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  • Chega a 300 cidades o movimento iniciado em Minneapolis; jornal fala em “Colapso de Trump”

    Chega a 300 cidades o movimento iniciado em Minneapolis; jornal fala em “Colapso de Trump”

    Pelo terceiro dia consecutivo manifestantes foram às ruas nos Estados Unidos em protesto contra a polícia de Donald Trump para a imigração.

    Mais de 300 atos e manifestações foram registrados em todos os 50 estados e no Distrito de Columbia,  neste domingo, 1º de fevereiro de 2026.

    “ICE Out” é  o slogan da campanha de mobilização nacional contra a atuação da polícia especial que Trump criou para retirar os imigrantes ilegais do país.

    Cenas da violência policial e da rejeição da população aos agentes federais de imigração, o ICE, inundam a internet espalhando a indignação.

    A truculência da caçada aos imigrantes ilegais já resultou na morte de dois cidadãos americanos, Alex Pretti e Renee Good, em Minneapolis. Cartazes com suas fotos estão espalhados pelos muros da cidade.

    Nas manifestações deste domingo, destacavam-se os cartazes com a foto do menino Liam Conejo Gomes, de 5 anos, preso pelo ICE. Nascida nos Estados Unidos, a criança foi levada sob custódia federal junto com seus pais, que são imigrantes, durante uma operação de deportação em massa na semana passada.

    Em Minneapolis, o foco da resistência, o movimento organizado envolve a população em ações articuladas, para monitorar cada movimento do ICE e tornar o mais difícil a vida de seus agentes na cidade- desde apitaço para não deixá-los dormir, até a recusa em atendê-los nos restaurantes e lanchonetes.

    Grandes marchas foram registradas em Nova York (em frente a instalações do ICE em Manhattan), Los Angeles, Atlanta, Chicago, Houston, Portland e Austin.
    Houve registros significativos em cidades como Boulder (com um passeio ciclístico e corrida de 5 milhas), Newark, e até cidades rurais e universitárias como Oxford, Ohio.

    Em Los Angeles,  manifestantes arremessaram objetos contra prédios federais, resultando em várias detenções, no uso de gás lacrimogêneo e balas de pimenta.

    Autoridades de Minnesota e prefeitos de grandes cidades seguem com ações na justiça federal para remover o ICE de seus territórios, alegando violações constitucionais.

    Na sexta-feira,  governo enviou para Minneapolis  o todo poderoso Tom Homan (o “czar das fronteiras”). Seria uma tentativa de “apaziguar” a situação. Trump no entanto afirmou que as operações de imigração continuarão.

    Os protestos contra a violência da política de imigração são a “ponta de um iceberg” de revolta social que se forma no país,  misturando descontentamento com os desmandos de Trump aos efeitos de crises estruturais – recessão econômica, desemprego,  insegurança.

    David Brooks, do conservador New Iork Times, num artigo que se tornou um dos mais lidos nesta semana, previu o ” O colapso iminente de Trump”.

    Ele aponta quatro “desmoronamentos fatais”: o desmoronamento da ordem internacional do pós-guerra; o desmoronamento da tranquilidade interna onde quer que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ponham suas botas; o desmoronamento da ordem democrática, com ataques à independência do Fed e — perdoem o trocadilho — acusações forjadas contra oponentes políticos; e, finalmente, o desmoronamento da mente do presidente Trump. Desses quatro fatores, o desmoronamento da mente de Trump é o principal, levando a todos os outros”.

    (Síntese do noticiário dos principais jornais no fim de semana)  

  • Nova Ipiranga: megaprojeto vai impactar 186 mil moradores em 11 bairros

    Nova Ipiranga: megaprojeto vai impactar 186 mil moradores em 11 bairros

    Começou, com uma audiência pública na quarta-feira, 28/01, a discussão do projeto de reurbanização do entorno da avenida Ipiranga,  um dos eixos viários de Porto Alegre.

    O projeto, no formato de uma Operação Urbana Consorciada, é presentado como “um instrumento urbanístico que busca despoluir o Arroio Dilúvio por meio de uma transformação da área, recuperação ambiental, implantação de parque linear e melhorias em mobilidade, saneamento e drenagem”.

