Autor: da Redação

  • Agronegócio gaúcho registra saldo positivo de empregos formais em outubro

    No mês de outubro, foi registrado saldo positivo de empregos formais no agronegócio do Rio Grande do Sul. O número de admissões (12.815) foi superior ao de desligamentos (9.244), resultando na criação de 3.571 postos de trabalho com carteira assinada. O resultado encerra uma sequência de seis meses de saldos negativos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (5/12), pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    Os três segmentos do agronegócio gaúcho registraram saldo positivo de empregos em outubro. O resultado mais expressivo ocorreu no segmento “depois da porteira”, formado por atividades agroindustriais e de comércio atacadista (mais 2.631 postos). O setor de comércio atacadista de produtos agropecuários e agroindustriais liderou as admissões no mês, tendo apresentado um saldo positivo de 1.203 empregos com carteira assinada. Em seguida, aparece o setor de fabricação de conservas (mais 1.051 postos), cuja criação de empregos concentrou-se nos municípios de Morro Redondo e Pelotas.
    Na contramão do movimento geral do agronegócio, o setor com maior fechamento de vagas no mês foi o de fabricação de produtos do fumo (menos 379 postos). Segundo o economista Rodrigo Feix, Coordenador do Núcleo de Estudos do Agronegócio da FEE, “os números de outubro refletem, por um lado, a conclusão do processamento do fumo colhido na última safra, o que acarreta desmobilização de mão de obra, e, por outro, o avanço do ciclo vegetativo das culturas de verão, que constitui estímulo a novas contratações”.
    No segmento “dentro da porteira”, composto por atividades características da agropecuária, foram criados 666 postos de trabalho com carteira assinada. Contribuiu decisivamente para esse desempenho o setor de produção de lavouras temporárias, que apresentou saldo positivo de 575 empregos. Já no segmento “antes da porteira”, constituído por atividades dedicadas ao fornecimento de insumos, máquinas e equipamentos para a agropecuária, houve incremento de 274 postos de trabalho, com destaques para o setor de produção de sementes e mudas certificadas Nesse setor, ressalta-se a criação de 291 vagas no município de Cruz Alta.
    Na comparação com igual mês do ano anterior, o acréscimo de postos de trabalho em 2017 foi superior, com diferença de 546 empregos.
    Acumulado no ano
    No acumulado de janeiro a outubro de 2017 foram criados 3.816 empregos com carteira assinada no agronegócio gaúcho. Em igual período de 2016 o saldo entre admissões e desligamentos era de 4.516 empregos, resultando, portanto, em uma variação negativa de 700 postos.
    Os setores com maior criação de empregos em 2017 foram os de comércio atacadista de produtos agropecuários e agroindustriais (mais 1.694 postos), de produção de lavouras permanentes (1.208 postos) e de abate e fabricação de produtos de carne (mais 739 postos). Por outro lado, os setores com maior fechamento de vagas no ano foram os de produção de sementes e mudas certificadas (menos 1.236 postos), de curtimento e preparações do couro (menos 313 postos) e de fabricação de conservas (menos 305 postos). Segundo Feix, “2017 está se caracterizando com um ano de recuperação da produção das indústrias do fumo e de máquinas agrícolas no Estado, o que vem se traduzindo na criação de postos de trabalho. A produção agrícola recorde também favoreceu a dinamização de setores do agronegócio que atuam no comércio atacadista, movimento que tende a perdurar nos próximos meses com o avanço da nova safra de verão”.
    Íntegra dos dados do emprego com carteira assinada no agronegócio aqui.

