Trump retoma campanha em cidade marcada por massacre racista

Queima de prédios no massacre de Tulsa, em 1821. Foto: Biblioteca do Congresso/Reproduçao

Donald Trump retoma seus comícios em busca da reeleição nesta sábado desafiando o bom senso.

No ambiente carregado por manifestações anti-racistas que se repetem por todo o pais, ele vai a Tulsa, uma cidade no Oklahoma, que guarda a memória de um dos maiores ataques dos supremacistas brancos, 0corrido há 99 anos.

Na noite de 31 de maio de 1921 uma horda de brancos invadiu o próspero bairro negro de Greenwood, em Tulsa,  atirando indiscriminadamente em centenas de civis negros e incendiando os negócios, casas, hotéis, igrejas e cinemas no que era então conhecido como “Black Wall Street”.

Foi um episódio de terror que assombra esta cidade desde então. Cerca de 300 negros foram assassinados, cujos corpos, na maioria nunca foram encontrados. Até hoje existe um comitê local que busca por eles.

Será o primeiro comício da campanha de Trump  desde o início da pandemia de coronavírus e desafia também as recomendações de autoridades de saúde.  A decisão de realizar uma manifestação em Tulsa causou indignação  na comunidade afro-americana.

O massacre de 1921 em Tulsa ocorreu no auge da segregação racial no sul profundo e no meio-oeste dos Estados Unidos.

Foi provocado por confrontos entre uma multidão de linchadores brancos que exigiram a custódia de um afro-americano de 19 anos – acusado falsamente de agredir sexualmente uma jovem branca – e um pequeno grupo de negros armados que veio para defendê-lo.

Em 24 horas, instalou-se o “caos sangrento”:  uma próspera comunidade de cerca de 10.000 negros viu suas vidas e meios de vida destruídos por brancos recrutados agindo em nome do estado.

Nenhum americano negro jamais foi compensado por suas perdas. Nenhum americano branco foi acusado pelo incidente. Foi referido como um “motim racial” em vez de um massacre.

Segudo o Guardian, cerca de 70 apoiadores de Donald Trump estão acampados no centro de Tulsa desde o início da semana, para garantir uma vaga no comício.

Alguns usam chapéus e alfinetes representando a bandeira de batalha confederada, um símbolo do passado de escravos da América.

Blocos de concreto foram erguidos nos principais cruzamentos.

Na noite de quinta-feira, o prefeito de Tulsa anunciou um toque de recolher noturno na cidade, enquanto as preocupações com a agitação continuam aumentando.

As autoridades de saúde pública da cidade pediram que a campanha fosse adiada, citando temores da disseminação incontrolável do vírus entre os participantes.

O Guardian registrou que o diretor de comunicações estratégicas de Trump, Marc Lotter, passeava entre apoiadores no início da semana, ladeado por dois guardas de segurança privados, dizendo que o comício era “um grande exemplo de democracia”.

Leia mais: http://www.theguardian.com/us-news/2020/jun/19/tulsa-oklahoma-white-supremacist-massacre-trump-rally

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