    Na verdade é um mega-empreendimento urbanístico- imobiliário que vai transformar uma área de 2,5 mil hectares, onde vivem 186 mil pessoas, equivalente a 14% da população de Porto Alegre.
     Essa é a soma total de habitantes dos bairros que são “cortados” ou tangenciados pelo projeto (como Praia de Belas, Menino Deus, Santana, Azenha, Petrópolis, Jardim Botânico, Partenon, Santo Antônio, Ipiranga, Jardim do Salso e Bom Jesus).
    Além da população residente em áreas consolidadas, o projeto prevê intervenções específicas em comunidades vulneráveis.
    O Estudo de Impacto Ambiental prevê a remoção de aproximadamente 400 famílias que residem em áreas de risco ou locais necessários para as obras de drenagem e saneamento.
    Em contrapartida, estímulos à construção, como isenções e venda de índices, vão ampliar a oferta de moradias e imóveis comerciais através da verticalização dos prédios, que poderão ir até 130 metros.

    “A Nova Ipiranga é uma oportunidade de enfrentar um passivo histórico da cidade”, disse o prefeito Sebastião Melo.  Ele se refere à degradante situação do antigo Riacho, curso natural formado pelas águas que descem dos morros ao sul da cidade para o Guaíba. Nas chuvas do inverno causava inundações numa vasta área da cidade.

    Retificado e canalizado em meados do século passado, transformou-se  numa cloaca a céu aberto chamada Arroio Dilúvio, um canal fétido que atravessa uma área densamente povoada.

    A base do projeto de revitalização é uma “Operação Urbana Consorciada”,  que autoriza a formação de Parceria Público Privada, para captar e gerir os investimentos. Uma lei terá que ser aprovada na Câmara Municipal para viabilizar a operação

    O projeto prevê  “intervenções urbanísticas” para o perímetro de 1.625 hectares ao longo da avenida Ipiranga da Orla do Guaíba até a avenida Antônio de Carvalho.

    O plano de investimentos começa com “um aporte inicial” da prefeitura de R$ 202 milhões para “intervenções que buscam aprimorar a infraestrutura e a qualidade urbana da região”.  Ao mesmo tempo, as mudanças nas regras de construção e ocupação, visando a valorização imobiliária da área para atrair os investidores.

    As demais etapas vão exigir investimentos de R$ 2,75 bilhões, que virão em maior parte da venda de índices construtivos para novas edificações. As projeções indicam um adensamento.

    O projeto começou a ser feito em agosto de 2023, pelo Consórcio Regeneração Urbana Dilúvio, formado por três empresas (Profill, Pezco e Consult) ao custo de R$ 4,49 milhões.

    Agora, após as audiências públicas, o calendário da Prefeitura prevê a remessa do projeto de lei à Câmara de Vereadores, a contratação dos anteprojetos da fase zero e a constituição da sociedade de economia mista para a gestão da operação, ainda em 2026.

    Num cenário pessimista,  a reurbanização irá atrair 40 mil novos habitantes e gerar R$ 560 milhões em receitas de áreas adensáveis.
    Num cenário otimista, com “ampliação significativa do desenvolvimento econômico”, serão atraídos  73 mil novos moradores, arrecadando R$ 1,27 bi.

    A audiência pública realizada em um auditório na sede da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), no bairro Três Figueiras, foi criticada.

    Com cerca de 100 lugares, o local ficou com apenas metade da lotação. Segundo a Prefeitura, cerca de 500 pessoas acompanharam a audiência entre as participações presencial e online.

    A vereadora Juliana de Souza (PT) também criticou a falta de diálogo com as comunidades. “É mais um projeto de benefício do setor privado em detrimento dos direitos da população, e, esse em especial, coloca em risco a população de 110 comunidades populares que vão ser atingidas, com risco de remoção forçada, com risco de gentrificação. As comunidades não estão sendo consultadas. Essa audiência pública foi visivelmente uma audiência esvaziada, num território de difícil acesso, em dia de semana, em que as pessoas estão trabalhando ou estão de férias, e que não é acessível para essas comunidades populares que vão ser diretamente impactadas”.