  • Sulgás expande distribuição de gás natural para Gramado e Canela

    Vai começar no primeiro semestre de 2018 a instalação de uma rede de onze quilômetros para fornecimento de gás natural encanado a hotéis e residências em Gramado. A Sulgás investirá R$ 5 milhões para implantar a canalização. A previsão é de que no segundo semestre seja iniciado o abastecimento.
    Inicialmente esta rede será abastecida por GNC (gás natural comprimido) que será transportado em caminhões até uma estação de descompressão instalada junto à rede local.
    Numa segunda etapa do projeto, será construído um duto de distribuição que vai se conectar, na altura de Igrejinha, com o gasoduto que vem da Bolívia.
    Esse ramal-tronco, que será construído entre Igrejinha e Gramado, passando por Três Coroas e parte do município de Santa Maria do Herval, terá aproximadamente 34 quilômetros e vai exigir investimento de R$ 28 milhões. Essa parte do projeto está em fase de estudo de traçado e as próximas etapas incluem licenciamento ambiental e licitações para execução do projeto e da obra.
    O presidente da Sulgás, Claudemir Bragagnolo, disse ao JÁ que a companhia já está fechando contratos com hotéis e empresas de Gramado, para fornecimento do gás. A oferta vai se estender também a Canela num segundo momento.
    Atualmente, a Sulgás atende 42,3 mil clientes residenciais, comerciais e industriais em Porto Alegre e outros 40 municípios. Sua rede cresceu quase 50% nos últimos cinco anos.

  • Taxa de desemprego na RMPA cresce mais entre negros, segundo FEE

    A economista Iracema Castelo Branco, supervisora da pesquisa de Emprego e Desemprego (PED/RMPA), da Fundação de Economia e Estatística (FEE), com base no último levantamento feito, em parceria com o Dieese e a FGTAS, afirma que a taxa de desemprego cresceu mais entre os negros do que entre os não negros.
    “O desemprego aumentou, entre 2015 e 2016, de 12,6% para 16,1% para os negros e de 8,1% para 9,9% para os não negros, o que revela que a crise econômica foi relativamente mais severa para esta parcela da população”, analisa.
    Confira outros pontos analisados pela economista para o Conselho Regional de Economia (Corecon/RS)
    Os outros indicadores da Pesquisa também apontam nessa direção?
    Se olharmos, por exemplo, o rendimento médio, constata-se que a queda foi maior para a população negra. Com relação à ocupação, verificamos que a queda do nível ocupacional entre os negros foi de 17,9%, enquanto para os não negros foi de 2,7%. Em 2016, a redução no nível de ocupação aconteceu para todos os setores e principalmente nos empregos considerados de melhor qualidade, que são os trabalhadores assalariados com carteira assinada e os trabalhadores do setor público. Como a população negra já tem uma inserção mais precária no mercado de trabalho, as perdas desses postos de trabalho acabam gerando um maior impacto para essa população, tendo como resultado um aumento das desigualdades.
    Em algum período houve redução dessas desigualdades entre negros e não negros?
    Ao longo da série de 25 anos da Pesquisa, verifica-se uma desvantagem da população negra no que se refere aos indicadores de mercado de trabalho. Entretanto, ao longo dos anos 2000, houve uma redução nas desigualdades entre negros e não negros frente à melhoria dos principais indicadores de mercado de trabalho e a adoção de políticas afirmativas. Mas no momento em que a crise econômica rebate sobre o mercado de trabalho observa-se um crescimento das desigualdades com clara desvantagem para a população negra.
    Em que setores a população negra está mais representada?
    Quando analisamos a distribuição dos ocupados por setores, observamos que os serviços e a construção continuam sendo os setores em que os negros possuem presença relativa maior que os não negros. Em 2016, 18,9% dos homens negros estavam ocupados na construção contra 11,8% dos homens não negros. Além disso, os homens negros estavam muito mais presentes na construção, como trabalhador braçal, enquanto os homens não negros ocupavam postos de melhor qualidade, como engenheiro e arquiteto, por exemplo. Já no setor de serviços, o destaque é o emprego doméstico, responsável por 20,5% das mulheres negras ocupadas. Esse índice é de 10,4% entre as mulheres não negras.
    Qual o impacto da PEC do emprego doméstico no mercado de trabalho da população negra?
    Nos meses de abril, fazermos a análise para o emprego doméstico. Ao contrário do que muitos diziam na época da aprovação da PEC das domésticas (Emenda Constitucional n° 72 em 2013, e da Lei Complementar nº 150 em 2015), houve um aumento do número de mulheres ocupadas e da formalização das relações de trabalho nesse segmento. Em 2016, 50% das trabalhadoras domésticas da RMPA eram mensalistas com carteira assinada, 15,7% sem carteira e 34,3% de diaristas. Em termos gerais, a regulamentação dessa atividade com o aumento da proteção social para essas trabalhadoras produzem um impacto positivo para a população negra. Mas seus efeitos são pequenos, ou seja, ainda temos muito no que avançar para reduzir as desigualdades.
    Que mais se pode concluir dessa Pesquisa?
    Historicamente, quando se tem um período de intensa recessão econômica, a piora dos indicadores de mercado de trabalho atinge de forma mais intensa as populações consideradas mais vulneráveis, como os negros, as mulheres e os jovens. Nessa crise, o que se detectou nesses indicadores é que no primeiro momento o impacto foi semelhante entre negros e não negros, já que lá em 2015, os mais atingidos foram os homens que tinham rendimento mais elevado devido ao aumento da rotatividade. Entretanto, no ano de 2016 se observou claramente que a população negra foi a mais atingida pela crise diante do aumento mais intenso do desemprego, queda mais acentuada na ocupação e no rendimento médio real. Esses dados revelam a importância de pesquisas, como a PED, para acompanhamento dos indicadores de mercado de trabalho e os seus efeitos sobre os segmentos da população e da necessidade de ampliação das políticas públicas capazes de reduzir essas desigualdades.

