Autor: da Redação

  • Marchezan sofre nova derrota em mais uma tentativa de aumentar arrecadação

    Por 15 votos contrários e apenas 13 a favor, o governo Marchezan sofreu nova derrota na tarde desta segunda-feira, 11/12, quando tentou aprovar o Projeto de Lei Complementar que propunha alterações sobre o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).
    No discurso, o governo alegava adequações da legislação municipal aos dispositivos da Lei Complementar Federal nº 116, de 31 de julho de 2003Na prática, o novo projeto representa um aumento entre sete e oito milhões de reais nos cofres públicos, segundo a estimativa do próprio Executivo.
    Assim como o IPTU, o governo perdeu feio com seis votos a menos dos dezenove necessários para aprovar o projeto. Na tribuna, diversos vereadores, tanto da base, bloco independente e da oposição, se revezaram nas críticas ao projeto. Na defesa do projeto, somente o vice-líder do governo, o vereador Luciano Marcantonio (PTB), por diversas vezes subiu na tribuna e tentou convencer seus colegas a aprovarem.
    Oficialmente o governo ainda não se manifestou sobre o resultado. Na segunda-feira passada, o secretario da Fazenda, Leonardo Bussato, esteve presente na Câmara de Vereadores explicando os 16 items que alteram a tributação. Apesar do esforço, muitos vereadores alegaram falta de discussão para a aprovação da matéria.

  • Vereadores entram na Justiça para barrar projeto do IPTU

    Dois vereadores de Porto Alegre, Felipe Camozzato (Novo) e Mauro Zacher (PDT), entraram com mandado de segurança na justiça gaúcha para impedir a nova apreciação do projeto que prevê alterações no IPTU da Capital.
    “Aquilo que os parlamentares decidiram deve ser respeitado. A ação visa a defender nossa posição, já declarada pela rejeição do projeto”, argumenta o vereador Camozzato.
    Os processos se baseiam no princípio da irrepetibilidade, uma vez que a constituição estadual e a federal vedam ao executivo a prerrogativa de reapresentar projetos já rejeitados.
    “Precisamos debater o assunto, e não assim, sem discussão adequada”, diz o vereador Zacher.
    Na quinta-feira, 07/12, a prefeitura enviou novamente o Projeto de Lei (PL) de readequação do IPTU.
    Derrota na primeira votação
    Em setembro, após mais de quinze horas de sessão, a Câmara de Vereadores, por  25 votos contrários a 10 favoráveis e uma abstenção, rejeitou o projeto de lei que alteraria os valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A própria base governista recuou e não aceitou as mudanças. A derrota expôs a falta de diálogo de Marchezan e a Câmara.
    Estão em vigor as regras atuais do IPTU, com alíquota única de 0,85% sobre os imóveis residenciais. A atual planta de valores, que define o valor venal dos imóveis, e que está desatualizada desde 1991, também fica sem alterações.
    Câmara recomeçou a discutir projeto nesta segunda-feira
    O novo projeto encaminhado, segundo o Executivo, não incluiu a progressividade das alíquotas para não ferir um dispositivo constitucional que estabelece um prazo de 90 dias para o envio de projetos apreciados e rejeitados no mesmo período.
    De acordo com o governo, a medida é necessária para garantir justiça tributária, sob a alegação de que há grande disparidade na cobrança do imposto, entre imóveis semelhantes em diversas regiões da cidade.
    Entre as mudanças está a proposta de atualização periódica da Planta de Valores. Para isso, a prefeitura pretende adicionar um parágrafo ao art. 9º da Lei Complementar nº 07/73, determinando que o Poder Executivo encaminhe ao Poder Legislativo, até 1º de setembro do exercício referente ao primeiro ano do respectivo mandato, projeto de lei com proposta de atualização dos valores unitários de metro quadrado de terreno e de construção para efeitos de lançamento e cobrança do IPTU.
    Com isso, a cada quatro anos haverá abertura para nova atualização da Planta de Valores.
     