    Uma das poucas lideranças comunitárias presentes na audiência pública foi Jane Brochado, da Vila São Judas Tadeu. Ela questionou os motivos da inclusão de sua comunidade no estudo, uma vez que a área pertence ao Estado, não ao Município, e já está em processo de regularização fundiária. Ela também demonstrou desconfiança com relação à Operação Urbana Consorciada em vista do uso anterior deste instrumento pela Prefeitura. “Foi feita uma operação dessas na Lomba do Pinheiro e foram prometidas maravilhas. Hoje, temos só os grandes empreendimentos. As ocupações continuam as mesmas, estão mais precárias do que antes. Depois que todos os grandes empreendimentos imobiliários foram feitos, a lei foi extinta”, denunciou.

    Segundo o Sul 21, durante a audiência, participantes da sociedade civil qualificaram a proposta como uma privatização. “Na minha visão estão privatizando o Dilúvio”, afirmou Cláudio Bublitz, mestre em Geografia pela UFRGS. O integrante do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA) Dionisio Neto manifestou posição semelhante: “É uma privatização de toda a Avenida Ipiranga”.

    (*) A população ainda pode participar de forma on-line com contribuições para o projeto até 4 de fevereiro, por meio do formulário eletrônico ou direto pelo link.

    (**) As publicações da apresentação, estudos, minuta do Projeto de Lei, assim como o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental, podem ser acessadas pelo site www.regeneradiluvio.com.br.

     

  • Audiência pública sobre maior projeto agro-industrial do RS não é notícia?

    Audiência pública sobre maior projeto agro-industrial do RS não é notícia?

    Não mereceu manchete nos jornais tradicionais de Porto Alegre a audiência pública sobre a nova fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro, que ocorre neste 29 de janeiro de 2026, às 16h, no Parque Municipal Nenê Naibert.

    A reunião aborda o Projeto Natureza, com investimentos de R$ 24 bilhões, e previsão de 12 mil vagas temporárias na construção  e 1,5 mil empregos diretos/indiretos na operação da fábrica.

    As manchetes tem saudado este chamado “Projeto Natureza”  como o maior investimento privado na história do Rio Grande do Sul, mas tem silenciado sobre o impactos ambientais dessa mega-fábrica, que vai exigir a ampliação dos plantios de eucalipto de 1 milhão de hectares plantados atualmente para 4 milhões de hectare.

    Quando esta área for alcançada nos próximos dez anos no máximo, o Estado terá mais da metade de sua área produtiva (área apta para a agropecuária) ocupada por duas monoculturas, duas commodities, matérias primas de exportação, que pagam pouco ou nenhum impacto.

    Quanto à fábrica,  as entidades ambientalistas alertam para o despejo de mais de 240 milhões de litros de efluentes por dia no Guaíba.

    “Entre os diversos aspectos que preocupam as entidades socioambientais, está a localização do emissário de efluentes líquidos da fábrica — a 3,5 km de Belém Novo, na Capital, próximo de duas novas estações de captação e tratamento de água do Dmae —, além da vazão de efluentes, com substâncias tóxicas, em volumes de 240 mil m3/dia, acima do volume de efluentes de toda a cidade de Porto Alegre”, registrou o Sul21, na quarta-feira..

    A audiência pública desta quinta-feira é a primeira e única prevista no processo de licenciamento ambiental deste mega-projeto.  Por que ela não é notícia? Por que os protestos dos ambientalistas são praticamente ignorados?

    (Cartas para a Redação)

    Obras da nova fábrica estão confirmadas para iniciar em 2026, com operação prevista para 2029.

  • Corrida aos consignados causa colapso no sistema do INSS; em Porto Alegre houve tumulto

    Corrida aos consignados causa colapso no sistema do INSS; em Porto Alegre houve tumulto

    À véspera de uma paralisação programada para atualização do sistema, o INSS foi surpreendido com uma avalanche de acessos em busca de empréstimos consignados.

    O presidente do INSS, Gilberto Waller,  disse em entrevista à Gaúcha que o aplicativo Meu INSS colapsou diante de uma demanda seis vezes maior nos últimos dias.