  • Orçamento de Porto Alegre é aprovado com previsão de R$ 700 milhões de déficit

    Por 23 votos a favor e três contra foi aprovado na tarde desta segunda-feira, 04/12, a Lei Orçamentária Anual (LOA) 2018 de Porto Alegre. O Executivo prevê para o próximo ano um déficit de R$ 700 milhões no orçamento, com uma receita em torno de 6,5 bi, enquanto as despesas superam os 7,2 bilhões.
    Como não pode apresentar a LOA com déficit, o governo incluiu 708.175.000,00 como receita extraordinária para cobertura da diferença.
    A principal fonte de arrecadação da prefeitura serão as chamadas Transferências Correntes, com R$ 2,5 bi. Depois os impostos e taxas com R$ 2,3 bilhões. Já a maior despesa prevista fica com Pessoal e Encargos Sociais, com pouco mais R$ 3,6 bi. Para Investimentos estão dispostos apenas R$ 441.253.882,00.
    Foram aprovadas 54 emendas. Sendo que 24 foram aprovadas em bloco após um consenso entre os líderes de bancadas e 18 que tiveram parecer positivo da Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor) e aprovadas junto ao projeto geral. Outras doze emendas foram a plenário sem consenso pleno e acabaram também entrando no orçamento.
    A Lei Orçamentária Municipal (LOA) de 2018 começou a ser votada  ainda na quarta-feira passada, dia 29/11, no plenário Otávio Rocha da Câmara Municipal de Porto Alegre. Apenas o PSOL votou contra. A líder da oposição, vereadora Fernanda Melchionna, leu a mensagem assinada pela bancada do partido justificando o voto contrário, alegando contrariedade ao déficit e a projeção “superestimada” com gasto de pessoal: “Dessa forma não podemos concordar com o orçamento que abre margem para a sequência de uma política privatista, neoliberal,e de arrocho de salários do funcionalismo.”
    O líder do governo, o vereador Moisés Barbosa reforçou a crise vivida no caixa da Prefeitura e criticou a oposição: “Me irrita esse discurso da oposição que o governo maquia as contas. Não há dinheiro a realidade é essa.”
    O prefeito Nelson Marchezan tem até o dia 15 de dezembro para promulgar a lei aprovada nesta segunda.
     

  • Térmica de Uruguaiana negocia exportação de energia para a Argentina

    A usina térmica da AES em Uruguaiana está prestes a retomar suas atividades, para exportar energia elétrica para a Argentina.