     

  • Valter Nagelstein assume presidência de Câmara de Vereadores em 2018

    A Câmara Municipal de Porto Alegre elegeu na tarde desta segunda-feira, 11/12, a sua mesa diretora para o ano de 2018. Presidirá a casa o vereador Valter Nagelstein (PMDB). A eleição seguiu o acordo firmado no começo da nova legislatura, quando líderes e vereadores da base do governo e do bloco independente já acordaram quem seriam os presidentes até 2020. Nagelstein derrotou o candidato da oposição (PT-PSOL) Marcelo Sgarbossa por 28 votos a sete.  Sgarbossa (PT) concorreu a todos os cargos, mas foi derrotado.
    Completarão a mesa diretora a vereadora Mônica Leal (PP) eleita 1ª vice-presidente, os vereadores Mauro Pinheiro (Rede) como 2ª vice-presidente,  Clàudio Janta (SDD), como primeiro secretario, Paulinho Motorista (PSB) na segunda secretaria e José Freitas (PRB) na terceira.
    Em 2018, projetos importantes e polêmicos como a revisão de isenções do transporte coletivo e alteração no IPTU da cidade estarão na pauta da casa. Nagelstein terá a missão de coordenar e mediar as ações entre legislativo e executivo. Prometeu seriedade e imparcialidade: “vou respeitar o regimento interno da casa, aprofundar as discussões sobre os temas que pra cá vierem e envolver a sociedade porto-alegrense”.
    Sobre a relação conflituosa do prefeito e vereadores, acentuada ainda mais no segundo semestre, o novo presidente da Câmara afirmou que cabe ao prefeito melhorar o quadro: “O governo deve tomar lições de 2017 pra melhorar sua relação com a Câmara, mas isso não cabe ao presidente da casa. A mim cabe manter a imparcialidade”.
    Valter Nagelstein está no terceiro mandato como vereador, sendo o mais votado de sua bancada, o PMDB em 2016, com 9,3 mil votos. Durante os governos Fogaça e Fortunati foi secretário de Indústria e Comércio e do Urbanismo.
    Na tarde desta segunda também foi eleita a nominata das seis comissões permanentes do Legislativo, com os seguintes vereadores:
    Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
    Adeli Sell (PT), Clàudio Janta (SDD), Dr. Thiago Duarte (DEM), Ricardo Gomes (PP), Márcio Bins Ely (PDT), Mendes Ribeiro  (PMDB) e Rodrigo Maroni (PODE).
    Comissão de  Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor)
    Airto Ferronato (PSB), Felipe Camozzato (Novo), Idenir Cecchim (PMDB), João Carlos Nedel (PP) e Mauro Zacher (PDT).
    Comissão de Urbanização, Transporte e Habitação (Cuthab)
    Dr. Humberto Goulart (PTB), Fernanda Melchionna (PSol), Paulinho Motorista (PSB), Professor Wambert (PROS), Roberto Robaina (PSol) e Luciano Marcantônio (PTB).
    Comissão de Educação, Cultura, Esportes e Juventude (Cece)
    Alvoni Medina (PRB), Reginaldo Pujol (DEM), Cassiá Carpes (PP), Sofia Cavedon (PT) e Tarciso Flecha Negra (PSD).
    Comissão de Defesa  do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana ( Cedecondh)
    Moisés Maluco do Bem (PSDB), Comandante Nádia (PMDB) ,João Bosco Vaz (PDT), Marcelo Sgarbossa (PT), Mônica Leal (PP) e Prof. Alex Fraga (PSol).
    Comissão de Saúde e Meio Ambiente (COSMAM)
    Aldacir Oliboni (PT), André Carús (PMDB), José Freitas (PRB), Mauro Pinheiro (Rede), Cássio Trogildo (PTB) e Paulo Brum (PTB).
     

  • Poeta uruguaio lança livro no Café Fon Fon com show de músicos gaúchos

    Palco de encontros musicais memoráveis, o Café Fon Fon dá guarida nessa quarta-feira, 13/12, à poesia do uruguaio Atílio Pérez Duncan da Cunha, o Macunaíma, que lança o livro “Otheroadagain- Proyecto Ferlinghetti 2”.
    A alcunha Macunaíma adotada por Atílio, nome do personagem do romance de Mário de Andrade, é uma pista da aproximação do intelectual uruguaio com a cultura brasileira. Para homenageá-lo e também celebrar sua veia de compositor, um grupo de músicos gaúchos estarão se apresentando no Café Fon Fon.
    São eles: Raul Ellwanger, Nelson Coelho de Castro, Bebeto Alves, Matheus Kleber, Monica Tomasi, Mário Falcão, Marcelo Delacroix, Daniel Wolff, Betty Krieger e Luisinho Santos, além de Luiz Heron da Silva e o próprio Atilio Pérez.
    Serviço:
    Lançamento do livro “Otheroadagain- Proyecto Ferlinghetti 2”;
    Local: Café Fon Fon;
    Data: 13 de dezembro;
    Hora: 20h30;
    Rua Vieira de Castro -22.
    Entrada franca

