Evento no IAB cobra debate sobre revisão do Plano Diretor

Quem manda nas cidades?
A pergunta provocativa foi lançada pelo Instituto dos Arquitetos (IAB RS) a dois estudiosos do assunto: a ex-reitora da Ufrgs Wrana Panizzi, mestre em planejamento urbano, e o professor Paulo Roberto Soares, especializado em geografia urbana.
Não chegou a ser um debate, foram exposições complementares, dentro de uma visão crítica a um neoliberalismo que vê a cidade como um ativo que precisa ser rentabilizado, não como um espaço de uso coletivo..
Um público formado por estudantes de arquitetura, urbanistas e arquitetos lotou o auditório.
O presidente do IAB, Rafael Passos, explicou que  a pergunta provocativa tinha a ver com o atraso nas discussões do Plano Diretor de Porto Alegre.
Pelo Estatuto da Cidade, o plano tem que passar por uma revisão em 2020, já deveria estar em audiências públicas. O prefeito, a quem compete a iniciativa, ainda não se manifestou.
Quem manda nas cidades?
Para ir às origens do problema, o professor Soares discorreu sobre o processo de globalização coma

Paulo Soares: a financeirização e o mercado imobiliário

ndado pelo capital financeiro. Os ativos (papéis e moeda) em poder dos bancos são três vezes o PIB mundial.
O território, no caso, a cidade é onde esse poderio financeiro se materializa. Mas ele não se impõe num choque. É um longo processo de difusão de conceitos, até chegar a uma psicosfera, definição do geógrafo Milton Santos para consensos artificialmente construídos.
Nestas condições, o Estado que seria o mediador a preservar os interesses da sociedade está também cooptado.
Coube à Wrana Panizzi refletir sobre essa situação. “Pode-se simplificar dizendo que quem manda nas cidades são os ricos e poderosos, mas não é bem assim”, disse ela.
Há, no processo, uma relação entre estado e mercado que se altera ao longo do tempo. Ao tempo de Getúlio Vargas, por exemplo, a ideia de um planejamento estatal atendia aos interesses do capital, mas não deixava de atender também a necessidades da população.
Essa mediação do Estado, no entanto, vem se deteriorando a tal ponto que se está chegando à “cidade operacional”, o espaço urbano onde se vai, sem mediações, “materializar as propostas do capital”.
Para conferir o debate na íntegra acesse o link:http://www.facebook.com/IABRS/videos/1295280747312625/
 
 
 

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