    A usina a gás está “hibernando” desde 2009, quando a Argentina unilateralmente rompeu um contrato de fornecimento do combustível.

    Desde então, a operação é de forma intermitente, nos momentos em que falta energia elétrica, quando o preço do quilowatt compensa uma intrincada operação logística para receber gás importado. A última vez foi no verão de 2015.

    Nesta segunda-feira, uma fonte confirmou ao JÁ que um contrato, negociado por seis meses, foi assinado com a Sulgas, que vai importar o gás garantindo o suprimento para a usina da AES em Uruguaiana retomar as atividades.

    O GNL será transportado em navios que ancoram no porto de Baía Blanca, onde será regaseificado e remetido pelo gasoduto, que restou do acordo com a Argentina, até a usina em Uruguaiana

    A razão da retomada seria um contrato para exportação de energia para a Argentina. A usina de Uruguaiana, única térmica entre nove hidrelétricas do grupo AES, tem capacidade para gerar 639 MWa. Em funcionamento pleno, ela consome cerca de 2 milhões de metros cúbicos por dia.

    Enviamos um questionário à empresa para confirmar estas informações.

    A resposta não confirmou, nem desmentiu:

    “A AES Uruguaiana informa que obteve a autorização para importação do gás da Argentina, para poder viabilizar eventual retomada de geração de energia desde que a usina entrou em estado de hibernação, por falta de suprimento de gás. Por enquanto, ainda não há previsão para o retorno da operação da usina, mas a empresa continua buscando soluções de fornecimento de gás”.

  • Bazar La Movida e samba na Casa de Cultura Mario Quintana

    A Travessa dos Cataventos da Casa de Cultura Mario Quintana recebe, nesta terça (5) e quarta feira (6), mais uma edição do LA MOVIDA – Bazar & Artes. Das 10h às 21h, estará aberta ao público poderá para ver peças de artesanato e arte, vinil, livros, moda sustentável, marcas independentes, acessórios e gastronomia.
    Na terça (5) haverá uma apresentação especial do Samba de Irajá, às 18h, na Travessa dos Cataventos, em comemoração ao Dia do Samba.
    Irajá de Almeida Guterres foi mestre de bateria das principais escolas de samba de Porto Alegre. Em suas várias visitas ao Rio de Janeiro trouxe o projeto de roda de samba de raiz nas quadras das escolas de samba de Porto Alegre, que iniciou na Bambas da Orgia. A partir de então, essas rodas passaram a ajudar também a entidades filantrópicas.
    SERVIÇO
    LA MOVIDA – Bazar & Artes;
    Quando: terça (5) e quarta-feira (6), das 10h às 21h;
    Local: Travessa dos Cataventos da Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736).
    Entrada gratuita.

  • Orquestra Villa-Lobos apresenta espetáculo gratuito no Araújo Vianna

    A Orquestra Villa-Lobos promoverá, nesta quarta-feira, 06/12, no Auditório Araújo Vianna, o espetáculo “Faz Escuro, Mas Eu Canto”.
    A apresentação terá início às 15h para escolas inscritas e, às 20h, será aberta ao público mediante retirada de ingresso.
    O espetáculo reunirá 70 jovens instrumentistas e será inspirado na obra do poeta Thiago de Mello, que aborda questões como a proteção da natureza em sua obra.
    Além disso, convidados especiais participarão da apresentação, como os cantores Annadi, Beto Chedid, Eduardo Alves e Stephanie Soeiro.
    No repertório, estão as seguintes obras, entre outras: Adios Nonino (Piazzolla), O Sal da Terra (Beto Guedes), Nascente (Flávio Venturini/Murilo Antunes), Um Girassol da Cor de seu Cabelo (Márcio e Lô Borges), Live and Let Die (Paul McCartney), Feito um Picolé no Sol (Nico Nicolaiewski), Chovendo na Roseira (Tom Jobim), O Sol Nascerá (Cartola) e Vai Passar (Chico Buarque).
    A regência ficará a cargo de Cecília Rheingantz Silveira, idealizadora do programa, que neste ano completou 25 anos.
    A Orquestra Villa-Lobos já realizou mais de 1,2 mil concertos pelo país, além da Argentina e Uruguai.
    Em parceria com o Centro de Promoção da Criança e do Adolescente São Francisco de Assis, a iniciativa presta mais de 800 atendimentos gratuitos de educação musical em sete locais da Lomba do Pinheiro, tendo a Escola Municipal de Ensino Fundamental Heitor Villa-Lobos como sede.
    O programa é mantido pela Secretaria Municipal de Educação, realizadora do espetáculo junto com o Centro São Francisco de Assis e apoio da Secretaria de Cultura de Porto Alegre, Instituto Zen Maitreya e Cintia Turismo.
    Os ingressos da apresentação das 20h podem ser retirados na Banca da República, localizada na rua da República, nº 21, bairro Cidade Baixa.

