A advertência foi feita pela Agência Nacional de Mineração (ANM) numa audiência pública na Justiça Federal em Belo Horizonte, nesta sexta, 21, véspera do carnaval.
As barragens em risco iminente são: Forquilhas I e III, entre Ouro Preto e Itabirito, Sul Superior, em Barão de Cocais, e B3/B4, em Macacos,
Um representante da ANM disse na audiência que as construções apresentam falhas estruturais em decorrência da “falta de manutenção e monitoramento”.
A Vale limitou-se a informar que “realiza inspeções regulares em suas barragens, e que trabalha para permitir o acesso controlado nas estruturas”.
Em matéria publicada no dia anterior a repórter Daniele Franco (O Tempo, de BH) relata que “uma inspeção realizada na última semana pela Agência Nacional de Mineração (ANM) constatou novas anomalias em quatro barragens da Vale já no nível máximo de risco de rompimento”.
A reportagem teve acesso à ata de uma reunião de conciliação realizada na última segunda-feira (17), onde estiveram presentes representantes da ANM e dos ministérios públicos Federal e Estadual e do advogado-geral da União, Gustavo Correa.
Na ocasião, o gerente de segurança de barragens da agência, Luiz Paniago Neves, afirmou que as barragens estão há um ano sem monitoramento e manutenção presenciais, o que piorou progressivamente o estado das estruturas. “Se o empreendedor e as consultorias não puderem atuar diretamente nas barragens, elas fatalmente se romperão”, disse.
Uma fonte confiável disse ao JÁ que o risco de colapso das barragens agora divulgado foi constatado em novembro e que os engenheiros que fizeram o laudo “ficaram dias sem dormir”
Muro de 60 metros de altura
O trabalho da Vale para mitigar os riscos de rompimentos nas barragens tem sido, basicamente, a construção de muros de contenção, segundo a mineradora.
Todas as barragens monitoradas pela ANM têm obras em andamento e a previsão da mineradora é de que os muros estejam todos prontos neste mês.
Para Forquilhas I e III, o muro será o maior e terá 315 metros de comprimento e 60 metros de altura (um prédio de 20 andares) e ficará a 11 km das barragens. Contra os rejeitos de B3/B4, em Macacos, o muro estará a 8 km da barragem e terá 190 metros de comprimento e 30 metros de altura.
Na mina de Gongo Soco, os rejeitos de um eventual rompimento da barragem Sul Superior serão contidos por um muro de 206 metros de comprimento e 36 metros de altura, a 6 quilômetros do local.
O que diz a Vale
Em nota, a mineradora informou que “todas as barragens no Estado são monitoradas por instrumentos e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico”.
A íntegra:
“Todas as barragens da Vale no Estado são monitoradas permanentemente por diversos instrumentos, como piezômetros manuais e automatizados, radares e estações robóticas, câmeras de vídeo e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico.
Durante o período de chuvas, a empresa aumenta as inspeções de campo e reforça o número de equipes que ficam de prontidão para eventuais emergências.
A Vale reforça que não houve alteração nos dados técnicos das barragens Forquilhas I e III, Sul Superior e B3/B4 ao longo dos últimos meses e que as últimas inspeções não detectaram anomalias”.
(Com informações do G1, O Tempo, TRF1 e ANM)


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