    Nesta segunda-feira, 26, em Porto Alegre, na agência central do INSS, onde há atendimento presencial, uma grande fila se formou desde cedo e houve tumulto quando as pessoas que estavam há horas sob sol quente foram informadas que o sistema havia caído, sem previsão de retomar.  A Brigada Militar foi chamada para conter os ânimos.

    Segundo o INSS, a situação foi causada por um erro na divulgação de um mutirão de atendimento, que não ocorreu na unidade central.

    O tumulto ficou restrito a Porto Alegre, mas a instabilidade digital é nacional. A suspensão temporária de serviços como bloqueio e desbloqueio de consignado afeta beneficiários em todo o país.
    O aplicativo Meu INSS e a Central 135 já apresentam falhas intermitentes nos últimos dias.

    A causa da corrida é o aumento da margem consignável para aposentados e pensionistas do INSS com o reajuste salarial e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

    O salário mínimo foi reajustado para R$ 1.621,00, representando um aumento de 6,79% em relação ao ano anterior. Benefícios acima do mínimo tiveram um reajuste de 3,90%, elevando o teto do INSS para R$ 8.475,55.

    A isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000, a partir de 1º de janeiro, aumenta o valor líquido do benefício e amplia diretamente a capacidade de crédito para milhões de segurados que antes tinham imposto  retido na fonte.

    Com o novo piso, a margem de 35% destinada a empréstimos subiu para R$ 567,35.
    A nova margem começou a ser liberada após o processamento da folha de pagamento de janeiro de 2026 na semana passada.

    Além da pane momentânea, o INSS confirmou que o sistema passará por uma paralisação programada para modernização a partir desta terça-feira (27/01), às 19h, com retorno previsto apenas para 2 de fevereiro.
    O atendimento presencial será suspenso em todo o Brasil de 28 a 30 de janeiro para a atualização dos sistemas.

     

  • Pesquisa mostra queda no preço da cesta básica em todas as capitais no segundo semestre

    Pesquisa mostra queda no preço da cesta básica em todas as capitais no segundo semestre

    O preço da cesta básica de alimentos caiu em todas as 27 capitais brasileiras no acumulado do último semestre de 2025. As  quedas oscilaram entre -9,08%, em Boa Vista (RR,) e -1,56%, em Belo Horizonte (MG).

    Os dados, divulgados nesta terça-feira (20), são do  Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Desde julho de 2025, a pesquisa engloba todas as 27 capitais do país. Anteriormente, o levantamento era feito apenas em 17.

    Campeã em queda de preço entre as capitais, Boa Vista (RR) teve a redução de -9,08% no valor da cesta básica no último semestre do ano passado, com o preço passando de R$ 712,83 em julho de 2025, para R$ 652,1,4 em dezembro –  R$ 60,69 menor.

    A segunda capital com maior queda no período foi Manaus (AM), com diminuição de -8,12% no preço da cesta, de R$ 674,78 para R$ 620,42, ou seja, custo R$ 54,36 a menos.

    Fortaleza (CE) ocupa o terceiro lugar em diminuição do preço do conjunto de alimentos essenciais: queda de -7,90%, passando de R$ 738,09, em julho, para R$ 677, em dezembro, R$ 61,09 mais barata.

    As capitais que tiveram menores baixas foram Belo Horizonte (MG), Macapá (AP) e Campo Grande (MS) com quedas de -1,56%, -2,10% e -2,16%, respectivamente, no acumulado do período.

    Por regiões, Boa Vista (RR) lidera o cenário de baixa de preços não só nacionalmente, mas também no Norte, assim como Fortaleza (CE), ocupa não somente o terceiro lugar geral, mas também é campeã no Nordeste do país.

    No Centro-Oeste, Brasília (DF), é a recordista em declínio de preço da cesta no período, com variação de -7,65% nos últimos seis meses de 2025.

    No Sul, a capital mais bem colocada é Florianópolis (SC), que teve redução de -7,67% no valor do conjunto de produtos. Vitória (ES) é a capital vencedora no Sudeste do país, com redução de -7,05% no preço da cesta básica de alimentos de julho a dezembro do ano passado..

    Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, o resultado dos últimos seis meses de 2025 demonstram que a política agrícola do Brasil está no caminho certo.