     
     

  • Poeta uruguaio lança livro no Café Fon Fon com show de músicos gaúchos

    Palco de encontros musicais memoráveis, o Café Fon Fon dá guarida nessa quarta-feira, 13/12, à poesia do uruguaio Atílio Pérez Duncan da Cunha, o Macunaíma, que lança o livro “Otheroadagain- Proyecto Ferlinghetti 2”.
    A alcunha Macunaíma adotada por Atílio, nome do personagem do romance de Mário de Andrade, é uma pista da aproximação do intelectual uruguaio com a cultura brasileira. Para homenageá-lo e também celebrar sua veia de compositor, um grupo de músicos gaúchos estarão se apresentando no Café Fon Fon.
    São eles: Raul Ellwanger, Nelson Coelho de Castro, Bebeto Alves, Matheus Kleber, Monica Tomasi, Mário Falcão, Marcelo Delacroix, Daniel Wolff, Betty Krieger e Luisinho Santos, além de Luiz Heron da Silva e o próprio Atilio Pérez.
    Serviço:
    Lançamento do livro “Otheroadagain- Proyecto Ferlinghetti 2”;
    Local: Café Fon Fon;
    Data: 13 de dezembro;
    Hora: 20h30;
    Rua Vieira de Castro -22.
    Entrada franca

     
     

  • Revogação de lei não ‘desbloqueia’ imóveis no Petrópolis

    Em 27 de novembro, a Câmara de Vereadores revogou, por 24 votos a 3, a lei que regrava o Inventário do Patrimônio Cultural de Bens Imóveis do Município. Mas engana-se quem pensa que o veto irá clarear o cenário do listamento de imóveis, principalmente no Bairro Petrópolis, onde o processo está travado desde o começo de 2014.

    A Procuradoria-Geral Adjunta de Urbanismo, Domínio Público e Meio Ambiente informou ao JÁ que “os imóveis tombados e inventariados não podem ser demolidos sem a devida licença do município e que a Lei Complementar 601/2008, revogada pelos vereadores, consiste em uma legislação procedimental. Ainda que tenha sido revogada a lei, o interesse da preservação permanece, uma vez que está expresso na Constituição Federal de 1988 e no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Porto Alegre”. Em tese, para a PGM, a listagem no Petrópolis permanece.

    A proposta de revogação aguarda homologação do prefeito Nelson Marchezan Júnior. Ele ainda não anunciou se pretende sancionar ou não o veto. A direção da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) aguarda o posicionamento de Marchezan para se manifestar.

    350 imóveis permanecem bloqueados

    Além de casas, prédios também estão na lista para preservação / Arquivo Epahc

    Foram inicialmente listados 559 imóveis em Petrópolis, sem a concordância inicial dos seus donos, o que gerou o início do problema. Após a lista inicial já houve mais três revisões. Atualmente 354 casas e pequenos prédios, considerados com valor histórico, permanecem “bloqueados”.

    Por trás da disputa entre preservacionista x moradores que defendem o direito a propriedade privada, está o alto valor do bairro no mercado imobiliário.

    Dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RS) comprovam – Petrópolis é o bairro com maior volume de empreendimentos de Porto Alegre.

    Alguns casarões já estão abandonados / Ricardo Stricher / JÁ

    Em 2015, foram lançados 41 empreendimentos representando 11,55% do volume total na cidade. Em 2016, o número subiu, 43 lançamentos, ou 13,4% do total. O valor do metro quadrado no bairro jamais saiu dos dez maiores da Capital gaúcha, acima dos R$ 7 mil.

    Moradores do bairro estão divididos

    Uma parte dos moradores do bairro Petrópolis concorda com a preservação do patrimônio arquitetônico. Outra, lamenta a desvalorização dos seus imóveis, enquanto os terrenos no entorno ficariam muito mais valorizados.

