Porto Alegre: grupo de Santa Catarina arremata por R$ 10 mil o que resta do porto

Consórcio terá direito para explorar a área por 10 anos e promete investimentos de R$ 21 milhões. Foto Arquivo/PortosRS

O Cais Navegantes, o último dos terminais portuários de Porto Alegre capaz de receber embarcações de grande porte, foi arrematado em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo, nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026.

Com um lance de R$ 10 mil, o Consórcio Portos do Sul, de Santa Catarina, ganhou o direito para explorar a área de 22 mil metros quadrados, por 10 anos, período em que deverá realizar investimentos de R$ 21,13 milhões. Será a primeira operação estruturada da empresa nesse modelo de arrendamento. O início das operações está marcado para ainda este ano. O projeto prevê dois novos armazéns, além de obras de pavimentação, drenagem, iluminação e cercamento.

Fortemente atingido pela enchente de 2024, o Cais Navegantes retomou operações em janeiro de 2026, quando voltou a receber navios de longo curso (internacionais) e foi autorizado a navegação noturna, algo suspenso há décadas.

Segundo o governo do Estado, foram investidos de R$ 40 milhões, recursos do Fundo de Reconstrução (federal), para reparar os danos causados pela enchente.

As cargas que movimenta são, principalmente, fertilizantes, sal, grãos vegetais e transformadores. 

O leilão do Cais Navegantes foi promovido pelo Ministério de Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Para o presidente da Portos-RS, Cristiano Klinger, o arrendamento “reforça a confiança da iniciativa privada e marca mais um passo na reconstrução e fortalecimento da atividade portuária da capital”.

A região portuária de Porto Alegre é dividida em três áreas – o Cais Navegantes, ao norte; o Cais Mauá, no centro da cidade, com 3,2 km de extensão, e que está desativado e abandonado há mais de 30 anos; e o Cais Marcílio Dias, o menor, reduzido a atividades logísticas e de apoio.

O que restou, na prática, foi uma separação clara: o Navegantes ficou com a economia e a logística, enquanto o Mauá espera se tornar o “cartão postal” da cidade a partir de um projeto de remodelação com recursos privados.

O cais Marcílio Dias concentra a navegação interior, com embarcações de pequeno e médio porte, para transporte de areia principalmente. O trecho, entre o Mauá e o Navegantes, serve como área de apoio e possui uma rampa pública para acesso de embarcações.

Um “pilar do desenvolvimento”

O porto de Porto Alegre já foi considerado “um dos pilares do desenvolvimento do Rio Grande do Sul”.

Começou a ser construído em 1910, com o início das operações em 1º de agosto de 1921. Era, então, o maior porto fluvial do país.

O crescimento seguiu ao longo dos anos com as inaugurações do Cais Navegantes, em 1949, e do Cais Marcílio Dias, em 1956. A conclusão da estrutura como se conhece hoje aconteceu em 1962.

A partir de 2005, as operações foram concentradas no Cais Navegantes, uma decisão que permitiu a ampliação das atividades e a aquisição de novos e modernos equipamentos.

No primeiro semestre de 2023, o cais público porto-alegrense movimentou 375.697 toneladas. Entre os maiores fretes estavam fertilizantes, trigo, cevada, sebo bovino, sal.

Nesse período, o Porto recebeu 66 embarcações, transportando produtos vindos do Egito, da China, de Marrocos, da Arábia Saudita, entre outros.

Com a enchente de 2024, ele ficou desativado, retomando atividades no início de 2026.

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