    “Estamos comemorando porque essa queda generalizada é fruto dos investimentos que o governo federal vem fazendo no setor agropecuário brasileiro, aumentando a produção de alimentos para o consumo interno nacional”.
    Ele destacou os planos Safra dos últimos três anos, tanto o empresarial quanto o da Agricultura Familiar.

    “Já são três anos que ambos têm valores recordes, não faltando recursos para o financiamento agrícola, e com juros subsidiados”.
     (Com Agência Brasil)

  • Fiergs prevê expansão do PIB e do emprego com acordo Mercosul-União Europeia

    Fiergs prevê expansão do PIB e do emprego com acordo Mercosul-União Europeia

    Presidente Claudio Bier aposta no aumento no fluxo de comércio entre as duas regiões; entidade estima alta de 4,6% do PIB gaúcho em 15 anos e geração de 31 mil empregos.

    O acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado neste sábado (17), no Paraguai, é “um avanço importante”, segundo a Federação das Indústrias do RS.

    “É um passo importante para o futuro da economia do Brasil e do Rio Grande do Sul, especialmente num cenário em que a diversificação de mercado é essencial”, diz o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, lembrado que “foram mais de 25 anos de negociação”.

    O acordo é benéfico para o Rio Grande do Sul,  segundo Bier. “O crescimento econômico, diz ele, será estimulado pelo aumento das exportações e pela atração de novos investimentos, parcerias e joint-ventures. Dessa maneira, se consolida a inserção do Brasil nas cadeias globais de comércio”.

    A Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS projeta que, ao longo dos próximos 15 anos, as exportações industriais gaúchas para a União Europeia possam se expandir em aproximadamente US$ 801,3 milhões.

    Os setores que devem ser mais beneficiados são tabaco (com expansão de US$ 410,5 milhões), químicos (US$ 138,3 milhões), couro e calçados (US$ 84,3 milhões), alimentos (US$ 63,8 milhões) e celulose e papel (US$ 7,4 milhões).

    Esse aumento sustentado nas vendas industriais no longo prazo implicaria impactos relevantes sobre o mercado de trabalho formal, com a geração estimada em 31 mil novos empregos na Indústria de Transformação gaúcha.

    No plano macroeconômico, o efeito agregado desse choque positivo de demanda externa resultaria em um acréscimo aproximado de 4,6% (R$ 31 bilhões) no PIB do Rio Grande do Sul no horizonte de 15 anos, evidenciando que a intensificação do comércio com a União Europeia tem potencial para produzir efeitos significativos e persistentes sobre a produção, sobre o emprego e a renda no Estado, aprofundando os encadeamentos produtivos já identificados na análise de sensibilidade.

    “Sabemos que há pressão especialmente em países como a França, ainda tenho receio que possa ocorrer algum entrave, mas confio que será mantido o posicionamento majoritário da União Europeia para que possamos aproveitar todos os benefícios para o desenvolvimento do nosso país”, diz o presidente do Sistema FIERGS.

    EXPANSÃO DE MERCADOS

    Em 2025, a UE foi o segundo principal destino como bloco econômico das exportações gaúchas (US$ 2,7 bilhões), representando 13% do total exportado e a quarta principal origem das importações (US$ 1,4 bilhão), representando 11,1% do total importado.

    No mesmo ano, o RS foi o sexto estado brasileiro que mais exportou para a União Europeia e o oitavo que mais importou do bloco.

    Nos últimos cinco anos, o Rio Grande do Sul exportou 3,7 mil tipos de produtos, enquanto a União Europeia importou 5,8 mil mercadorias distintas de diferentes países. A interseção entre esses conjuntos, isto é, produtos que o RS já exporta e que a UE já importa, alcança 3,4 mil itens. Desses, cerca de 2,3 mil mercadorias são atualmente exportadas pelo Rio Grande do Sul para a União Europeia, indicando potencial de ampliação do volume exportado desses produtos com a efetivação do acordo. Os 1,1 mil itens restantes, que o RS exporta para outros mercados e que a UE importa de outros países, configuram um potencial adicional de abertura de mercado e diversificação da pauta exportadora estadual.