  • Cinco empregadores no RS estão na ‘lista suja’ do trabalho escravo

    Cinco empregadores com atuação no Rio Grande do Sul tiveram seus nomes incluídos pelo Ministério do Trabalho no cadastro de quem submeteu trabalhadores a condições análogas às de escravo, conhecida como “lista suja”. São 42 trabalhadores vítimas.
    A publicação tem informações sobre 130 empregadores em todo o Brasil autuados em fiscalizações e detalha dados como o número de trabalhadores flagrados nas condições irregulares, endereço do estabelecimento e a data em que ocorrência foi registrada. O cadastro foi atualizado em 21 de novembro deste ano. A lista completa está no site do MT.
    Os cinco empregadores no RS
    1. Empregador: Adalberto Braz de Souza;
    Estabelecimento: Rod. BR 386, bairro Olarias/Conventos, Lajeado-RS / 17 trabalhadores envolvidos.
    2. Empregador: José Adair Moraes;
    Estabelecimento: Fazenda Capão Ralo – Estrada para a Barragem do Salto, São Francisco de Paula-RS / 13 trabalhadores envolvidos.
    3. Empregador: Marcelo Ferreira Horn;
    Estabelecimento: Fazenda Formosa – Localidade de João Rodrigues, zona rural, Rio Pardo-RS / 1 traballhador envolvido.
    4. Empregador: Marcos Suélio Dantas;
    Estabelecimento: Rua Primo Postali, 190/06, Esplanada, Caxias do Sul-RS / 6 trabalhadores envolvidos.
    5. Empregador: Paulo Cezar Dameda;
    Estabelecimento: Frente de trabalho de extração de madeira – Linha Gruta, zona rural, Doutor Ricardo-RS / 5 trabalhadores envolvidos.
     

  • Universidade do Paraná estuda impacto do polo carboquímico no RS

    A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul encomendou ao Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Econômico, da Universidade do Federal do Paraná, um estudo para avaliar o impacto de um polo carboquímico na economia gaúcha.
    O professor Alexandre Alves Porsse, coordenador do Programa, apresentou resultados preliminares do trabalho no seminário sobre carvão, promovido pela Fiergs na quarta-feira passada, 29/11. Além de Porsse, a equipe de pesquisadores é formada pelos professores Kenia Souza e Terciani Sabadini.
    O estudo considera um investimento de 2 bilhões de dólares para implantar uma unidade de gaseificação do carvão, que seria matéria prima para um complexo industrial carboquímico. A estimativa é de uma produção de 2,14 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
    O primeiro impacto seria na produção de carvão, que saltaria para 3,5 milhões de toneladas por ano, quase o dobro do volume produzido atualmente.
    Implantado em quatro anos, a partir de 2019, o polo carboquímico teria reflexos em 65 setores da economia regional.
    Ao longo de vinte anos, o complexo acrescentaria mais R$ 19,7 bilhões ao PIB estadual, gerando mais R$ 1,2 bilhões em ICMS e 2.000 empregos diretos, além de 3.400 empregos indiretos.
    O impacto dessa produção alcançaria inclusive setores da economia em Santa Caterina e no Paraná.
    Segundo o professor Alexandre Porsse, o estudo foi iniciado há dois meses e tem previsão de conclusão em janeiro de 2019. O estudo final também vai simular os impactos de investimentos complementares em outra plantas, como ureia, amônia e metanol.

