A democracia brasileira está encalhada nas águas rasas de uma imprensa que, em tese, deveria dar calado ao seu livre curso.
Vem de longe, mas reserve o passado. Pegue uma manchete dos últimos dias: o projeto para tirar a autonomia dos governadores no controle sobre as polícias militares.
Gestado em 2019 e 2020 ( na verdade adaptado de um antiga proposta centralista), chegou as manchetes (num “furo” do Estadao) neste janeiro quando já tem relator e disputa a pauta da Câmara.
Graças a autonomia do governadores sobre as Policias Militares, pode Leonel Brizola impedir o golpe em 1961, amparado na Brigada Militar.
Três anos depois, sob as ordens de Ildo Meneghetti, golpista de primeira hora, a mesma Brigada seria decisiva para desarmar qualquer chance de resistência ao golpe no Rio Grande do Sul.
Bolsonaro não esconde sua disposição de se manter no poder a qualquer custo. “Só papai do céu me tira daqui”, não é a frase?
A mudança proposta no controle das Policias Militares atende aos propósitos do presidente e, não por acaso. o relator é o deputado José Augusto Rosa, o capitão Augusto, da PM paulista.
” E inconstitucional, não passa”, diz o professor de ciência política e todos se tranquilizam. Mas o essencial já está plantado. O projeto, mesmo não aprovado, é instrumento para galvanizar e ampliar os apoios que Bolsonaro já tem nas PMS.
Ele terá mais uma chance de repetir sua frase predileta para o público interno: “Eu tentei, não me deixam fazer”.
O que teria acontecido se o Estadão tivesse revelado em 2019, que no ministério da Justiça ocorriam reuniões para um projeto golpista?
Pegue, agora aquele passado reservado. O que teria acontecido se o diretor do Estadão denunciasse em manchete o golpe que se tramava nas reuniões de que ele participava nas vésperas de 1964?
O Estadão aqui é apenas um caso exemplar, de uma imprensa que não atende às demandas por informação que uma democracia tem.
Não é só no Brasil, mas reserve o caldo internacional.

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