    Naturalmente, um acordo desta magnitude poderá gerar sensibilidades em segmentos específicos, porém o tratado prevê um cronograma de desgravação tarifária e dispositivos de salvaguarda amplamente discutidos. Esse prazo gradual de desgravação é fundamental para que os setores mais vulneráveis realizem as adequações necessárias e garantam sua competitividade no mercado internacional. “Em relação aos setores industriais sensíveis, precisamos trabalhar junto aos governos estadual e federal instrumentos de defesa que preservem a competitividade, os empregos e a indústria do Rio Grande do Sul”, afirma Bier.

    OPORTUNIDADES E BENEFÍCIOS DO ACORDO

    •         Crescimento da economia, comércio e investimentos;

    •         Maior diversificação da economia brasileira, proporcionando ganhos mais extensos em termos setoriais;

    •         Impacto positivo sobre outras negociações, ampliando a inserção internacional do Brasil por meio de acordos com países prioritários;

    •         Redução de custos das importações de alta tecnologia, gerando ganhos de produtividade e modernização em áreas que a indústria nacional ainda não atua;

    •         Aumento dos fluxos de investimentos estrangeiros;

    •         Novas possibilidades de joint ventures e associações entre empresas;

    •         Maior segurança jurídica e homologação de práticas aduaneiras para transações de investimentos e comerciais;

    •         Aumento das linhas logísticas e eventual redução de fretes internacionais;

    •         Redução das barreiras técnicas e burocracia;

    •         Maior inserção do Brasil nas cadeias globais de valor;

    •         Aperfeiçoamento institucional do Mercosul;

    •         Boas oportunidades para setores como: celulose, soja, carnes, tabaco, couro, calçados, móveis e máquinas/implementos agrícolas.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Privatização da água foi manchete nos jornais deste fim de semana (em Londres)

    Privatização da água foi manchete nos jornais deste fim de semana (em Londres)

    A privatização dos serviços de abastecimento de água foi manchete neste fim de semana.

    Não em Porto Alegre, onde um polêmico projeto de concessão está em exame na Câmara de Vereadores.

    Foi em Londres, onde o princípio de delegar serviços públicos à iniciativa privada se instaurou, com Margaret Thatcher, há quase meio século.

    “Como as empresas de água se tornaram uma vergonha nacional” foi a manchete de The Independent, no sábado.

    O jornal diz que a Thames Water (empresa que atende Londres) “perdeu toda a credibilidade” depois das últimas falhas que deixaram Kent e Sussex, na região metropolitana de Londres, toda a semana sem água. Foram 75 acidentes num período em que as tarifas subiram 35%. “O dinheiro que deveria ter sido gasto na manutenção e reparação foi desviado para dividendos e bônus aos acionistas”.

    Apesar das altas tarifas, a empresa deve bilhões de libras, mas “os dividendos dos acionistas e os bônus dos executivos não foram afetados”, diz o jornal.

    Sob investigação da agência reguladora, não é descartada uma “nacionalização de emergência”.  O problema seria o custo disso, por que lá houve a venda do patrimônio público, que agora o poder público não tem como reaver.

    Os jornais destacam o plano de reforma (“white paper”) a ser apresentado pelo governo que prevê punições severas, incluindo multas pagas do próprio bolso por executivos de empresas de água em caso de falhas graves.

    Destacam ainda os jornais londrinos que “a polêmica sobre a privatização da água é um tema central em diversos países europeus, onde cresce um movimento por reestatização (ou “remunicipalização”).

    A França “tornou-se o símbolo da reversão desse modelo”. Em 2010, a capital não renovou contratos com gigantes como Veolia e Suez, criando a operadora pública Eau de Paris, que anunciou redução de tarifas e melhoria na eficiência.

    Outros pontos destacados nas edições dos jornais (londrinos):

    Alemanha: “Após forte pressão popular e um referendo, Berlim recomprou as ações de sua empresa de saneamento entre 2012 e 2013”.

    Espanha: “Cidades como Barcelona e Arenys de Munt têm sido palcos de batalhas jurídicas entre prefeituras que tentam retomar o controle da água e concessionárias privadas que alegam quebra de contrato”.