  • O horizonte solitário

    Texto: Leonardo Radaelli
    Fotos: Nicolas Chidem
    Agência J de Reportagem | Famecos/PUCRS​
    Uma viagem remete à diversão e ao sossego. A estrada serve de fuga para a monotonia vivida por muitas pessoas, vendo no horizonte uma fonte de motivação para novos desafios. O que para muitos serve como lazer e escape da rotina desgastante da cidade, para outros representa um modo de viver. Para caminhoneiros, a estrada é uma velha companheira. Em um país de dimensões continentais, um trajeto entre regiões pode durar dias, até semanas. Para cumprir o ofício, motoristas abdicam da vida pessoal. Apesar da paixão pela estrada, para os caminhoneiros, viagem não é lazer. É obrigação. A relação com o asfalto é intensa. Para o bem. E para o mal. A estrada traz capítulos diferentes, história marcantes e amizades. Na via contrária, embala a solidão, a tristeza e a saudade.
    No Brasil, conforme a CNT (Confederação Nacional do Transporte), mais de 60% dos motoristas são autônomos, com média de idade entre 30 e 40 anos. Rio Grande do Sul ocupa a terceira posição em veículos registrados na CNT – só atrás de São Paulo e Paraná
    “Nós pensamos em tudo. Passa um filme na tua cabeça. Penso na família, na situação, penso no dia a dia da profissão. Resumindo: você coloca uma música para esquecer tudo isso e vamos apreciando o caminho”, revela Jair Cezar. Com trinta e seis anos de estrada, ele já está acostumado com a companhia do asfalto. Jair tem 51 anos, nasceu em Terra de Areia e convive com caminhão desde os 15 anos. Casado, pai de dois filhos, tenta estabelecer um cronograma harmonioso entre família e trabalho. “Tenho oportunidade de fazer meu horário. Dependendo das minhas condições no momento, posso ficar uma semana ou um mês em casa”.
    Mas nem sempre foi assim. “Quando era jovem, já passei final de ano e aniversário na estrada. Lá atrás, aconteceu muito isso. Hoje, não. Hoje é mais equilibrado. Antigamente era diferente. Trabalho tinha mais valor, era mais reconhecido”.
    Para o profissional, a rotina da estrada pode ser vista como monótona. Mas os dias são sempre diferentes. Na tentativa de explicar, usa o futebol como metáfora. “É como ir ao estádio todas as semanas. Mas não é o mesmo jogo. A gente vai no mesmo lugar, mas não será a mesma partida. É mesma coisa a viagem. Sempre tem um capítulo diferente”, compara Jair, que acabara de voltar de São Paulo.
    Depois de três décadas atrás do volante, Jair parece nostálgico: “Antigamente, a pista simples era melhor que a duplicada hoje. Duplicaram, mas triplicou o número de acidentes. As pessoas cuidavam mais, era diferente. Na profissão, tinha mais coleguismo, união e nós éramos mais valorizados”. Apesar das mudanças, Jair não se vê longe da estrada. O caminhão só perde espaço no coração para a mulher e os filhos. “Tirando minha família, ele é minha vida. Eu não me vejo fora dele com condição para trabalhar”.
    A ideia de se aposentar é algo presente em suas conversas com a família. “Se hoje eu tivesse recurso, eu aprimoraria, melhoraria e não sairia da estrada. Isso é para quem gosta. E eu gosto do que faço”.
    “Eu queria estar em casa, não queria mais viajar. E é só isso aí”. A frase resume bem o sentimento de Lauro dos Santos Cardozo. Com 25 anos trabalhando como caminhoneiro e enfrentando os contratempos da profissão, ele assume que o desgaste profissional atingiu um limite que o desmotiva a seguir dirigindo. Lauro, 49 anos, revela o sentimento que a estrada reflete para muitos motoristas. “É uma solidão. É brabo o cara ficar vinte dias fora de casa. Minha mulher é acostumada já, mas gera solidão. Fazer o quê? ”. Casado e com filhos, afirma que a profissão, em muitos momentos, o priva de seus momentos com a família. Chega a gerar um sentimento de frustração com a profissão.

