Versão que implica Manuela DÁvila é antecipada em editorial de O Globo

Em artigo postado às 4h30 da madrugada deste sábado, 27, o jornalista Merval Pereira, do Conselho Editorial das Organizações Globo, aponta a nova etapa das investigações da Polícia Federal sobre o hackeamento de telefones de autoridades brasileiras.
Ele diz que os investigadores não acreditam que Walter Delgatti Neto, que confessou o crime, tenha passado os arquivos ao The Intercept sem receber nada em troca, como ele afirmou em seu primeiro depoimento.
“Chegamos agora a esse ponto de seguir o dinheiro”, diz Merval Pereira.
E dá a pista de por onde poderão seguir as apurações:
“Ao revelar que Manuela  d’Ávila, a ex-candidata a vice do petista Fernando Haddad na eleição de 2018, foi a intermediária entre ele e o editor do The Intercept Brasil Glenn Greenwald, o hacker Walter Delgatti colocou-a na chamada sinuca de bico”.
“Ter intermediado a entrega do produto de um crime para um jornalista pode implicar cumplicidade, na visão de alguns. Há, porém, quem considere que a ex-deputada apenas agiu como uma pessoa que informa a um jornalista sobre um fato de que teve conhecimento”.
“O problema muda de figura no caso de ter havido um pagamento nessa cadeia de informantes. Não parece provável que um estelionatário seja movido apenas por “fazer justiça, trazendo a verdade para o povo”.
“Se o grupo atuou sob encomenda de alguém, quem contratou é cúmplice, co-autor do crime”.
“Se Manuela d’Ávila participou da negociação para a compra do material, poderá ser acusada de cumplicidade. E, se um partido político foi o negociador da compra, será  possível enquadrá-lo criminalmente, mas duvidoso o resultado”.
“Um caso assim aconteceu durante a campanha presidencial de 2006, quando um grupo de petistas foi flagrado comprando, em dólar, um dossiê que supostamente implicaria o candidato tucano José Serra em falcatruas no ministério da Saúde”.
“No caso presente, se Walter Delgatti insistir nessa versão fantasiosa, a Polícia Federal poderá usar seu Telegram para confronta-lo com as conversas que teve com Manuela d’Ávila e Glenn Greenwald”.
 
 

Um comentário em “Versão que implica Manuela DÁvila é antecipada em editorial de O Globo”

  1. Manuela, em sua declaração diz:
    2. Pela invasão do meu celular e pelas mensagens enviadas, imaginei que se tratasse de alguma armadilha montada por meus adversários políticos. Por isso, apesar de ser jornalista e por estar apta a produzir matérias com sigilo de fonte, repassei ao invasor do meu celular o contato do reconhecido e renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald.
    Notaram a frase “repassei ao invasor do meu celular…” ? ora, para que o invasor do celular da Manuela iria pedir para ela o telefone do Glenn Greenwald? se ele havia invadido o celular dela, é óbvio que já tinha o número de todos os contatos dela.
    Então, houve sim mais alguma coisa entre o invasor e a dona Manuela. Resta saber se não terá sido algum tipo de negociação para a venda das informações.
    morrowh@hotmail.com

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