    “Para manter o imóvel, refazer uma pintura, os proprietários têm que pedir autorização da prefeitura. Fomos transformados em zeladores de nossas casas,” argumenta Fernando Molinos Pires Filho, professor aposentado e presidente da Associação de Moradores do Bairro Petrópolis Atingidos pelo Inventário da Prefeitura (Amai), que mora no Petrópolis há 25 anos.

    Márcio Divino e Fernando Molinos, da Amai, querem que a prefeitura desbloqueie o bairro / JÁ

    O grupo surgiu após as primeiras notificações recebidas em 2014, e luta politicamente para ‘barrar a intervenção da prefeitura na propriedade privada e no bairro’. “Não são 350 imóveis, tijolos, como fazem parecer os tecnocratas do Epahc. São famílias, vidas atingidas”, diz o advogado Márcio do Amor Divino, integrante da Amai.

    Já Clivia Morato, proprietária de uma das casas na lista do inventário na Rua Dario Pederneiras, tem visão diferente. “Temos interesse em manter a história do Bairro, manter sua paisagem. Petrópolis já foi bem destruído. E esse inventário atinge menos de 400 casas, apenas 4% das moradias”, fala a integrante do Proteja Petrópolis, que conta com apoiadores do inventário.

    Enxurrada de ações para desbloquear imóveis pode ocorrer

    O imbróglio legislativo no inventário surgiu após moradores do Petrópolis contestarem judicialmente a lei 601. E tanto a Amai quanto o Proteja concordam que a lei possui erros desde a sua criação. A matéria foi proposta pela vereadora Sofia Cavedon, em 2008.

    Aprovada, a lei jamais foi regulamentada. Desde então, a Epahc já inventariou oito bairros. Quando chegou no Petrópolis o processo travou.

    De acordo com a Constituição, quem dispões de autorização pra elaborar as regras para um inventário é o Executivo municipal. Como a lei foi criada na Câmara, é inconstitucional. Há uma dúzia de ações na Justiça nesse sentido. Ainda, ao contrário da Lei para o tombamento, a do inventário não prevê nenhum ressarcimento ao proprietário que tenha sua casa listada.

    Escombros de um dos imóveis na rua Farias Santos / JÁ

    Em julho passado, uma construtora conseguiu liminar para retirar dois imóveis da lista. E mesmo sem autorização para demolição, nos terrenos da rua Farias Santos 220 e 234, só restaram os escombros e espigões irão fazer parte da paisagem futuramente. A construtora que ganhou a liminar ainda entrou com ação indenizatória contra o município para cobrir o prejuízo com o atraso do empreendimento.

    A Prefeitura também entrou na Justiça e pede indenização à construtora que demoliu os imóveis. Não há decisão ainda sobre o assunto.

    Leis aprovadas na Câmara ferem Constituição

    Com a pressão da Amai e a falta de critérios claros do Epahc para elaboração da lista, vereadores ainda propuseram outras duas leis complementares. Uma de autoria de Idenir Cecchin, lei 743 de 2014, que anulava a lista do inventário em Petrópolis.

    E outra, do vereador Mauro Pinheiro, a lei 804 de 2016, que prevê o reestudo completo do inventário da Capital e estabelece indenizações aos proprietários que tiverem endereços inventariados.

    Como as novas leis complementares caem no mesmo erro da original, foram todas feitas na Câmara e não partiram do Executivo, estão sob judice. “Na prática, as leis são uma tentativa de barrar o inventário – são legislações que não visam a preservação da cultura e história”, argumenta o advogado Álvaro Jôffre, integrante do Proteja Petrópolis

    Uma barbeiragem do MP no Tribunal de Justiça cria uma nova complicação. Ao pedir a anulação da 804, o MP citou a lei 601, mas não apontou que essa também é inconstitucional. O pleno do TJ/RS não acolheu o pedido de impugnação, e a lei 804, em teoria, está em vigor. O MP pode ainda recorrer.

    Como a norma 804 veio para alterar a lei que agora pode ser revogada, há novos argumentos para uma enxurrada de ações que visem desbloquear imóveis listados.

    Para o advogado Daniel Nichele – “todo o processo foi mal construído pela Prefeitura. Só o executivo, com ação decisiva para resolver isso”. Ele liberou as duas casas já demolidas em julho e lembra. “As casas foram adquiridas em 2013, com investimento superior a R$ 3 milhões”. Ainda de acordo com Nichele, que é conselheiro do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre, com a lei revogada, as ações já existentes caem, mas outras surgirão. “Não havendo legislação, há formas de contestar a inclusão na lista. Vou conversar com clientes meus. Mas há possibilidade de liberarmos mais imóveis”, avisa.

