O ministro da Saúde, Nelson Teich, não aguentou um mês no cargo.
Um dia depois de os dados oficiais registrarem que o país passou dos 200 mil casos confirmados de coronavírus e registrado quase 14.000 mortes, ele pediu demissão.
As informações iniciais indicam que ele não aguentou as pressões do presidente Bolsonaro por flexibilizar as medidas de contenção da pandemia e insistir no uso da cloroquina, medicamento cuja ineficácia e riscos no tratamento da Covid-19 já estão amplamente comprovados.
A demissão de Teich, oncologista e consultor na área médica, foi anunciada em uma breve mensagem do WhatsApp do Ministério da Saúde na manhã desta sexta-feira,15.
Teich assumiu o cargo depois de Bolsonaro demitir seu antecessor, Luiz Mandetta, em 16 de abril, após divergências sobre medidas de isolamento social.
Inicialmente, Teich parecia seguir a linha de Bolsonaro, mas nas últimas semanas ele vinha discordando cada vez mais do presidente sobre isolamento social e uso de cloroquina, que ele descreveu como uma “incerteza”.
Bolsonaro disse na quinta-feira que queria mudar o protocolo que regulamentava o uso do medicamento, estabelecido por Mandetta.
Na segunda-feira, Teich já havia passado um vexame ao descobrir, durante uma entrevista coletiva, que o presidente havia emitido um decreto que classificava academias, salões de beleza e barbeiros como serviços essenciais. “Esta não foi a nossa atribuição, foi a decisão do presidente”, disse ele , parecendo confuso.
O Brasil registrou 844 novas mortes em 24 horas na noite de quinta-feira, elevando o total para 13.993 e agora possui 202.918 casos, tornando-se o sexto país mais impactado do mundo, segundo dados da Universidade John Hopkins .
Interinamente, deve ocupar o cargo de Teich o general Eduardo Pazuello, que já está na secretaria-executiva da pasta, indicado por Bolsonaro.
No Planalto, segundo o G1, uma ala defende que Pazuello fique interino e o governo escolha “com calma” um substituto. Outro grupo quer efetivar o general.
O ex-ministro Osmar Terra é o principal candidato à sucessão e, nos últimos dias, estava numa ofensiva para mostrar-se alinhado ao presidente.
NR: Foi corrigida a informação inicial de que o general Pazuello tem formação médica. O general era comandante da 12ª Região Militar da Amazônia e ficou conhecido nacionalmente por ter coordenado a Operação Acolhida, que cuidava da entrada de refugiados venezuelanos em Roraima.


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