Quatro batalhões da PM seguem amotinados em Fortaleza; Bolsonaro fala em "guerra urbana"

Relato do repórter Alan Magno, do Povo:
Esposas de policiais militares (PMs) estão desde o fim da tarde desta quinta-feira concentradas em frente ao 18° batalhão de Fortaleza, no bairro Antônio Bezerra. Elas montaram uma espécie de corrente humana na entrada do edifício e estão orando em prol dos policiais.
O clima no local ainda é de tensão e de várias viaturas da PM e do Corpo de Bombeiros enfileiradas, sem operar. Uma aeronave das forças de segurança do Estado sobrevoa as proximidades. Amotinados bradam em coro: “Eu não vou embora”. 
O 18° BPM, onde se deu o conflito em que o senador Cid Gomes foi baleado na quarta-feira, foi um dos três batalhões que amanheceram fechados por policiais amotinados em Fortaleza.
Os outros dois – o 22º BPM, no Papicu, e o 16º BPM, na Messejana – foram ocupados na manhã desta quinta, 20. Em Caucaia, o 12º batalhão também amanheceu fechado. Não há informações sobre o número dos amotinados
Durante o dia muitos boatos de invasões unidades policias tornaram o clima ainda mais tenso na capital cearense. No centro, manifestações de insegurança entre os comerciantes.
Por volta do meio dia desembarcaram os primeiros 50 homens da Força Nacional de Segurança, em seguida chegou a noticia do decreto de Garantia da Lei e da Ordem assinado por Bolsonaro e que autoriza a intervenção das Forças Armadas no Estado.
Mas no fim da tarde a tensão voltou a subir: um grupo de homens encapuzados cercou uma viatura da Polícia Civil, afastou os agentes e levou o carro, encontrado pouco depois.

Em Brasilia, o presidente Jair Bolsonaro, em rede social, disse que a situação no Ceará é de guerra urbana e com a chegada de militares ao estado, “o bicho vai pegar”.

“O pessoal que está cometendo delitos, crimes nessas regiões, onde, por um motivo qualquer, por um motivo justo, estão indo as Forças Armadas para lá – tem que entender que o pessoal verde está chegando, e o bicho vai pegar. Porque, se é para tratar com flor essa galera, não fiquem enchendo nosso saco e vão pedir para outras instituições para cumprir esta missão”, afirmou Bolsonaro na transmissão ao vivo.

“Isso é coisa de responsabilidade, coisa séria. Se estamos em guerra urbana, temos que mandar gente para lá para resolver esse problema.”

A crise da polícia militar no Ceará, além do risco local, embute outro perigo: o contágio para outros Estados.

Segundo o Globo, pelo menos em dez Estados há uma situação de conflito entre a polícia militar e o governo, por conta dos baixos salários e as más condições de trabalho, principalmente na base que enfrenta a bandidagem.

(Com informações de O Povo e G1)

 

 

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