    O advogado da Amai, Márcio Divino, diz que só na última semana vários moradores o procuraram para saber se os imóveis estavam ‘livres’. A Amai tem a posição de aguardar novos desdobramentos. “Nunca entramos e não pretendemos entrar na Justiça, avisamos que a questão só se define com um posicionamento do Executivo. A Epahc tem que mostrar as regras e esclarecer, com as contrapartidas aos moradores. Mas há brechas pra ações – é um risco que o proprietário assume”, coloca.

    Álvaro Jôffre concorda com a revogação da lei de 2008, por ela ter “vício de iniciativa”, e vai além, para ele, a 804 também deve perder valor – “se ela alterava a lei revogada, perde-se o sentido”. Ele acrescenta que – “essa revogação não acaba com o inventário. Há previsão legal na Constituição Federal e no plano diretor da cidade para isso. E as outras legislações criadas na Câmara também caem, já que modificavam uma lei inconstitucional”.

    A atual proposta de revogação, da lei de 2008 , foi feita pelo vereador Dr. Thiago Duarte, e assinada ainda por Reginaldo Pujol, Mauro Pinheiro, Valter Nagelstein, Felipe Camozzato e Idenir Cecchim. “Queremos destravar o bairro, o poder público não pode intervir no direito privado”, argumenta o vereador Thiago Duarte.

    Paim perguntou a Amai: “O que vocês querem  para acabar com o problema?”

    Em agosto, numa reunião na Câmara de Vereadores, a arquiteta Ronice Borges, diretora da Epahc, anunciou a criação de uma comissão entre três secretarias (da Cultura, Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Sustentabilidade) e o gabinete do vice-prefeito para discutir o problema. É a tentativa da atual gestão para destravar a listagem.

    Mas, após o anúncio, pouco foi feito. Oficialmente, as secretarias estão em processo de nomeação dos integrantes do GT que irá discutir as medidas a serem tomadas. Recentemente, Fernando Molinos e Márcio Divino se encontraram com o vice-prefeito, Gustavo Paim, e o diálogo foi inusitado. Paim foi direto – “o que vocês da Amai querem fazer pra acabar com o problema?”. Divino argumentou ao vice-prefeito que não caberia a Amai dizer o que fazer, mas sim, o Executivo. “Não podemos dizer isso, o Executivo tem que tomar essa posição”, falei. Paim ficou de analisar com cuidado, mas não apontou os rumos a serem tomados pela prefeitura.

    “Estamos há quatro anos nessa luta, não queremos propor leis, quem somos nós, apenas lutamos pelos nossos direitos. A prefeitura não toma posição firme”, analisa Divino.

    O contato com a gestão Marchezan começou ainda com o secretário adjunto de Cultura Eduardo Wolf. “Ele nos garantiu que não aceita intervenção pública no privado”, lembra Molinos. Mas Wolf saiu do cargo em julho, deixando uma dica a Amai. “Quando conseguirem chegar ao Marchezan aproveitem, é quase impossível ir até ele, até para quem trabalha na prefeitura – Ele nos falou isso”, lembra Molinos.

    Fortunati – “não serei lembrado como o prefeito que liberou Petrópolis à especulação imobiliária”

    Os conflitos entre a Amai e a Epahc vem desde a primeira lista, ainda em 2014. Os moradores alegam que receberam notificações no começo de 2014, época de férias, e que muitos souberam que seus imóveis estavam listado quando o prazo de 30 dias para pedir impugnação já tinha vencido. “É sempre assim, as listas aparecem na época de férias”, argumenta Molinos.

    Organizada, a Amai juntou abaixo-assinado com 1500 assinaturas e conseguiu apoio na Câmara, que propôs as normas 743/14 e 804/16. Houve até visitas ao bairro de técnicos da prefeitura, vereadores e o então vice-prefeito, Sebastião Melo, em 2015, o que acabou por revogar a primeira lista. Logo após a visita, o prefeito José Fortunati declarou a membros da Amai – “não serei lembrado como o prefeito que liberou Petrópolis à especulação imobiliária” e colocou o bairro em estudo. As listas sucederam-se. Na quarta versão, há 354 imóveis bloqueados.

