaço, desta vez organizado pelas redes sociais, está previsto para esta quarta-feira.
Neste ritmo, Bolsonaro corre o risco de ser a primeira vítima política do efeito coronavírus no Brasil. Um pedido de impeachment chegou na terça à tarde à Câmara.
De autoria do deputado Leandro Grass, da Rede, o pedido cita cinco crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro:
-apoio e convocação às manifestações do dia 15 de março de 2020 por meio da divulgação de vídeos em redes;
-declaração, no último dia 9, de que as eleições gerais de 2018 foram fraudadas, cujas provas estariam em suas mãos e nunca foram apresentadas, nem no foro competente e nem para a imprensa;
-declarações indecorosas direcionadas à jornalista Patrícia Campos Mello, feitas no dia 19 de fevereiro;
-publicação de vídeo, em rede social, com conteúdo pornográfico, ocorrida no carnaval do ano de 2019 – o famoso episódio do golden shower;
-determinação expressa de comemoração do Golpe Militar de 1964, direcionada às Forças Armadas Brasileiras, em 25 de março de 2019.


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