Propaganda do governo em sites de fake news é a ponta do iceberg

Reunião da CPMI que investiga as fake news

Em 40 dias, dois milhões de anúncios do governo federal foram veiculados em 47 canais de notícias falsas, 12 de jogos de azar e quatro canais de conteúdo sexual.

A informação é de um relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o fenômeno das fake news, as notícias falsas que se tornaram uma praga na internet.

O secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, minimizou o problema dizendo que esses dois milhões representam 4% de um total de 47 milhões de anúncios veiculados.

E que não foi decisão do governo programar esses canais, pois “não é o governo que define quais os sites que terão anúncios utilizando ferramenta de publicidade na internet, e sim a plataforma”.

O secretário de Publicidade, Glen Valente, disse à Agência Brasil  que “não é papel da Secom censurar sites e nem definir os veículos que são impróprios para anúncios na internet”.

Nada disso diminui o tamanho do problema, que recém começa a ser enfrentado.

Os técnicos a serviço da CPI pediram à Secom um levantamento dos anúncios veiculados no Google num período de 11 meses, mas até agora só conseguiram acesso acesso dos dados 6 de junho e 13 de julho de 2019.

Segundo o secretário, se fossem efetivados esses 2 milhões de anúncios – o que o governo não confirma – o custo máximo dessa publicidade seria de R$ 10 mil, em um total de R$ 72 milhões utilizados na campanha pela reforma da Previdência.

Argumento que também não minimiza o problema, segundo a CPI. Mais do que o desperdício do dinheiro público,  grave é a canalização de recursos do governo estimulando atividades ilegais.

Além da CPI no Congresso, as fake news na internet também são alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal, que investiga ataques e ameaças a ministros.

Na semana passada, por determinação judicial  uma operação da Policia Federal fez buscas e apreensões nas casas de 29 blogueiros e apoiadores do presidente Bolsonaro, entre eles o blogueiro Allan Santos e o empresário Luciano Hang.

A ação policial provocou um discurso indignado do presidente, que definiu como “atentado à liberdade de expressão”.

Este inquérito que nesta quinta-feira ouve a deputada Carla Zambelli pode se tornar ameaçador para o governo se confirmados os indícios de que ataques disseminados por rede clandestina partem de servidores abrigados em gabinetes palacianos.

 

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