    Lauro diz que o desgaste atingiu um limite que o desmotiva a seguir dirigindo

    Antes de trabalhar atrás da direção, trabalhou como chapa – pessoa que ajuda os caminhoneiros nas descargas dos materiais transportados. Com essa relação direta com os profissionais do transporte, começou a dirigir. “Gostei da profissão e fiquei”.
    Voltando de Belo Horizonte, Lauro relata sua relação emotiva com a estrada, sua velha companheira:  “Sofrimento e solidão. Se fosse para pensar mesmo, hoje, se eu tivesse 18 e 19 anos, eu não iria para estrada”. Apesar do desânimo, parece tarde para mudar de profissão. E parar de trabalhar está fora dos planos. “Pensar em me aposentar, eu penso. Mas não vou, infelizmente. Não tenho carteira assinada”.
    Enquanto toma um café no bar do posto Garoupa, Zona Norte de Porto Alegre, às margens da Freeway, Lauro prepara a próxima viagem. O destino é Belém, no Pará. A estimativa de um trajeto de aproximadamente cinco dias. Em meio à organização, lembra das dificuldades que poderá encontrar no caminho, especialmente os constantes assaltos e a precariedade de algumas estradas. Para Lauro, tudo isso, misturado com os sentimentos pessoais, ajudam a desenvolver o estresse na atividade. “Eu viajo, eu preciso trabalhar, não adianta. Não tem outro caminho”, suspira, conformado.
    “Minha filha nasceu. No dia em que ela nasceu, eu estava aqui. Quando levamos ela para casa, meu caminhão já estava carregado. Eu saí para viajar e fiquei vinte e poucos dias fora. Quando eu voltei, ela já tinha um mês. Imagina isso”, conta Lucas Silveira Lucrécio. Com apenas 30 anos, viveu cinco deles como caminhoneiro. A estrada não era, exatamente, o seu lugar. Porto-alegrense, hoje experimenta uma rotina distante das constantes viagens, mas vivencia diariamente as experiências dos motoristas. Lucas trabalha com agenciamento de cargas, junto com o pai, no Posto Garoupa.
    Lucas abandonou a estrada mas ainda sente saudade da vida no asfalto

    “Depois de um ano do nascimento da minha primeira filha, eu abandonei a estrada”. Para ele, a família foi fundamental para a escolha de abrir mão da rotina nômade de caminhoneiro para administrar um escritório junto com o pai. Apesar da desistência, algo do dia a dia de caminhoneiro faz o olhar de Lucas brilhar. Por vezes, gostaria de sentir o cheiro do asfalto de novo. “Faz falta a viagem, não ficar todo dia no escritório. Na estrada é bem melhor”.
    Lucas transportava carga para todo Brasil. Sobre os sentimentos – e pensamentos – ao longo dos percursos, revela que a estrada pode ser uma ótima companhia em muitos momentos. Mas a ausência da base familiar é um fator que pesa na profissão. “Na estrada, você não tem solidão. Os caminhoneiros são muito unidos. Você sempre tem uma amizade em suas paradas pelo caminho. O problema, mesmo, é a saudade da família”.
    Saudosista, relembra que no início da profissão tinha uma paixão pelo veículo. “Eu gostava. Para mim, era tudo. Eu não queria sair de dentro do caminhão”. Mas o tempo desvalorizou a profissão. Por isso, não voltaria a  exercer o ofício que sempre o encantou. “Do jeito que o cenário está, eu não volto. Só se melhorassem muito as condições gerais da profissão e eu não tivesse outra atividade. Só se eu não conseguisse mais manter a minha família”.