    Há casas que já entraram e saíram do inventário. Na esquina da Borges do Canto com a Protásio Alves havia uma, que saiu de uma das listas; o proprietário derrubou e hoje é um estacionamento. Na última lista a ‘casa’ voltou ao inventário. “Não há regra alguma”, lamenta Molinos.

    “É preciso diálogo, a legislação federal exige participação da sociedade na definição dessas políticas. Não é o que ocorre, O Tombamento exige indenização, inventário não, jogam a preservação para o colo dos moradores – é cômodo para a prefeitura. Não somos contra o patrimônio cultural, mas quero que me mostrem 20 casas no Petrópolis de real interesse cultural. Desafio – e mais de 300 então, um absurdo”, completa o professor aposentado.

    “A revogação da lei é uma vitória dos moradores. Mas é preciso peito de Marchezan. Ele chamou o legislativo de cagão, mas não pode se esconder, depende de uma ação do Executivo”, finaliza Márcio Divino, 50 anos, nascido e criado no bairro.

    A favor do inventário, Álvaro Jôffre diz que não confia nos vereadores e que não vê necessidade do Executivo propor alguma nova lei. “Ao chegar na Câmara, nossos vereadores vão novamente deturpa-la. É preciso que o Executivo siga com o inventário. Há legislação estadual e federal suficiente. Basta ‘tocar o barco’.”,

    Em 2014, grupo organizou manifesto a favor do inventário / Arquivo JÁ

    O Inventário não retira o direito de propriedade de um bem; apenas impede que ele venha a ser destruído ou descaracterizado. Há dois tipos de imóveis que entram na lista, os considerados de estruturação, que devem ser preservados, sem modificação de fachada, e outros de compatibilização, que têm relevância pela composição do entorno, não podendo sofrer alterações que descaracterizem a ambiência do bairro.

    Antes do inventário, agora parado, haviam somente 11 bens relacionados como de interesse cultural no Petrópolis:

    – Caixa Dágua da Praça Mafalda Veríssimo, tombada em 2008 a pedido dos moradores.

    – Oito casas na avenida Felipe de Oliveira, entre elas a casa do escritor Érico Veríssimo.

    – Restaurante Barranco, antiga sede de uma chácara.

    – Casa Estrela, na rua Camerino, 34.

    Abaixo mais exemplo de imóveis listadas para entrar no Inventário.

    Fotos Ricardo Stricher / JÁ

  • Servidores comemoram 45 anos da FZB com exposições, bolo e resistência

    Cleber Dioni Tentardini
    O anúncio da demissão de alguns funcionários da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, programada para janeiro, tornou menos festiva a realização no domingo (10/12) do Projeto Ciência na Praça, que comemorou o aniversário de 45 anos da FZB. Mas o tempo bom, a disposição dos servidores e estudantes e o interesse do público garantiram mais um sucesso do evento, coordenado pela educadora ambiental Laura Tavares.
    Durante todo o dia, pesquisadores e estagiários passaram informações sobre a flora e fauna nativa riograndenses. No final, teve bolo, servido inclusive aos visitantes, e o tradicional grito de guerra ”Não à extinção”, que há dois anos demonstra a resistência dos pesquisadores, técnicos, jardineiros e demais servidores para não deixar que acabem com toda a estrutura de conservação do meio ambiente. Confira as fotos do evento, tiradas por Rosana Senna e Mariano Pairet:

  • Servidores comemoram 45 anos da FZB com exposições, bolo e resistência

    Cleber Dioni Tentardini
    O anúncio da demissão de alguns funcionários da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, programada para janeiro, tornou menos festiva a realização no domingo (10/12) do Projeto Ciência na Praça, que comemorou o aniversário de 45 anos da FZB. Mas o tempo bom, a disposição dos servidores e estudantes e o interesse do público garantiram mais um sucesso do evento, coordenado pela educadora ambiental Laura Tavares.
    Durante todo o dia, pesquisadores e estagiários passaram informações sobre a flora e fauna nativa riograndenses. No final, teve bolo, servido inclusive aos visitantes, e o tradicional grito de guerra ”Não à extinção”, que há dois anos demonstra a resistência dos pesquisadores, técnicos, jardineiros e demais servidores para não deixar que acabem com toda a estrutura de conservação do meio ambiente. Confira as fotos do evento, tiradas por Rosana Senna e Mariano Pairet:

