Mantidas as tendências atuais, as consequências negativas da cadeia do plástico (da produção ao descarte) na saúde humana vão mais do que duplicar até 1940.
É a conclusão de um estudo publicado na revista Lancet Planetary Health, nesta segunda-feira, 26.
A pesquisa identifica extensos danos à saúde, como doenças respiratórias e câncer, em todas as etapas do ciclo de vida do plástico, desde a extração da matéria-prima até o descarte.
O aumento projetado dos impactos na saúde leva em conta principalmente as emissões de gases de efeito estufa (40%), poluição do ar (32%) e produtos químicos tóxicos (27%) liberados em todo a cadeia do plástico.
O estudo calcula a perda anual de anos de vida saudável devido aos plásticos e concluis que vai aumentar de 2,1 milhões de anos, em 2016, para 4,5 milhões em 2040. Considerando uma idade média de 70 anos, significa que o número de mortes passará de 300 mil por ano em 2016, para 642 mil em 2040
O estudo conclui que uma “mudança completa do sistema”, incluindo limites na produção e melhoria na gestão de resíduos, é necessária para reduzir significativamente o impacto global na saúde.
Os pesquisadores identificaram riscos em todas as etapas, desde a extração de combustíveis fósseis e a produção de materiais até o descarte de plásticos e sua subsequente liberação no meio ambiente.
Isso inclui uma série de doenças graves, como enfermidades respiratórias, vários tipos de câncer e as implicações mais amplas do aquecimento global para a saúde.
A pesquisa de modelagem, liderada por especialistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), juntamente com a Universidade de Toulouse e a Universidade de Exeter, analisou vários cenários futuros para a produção, o consumo e a gestão de resíduos de plásticos entre 2016 e 2040.
Em um cenário de “normalidade”, suas descobertas sugerem que os impactos negativos dos plásticos na saúde poderiam dobrar.
De acordo com a modelagem, as emissões de gases de efeito estufa e o aquecimento global associado seriam responsáveis por 40% desses danos à saúde.
A poluição atmosférica – proveniente principalmente dos processos de produção de plásticos – pode ser responsável por 32% dos casos, e o impacto de produtos químicos tóxicos liberados no meio ambiente pode ser responsável por 27%. E menos de 1% estaria relacionado à menor disponibilidade de água, aos impactos na camada de ozono e ao aumento da radiação ionizante.
A poluição atmosférica – proveniente principalmente dos processos de produção de plásticos – pode ser responsável por 32% dos problemas de saúde.
Os pesquisadores afirmam que o estudo é o primeiro do gênero a avaliar o número de anos de vida saudável perdidos em escala global devido às emissões de plástico.
Megan Deeney, autora do estudo e pesquisadora da LSHTM, afirmou: “Frequentemente, a culpa recai sobre nós, consumidores individuais de plástico, para resolver o problema. No entanto, embora todos tenhamos um papel importante a desempenhar na redução do uso de plásticos, nossa análise mostra que é necessária uma mudança sistêmica ‘do berço ao túmulo’ na produção, uso e descarte do plástico”.
“São necessárias ações muito mais ambiciosas por parte dos governos e maior transparência da indústria para conter essa crescente crise global de saúde pública relacionada ao plástico.”
“A falta de divulgação e a inconsistência nos relatórios sobre a composição química dos plásticos por parte da indústria estão limitando severamente a capacidade fundamentar políticas eficazes para proteger os seres humanos, os ecossistemas e o meio ambiente.”
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