Protestos em todo o país: tiros que mataram Renee Nicole podem também ser fatais para Donald Trump

Renee Nicole Good. Foto: Reprodução

Ainda não se sabe o número exato de mortos no ataque à Venezuela em que uma força militar dos Estados Unidos sequestrou o presidente Nicolás Maduro, na madrugada de sábado. Noticiou-se que seriam 23, depois 40, 80 e agora, quase uma semana depois, 100.

Militares da guarda presidencial, inclusive 36 cubanos, seriam a maioria dos mortos, mas há também um número incerto de civis. Não se sabe ainda o nome de nenhum deles.

Diferente é o caso Renee Nicole Good,  37 anos, morta a tiros por um agente federal de imigração, na noite da quarta-feira, no interior dos Estados Unidos.

Em 24 horas, sua fotografia e detalhes de sua vida estavam em todos os jornais e tvs e uma onda de protesto se alastrava pelo país. Ela tornou-se um caso exemplar do que a violência dos métodos de Donal Trump pode provocar.

Mãe de três filhos, Renné havia se mudado há poucos meses para a Minneapolis, cidade de 500 mil habitantes, no centro-oeste americadno.

Era uma poeta premiada e guitarrista amadora, e, segundo a senadora representante do Estado de Minnesota, Tina Smith, “uma cidadã norte-americana”.

Sua mãe, Donna Ganger, disse ao jornal Minnesota Star Tribune que sua filha estava “provavelmente apavorada”  e que ela era “uma das pessoas mais gentis que já conheci”.
“Ela era extremamente compassiva”, disse Ganger ao jornal. “Ela cuidou de pessoas a vida toda. Ela era amorosa, generosa e afetuosa. Era um ser humano incrível.”
“Que a vida de Renee seja um lembrete do que nos une: liberdade, amor e paz”, escreveu o presidente da Old Dominion University, Brian Hemphill.

Várias lideranças estaduais disseram que Good estava no local de uma operação do ICE no sul de Minneapolis como observadora legal — uma voluntária que monitora as forças policiais e de segurança em protestos e operações.

O objetivo deles é ajudar a manter a calma, deter condutas impróprias e garantir que os direitos legais sejam respeitados.
A mãe de Good disse ao Minnesota Star Tribune que sua filha “não fazia parte de nada” que envolvesse desafiar os agentes do ICE.
Mas autoridades da Casa Branca, incluindo o presidente, disseram que Good não estava apenas observando, como também interferindo no trabalho dos agentes.
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, disse que Good estava “perseguindo e impedindo o trabalho deles” o dia todo ao “bloqueá-los” com seu carro e “gritar com eles”.
Good “usou seu veículo como arma”, disse Noem a repórteres, e teria tentado atropelar um dos agentes “em uma tentativa de matar ou causar danos corporais aos agentes, um ato de terrorismo doméstico”.

O governo Trump a chamou de “terrorista doméstica” e o presidente, antes mesmo de saber detalhes do caso, disse que  o policial que desferiu os tiros contra o carro da vítima “podia contar com todo o apoio do governo, pois havia cumprido seu dever”.

Vários vídeos gravados no local desmentem a versão do governo e o caso ameaça sair do controle. Ao contrário das outras, que provavelmente ficarão impunes, essa morte pode custar muito caro a Donald Trump.