  • Os direitos do consumidor e as trocas pós-Natal

    Marcelo Silveira de Almeida
    Apesar de ser prática comum, a permuta de mercadoria é facultativa, exceto se vier defeituosa.
    Passado o movimento intenso no comércio varejista com as vendas de fim de ano, começa a tradicional temporada de troca de presentes. Consensualmente o primeiro dia útil depois do Natal tornou-se reconhecido como “O Dia da Troca”. Produtos com defeito, roupas e calçados com numeração incompatível, presentes repetidos ou mercadorias que não correspondem ao gosto do presenteado são alguns motivos que levam o consumidor a procurar trocar o que ganhou.
    Apesar desta prática, para boa parte das lojas, isso serve como estratégia para fidelizar clientes. A troca de mercadorias em perfeitas condições de uso é facultativa. Na legislação brasileira só é obrigatória à substituição do produto se ele apresentar defeito ou se o estabelecimento tiver assegurado à permuta no ato da venda. No caso de produtos defeituosos, a empresa é obrigada a reparar o dano em até 30 dias, exceto para artigos considerados essenciais, para os quais é prevista a substituição imediata, como fogão, geladeira e etc.
    Se o prazo de 30 dias não for cumprido, o consumidor tem o direito de escolher entre a substituição do produto por outro da mesma espécie em perfeitas condições de uso; ou pela restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos; ou pelo abatimento proporcional do preço, conforme expressa o artigo 18, III, do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
    Outro fato importante é orientar o consumidor quanto à forma de pagamento de suas compras.
    As condições de pagamento devem ser levadas em consideração na hora de qualquer compra. O preço para pagamento com cartão de crédito não pode ser diferente do preço praticado à vista.
    O estabelecimento não é obrigado a aceitar o pagamento por meio de cheques, desde que avise ao consumidor de forma clara, precisa e ostensiva. Porém, caso aceite esta modalidade de pagamento, não poderá haver distinção por praça e tempo mínimo de abertura de conta.
    No ato da entrega do produto, exija a nota fiscal. Além disso, confira a qualidade e se corresponde ao ofertado. A qualquer sinal de irregularidade, não receba o produto, entre em contato com o fornecedor e registre a ocorrência,
    Portanto, independentemente de data, é preciso que o consumidor tome cuidado pra não fazer as compras de forma apressada. Os produtos devem ser analisados e escolhidos com cautela. Também é essencial verificar o seu estado, funcionamento e se o conteúdo corresponde com os dados apontados na embalagem. Assim o consumidor estará realizando a relação de consumo de uma forma consciente.
    O consumidor que se sentir lesado ou tiver alguma duvida pode entrar em contato com os órgãos oficiais do Governo de seu Estado ou Município.
    Boas Compras e um Feliz Natal!
     
     

  • Câmara vota projeto que retira isenções do ISSQN

    Está na ordem do dia, para ser votado nesta segunda-feira, o projeto do prefeito Nelson Marchezan Júnior que altera e retira isenções de ISSQN (o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) no município de Porto Alegre.
    O novo projeto faz 16 alterações para adaptar a legislação municipal à nova lei federal, que regulamenta o ISSQN.
    Segundo o secretário da Fazenda, Leonardo Bussato, a diferença será mínima para o contribuinte. Para os cofres da prefeitura, a mudança vai representar R$ 8 milhões a mais por ano.
    Apesar do empenho do governo não será fácil de aprovar a proposta. Alguns vereadores, inclusive da base, já se pronunciaram contrários ao PLCE 016/17. Outros justificaram a falta de tempo para uma discussão mais ampla já que a matéria está em regime de urgência.
    A retirada de isenções fiscais sobre entidades esportivas, estudantis, culturais, recreativas, beneficentes, assistenciais, educacionais, sindicais e classistas, também é um dos empecilhos.
    O secretário garantiu que as isenções para as entidades sem fins lucrativos e para clubes não serão alteradas, pois as atividades desenvolvidas por estas instituições não são de prestação de serviços. “Só serão cobrados tributos daquelas entidades que promoverem eventos com cobrança de ingresso. Quaisquer atividades que forem ordinárias da instituição não serão tributadas”, garantiu.