    Portugal: “Há uma tendência de remunicipalização em várias autarquias devido ao aumento excessivo das tarifas e à falta de investimento em infraestrutura rural”.

     

  • Financeira ligada ao Master administrou Fundo do Cais Mauá de onde sumiram R$ 130 milhões

    Financeira ligada ao Master administrou Fundo do Cais Mauá de onde sumiram R$ 130 milhões

    A REAG Investimentos, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central esta semana, deixou um rastro de milhões no Rio Grande do Sul.

    Em março de 2018, ela assumiu a gestão do Fundo de Investimentos em Participações do Cais Mauá, o principal cais de Porto Alegre, desativado e, desde 2010, concedido a um consórcio privado.

    O consórcio ganhou a concessão e criou um Fundo de Investimentos e Participações para engajar investidores no projeto, orçado em R$ 350 milhões, que incluía a construção de nove espigões de 30 andares à beira do Guaíba.

    Uma operação da Polícia Federal, meses depois, revelou que o Fundo Cais Mauá, administrado inicialmente pela Icla Trust, captara R$ 130 milhões de investidores, dos quais R$ 40 milhões já haviam sido consumidos em “despesas operacionais”,  sem que nenhuma obra tivesse iniciado.

    As investigações da PF apontaram que a maior parte daqueles R$ 130 milhões havia sido captada junto a entidades de previdência privada de servidores públicos, e de maneira fraudulenta.  Muitas queriam o dinheiro de volta.

    O IPE, Instituto de Previdência do Estado, dos funcionários públicos estaduais do Rio Grande do Sul, era uma delas.

    A Reag alegou que assumira a gestão do fundo exatamente para sanar as irregularidades, praticadas na gestão anterior, da Icla Trust.

    As revelações da PF, no entanto, levaram ao rompimento do contrato de concessão do governo do Estado  com o consórcio Cais Mauá, em julho de 2019. A PF prosseguiu com as investigações, mas o assunto saiu do noticiário.

    Em 2023, a PF revelou que dados coletados na operação de 2018 (Operação Gatekeepers) ajudaram a identificar um esquema maior de desvio de R$ 239 milhões de
    regimes de previdência em diversos estados brasileiros.
    O mesmo esquema adotado pelo FIP Cais Mauá.

    Em setembro de 2025,  a REAG e seu fundador, João Carlos Mansur, foram alvos da Operação Carbono Oculto  que investigou lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado (PCC) e ao setor de combustíveis.

    Neste janeiro de 2026, João Carlos Mansur foi preso e  a Reag tornou-se alvo central da investigação das fraudes bilionárias em fundos de investimento ligados ao Banco Master.

    O Fundo Cais Mauá tinha  R$ 130 milhões quando iniciaram as investigações da PF,  R$ 40 milhões haviam sido gasto em “despesas operacionais” e restavam R$ 90 milhões. Em janeiro de 2026, o FIP Cais Mauá do Brasil CNPJ 17.213.821/0001-09 consta como encerrado.

    Os R$ 90 milhões remanescentes mencionados nas fases iniciais da Operação Gatekeepers (2018) foram consumidos ao longo dos anos “por desvalorização de ativos, custos de manutenção de uma estrutura paralisada e taxas de administração”.  

    Registros financeiros de 2026 indicam que o fundo possui  patrimônio líquido de R$ 0,00 e status de “cancelado” ou “encerrado” nos sistemas de análise de ativos.

    Institutos de previdência que investiram no fundo tiveram que reconhecer a perda integral do capital, pois o fundo não possuía liquidez nem ativos reais após o cancelamento do contrato de concessão anterior.
    Embora o dinheiro não tenha sido recuperado,  em 16 de dezembro de 2025, o Colegiado da CVM absolveu  os dez acusados de fraude. O entendimento foi de que não houve prova de dolo (intenção de fraudar) nas operações de transferência de ações, mas sim um insucesso empresarial agravado pela rescisão do contrato pelo governo estadual em 2019. 
  • Lula sanciona orçamento de 2026 com corte de quase R$ 500 milhões nas universidades federais

    Lula sanciona orçamento de 2026 com corte de quase R$ 500 milhões nas universidades federais

