Vargas: o que há de atual num presidente que se suicidou há 65 anos

Menos de dez por cento dos brasileiros de hoje eram nascidos no dia 24 de agosto de 1954, o dia em que o Brasil acordou com a notícia do suicídio do Presidente da República.
Mas o gesto de Getulio Vargas que foi ditador e, depois, presidente eleito pelo voto popular permanece como um enigma que desafia a todos os brasileiros.
Todo o país sabia naqueles dias que Vargas estava acossado por uma crise que unia a elite conservadora e militares contra ele. Mas Vargas era um mestre em esvaziar as crises.
Uma reunião ministerial terminou de madrugada, o presidente se licenciaria do cargo no dia seguinte. Vargas recolheu-se para seu quarto, no palácio. Saiu, pouco depois,  foi até o gabinete de trabalho, voltou, com “um objeto na mão”.  Às 8h30 um estampido ecoou no palácio. A filha, Alzira encontrou Vargas inclinado sobre a cama, o pijama ensanguentado, o revólver do lado.
As edições extras dos noticiários de rádio e dos jornais impressos se multiplicaram como um rastilho de pólvora pelo país.  Mesmo numa cidade longínqua como Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, o diário local, A Platéia às dez horas da manhã circulava com edição extra e manchete feita às pressas pelo tipógrafo: “Suicidou-se o Presidente da República, G.Vargas”
Foi um raros dias na história brasileira em que o povo em fúria foi ás ruas e depredou os símbolos dos seus inimigos: as sedes dos partidos de direita, os jornais e rádios que faziam campanha contra o presidente e as empresas que alimentavam essa campanha.
Os vários rascunhos da carta indicam que ele trabalhou a idéia do suicídio como uma estratégia politica: transformar a sua derrota na derrota também de seus inimigos que seriam “os inimigos do povo”.  “O povo de quem fui escravo não será mais escravo de ninguém”, escreveu em sua carta-testamento.
Homem da elite, Vargas acreditou na conciliação das classes e tentou promovê-la, ampliando direitos sociais e trabalhistas. Foi levado ao suicídio, que era a única saída que ele concebia para resgatar um fracasso.

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