    O presidente Lula sancionou a Lei Orçamentária de 2026  mantendo o corte de R$ 488 milhões na verba das universidades federais, aprovado anteriormente pelo Congresso.
    O corte incide sobre os recursos destinados ao custeio básico, como contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial.
    Há uma preocupação direta com a redução de bolsas e programas de permanência para estudantes de baixa renda.
    Com os cortes, a verba orçamentária das 69 universidades  caiu para cerca de R$ 6,43 bilhões, 7% a menos do que o executado em 2025, sem considerar a inflação do período.
    Reitores apontam que a redução nesses recursos “pode consolidar um ciclo de precarização administrativa e científica, dificultando o funcionamento pleno das universidades federais ao longo de 2026”.
    O governo justificou o corte como parte do esforço para cumprir as metas do arcabouço fiscal.
    Lula sancionou o orçamento aprovado pelo Congresso com veto a apenas dois dispositivos que destinavam cerca de R$ 400 milhões para emendas parlamentares, que não estavam previstas no projeto original.

     

     

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    A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou uma nota manifestando “profunda preocupação” com os cortes no orçamento das Universidades Federais feitos pelo Congresso Nacional durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A entidade pede a recomposição imediata dos valores, “sob pena de comprometer o funcionamento regular das universidades e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.”

    De acordo com cálculos feitos pela própria Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais acabou sendo cortado em 7,05%, o que significa uma redução de R$ 488 milhões.

    “Esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior”, diz a nota publicada pela associação.

    A Andifes argumenta ainda que os cortes, de aproximadamente R$ 100 milhões, na área de assistência estudantil, comprometem diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, “colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público”.

    “Os cortes aprovados agravam um quadro já crítico. Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra”, complementa o texto.

    De acordo com a Andifes, cortes semelhantes também vão impactar o orçamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

    “Estamos em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, diz a entidade.

  • Banco Master: “Maior fraude da história” começa com uma pequena corretora há 50 anos…

    Banco Master: “Maior fraude da história” começa com uma pequena corretora há 50 anos…

    A história do Banco Master começa discretamente com a fundação da Máxima Corretora de Valores e Títulos Imobiliários, em 1974.

    Quinze anos depois, em 1990 a corretora foi transformada em banco múltiplo, tornou-se o Banco Máxima..Quase 30 anos se passaram até 2017, quando Daniel Vorcaro, então, empresário do ramo imobiliário, entrou de sócio, aportando cerca de R$ 45 milhões para sanar a “insuficiência de recursos” do banco. Em setembro daquele mesmo ano, Vorcaro assumiu o controle, mas só em outubro de 2019, o Banco Central concedeu a autorização formal para a troca de controle das mãos do antigo proprietário, Saul Sabbá, para Daniel Vorcaro.

    Dois anos depois, após a consolidação da nova gestão e uma injeção total de capital superior a R$ 400 milhões, o Banco Máxima foi oficialmente rebatizado como Banco Master. A mudança de nome consolidou a nova fase do banco, marcada por uma estratégia de crescimento arrojado, incluindo diversas aquisições e foco em CDBs de alto rendimento.

    Segundo apurou a Polícia Federal, já no processo de compra do antigo Banco Máxima já teria havido fraude, incluindo o uso de terrenos superfaturados para inflar o patrimônio da instituição durante esse período de transição. Só em 2024, porém, começaram as investigações, quando já eram evidentes os sinais sobre a saúde financeira do banco e irregularidades na venda de carteiras de crédito. No início de 2025, Vorcaro ainda tenta uma saída, com a venda do Master para o BRB (Banco de Brasília). A diretoria do BRB chegou a aprovar a compra de participação majoritária no Master, mas a operação foi vetada pelo Banco Central (BC) em setembro, citando riscos excessivos.

    Dois meses depois, foi decretada a intervenção no Master. No dia 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por “grave situação de iliquidez” e “graves violações” às normas financeiras. Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu Daniel Vorcaro e outros executivos por suspeita de fraude bilionária.

    O caso segue em investigação, com discussões no TCU e no STF sobre as responsabilidades e os desdobramentos financeiros, que podem impactar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em até R$ 55 bilhões.